terça-feira, dezembro 30, 2008

Adeus ano velho...

Decidi não fazer nenhum tipo de restrospectiva de 2008. Nada de eleger melhor filme, livro, disco ou momento. Não vou olhar para trás, ainda mais num ano como este que chega ao final daqui pouco mais de um dia. Mas fico feliz em saber que amigos realizaram sonhos: viajaram, conseguiram um emprego melhor, compraram um apartamento, casaram, tiveram filhos. São realizações que realmente importam, sobretudo quando acontecem com quem a gente quer bem.

Estou com o Alê no Rio de Janeiro, na casa dos amigos Patrícia e Arthur. Viajar no Réveillon, depois de anos em casa não dando a mínima para essa passagem, pode ser bacana. Apenas por fugir da rotina. Aquela ansiedade que a mudança no calendário traz não faz parte do meu folclore pessoal desde criança.

Então, fico contemplando a vista para o Cristo, sentindo a brisa que vem do mar. Já tomamos chopes, comemos bolinhos de bacalhau (contrariando minha reeducação alimentar que foi para o saco desde o natal), passeamos na Visconde de Pirajá, fomos trapaceados por um carioca que nos entregou um O Globo de domingo no lugar do de segunda (e quando sentamos para ler, nos demos conta de que estávamos a quadras da banca em meio a um mormaço terrível), aderimos ao chinelo por tempo quase indeterminado...

De terça (hoje) em diante vamos fazer programas mais leves. O primeiro dia tem um afã turístico, uma certa insanidade. O Rio, para o bem e para o mal, deixa todo mundo meio insano. Tudo é muito bonito, desleixado, extraordinário, caótico, caro e democrático. De modo que é preciso entrar numas de "em Roma como os romanos".

Enfim, esse meu último post de 2008 está meio divagante, quase com sono, meio desajeitado (sem mouse para ajudar na digitação e eu sou meio dependente dele, confesso), com o estômago cheio, com um tiquinho de cólica (atrapalhando minha praia) e a consciência pesada (não corri, como planejava, e tenho comido muita bobagem, como relatei). Essa sou eu. Posso me esforçar para ser melhor em 2009, como venho fazendo desde 1977.

Feliz ano novo!

terça-feira, dezembro 23, 2008

Eu viveria como dondoca sem problema algum



Há pouco me dei conta que não morreria de tédio ou culpa se não tivesse que trabalhar ou vá lá, que minha jornada fosse radicalmente reduzida. Muita gente pode achar absurda tal afirmação. O fato é que defendo cada vez mais menos tempo no trampo, com maior remuneração: "por uma vida menos ordinária" simplesmente.

Não me sentiria bem trabalhando num esquemão de alguns funcionários públicos, longe disso. No meu mundo de malboro, desejaria que lixeiros, manicures, engenheiros, médicos, quase todo mundo trabalhasse umas quatro horas por dia no máximo e fosse muito bem pago. Seríamos mais felizes, estudaríamos com afinco, cuidaríamos melhor de nossos parentes, amigos e, boa parte das pessoas, de suas próprias vidas.

Um dia de recesso foi mais produtivo do que muitos no escritório. Atualizei playlists do ipod, li as notícias do dia, corri, almocei com o marido, fui ao supermercado, fiz acupuntura, entreguei lembrancinhas de natal, tomei um lanche (com direito a uma taça de malbec) com minha mãe e minha irmã, fiz as unhas e pude brincar com meu gatinho um tempão...Tudo isso com calma e prazer. A vida poderia ser mais assim e menos daquele jeito, o da segunda a sexta entre a manhã e a noite, com eventuais finais de semana e feriados.

O jeito é aproveitar o recesso. Mesmo que surja aquele bodinho básico quando janeiro chegar.

sábado, dezembro 20, 2008

"Um Pensamento"

Antes de começar, a letra do Walter Franco assaltou minhas idéias: "lembrar de esquecer, esquecer de lembrar". O dia de ontem se enquadra na categoria do verso. Banal dizer que o sol e a tempestade foram metáforas. Penso na gentileza, na delicadeza do presente recebido no final de expediente. Tão emocionantes como o cartão que chegou pelo correio de alguém com quem se conviveu no dia a dia de trabalho e deixou uma coisa boa por prazo indeterminado. Ainda teve o contentamento de quem preparou delícias que tinham como finalidade agradecer, desejar coisas boas para os outros.

Enquanto tomava um banho (que devia ser de sal grosso), tentei entender o desconforto e a mágoa. Foi quando me ocorreu que uma das pessoas mais incríveis e generosas que conheço, até ela, cultivou por alguém (outrora querido) uma mágoa que culminou num rompimento irremediável. Neste caso havia uma relação de extrema cumplicidade e, por um extremo e imperdoável desrespeito, tudo mudou. Reflito sobre isso porque venho refletindo sobre uma série de relações "fraternais", digamos.

No ano passado rompi com uma amiga de quem muito gostava, ou gosto, não sei. Foi um tremendo mal entendido, mas não teve volta. Recentemente venho avaliando com mais rigor o que eu julgava como laço de amizade. Talvez alguns estejam frouxos e não sejam passíveis de reatar. Entretanto não quero, não vou e nem preciso chegar ao ponto da indiferença. Se o amor entre duas pessoas se transforma, por que a amizade não se transformaria? Ela pode ser superior, como cantou Caetano, porém é de uma inocência sem fim imaginá-la eterna.

Dei uma volta para chegar no ponto: eu não quero ter um milhão de amigos, como o Roberto. Esse desejo parte de uma extrema insegurança. Eu prefiro ter um milhão de pessoas - que mesmo que eu mal conheça ou que nem freqüentem minha casa - que me respeitem. No fatídico dia que virou passado conclui que certos exercícios não levam anos, mas vidas desde que não sejamos céticos o suficiente para pensar nas possibilidades. "Somos acidentes prestes a acontecer", li no perfil de orkut de uma amiga. Nos embates, prefiro imaginar que há a tal lógica dos três lados. Ainda assim, não é divertido, agradável ou bom ficar extremamente chateado com alguém com quem você se importa minimamente. Eu fiquei. Porém um sentimento triste me invade e, ao mesmo tempo, me conforma: nada disso dura muito ou te perturba depois que você já teve uma cisão com um amigo de verdade.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Mais uma da série "just like me"

A Gaveta - por Antônio Prata
(publicado no Estadão)
O ano vai chegando ao fim e decido arrumar a gaveta. Há várias gavetas em minha casa, evidentemente, mas refiro-me a uma em especial, onde há um tempo eu guardo os documentos, recibos, comprovantes de carta registrada, esses papéis fugidios que, como toda pessoa desorganizada, temo precisar um dia e não encontrar: “a geladeira pegou fogo no dia que instalaram, mas pergunta se ele tinha recibo?”. “Fraudaram um cheque de treze reais e agora tá devendo cento e trinta mil ao banco. Tivesse guardado os canhotos...”. “Lembra do Antonio? A Receita apareceu com o exército, perguntando pela página dois da declaração de 1998. Não achou. Parece que tá lá em Guantánamo, aguardando julgamento”. Agora, quando surgem esses pensamentos, lembro-me que em meio à barafunda que é minha casa, ao caos cartorial e burocrático que é minha vida, há esse cercadinho de juízo e precaução, zelando por meu sono: a gaveta.
Acontece que com os anos os papéis foram se acumulando e a gaveta tornou-se, ela também, um inferninho. Quase não fecha de tão abarrotada, na última eleição levei meia hora para achar o título de eleitor e começo a temer que se os homens de preto interfonarem, não encontrarei a página dois da declaração de 1998 antes que subam as escadas e derrubem a porta. O ano termina e, num ato de fé e otimismo, digno do mês de dezembro, decido arrumá-la.
De início não encontro dificuldades: contratos aqui, recibos ali, essas pragas azuis e amarelas do redeshop vão pro lixo... Vou fazendo pilhas temáticas, imagino pastas coloridas e etiquetadas, em 2009 cada coisa terá seu lugar, tudo será facilmente localizável, a vida parece simples, penso até em começar uma natação.
Aos poucos, no entanto, surgem os problemas -- se os armários escondem esqueletos, caro leitor, as gavetas também guardam seus ossinhos: esse cartão postal, eu respondi? Tenho que mandar a cópia do PIS para o SESC. O IPVA... Céus, não paguei o IPVA. A pilha das pendências vai crescendo, crescendo, então desaba sobre mim. Pastas não darão conta do recado: não é a gaveta que precisa ser organizada, é a vida. Preciso ganhar mais dinheiro. Preciso acabar meu romance. Ver mais os amigos e pagar a conta de luz. Preciso estabelecer prioridades, metas. E cumpri-las, claro. Preciso de uma secretária. Não, não, de uma analista. Perder uns quilos não seria má idéia. E se eu fizesse abdominais? Preciso ler Proust. Do alto da pirâmide de papel, trinta e um anos me contemplam: afinal, Antonio, o que você quer da vida?
Desisto. Não adianta. A gente faz o que pode. É tarde. Sou isso aí, o conteúdo da gaveta e o que está fora dela. Paciência. Guardo tudo de volta. Dois mil e nove que venha. Semana que vem compro um baú. E fim de papo.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Amigo Oculto da Noir 2008

O tema foi erótico e a festa foi da pesada!


Rangel "introduzindo"...a festa


Flavinha dando aulas de pompoarismo


O fator Selton Mello


A cueca do "tradicional" Alisson



Decifrando o kit que ganhei do Rafa



Mamãe e Robinho "Eat Me"


O bolo fálico



Bom, essas são as que possuem conteúdo apropriado para um blog lido por menores. Espeschit, nossa jovem aprendiz é autora das fotos. As da festa e as "proibidas" estão em processo de importação da câmera para o computador. Em breve, notícias.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Na mão

Comprei meu primeiro ingresso para o Radiohead no Rio, em dólar, pelo site oficial. O James já sabia da venda super antecipada. Antes da meia-noite comprei ingresso para São Paulo, em real, de maneira inacreditavelmente rápida no ingresso.com. Olha, foi o primeiro show em que me senti respeitada. Nenhuma confusão ou congestionamento, como já cansei de ver (e perder shows por conta disso). Estou super feliz!

quinta-feira, dezembro 04, 2008

A expectativa



Não adianta o mundinho indie desprezível ficar especulando sobre adiamento dos shows do Radiohead no Brasil e tão pouco reclamar do valor do ingresso. Hoje eu só quero saber do mais rápido possível balanço das horas para eu comprar os meus!

terça-feira, dezembro 02, 2008

Da Preguiça



Aproveito o mormaço sufocante dos últimos dias para refletir sobre esse pecado capital, que é cada vez mais praticado por mim. A preguiça faz parte de um top 3 pessoal. No último lugar permanece a avareza, só para esclarecer.

Física e mental, a preguiça está comigo desde o momento em que abro os olhos, pela manhã. Não sou do tipo "bom dia flor do dia" e demoro a esboçar uma expressão simpática antes das nove. Então vem a preguiça de malhar, quase sempre driblada e às vezes adiada para a hora do almoço ou depois do expediente. Ao escolher a roupa, prefiro a que não exija de mim o esforço de ter que passá-la. Deixo de sair com o vestido que não uso há muito e adoro porque tenho preguiça monumental de usar o ferro.

No quesito "situações cotidianas", a lista é grande. Eu tenho preguiça de ir ao salão fazer unha e depilar. Vou arrastada pela minha vontade de não parecer a "Monga- Mulher Gorila" ou mesmo sugerir um aspecto descuidado. De cortar cabelo eu não tenho preguiça. De fazer compras no supermercado eu tenho, com marido mais ainda. Agora se for bolsa, sapato, acessório ou roupa, eu nem sei o que é preguiça. Porém não me apetece a idéia do provador.

Tenho sentido preguiça absurda de rotina, de fazer todo dia a mesma coisa e, para piorar, no final de semana pegar um DVD na Dumond, pedir um japa ou uma pizza e nem ver a luz do sol ou da lua durante os sábados e domingos. Tenho preguiça de trabalhar em dias chuvosos; de sair para almoçar e voltar com a barra da calça molhada. Tenho preguiça de reunião, de discutir relação (essa é nova na série) e de fazer relatório.

A cada dia surge uma nova preguiça e algumas pessoas, jurídicas principalmente, quase me fazem morrer dela. Não tenho nenhuma preguiça de animais, fora os peçonhentos que, óbvio, me causam pânico, algo muito diferente de preguiça. Não sei se a idade está me influenciando a mudar de opinião e passar a nutrir preguiça por pessoas e coisas que não tinha. Pode ser que eu esteja ficando mais ranzinza.

A lista de "personalidades" de que tenho preguiça contém clichês, como o mundo de malboro do jornalismo (não adianta, eu não cito nomes), as celebridades como um todo e nomes talvez menos óbvios. Gente que o mundo adora, acha talentoso e eu até concordo, mas...tenho preguiça.

Tenho preguiça do Rappa há algum tempo e do Selton Mello recentemente. Há, ainda, unanimidades que tomam conta de discussões de mesas de bar e me deixam no vácuo nas conversas como o Lost. Tenho preguiça de churrasco enquanto evento e de comida chinesa. Tenho preguiça de diversos lugares em Belo Horizonte onde estão as mesmas pessoas, acima de tudo, do "BH way of life". Confesso: tenho discos do Rappa, admirava bastante o Selton Mello, tentei acompanhar Lost, não sou vegetariana e já me entupi de rolinhos primavera na infância. Até foi assídua em certos lugares que hoje evito e o jeitinho belo-horizontino saltou de uma irritação subconsciente para a consciente.

A cereja do meu bolo de preguiça vem agora com o famoso "fazer o social". Amanhã tem mais e, para fazer a linha "killing me softly", durante quase todo o mês de dezembro, com seus amigos ocultos e festinhas regadas a cerveja quente e fritura fria. Ai que preguiça!

sexta-feira, novembro 28, 2008

Quiroga para Áries - Hoje

Grande parte das discussões, brigas e desavenças perderá todo o sentido por causa de outro tipo de acontecimento que se tornará mais importante do que todo o resto. Mais vale elevar a mira e começar a se guiar por outra estrela.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Isso são horas?

Lembrou-se da figura clássica do marido insatisfeito, que sai do serviço e vai direto para o bar. Nem sempre sai acompanhado, embora possa encontrar algum conhecido. Não necessariamente quer sentar-se à mesa para bater um papo. Deseja, na maioria das vezes, algo bem forte, um trago, que o faça esquecer, naquele breve momento, da rotina sem graça, das reclamações da mulher, das contas, dos filhos adolescentes malcriados, da calvície, da falta de iniciativa, de grandes idéias que tivera quando jovem.

Ele olha fixamente para o vidro engordurado que emoldura o balcão e tenta escolher entre o torresmo e o bolinho de mandioca. Ambos estão passados, porém a triste figura decide mastigar algo com muito molho de pimenta. Assim, talvez, não deva sentir o gosto amargo na boca que lhe parece bem menos agradável. Pede outra dose, olha para o relógio e planeja não chegar em casa durante a novela. Se a mulher ficar suspirando pelo Tarcísio Meira, melhor para os dois: não há conflito e, mais importante, não há conversa. Sabe que deve passar na padaria e, como de praxe, vai se esquecer de levar o pão doce do café da manhã do dia seguinte. Será observado com reprovação, ainda mais com aquele hálito quente e forte.

Lembrou-se de que não tem nada a ver com a vida medíocre daquele homem cuja falta de brilho nos olhos desconcerta qualquer pessoa. Entretanto, ao contemplá-lo em sua memória, pôde se não compreendê-lo, não julgá-lo de forma tão cruel. Concluiu que "em caso de emergência, suas portas encontrariam-se destravadas e as saídas desobstruídas". Contudo ante ao inconclusivo diagnóstico, o terapeuta protelaria a sua "alta" e recriminaria (profissionalmente) suas eventuais fugas desastradas e mal planejadas. O homem, assim, virou um fantasma.

(De vez em quando aparece para tomar de assalto os pensamentos).

Notícias que realmente importam

A vida do Radiohead ao Brasil. Os ingressos começam a ser vendidos dia 05 de dezembro e eu irei aos dois shows.

domingo, novembro 23, 2008

Rever amigos...

Ontem tomei um dos melhores chopes na minha vida. Não era artesanal, nem sei de qual marca era na verdade. Tomei o melhor chope da minha vida porque estava na companhia de amigos queridos, que eu gostaria de encontrar com mais assiduidade. Eu, Alex, Mari e Marcelo fomos ao Genial, na Vila Madalena, dar boas risadas. Dei um tempinho na dieta e comi deliciosos bolinhos de camarão. Suspeito até que a felicidade emagreça, pois dormi bem, sonhei coisas boas, dentre elas que eu já estava com o ingresso do Radiohead na mão. Hoje, minha dose de alegria se completou com o almoço no "clube milhofa" com meu "irmão" Luiz, minha amiga Telma e Nina, o bebê mais lindo do mundo. Depois da chuva, subi a Augusta silenciomente, como fiz muitas vezes. Sentei no Café do Ponto e tomei dois expressos aromatizados. Li revistas sem pressa, como em outras circunstâncias aqui em São Paulo. Pensei que a vida poderia ser melhor e tentei bolar simples planos daqui por diante.

sábado, novembro 22, 2008

Vôo Cancelado

Aqui estou eu mais uma vez presa em Confins. Como nos tempos do apagão, na minha época de ponte aérea Belo Horizonte-São Paulo. Resolvi adiantar em um dia uma viagem de trabalho, para ter tempo de rever amigos de quem sinto muita falta. Acho que sempre irei alimentar esse vazio porque talvez voltar não tenha sido uma boa idéia.Venho admitindo isso mais conscientemente. Passei a enxergar a nova vida velha de um modo não tão otimista. Pouco tempo me sobra para fazer aquilo que me dá prazer e as limitações culturais e profissionais do lugar onde nasci ainda pesam.

Como naquela propoganda da havaianas, a gente só pode criticar o que conhece. Eu me sinto nessa propriedade: sei que para muitos, sou vista como dura ou incisiva nas minhas opiniões. Não é só a cidade, mas muitas pessoas que moram nela. Há uma falsa simpatia no ar, uma hipocrisia que se traveste de "valores". Posso ter perdido a inocência, porém não atribuo essa "culpa" a outra pessoa que não eu mesma.

Fiz uma separação radical de quem são aqueles de quem gosto, tenho carinho e quero que sejam meus amigos. Considerando esse corte, a maioria arrebatadora do meu convívio passa a receber de mim da cordialidade de ocasião à indiferença. Neste último caso, referindo-me aos de temperamento sórdido. Eu não sou santa e confesso que até tento ter raiva. Ela dura no máximo um dia. Opto agora pelo "bom dia, boa noite e boa sorte", desejando do fundo da minha alma que a criatura tenha uma vida tranquila bem longe de mim.

Ainda falta um bocado para eu embarcar. Levo na mala alguns presentes e a convicção que, mesmo a trabalho, conseguirei ter momentos bacanas nesses dias cinzas, simplesmente por rever quem eu quero. Como falei, estou cansada da falsidade: preciso de gente verdadeira, que me admire sem reservas, sem falar mal de mim pelas costas (como eu sei, vem acontecendo por aqui, sobretudo com quem se posiciona como "amigo" meu e não é). Não preciso dessa merda e sei nitidamente com quem de fato posso contar, com quem, ainda que me decepcione, saiba reconhecer a mancada. Eu também decepciono. Todos os dias, principalmente a mim mesma.

terça-feira, novembro 18, 2008

Do check-up

Resolvi fazer meus exames de praxe entre outubro e novembro. Os resultados começam a sair e entre taxas, números e siglas, preciso de explicação médica que, às vezes, encontro somente no google. Minha nova endocrinologista ligou dizendo que meu colesterol HDL estava muito baixo. Como ela sabe que eu não fumo e faço exercícios, disse que eu devia monitorar, pois imaginava ser um problema genético. De resto, tudo ok. Fiquei encucada com essa necessidade de acompanhamento, já que até então cumpria essa rotina com ginecologista, oftalmologista, dentista e angiologista (desses dois, confesso, tenho andado milhas e milhas distantes).

Vasculhando no Drauzio Varella (sim, sou super hipocondríaca), achei "HDL baixo isoladamente é fator de risco. Em trabalho recente realizado, analisamos a relação triglicérides e HDL, uma vez que triglicérides isolado também é fator de risco. O estudo mostrou que, quando essa relação está aumentada, ou seja, triglicérides aumentados ou HDL baixo, não só a detecção da doença coronária é 5 ou 6 anos mais precoce do que nas pessoas em que essa relação é normal, como a ocorrência de infarto também é muito mais precoce.

Essas conclusões nada têm a ver com LDL. Estamos lidando agora com HDL e insistindo que em níveis baixos ele é um fator de risco importante. Estamos demonstrando, ainda, que é possível corrigir o HDL baixo de três maneiras: não fumando, fazendo exercício físico e tomando um remédio, a niacina, que aumenta os níveis de HDL e corrige a disfunção endotelial".

A disfunção é a menor capacidade de dilatação dos vasos (?), como refere-se o artigo. Ok, vou ter que (con) viver com isso, mesmo não sabendo direito o que é...

Enquanto ninguém me preescreve niacina, sou reconhecida pela tarja preta no lugar em que almoço. Explico: por indicação da Lili, dei uma entrevista sobre antidepressivo no Estado de Minas e fiquei com a sensação de ser mais observada desde domingo, quando a matéria foi publicada. A Roseli, minha diarista, elogiou a foto. No elevador, um vizinho, que é professor universitário, gostou da minha postura e hoje no almoço, uma moça me abordou numa ode às tarjas preta e vermelha. Dá-lhe fluoxetina. Ainda que eu não tome mais por causa da acupuntura, me fez bem por um tempo.

Espero as férias como uma criança espera o natal. Meu próximo check-up será na cabeça.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Três em um

Vou colocar três posts de uma só vez...

Primeiro, a dica

Não costumo advogar em causa de meus clientes por aqui, com algumas exceções. Não há uma razão específica para isso e, talvez, eu deva dar dicas interessantes no blog, a partir do que divulgo...Enfim, quero convidar a todos os leitores para prestigiar o trabalho do Alexandre Vogler, na Galeria Carminha Macedo (Rua Bernardo Guimarães, 1.200, Funcionários). A vernissage ontem dividiu opiniões. Em "Base Para Unhas Fracas" o artista carioca provoca sim, mas a discussão.

De acordo com o próprio, "a adequação do mobiliário urbano às regras do capital é um exemplo da transformação da paisagem das cidades em grandes corredores de publicidade estática. As imagens veiculam aquilo que o espectador-pedestre quer vê. Campanhas publicitárias são precedidas por pesquisas de opinião que estabelecem a conformação dos elementos simbólicos contidos nas imagens.

Isso produz a sensação de prazer e deleite aos consumidores em potencial, capturados pela força de composições sofisticadas e bem produzidas. O julgamento estético recobre o julgamento ético nesse grande campo simbólico que se transformou a paisagem imagética das cidades.

Dessa forma, recorro a uma imagem ordinária que, veiculada junto a um vidro de esmalte de unha, reproduz uma campanha publicitária de um cosmético.
A escolha deste segmento deve-se a fetichização da imagem da mulher em campanhas dessa (e outras) natureza como apelo de consumo. Assim, imprimo as mãos de uma mulher casada, com unhas pintadas de vermelho, sobre imagem manipulada que faz alusão ao órgão sexual feminino".

Vogler espalhou lambe-lambes em BH com imagens de seu "anúncio". Claro que hoje pela manhã jornalistas mais ligados à cadernos/editorias de Cidades do que Cultura me ligaram frenéticos para pautar a "polêmica". Isso sem ter o release à mão, sem saber do que se trata. Somente pelo barulho.

A questão não é entender/ gostar (de) arte contemporânea. Se mais pessoas além do "cercadinho da cultura/arte"(não necessariamente tão entendedores como se fazem parecer) em redações se interessam, missão quase cumprida. Quase porque a reflexão não necessariamente está em pauta. E olha que dessa vez, eu não acho que seja algo típico somente de um lugar "fora do eixo" como Belo Horizonte.




Segundo, do Comunique-se


Senado vai punir jornalista que respondeu email com um palavrão

Sérgio Matsuura, do Rio de Janeiro

A TV Senado vai abrir inquérito para apurar denúncia de mau comportamento no uso do email pelo jornalista João Carlos Fontoura. Na quinta-feira, ele teria respondido a uma proposta de pauta do assessor da secretaria de Emprego e Relações de Trabalho de São Paulo Vinícius Prado de Moraes com um email dizendo “F...!”.

O diretor de comunicação do Senado, Helival Rios, informa que o episódio é “muito inusitado” e causou imenso mal-estar na Casa. Segundo Rios, o presidente do Senado, Garibaldi Alves, exigiu explicações sobre o caso.

“O jornalista não é um João ninguém. Ele representa o Senado Federal. Será aberto inquérito e ele será punido. Nós solicitamos que o destinatário do email formalize a queixa”, afirma Rios.

O assessor da secretaria paulista se disse surpreso com a resposta que recebeu e explica que a sugestão de pauta, sobre a participação do secretário Guilherme Afif em uma audiência pública, foi enviada para jornalistas de vários veículos.

“Quando chequei a minha caixa, vi uma resposta: “F...!”. Eu respondi ao email agradecendo a confirmação de recebimento do aviso de pauta”, conta Moraes.

Na tarde desta sexta-feira, Moraes recebeu um email de desculpa enviado por Fontoura. Nele, o repórter da TV Senado diz ter confundido a mensagem com um SPAM.

“Acredite, não foi minha intenção atingi-lo pessoalmente ou profissionalmente. Menos ainda ao senhor secretário Afif Domingos. Não foi, certamente, uma atitude compatível com a de um servidor público com 24 anos de serviços prestados ao Senado Federal. Creio que estava num mau dia”, escreveu Fontoura no email de retratação.


Isso é apenas mais uma prova de que jornalistas de redação e de assessoria estão de lados opostos. Eu fiquei mais tempo do lado de lá e tive contato com alguns (poucos mesmo) assessores malas. A maioria sempre foi gentil. Mas hoje percebo que é muito mais uma questão de respirar fundo.

Terceiro, do Antônio Prata


Blowing in the wind
Meu pai nunca entendeu que eu e minha irmã não tínhamos a mesma idade que ele. Isso não se restringia a nós nem mudou com o tempo: até hoje ele conversa com uma criança de três anos de igual para igual, o que faz com que elas o adorem, como se o tom as promovesse a outro patamar. Quando você é filho, no entanto, a coisa é um pouco mais complicada.
Era domingo e não sei por que cargas d’água meu pai resolveu nos levar ao Pico do Jaraguá. Não era o tipo de programa que fazíamos nos fins de semana -- um sim, um não -- que passávamos com ele. Íamos a restaurantes, bares, às casas de amigos dele, ao cinema ou ao teatro. Aquele, contudo, era um domingo atípico, tanto é que a Julia, minha meia irmã (filha do meu padrasto), também estava conosco.
Lembro-me de estar deitado no banco de trás da Brasília, com as pernas esticadas por cima do encosto e a cabeça pendendo entre os bancos da frente, próxima à base do freio de mão. Hoje em dia, se a polícia pára um carro e flagra uma criança nessa posição, o motorista deve perder a carta, talvez até guarda dos filhos, mas estávamos em 1984 e o mundo era outro, não se usava cinto de segurança nem protetor solar, as pessoas não andavam por aí com garrafinhas d’água, como se fosse o elixir da vida eterna, fazíamos cinzeiros de argila para os pais nas aulas de artes e o colesterol era apenas uma vaga ameaça de gente paranóica, como a CIA ou a KGB, dependendo da sua visão de mundo; de modo que eu seguia feliz, estrada acima, vendo as árvores passarem de cabeça para baixo, lá fora.
Foi a Maria, minha irmã mais nova, sentada próxima a janela da esquerda, quem deu o alarme: “Ó lá ela chupando o pinto dele!!!”. A Julia pisou na minha barriga, passou por cima de mim e também grudou a cara na janela, eu levantei correndo mas só cheguei a tempo de ver uns vultos dentro da Variante bege parada no acostamento. A Maria jurava ter visto direitinho: o cara pelado, uma mulher chupando-lhe o pinto. Nós três começamos a pular e gritar no banco de trás, como chipanzés amotinados. “Chupando o pinto!”, “Hahahaha!”, “Chupando o pinto dele!”, repetíamos, sem acreditar que havíamos passado tão próximos daquele evento inencaixável na ordem geral das coisas. A gritaria estancou de imediato quando meu pai, com a naturalidade de quem discute a situação com senhores de cinqüenta anos, perguntou: “o que é que tem?”.
Até aquele segundo, em minha vida, chupar pinto não tinha nenhuma relação com a sexualidade humana, o prazer, o afeto. A frase “chupa meu pinto!” pertencia ao terreno das ofensas, ao jargão do futebol, como “prensada é da defesa”, “gol só dentro da área”, e “vou te encher de porrada” – essa sim uma ameaça que poderia ser cumprida. Chupar o pinto era metafórico, como “cospe e sai nadando” ou “vai ver se eu estou na esquina” e jamais tinha passado por nossas cabeças (eu devia ter uns nove, a Julia oito e a Maria, sete) que alguém de fato fizesse aquilo -- e por que faria?!
“Não sei do que vocês tão rindo tanto”, continuou meu pai, sério. Eu só consegui gritar o óbvio, de pé no assento de trás, metendo o corpo entre os bancos da frente: “pai! Ela tava chupando o pinto dele!”. Meu pai abanou a cabeça. “Antonio, chupar pinto é uma coisa muito normal. E saudável. Todo casal faz isso” – ele disse, e acreditem: era só o começo. O pior, o que subverteu todo o arcabouço conceitual construído até meus nove anos, o que provavelmente faria com que fogos de artifícios fossem vistos nos dois hemisférios do meu cérebro, caso estivesse num desses aparelhos de ressonância magnética, o que, dada a intensidade, provavelmente fixou toda a história em minha cabeça, desde a posição em que me encontrava no banco da Brasília até a cor do céu, quando chegamos ao mirante, lá no alto, viria a seguir: “Normal, sim. A Juliana chupa meu pinto. A sua mãe chupa o pinto do marido dela. Sua avó chupa o pinto do seu avô. A tia Lurdes chupa o pinto do Augusto, a professora Carla chupa o pinto do Josué, ah!, os homens que namoram homens então, como o Pedrinho e o Ivan, chupam muito o pinto um do outro. Todo mundo que namora faz isso. E é muito gostoso. Não tem porque rir.”
Chegamos ao Pico do Jaraguá, descemos do carro e vimos o pôr do sol. Eu olhava a cidade lá longe e só conseguia pensar que por trás de cada janela, dentro de cada carro, debaixo de cada teto, atrás de cada porta havia pessoas que chupavam ou eram chupadas, meus pés pisavam sob um planeta onde dois bilhões e meio de seres humanos colocavam os pintos dos ouros dois bilhões e meio na boca. Talvez fosse o vento, ou a memória tenha inserido o áudio mais tarde sobre a imagem, mas o som que eu ainda ouço, lá no alto, é equivalente ao de um canudo do tamanho de um prédio puxando o último gole de um copo gigante de milk-shake: sssrrrrrrrlllllllllllluuuuuuuuurrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrp!
Na volta, ninguém falava nada. Entramos em casa correndo, com os olhos arregalados. Não tão arregalados quanto ficaram os de minha mãe, meu padrasto e mais uns dois casais de amigos, que tomavam vinho e comiam alguma coisa, quando desandamos a falar: “Mãe! Mãe! É verdade que você chupa o pinto dele?!”. “A vovó chupa o pinto do vovô?!”, “A minha avó também, pai?! A minha avó também chupa pinto?!!”, “Todo mundo?! Todo mundo chupa pinto?!”. “Mãe, mãe, quando eu crescer eu também vou ter que chupar pinto?!”. “Com que idade?! Com que idade começa a chupar pinto, pai?!”.
A última cena de que me lembro nesse dia é vista do alto da escada, de onde eu estava bisbilhotando, já de pijama. Havia taças vazias e pratos sujos na mesa, os casais tinham ido embora. “Mas será que você não entende? Eles são crianças!”, dizia minha mãe ao meu pai, pelo telefone, aparentando mais cansaço do que raiva na voz. Não lembro com que sonhei naquela noite.


Genial, como sempre. Morri de rir dessa crônica que me lembrou um pouco minha infância. Meus pais faziam a linha do Mário Prata e, não raramente, eu deixava as pessoas coradas.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Delay






Equipe Noir fazendo a linha comportada e com Warley, nosso simpático motorista (fotos: Fabiano "Carrarinha" Aguiar)



Era para esse post estar aqui desde segunda, mas quem disse que deu tempo? Como ainda tenho memória, vou passar impressões (datadas, eu sei) e fatos do final de semana assim mesmo. Afinal, o blog é meu e eu faço dele o que eu quiser (um clássico dos arianos usar essa frase). Até postar notícia velha e indigna de comentário. Vamos lá:

- Mega Space: Nunca havia ido àquele lugar. Fora o calor insuportável, achei uma alternativa boa para festivais. O povo de Pequenópolis fica chiando que é longe, é longe, mas fora o Sesc Pompéia nunca vi show nenhum perto da minha casa em São Paulo. E por essas bandas, tudo é melhor que Chevrolet Hall (a acústica de lá é um lixo e pronto).

- Shows: Por uma série de razões, não vejo a maioria esmagadora. Os internacionais foram mais fáceis. Maroon 5, apesar de não me apetecer, fez uma ótima apresentação e levantou a galera. Offspring foi uma decepção. Também com o Dexter gordo e sem fôlego, só restava um "thank you", depois do cumprimento da tarefa.

- De tirar o fôlego: Eu nunca achei o Maroon 5 nada de mais. Em todos os quesitos, mas aquele Adam Levine é muito lindo. Lindo, mesmo não fazendo o meu tipo. Lindo de desconcertar (fiquei sabendo que deu sopa na Obra depois. Fato que posso lamentar à vontade, já que meu marido não lê esse blog). Nos clipes e fotos ele não passa essa impressão.

- Troféu artista fofo: NX Zero. Foram pontuais e extremamente gentis com todos. A Noir virou fã, posso assegurar.

- Troféu artista mala: Big Cry, pelo enésimo ano consecutivo. "Disseram por aí que a gente não tocaria no Pop Rock Brasil", gritou pro público. Se eu tivesse um microfone na mesma potência, retrucaria: "Eu disse. E pena que você e sua banda chinfrim vieram".

- Mico: Eu sei que tenho que fazer a linha discreta, mas chegou ao meu ouvido que na coletiva do Strike uma pessoa com a credencial de imprensa perguntou se agora que a banda está mais famosa em relação ao ano passado (?), ela está beijando mais fãs na boca (??????????). Fernandinha não se conteve e falou para a fofa reservadamente que isso é constrangedor. Bons tempos quando as pessoas saíam pautadas ou informadas da redação. Depois dizem que eu implico à toa com os meus "colegas".

No mais, as groupies continuam a cercar camarins, os artistas iniciantes continuam atrás de jornalistas e artistas famosos com seus demos, algumas panças não páram de crescer (e deveriam parar, afinal Dinho Ouro Preto do alto de seus enta, continua sequinho), vários bicos insistem em dar carteirada (acho isso o fim da picada porque a figura necessariamente perde a linha vem com aquele "você sabe com quem está falando?". E claro que eu não dou a outra face) e mesmo dizendo que não no calor (e que calor) da hora, a gente se diverte no final.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Pára Tudo!!!!!!!!

Como assim, minha banda favorita virá ao Brasil??? Vou dar um jeito de comprar ingressos pro Chile porque aqui é uma presepada!!!

quinta-feira, novembro 06, 2008

Even Flow



Tenho ouvido mais músicas da minha adolescência do que nunca. Saudade dos tempos que eu achava que homem perfeito era o Eddie Vedder, que meus grandes problemas giravam em torno da minha eterna incompreensão dos conceitos da física e da química e que meus cassetes de rock salvavam um dia chato. No mais (e nada a ver com esse post), fiquei emocionada com a vitória do Obama.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Dica cultural para hoje



Martha lança hoje, às 19h, na livraria Quixote, em Belo Horizonte. Mais do que recomendo porque antes de ter o privilégio da companhia dela para almoçar e falar sobre mil assuntos, eu já admirava muito suas bem traçadas linhas.

domingo, novembro 02, 2008

Vendo o domingo passar

Hoje teve almoço em família. Franguinho "suado", receita da vovó Celinha, que mamãe faz com perfeição. De acompanhamento, farofa de couve. Amo couve. Eu já disse que quando eu tinha uns 2-3 anos, fugi do berço na madrugada para atacar a couve do jantar na geladeira? Meus pais preocupados com meu "sumiço" e eu lá, sentada no chão da cozinha comendo feliz a verdura.

Domingo tem um bode clássico, a programação ruim da TV (com futebol e fórmula 1, que eu detesto), o estresse pré-segunda, mas há em mim um quê de nostalgia: era o dia que eu almoçava com meus avós preferidos (não adianta dizer que isso não existe), que os jornais vinham maiores, se espalhavam pela casa e ninguém tinha que arrumar a própria cama.

Eu ainda mantenho certos rituais, como comer ovos mexidos no café da manhã (coisa que não se faz em dia de semana), tomar mais coca-cola do que me permito normalmente, esquecer que inventaram despertador e dormir até umas 11 horas. Até o ano passado cultivei alguns hábitos diferentes, como visitar a Liberdade, o Bixiga, assistir a umas duas ou três sessões de cinema seguidas. Eu fazia isso com amigos, quando recebia visitas familiares e, sobretudo, sozinha.

Em São Paulo percebi que gosto de apreciar a minha companhia num dia de domingo...Como gosto agora, com o Alê e o Téti dormindo.

quarta-feira, outubro 29, 2008

A maldição da vernissage

Entonces, como vem sendo de praxe e de forma menos regular que desejamos, eu, Ju e Lili nos reunimos ontem. Primeiro, no café do Savassi Cineclube e ainda sem beber, já fazíamos a gerente do lugar dar umas risadas. Toque de recolher às 22h e seguimos para o Café com Letras. Mas no meio do caminho tinha uma vernissage e resolvemos nos convidar para tomar um drink com os convivas.

Muitos rosés depois, já falávamos sobre teorias diversas. Fiz uma explanação da teoria do "míope belo-horizontino": o sujeito que nasce ou toma água de Pequenópolis e que não necessariamente tenha algum tipo de problema na visão. Basta ele te conhecer no grau variável entre o vagamente e o poucas conversas para fazer aquela cara de confuso e depois dar as costas sutilmente, como se não te reconhecesse. Eu faço isso de vez em quando, admito. Por preguiça de cumprimentar ex-entrevistado, ex-contratante de job mixaria, ex-colega de alguma coisa, ex-ficante...

Com os sinais de embriaguez um pouco evidentes, decidi cumprimentar, além de amigos que ali estavam, alguns míopes de forma quase efusiva (porque não sou efusiva e não gosto de gente efusiva), que morreram de falta de graça. Arquitetamos outros planos diabólicos e para falar a verdade, não me lembro de todos. A galeria acendeu as luzes. Mais um toque de recolher e fomos para a nossa "saideira".

Minha capacidade de conversar sobre assuntos variados com qualquer passante estava encostando no botão da falta de desconfiômetro e como todo bebum tem um santo forte para proteção, rumamos para o Mac Donalds (depois do terceiro toque de recolher, diga-se). Argumentei com o balconista que o Mac Lanche Feliz já foi mais inspirado. Entre o riso e o desespero ele gritou, "próximo". Levei a comidinha para viagem para o marido, que já havia telefonado preocupado...

Por mais que a ressaca tenha quase me devastado hoje (segundo Lili, fomos vítimas da maldição da vernissage, sobretudo porque fomos penetras, desejando ser punks no contexto. O que não rolou), sei que vou repetir a dose. Não dá para fazer isso com regularidade depois dos 30, entretanto "a vida anda ruim na aldeia", como cantou Frejat, e eu trabalhando como louca. Sou do tipo que precisa de compensações por não ter reencarnado do jeito que eu queria/merecia.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Um ano de azeite grátis!

Foi o que eu e mamãe ganhamos pela nossa classificação nos 10 primeiros lugares num concurso de culinária. Já começo a vislumbrar uma luz no fim do túnel: quem sabe essa é uma chance de eu me livrar do jornalismo?

segunda-feira, outubro 06, 2008

Na Revista Cláudia desse mês...

...Saiu essa matéria para qual colaborei. A todos os entrevistados que passaram por algumas saias justas (descobri que a maioria dos homens odeia se abrir), muito obrigada.

domingo, outubro 05, 2008

Conta gotas

- Da Uiara, sexta-feira, na casa da mamãe com Téti, Chica e Georginha: "O Tétinho é emo, a Chica é indie e a Georginha é punk".

- De um amigo da Uiara que encontrei em La Tosqueria sexta: "Casamento é igual a Paulista. Começa no Paraíso e termina na Consolação".

- Da minha conclusão na mesa do mesmo bar com Ju e Lili, já na madrugada de sábado: "A psicanálise deve explicar essa síndrome de 'Roberto corta essa' dos homens".

- Da menina da mesa ao lado enquanto eu esperava mamãe para almoçar no Café com Letras sábado: "Nossa, minha mãe cantava demais essa música para eu dormir (Blowing in the Wind)".

- De uma jogadora do Mackenzie com as colegas que falavam mais alto do que as próprias estaturas no Carrefour, próximo ao Minas Tênis Clube, no mesmo dia: "Outro dia vi uma menina de cabelo azul na Savassi, quando estava indo ao Mulan. Fiquei com pena dela na hora. Quem pinta o cabelo assim?".

- Do meu pensamento, após o comentário dela: "Eu tenho pena é dessa combinação de comida chinesa duvidosa e videokê que pessoas como você fazem".

- Da mamãe com a Mariúche no mesmo supermercado: "Seu aniversário é hoje e você vai servir cerveja quente pros convidados?".

- Da Clarice, filha da Mariúche, comigo: "Ela sempre gostou de cerveja quente. Dizia que tomava pelo efeito".

- De susto ao acordar no meio do filme, na madrugada de domingo: "Nossa, Téti, o David Lynch se superou na esquisitice. Vou ter que assistir a Império dos Sonhos de dia".

- Da minha primeira frase dita para o gato hoje: "Que saco ter que votar".

quinta-feira, outubro 02, 2008

Remoendo

E se estivesse até agora contemplando o céu sem estrelas? Ainda haveria uma ponta de irritação com pequenas coisas, como a buzina dos motoboys, o teto bolorento que se formava no banheiro e o eterno olhar de reprovação do porteiro.

E se estivesse até agora naquele trajeto do microonibus? Ainda prestaria atenção nas notícias e músicas que tocam no rádio do motorista, tentaria ler ou ouvir a própria seleção do MP3 player, cuja pilha acabava antes do final do percurso. Mesmo que tentasse, não ignoraria a conversa alheia.

Impossível saber se estaria recebendo o mesmo salário de fome, se continuaria vendendo os livros que ganhava em sebos para pagar uma conta aqui e outra acolá, se dividiria o apartamento por mais tempo ou alugaria um quarto e sala.

Talvez o amor não quisesse mais esperar ou as saudades sufocassem. Ficaria, então, uma dor maior que essa. Quem sabe o gosto de cabo de vassoura na boca (por conta de tanta ingerência, grosseria e displicência), a sensação de que a possibilidade ter ido mais longe no que planejei foi perdida e a incapacidade de readaptação ao próprio meio sejam meramente transitórias? Haverá ainda a lembrança, como a daqueles tempos, de outras compensações.

quarta-feira, outubro 01, 2008

One Hour Spa

Uma vantagem em pagar uma conta de telefone celular tão alta eu deveria ter, não é mesmo? Por isso, resgatei meus pontos em troca de uma hora de massagem no Spa Mais Vida. Nada de garrafinhas barangas de plástico ou acessórios inúteis. Dessa vez também descartei o pacote de mensagens. Cansei de me comunicar com as pessoas...

Voltando à parte boa, quase dormi com os movimentos nas costas feitos pela Lúcia e fiquei pensando que pela lógica do merecimento essa quota de bem estar poderia ser mais regular em minha existência. Saí da sessão com a mesma expressão das madames que não têm uma ruga de preocupação na cara. Comprei flores para mim mesma, como há meses não fazia, peguei um DVD bem light, preparei meu jantar e até comi sobremesa (uma despedida, por assim dizer).

E claro que teve o toque de realidade no desfecho dessa historinha que foi o de redigir um texto para a primeira hora dessa quarta (ando com saudades de dormir cedo, viu?!?). Porém realizei a tarefa sem meu praguejar básico desses momentos.

Vou para cama com meu smelly cat, tentar terminar um livro. Feliz ano novo judaico!

domingo, setembro 28, 2008

10 dias sem marido

Essa é a segunda noite do Alê em nuestra Buenos Aires querida. Ele está de férias e eu não tenho previsão para as minhas. Então rolou um encontro de design e a possibilidade de tomar "binos", comer alfajores loucamente e se perder naquela cidade maravilhosa. Foi com os amigos e eu dei a maior força. Ele disse que eu ia aproveitar para me jogar na Obra e aprontar com as meninas. Entretanto o saldo até agora foi passar o fim de semana super gastronômico com a família e os queridos Joãos Augusto e Agripino, além de assistir com a Marianinha ao divertido Mamma Mia!



Agora, com uma insônia daquelas, estou no comando do controle remoto pela primeira vez. E sem ele por aqui, nem é tão divertido. Quem eu vou irritar com meus canais de mulherzinha?

segunda-feira, setembro 22, 2008

Cegueira

Como Cazuza - ariano até o osso - sou exagerada. Pois ao contrário do que o título desse post sugere, não estou falando do Fernando Meirelles, quiçá do Samarago. Ainda como nativa do primeiro signo zodiacal cultivo um certo egoísmo. Librianos que me perdoem, mas o eu é essencial...

Enfim, voltando ao assunto, entre quarta passada e hoje, achei que iria perder a visão. O olho direito começou a lacrimejar muito, tudo ficou embaçado. Consegui me encaixar numa consulta do Dr. Paulo, que me atende há uns oito anos. O problema é que a clínica dele parece de geriatria. Então, velhinhos e velhinhas estão necessariamente duas horas na minha frente, não importa a hora que eu marco.

O colírio alucinógeno não impediu que todos ali ficassem encantados com a dona Maria Cecília, uma senhora lindinha, toda arrumadinha, de unha feita e tudo que, no auge dos 99 anos, esbanjava lucidez. Ela - como eu - estava alheia ao papo furado da sala de espera e não fazia cara de desespero com as gotas ardidas nos olhos. Me identifiquei com a atitude, mesmo que o mundo ache - e não sem muita razão - que eu falo pelos cotovelos e dou idéia para qualquer um. Quando resolvo fazer cara de paisagem, sou a própria personagem de filme nouvelle vague.

Naquele momento, não pude deixar de morrer de saudades da minha avó (é sempre assim quando vejo uma velhinha fofa). No caso, dona Celinha dava um banho na dona Maria Cecília porque era bem mais estilosa. Fiquei pensando que essas velhinhas que me deixam nostálgica são apenas parte de um caleidoscópio. Minha amada avozinha não terá similares nessa "encadernação".

Durante o exame, contei quase toda a ação de "Blindness" para o Dr. Paulo. Ponderei que esperava tanto, mas tanto que saí um pouco decepcionada da sala de cinema. Minha miopia e astigmatismo ficaram perturbados - com o filme, não com a consulta - mas isso era gol a favor. O diagnóstico não foi dos mais agradáveis: meus olhos estão desenvolvendo uma espécie de alergia às lentes de contato e preciso usar mais óculos (ou operar, que eu prefiro). Com isso, estou machucando minha córnea. Dramática (como sempre), pensei que elas seriam, junto com o fígado, órgãos a menos para doar. Desse jeito, não chegarei a marca de dona Maria Cecília.

domingo, setembro 14, 2008

Adorei



Como eu agora enfrento fila no cinema e, eventualmente, perco a sessão que gostaria de ver por conta da lotação (no caso, foi "Ensaio sobre a Cegueira"), acabei assistindo à estréia da semana passada (que não vi porque optei pelo pior filme de 2008 até então, "Cinturão Vermelho"): "Linha de Passe". Com atores desconhecidos do público (e da crítica porque a crítica adora dizer isso, como se conhecesse todos os atores que a Fátima Toledo prepara) em performances excepcionais, ótimas fotografia e trilha, além de roteiro bem amarrado. Pessoalmente, gosto muito da dobradinha do Walter Salles & Daniela Thomas e no quesito filme brasileiro (isso é quase um gênero), já tenho um dos meus favoritos do ano.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Não ganhei na megasena, mas tô melhor...

É um post só para constar e para dar um refresco no baixo astral. Aproveito para divulgar o curso do amigo Pablo e dizer que ainda tem - pouca - gente bacana no mundo. A Silvinha mesmo, que faz estágio na Noir, trouxe dois litros de sorvete para comemorar um mês na empresa conosco. Vou fechar o bar mais cedo e deixar o trabalho, que ainda tenho que fazer, para amanhã.

quinta-feira, setembro 11, 2008

WTC

Hoje eu queria uma torre gêmea para pelo menos dividir comigo os sucessivos os ataques...

Como falei com minha amiga Fernandinha no meio da tarde, "fofa, me elogia, porque a coisa tá feita pro meu lado. Da primeira hora útil até o agora só levei crítica pesada. Tô me sentindo o próprio World Trade Center e visualizando o sorrisinho cínico de Osama Bin Laden nesse momento".

Associações infames à parte, eu como uma pessoa que acredita em teorias da conspiração, luas fora de curso, Mercúrios retrógrados, leis de Murphy, no ditado criado por um conhecido, "há males que vêm para fuder" e outras "amenidades" do tipo, tive meu dia de Geni. E dá-lhe pedrada até quando eu achava que estava acertando.

A coisa ficou tão insana que, por alguns momentos, achei que os críticos em questão - de mais de um exército, como no War, diga-se - estavam fazendo uma pegadinha. No fim, alguém ia me ligar e dizer que impulsionou minha perda de apetite, dor de barriga, agitação e outras zicas porque foi combinado: eu estaria sendo filmada. Algo como "Show de Truman".

Ouvir umas verdades faz parte, reconhecer o erro (como eu fiz) nem sempre, tentar reverter o jogo, pode ao menos ser um sinal de maturidade, humildade, profissionalismo, sei lá. Até essa hora eu estava topando. Surgiu ali uma certa onda positiva, comum ao mundo corporativo e ao futebol. "Vamos acionar o botão Jerry Maguire", imaginei. Porém no meio do caminho - e ao ligar o celular - tinha mais pedra, que vieram justamente de onde tudo parecia caminhar bem. Então alguém te diz que você precisa produzir e pensar para quem ganha justamente para produzir e pensar. Aquele filme citado, acabou de se queimar.

Como trabalho com gente/empresas e veículos conhecidos, vou permanecer na metáfora. Todo mundo sabe quem é a autora dessa bagaça. E como prega o popular, quem abaixa demais, acaba mostrando a calcinha...

Eu já cansei de pedir para parar o carro que eu quero descer aqui nesse blog. Todo mundo engole sapo em qualquer trabalho, eu sei. Não adianta achar que montar uma tendinha de sanduíche na praia vai amenizar ou que fazer um mestrado e repassar conhecimentos para os jovens será mais nobre e menos estafante que o dia a dia do jornalismo de redação ou de assessoria (que pela prática tenho certeza que é muito, mas muito mais exigido).

Não adianta. Eu não sou otimista, não tenho fé alguma na humanidade, acho que o cada um por si é o lema desse milênio. Meus sonhos foram todos vendidos, como cantou o Cazuza, e me odeio quando caio na ingenuidade de achar que o jornalista do outro lado é parceiro (termo que, aliás, eu abomino) ou que vou atender minimamente às expectativas de quem me contrata. Isso porque quem me contrata quer, por razões óbvias (está pagando), capa da Folha, inserção no Fantástico. Isso para falar da ambição local, pois a CNN não é mais o limite. Nesse pacote incluem-se também idéias geniais, planejamentos estratégicos dignos da Tropa de Elite, diplomacia que nem a ONU é capaz de ter, gentileza e sensibilidade que não necessariamente sejam à flor da pele.

Há pouquíssimo tempo eu editaria no dia de hoje uma espécie de "Império Contra- Ataca". É bom lembrar que jamais dou a outra face (não faz parte da minha natureza ariana), entretanto estou aprendendo a relevar porque sei que em mais de um momento meus interlocutores - no auge da "malhação do Judas" - cometeram seus equívocos. Eles também são humanos e me deram mais de uma página em branco para o relatório de justificativas.

Eu devia estar preenchendo tópico a tópico desse texto técnico agora, mas estou exausta, chateada e me sentindo impotente. Não deveria perder tempo com o desabafo no blog. Só que isso é inerente a mim.

Nessa altura, lembro-me de um ex cliente, que considero um amigo falou, há pouco mais de um ano, que contratou minha empresa para um job porque nós éramos sensíveis e para trabalhar com o que trabalhamos, deveríamos ser respeitados. Nunca vou me esquecer disso. Pois esse cara, que é super fodão, é mesmo como poucos.

Vou pra casa. Chega de fritar.

terça-feira, setembro 09, 2008

"Por onde andei (enquanto você me procurava)"

Sempre que surge a mínima chance de férias, um trabalho grande aparece. "Que bom", podem dizer alguns, mas o fato é que com a prostituição da feira (em Pequenópolis não há mercado), trabalho grande nem sempre é o que traz a melhor remuneração. Mas precisamos dele, certo? Vou usar a máxima classe média conformista cristã para não pagar de reclamona. Amém.

Sumi do blog, da manicure, da academia e acho que ganhei uns dois quilinhos nesse corre-corre (mesmo sem tempo de comer, quando como, não faço necessariamente uma refeição saudável. E acabo compensando o estresse com um doce ou uma pizza - super calóricos). Pelo menos estou no fim de um bom livro e tenho conseguido ir uma vez por semana ao cinema (quem já teve uma média de quatro sessões em sete dias pode imaginar como deve ser o hiato). Não encontro minhas melhores amigas há semanas. Outras queridas, há meses. Não verei a Madonna no Brasil.

Eu andei em tantas reuniões, fazendo tantos planejamentos - não confundir com planos, que têm um tom mais pessoal -, entrevistando candidatos a vaga na empresa, artistas que os clientes nos contrataram para divulgar, prospectando e aprendendo novos verbos corporativos. Eu andei fazendo frila para revista, pelo pé de meia em si e sobretudo pela chance de abstrair do universo de assessoria, que toma porrada para todos os lados.

É isso. Nando Reis tem razão, "a vida é mesmo coisa muito frágil, uma bobagem, uma irrelevância".

segunda-feira, setembro 01, 2008

Uma previsão personalizada (e desanimadora)

Porque as vezes Quiroga é muito subjetivo...

Do Personare

Alerta vermelho para a sua vitalidade, Ludmila: Entre os dias 01/09 (hoje) às 0h14 e 23/09 às 20h49, o planeta Marte estará "brigando" com o Sol do seu mapa de nascimento, e este tende a ser um período de desgaste desnecessário de sua vitalidade. A sensação deste momento tende a envolver a idéia do uso excessivo de força para fazer coisas simples, algo do estilo "usar força de 1 quilo para levantar um objeto de 200 gramas". Neste momento, convém organizar direitinho seus afazeres, caso contrário o risco é o de você se desgastar demais com uma coisa que não exigia tanto desgaste, e na hora de ter que usar uma força especial em algo que de fato demandava mais atenção, você perceberá que se exauriu. Mas a idéia é a de que você, ao saber disso antecipadamente, mude esta tendência. Ter consciência do processo é uma chave para você se organizar melhor, Ludmila, e evitar esta perda desnecessária de vitalidade. A propósito, se você faz atividade física, que tal diminuir o ritmo um pouquinho neste momento? Isto pode evitar um tendão machucado, ou algo parecido...

Uma das marcas registradas deste momento envolve a idéia de um desacordo entre a sua vontade pessoal e aquilo que você faz no sentido de validar os seus quereres. É como se você quisesse uma coisa, mas os seus atos contrariassem o seu próprio objetivo! Procure avaliar esta tendência neste momento, a fim de não se tornar uma espécie de sabotador da própria vontade, Ludmila!

Esta é uma fase para você evitar desgastes desnecessários de energia. Se você tem que acordar cedo amanhã, para que perder noite? Se você sabe que terá que se dedicar muito a algo importante, não é inteligente marcar coisas demais no período próximo a isso. Concentrar melhor as próprias energias vitais é uma necessidade para este momento. E isso envolve, acima de tudo, ter uma boa alimentação, boas noites de sono, enfim, atos que qualifiquem melhor a sua vida física.

Caso você não atente para a necessidade de um maior controle de sua energia vital, poderá experimentar uma forte tendência para ataques de raiva e até mesmo para a fúria. Frustrações sexuais podem ocorrer também. Não se force a nada. Haverá muito tempo para sexo no futuro, afinal!

Inclusive, Ludmila, tenha uma atenção redobrada no que concerne aos dias entre 01/09 (Hoje) e 13/09, pois nestes dias o Sol em trânsito estará reforçando o desgaste energético de Marte, e você pode até ter alguma doença se não se cuidar direito e não souber respeitar seus limites físicos neste período! Melhor prevenir do que remediar, não é mesmo? Como eu disse acima, durma bem, coma direito, nada muito pesado, cultive um estilo mais light neste momento. Você terá muitos momentos de sua vida para curtir um estilo mais pesado, mas respeite estes dias, quem sai ganhando é você!

Sofrendo por antecipação

Desde criança eu sou assim. Sofro por antecipação. Basta ver minhas fotos quando fui noiva na quadrilha e rainha da pipoca na escola. Em todas, estou com a cara mais abatida do mundo, vermelha como um pimentão por conta da febre alta. Nessa época ainda, eu tinha tanta certeza de que me daria mal em provas de matemática, que não dormia ou tinha pesadelos na véspera do exame. Por sorte - e nojo - não sou de roer as unhas.

Hoje fiquei tensa o dia inteiro tentando comprar o ingresso da Madonna. Fiz meus apelos dramáticos de praxe no MSN (minha irmã e minha mãe dizem que sou drama queen no quesito) e fiquei "psycando" o mundo. Até que meu amigo querido Pablo foi o anjo da guarda que publicou meu apelo em seu blog (desses que têm uns 500 comentários por dia contra zero ou um, se comparado com o meu). Minutos depois, como na fábula de Ali Babá, ele consegui o acesso ao site. Então vi que havia ingressos à venda, mas...

Eu não quero ver a Madonna no Rio. Quero ir para São Paulo onde tenho mais amigos e imagino que o show será melhor. Em São Paulo combinei minha caravana "Priscilla, Rainha do Deserto". Então, ficarei com minhas palpitações porque só no dia 03 (quarta) resolverei essa questão.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Da leitura para acompanhar o café

Como o prazer de ler um bom livro está sendo furtado da minha rotina por causa das várias horas extras com trabalhos e frilas, tenho que me contentar com a escrita menor: o jornalismo. Enquanto lia a Folha tecia comentários, que irritam meu marido de alguma maneira (ele acha que me exalto demais ao falar da profissão que escolhi, mas esse nem foi o caso). Primeiro sobre a notícia de falecimento do sujeito que escreveu "100 Coisas para se Fazer Antes de Morrer". Foi uma morte boba a dele, aos 47 anos: caiu de cabeça em casa. "E eu aposto que não fez nem 50 coisas que ele listou", disse. Não demorei a ouvir um "você é muito má mesmo".

Em seguida, li a matéria sobre a modificação que o Fernando Meirelles fez em "Ensaio sobre a Cegueira", retirando o off do Dani Glover, supostamente porque a crítica em Cannes não gostou. Se for por isso, será que dá para avisar a ele que André Bazin está morto? Honestamente, é dar muito crédito para quem não merece. Tenho grandes amigos que fazem crítica de cinema e eu mesma já fiz. Respeito a opinião de todos, tiro meu chapéu para pouquíssimos. Entretanto nem assim eu como artista, hipoteticamente falando, mudaria uma obra pronta para agradar quem vive de escrever resenha e não cria nada de novo. Se for especulação da jornalista que escreveu o texto - o que não é difícil - e o Fernando Meirelles quis mudar mesmo porque ele achou excessivo o tal off, valeria a pena esclarecer melhor essa história se (o diretor, que já foi um poço de simpatia na época de lançamento do "Cidade de Deus") realmente achar que o público merece saber o que de fato aconteceu.

terça-feira, agosto 26, 2008

E então, minha irmãzinha se casou...



A festa foi linda e ela e Carrarinha estão muito felizes. Isso é o que importa. Élcio, nosso querido amigo-paparazzi fez as fotos e colocou um depoimento lindo no blog da Bendita.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Minha sobrinha linda





Nina, não é minha parente de sangue, mas é como se fosse. Simplesmente porque é filha de dois amigos extremamente queridos: Luiz e Telma. Ele é o irmão que eu não tive, uma pessoa de uma bondade rara, que me acolheu quando decidi fazer as malas e ir para São Paulo. Ainda que eu encontre com o Luiz em outras vidas, será pouco para agradecer o carinho e a generosidade dele. No entanto, nossa amizade não tem nada de piegas, pois eu o chamo delicadamente de Mala e sou correspondida. Porque, afinal, nosso humor é mesmo peculiar.

Visitei a Nina em São Paulo. De longe, o melhor momento da viagem. Ele é um docinho e vive sorridente. Os pais dizem que só chora quando sente fome ou sono. Ela ama passear e convive, sem frescuras, com um cocker, um chow chow e três persas (que até no berço dela ficam) conhecidos como família peluda (ver abaixo). Enfim, se um dia eu tiver um filho ou filha, quero que seja um bebê tão fofo e bacana quanto a minha sobrinha.

sábado, agosto 16, 2008

Em São Paulo

Eis que Belo Horizonte serviu para que houvesse ao menos um único feriado de sexta em meio ao período de escassez total do segundo semestre. Eu e Alê conseguimos diárias gratuitas no Mercure (graças aos pontos do cartão dele). Então, viemos para a Paulicéia Desvairada nos perder na Livraria Cultura e na Fnac (onde passamos cinco horas sem nos dar conta disso), comer em bons restaurantes e visitar amigos. Com exceção do trânsito e da poluição infernais, sinto falta daqui...

terça-feira, agosto 12, 2008

Muito bom!

A criatividade da vizinha é sempre melhor que a minha

De Henrique Szklo

A coisa mais comum que existe no mundo corporativo é uma empresa solicitar – e às vezes exigir – de seus funcionários, colaboradores e fornecedores, idéias criativas e inovadoras. Mas na hora em que estas lhe são apresentadas, um nariz torcido, uma boca arqueada para baixo e um senho repleto de sulcos invariavelmente são vislumbrados em rostos pasmos e incrédulos. Geralmente acompanhada de um “você está louco?”, a reação é sempre considerar como piada, uma brincadeira de mal gosto ou simplesmente um devaneio insano do propositor.

A pergunta que me faço quando presencio uma dessas cenas é “Será que eles sabem o que é criatividade? E na eventualidade de eles saberem, será que eles têm peito para levar uma idéia verdadeiramente criativa adiante?”. Em geral não. A maioria das pessoas só se sente confiante e confortável com uma idéia quando seu banco de dados mental encontra alguma referência positiva, ou seja, a idéia precisa estar “cadastrada” em sua cabeça para ser reconhecida como “boa”. Mas como uma idéia nova estará cadastrada na cabeça de alguém? Se é nova mesmo, não estará. O que significa que exigirá um novo imput mental. E para a maioria dos mortais este é um sacrifício duro demais para enfrentar. A dor da dúvida, da incerteza, da próxima curva é insuportável.

Mas por que então as pessoas insistem em perseguir a criatividade se elas não são capazes de suportá-la? Porque na maioria das vezes elas sequer sabem que isso acontece. Para elas, estão apenas fazendo um juízo de valor e não incorrendo em um preconceito. Elas acreditam de fato que aquilo não é uma boa idéia. Aí você pergunta para ela o que é uma boa idéia e ela lhe apontará uma imensa lista de idéias conhecidas, consagradas e, principalmente, testadas. E por acaso estas pessoas sabem o que os autores destas idéias vitoriosas tiveram de passar para levá-las adiante? Sabem o sacrifício emocional que tiveram de enfrentar? Sabem o medo que passaram por causa da incerteza e da dúvida inerentes às novidades? Sabem quantas vezes elas erraram até acertarem? Com certeza não. Por isso as empresas continuam obcecadas por criatividade sem sequer saber o que diabos isso significa. Criatividade por definição significa dúvida, significa risco, significa surpresa. Significa que às vezes dá errado mesmo. Mas nem todo mundo tem estômago para enfrentar riscos. Nem todo mundo é Stephen Jobs. Mas não se desesperem. Copiar bem copiado também não deixa de ser um grande talento.

sábado, agosto 09, 2008

"Forget about your House of Cards..."

Hoje eu queria estar em Nova York, onde o Radiohead se apresenta. Ao que pareceu no site oficial, não se trata de nenhuma participação em festival com um monte de indies na platéia e uma extensa e cansativa programação. Eu não sou mais uma pessoa festival. Eu queria ver minha banda favorita e só. Amo o Thom Yorke desde sempre, sem aquela distinção que alguns fazem de suas composições mais e menos experimentais.

Tenho ouvido In Rainbows há dias. No trabalho, no treino de corrida, quando escrevo e até quando não existe música tocando. Seria justo eu assistir a um show do Radiohead na vida. Sem a menor obrigação (de escrever resenha ou algo do gênero) e por puro prazer e merecimento. Pena que não foi inventado o teletransporte... Então fico com o vídeo e a vontade enquanto sinto a inexorável passagem do tempo na minha melancólica vidinha.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Dali, de Salvador




Hoje trabalhei na Bahia. O bate-volta para uma reunião é sempre um processo demorado, mas como as férias de 2008 foram engavetadas, viro uma espécie de "turista acidental" nessas poucas oportunidades de sair de Belo Horizonte.

Confesso que fico melhor quando deixo para trás as montanhas que agora me sufocam. Uma hora e vinte de percursso: já avisto o mar pela janela do avião. Recepcionada por baianas que entregam a batida fitinha do Senhor do Bonfim, quase esqueço que não estou a passeio.

O céu cinza, ironicamente, ameniza o peso da viagem a negócios. Como o táxi é mais caro, não dá para esquecer o recibo da prestação de contas de jeito nenhum, mesmo com o motorista todo prosa.

Gosto bastante dos baianos. São pessoas simples, cordiais, extremamente informadas e, mais ainda, desencanadas. Ir a um encontro corporativo sem se preocupar com as unhas vermelhas e a calça jeans é algo que só mesmo para quem pode "passar uma tarde em Itapoã".

Parei no shopping ao lado do local da reunião para o almoço. Ainda que fosse fast food, não me contive: escolhi um prato com camarão e uma jarra de água côco. Nessas horas eu sempre sou mineira jacu ou perpetuo o ditado/ clichê, "em Roma como os romanos". Claro que queria, no fundo, ter pedido acarajé ou moqueca, entretanto a desconfiança/ estupidez/ dúvida me importunaram: "e se eu passar mal com o azeite de dendê no meio da apresentação"?

Cheguei antes da hora ao encontro profissional. Correu tudo de maneira muito tranqüila, contudo a reunião se prolongou mais do que o previsto. Saí na hora que deveria estar na sala de embarque e, a 30 minutos do aeroporto. Pouco poderia ser feito.

Peguei um motorista mais gente fina até que o primeiro, que falou de tudo: como a cidade cresceu desordenadamente, como o clima mudou rapidamente, como não havia boa vontade política no Brasil. Supreendentemente, eu não estava esbaforida ou nervosa. Alguma coisa me dizia que o vôo atrasaria (em BH foi super pontual). Fiz apenas uma ligação para minha mãe para que ela tentasse um plano b com a agência de turismo, uma vez que tinha um engarrafamento no meio do caminho.

Minutos depois, estaria voando. Antes de sair do táxi, o simpático motorista afirmou que eu voltaria para casa com certeza. No balcão da cia aérea me alertaram que era bom eu correr. E foi o que fiz com um escarpin maldito. Ao chegar no portão sete, senti um líquido incômodo no calcanhar. Minha pele estava em carne viva.

Acho que foi meio simbólica a escolha do sapato errado. Quando o tirei no avião, senti uma certa tristeza de estar indo justamente para Belo Horizonte, como a Gata Borralheira deve ter sentido quando saiu do baile incrível. E se eu parasse em São Paulo? E se eu fosse para o destino final, Porto Alegre?

"Tripulação preparada para o pouso", informou o comandante. Peguei meus pertences e segui meio mancando, meio na ponta dos pés até o ponto do ônibus que faz conexão Confins - Centro. Nem parecia que tudo correu bem. Ao ouvir "notícias do trabalho" pelo telefone quando liguei para avisar da minha chegada, o humor mudou na hora e eu já azedei de tabela quem estava do outro lado. Meus pés doiam, eu estava com fome e o cansaço bateu impiedoso.

Se algumas conclusões podem ser tiradas disso tudo, vamos lá: estou evidentemente estressada e insatisfeita. Mas sei que isso é só a superfície. No fundo, eu preciso arquitetar meu plano de fuga...

domingo, agosto 03, 2008

Para que serve o amor?

Amei esse vídeo...




...Fim de semana para por alguns DVDs em dia (Sweeney Tod- O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet , do qual não gostei e Sangue Negro, de que gostei) e ir ao cinema. Me diverti muito com King Fu Panda.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Não sei se concordarei nos próximos dias. Hoje definitivamente não

Previsão para Áries - por Quiroga


Começar tudo de novo não é castigo, mas oportunidade de colocar relacionamentos, projetos e empreendimentos na trilha certa, de modo que as coisas andem, finalmente, da melhor forma possível. Por isso, evite perder tempo com irritação ou impaciência, pois valerá realmente a pena você se dedicar com todo afinco e boa vontade a reorganizar tudo que precisar este tipo de atitude.

quarta-feira, julho 30, 2008

Em dia de ressaca light...

...Acho que deveria ser instituído uma espécie de "holiday, celebrate". Nesse momento ouço Madonna, ainda com uma certa sensação de embriaguez. Um brinde ao vinho de altíssima qualidade servido ontem no coquetel que fui na Casa Fiat de Cultura. Nada daquele mal estar monstruoso. Apenas umas estrelinhas e passarinhos coloridos girando ao redor da minha cabeça.

Quem bebe adora teorias. Desenvolvi várias na noite passada junto com os convivas. Foi daqueles momentos que eu, Marianinha e Manu apelidamos como "drunk clowns" (palhaças bêbadas) em que a pessoa manguaçada em questão mantém o humor e a linha fina (ou acha que mantém). Nada de dar bafon para se arrepender e acordar com a depressão como o sentimento do mundo. Porém há pequenas transgressões que viram clássicos particulares.

Um clássico desses meus momentos "drunk clown" é ficar amiga do garçom do cafezinho servido na saída. Assim, ele me fornece guardanapos para eu enrolar bombons que serão apreciados no manhã seguinte. Uns quatro bastam, como já aconselhou Glorinha Kalil em dicas de etiqueta. Como eram do Bouquet Garni, levei um a mais porque realmente eles são irresistíveis e dei para o querido Rafinha que faz aniversário hoje.

terça-feira, julho 29, 2008

Por que quando a inspiração vai embora, dou um ctrl+alt+del

Pensamento Único - Antônio Prata

A calabresa está com os dias contados. É a próxima vítima na cruzada puritana que assola o Globo. Quando a última bituca for apagada no fundo do derradeiro copo de chope, pode anotar: eles virão atrás da lingüiça.

A caçada, na verdade, já começou. Ontem à noite, num bar, uma garota em minha mesa resolveu desafiar o espírito do tempo e pedir ao garçom, sob olhares atônitos dos outros comensais, um sanduíche de calabresa. O resto da turma a olhou, incrédulo. Diante de suflês de abobrinha, saladas verdes e outros corolários anódinos do auto-controle, pareciam dizer, cheios de orgulho e inveja: você não sabe que não se pede mais esse tipo de coisa?!

Por enquanto, a repressão é apenas cultural, mas é assim que começa. Em breve os carnívoros começarão a ser hostilizados em restaurantes. Depois, quem sabe, serão obrigados a usar estrelas vermelhas costuradas à roupa. Daí para os cercarem em guetos e você-sabe-bem-como-essa-história-termina é apenas um passo.
A moda agora é das comidas funcionais. Suco de berinjela, salada de alfafa, meia uva com três grãos de gergelim... Tudo pelo bom funcionamento do sistema digestivo, como se fôssemos meras máquinas a serem reguladas. Daqui a pouco o garçom vai perguntar, enquanto toma nosso pedido: “quer que dê uma olhada no óleo e na água?”.

Podem dizer que é para o nosso próprio bem. Que a gordura mata e o agrião salva. Amém. Acredito, no entanto, que a opção preferencial pelas fibras nada tem a ver com a saúde do corpo mas, sim, com uma doença da alma: o sabor está ficando démodé. Há uma espécie de ascetismo religioso nessa austeridade dietética. Um júbilo penitente pelo auto-controle. Segundo o novo moralismo alimentar, os gordos são preguiçosos, os carnívoros são lascivos e quem pede uma calabresa, de noite, na frente dos outros, só pode estar completamente fora de sintonia com a própria época.

A questão é séria e requer uma atitude. Glutões de todo o mundo, discípulos de Baco, cultores do bom, do belo e do supérfluo, uni-vos: o prazer subiu no telhado. Ponham as carnes na grelha, aumentem o som, abram um vinho, reajam! Antes que seja tarde e o mundo se transforme numa barra de cereal. Light.

sábado, julho 26, 2008

Uma constatação

Se tédio resultasse numa morte fulminante, eu não estaria escrevendo esse post. Morreria, aliás, num final de semana ou mesmo num feriado prolongado (estatisticamente enfadonhos ao longo dos meus 31 anos).

quinta-feira, julho 24, 2008

Listando obsessões

Porque a gente nota que está ficando velho quando pára de procurar novas bandas na internet, fica ouvindo aquelas canções "do seu tempo" e começa a desenvolver manias. Minhas obsessões atuais (ou eternas em alguns casos), que podem até ser banais, listadas de forma desordenada, são:

- Correr na esteira ouvindo Ramones, ACDC, Madonna e Michael Jackson (quando ele era preto).
- A música "The Greatest", da Cat Power.
- O Jude Law em "My Blueberry Nights" (somente).
- As frases do Coringa.
- A trilha de "Viagem a Darjeeling".
- Ignorar todos os programas de televisão.
- Conhecer Paris.
- Abandonar Belo Horizonte.
- Abandonar o jornalismo.
- Sites de gastronomia, culinária, decoração e design.
- Livros sobre gastronomia e culinária.
- Colocar em prática receitas do meu curso de culinária.
- Tomar pelo menos uma taça de vinho por dia.
- I ching diário.
- Acupuntura semanal.
- Café (umas 4 xícaras por dia no mínimo).
- Um chokito quando quero me lembrar da infância.
- Dançar quando estou sozinha em casa.
- Meus lenços e echarpes antigos (inclusive os da vovó) que estou tirando do baú e usando de várias formas.
- Umas três novas tatuagens, que deverão ser feitas numa tacada só.
- Férias.
- Uma nova cortina para meu quarto.
- Móveis da sala que combinem com minha mesa lateral e cristaleira, ambas antigas.
- Uma cozinha que caiba mais de uma pessoa.
- Meu cabelo grande pela primeira vez desde os 18 anos.
- Feira de rua.
- Mercadões.
- Antiquários.
- Ir ao show da Madonna com amigos bem animados.
- Retomar aulas de conversação.
- Retomar a terapia.
- Colocar em prática um projeto que engavetei há anos.
- Fazer um pic nic num dia de semana.
- Voltar esse ano ainda a mi Buenos Aires querida.
- Ter tempo.

segunda-feira, julho 21, 2008

O mundo de Derby

O trocadilho do título é meio infame, mas como eu utilizo o slogan "O mundo de Malboro" para situações inverossímeis (e pomposas), resolvi postar sobre o lado b dessa piada interna.

- Outro dia peguei um táxi na saída do espetáculo "O Oratório de Aurélia" (lindo, lindo, estrelado pela neta do Chaplin). Estava quietinha com meus pensamentos (coisa rara) quando o motorista aumentou o volume do rádio. Não é que o programa Good Times, da BH FM, ainda existe? Depois de tocar uma música bem melosa de uma dessas pop stars bregas tipo Celine Dion, surge uma voz: "Meu nome é Maria Aparecida, tenho 40 anos, sou solteira sem filhos e desejo conhecer homens a partir dos 60 anos para relação séria"...Como se não bastasse, a ouvinte deixa o celular para quem quiser ligar. Achei um pouco surreal, porém atinei para o fato: no "mundo de Malboro" isso existe nos chats e orkuts da vida.

- A outra cena foi hoje, quando passei em casa voando para vestir um traje meio corporativo, para uma reunião idem. Fabiana passava roupas ouvindo Extra FM, que anunciou um show da dupla sertaneja Don& Juan. Sensacional, pensei. Eu na minha proposta de ouvir ipod no carro e, no máximo, CBN estou totalmente por fora do que faz sucesso no "mundo de Derby". Lembrei-me de quando era criança e acompanhava a Augusta ouvindo a rádio Globo, esperando ansiosamente pela previsão da Zora Ionara para Áries. Hoje, no "mundo de Malboro" cogito receber SMS do Quiroga no meu celular e penso que deveria olhar com mais regularidade para além da minha redoma pequeno burguesa. "O mundo de Derby" é muitas vezes mais divertido e escrachado!

quarta-feira, julho 16, 2008

"Eu não sou um monstro, sou a vanguarda"




Que um dos maiores legados que Heath Ledger deixou foi o personagem Joker, muitos irão concordar na sexta quando Batman - O Cavaleiro das Trevas estréia no circuito brasileiro. O personagem dá calafrios e diverte de uma forma extremamente mórbida. Ele é a alma do novo filme do Christopher Nolan, que colocou no chinelo todos os super heróis que estiveram ou estarão nas telas em 2008. Com certeza, irei rever.

sexta-feira, julho 11, 2008

...

Hoje, mais do que as outras vezes, tive vontade de deletar essa página para sempre. Para que se ter um blog? Por que expor minha vida dessa maneira? Já cogitei várias vezes mudar de endereço, ficar no anonimato, escrever sem rodeios o que eu eventualmente omitiria por aqui, mas simplesmente não adianta. Eu acabaria dizendo - mesmo que para poucos - para onde me mudei porque, afinal, eu não mudo mesmo! Então fico escrevendo e deletando esse post, pensando se devo publicá-lo, ouvindo a Cat Power bem alto, na sala vazia. Meus joelhos doem por conta da maldita invenção de correr. Coisa que não serve para o meu biotipo, porém sou teimosa e não só não aprendo, como insisto. Queria estar tão longe daqui nesse momento...

quarta-feira, julho 09, 2008

Antônio Prata

Acho que esse texto é antigo, embora tenha sido postado hoje no blônicas. Acho que li no Guia do Estado, quando ainda morava em São Paulo. Ou no blog dele, que leio sempre. De qualquer maneira, adoro o que ele escreveu (assim como costumo adorar o que ele escreve) e, por mais melancólico que seja, isso me soa muito familiar.

Cruzamento.

De Antonio Prata.


Vou para o dentista, duas da tarde, meu carro corta com esforço a geléia modorrenta em que o ar se transformou esses dias. Um casal de adolescentes começa a atravessar a rua, de mãos dadas, à minha frente. Eles dão uma olhada para o meu carro, de leve, calculando. A garota faz menção de apressar o passo, o garoto a dissuade com um olhar de esguelha e, talvez, um discretíssimo aperto na mão. Eles seguem seu ritmo, lento, rumo a outra calçada.

Se nenhum de nós mudarmos nossas velocidades, acabarei por atropelá-los. É evidente que eles sabem disso, como é evidente que isso não acontecerá, pois eu venho devagar e basta pisar de leve no freio e pronto, saímos todos, são e salvos, eu para o dentista e eles para a casa dos pais de um deles, onde se deitarão numa cama de solteiro, embaixo de uma parede cheia de fotos e posteres e frases de canetinha hidrocor tipo Ju-eu-te-amo-amiga!, e descobrirão que a vida é boa.

Este pequeno acontecimento me atinge em algum calo das minhas neuroses urbanas. Irrito-me porque eles fingiram que a velocidade deles estava certa, mas sabem que, se não morreram atropelados, é porque eu diminuí o ritmo. Mais ainda, talvez, porque o garoto passou para a menina a idéia, naquele olhar fugaz, de que com ele ela estava segura, de que era só confiar e tudo daria certo, eles chegariam ao outro lado da rua, depois ao outro lado do mundo, se quisessem, e seriam felizes para sempre. Mas foi o tiosão aqui quem tornou a travessia possível.

Percebo então que quem atravessou a rua à minha frente não foi um casal de adolescentes, foi a adolescência em si. E quem freou o carro não fui eu, mas a idade adulta. Pois é assim que a adolescência lida com o mundo. Não capitula: arrisca, peita. “Imagina, se eu mudo meu ritmo, o mundo é que se acostume a ele!”, e porque os adolescentes têm um anjo protetor dos mais poderosos, ou, pelo menos, uma sorte do tamanho de um bonde, acontece de chegarem, quase sempre, sãos e salvos do outro lado da rua.

Já a idade adulta pondera, põe o pé no freio quando convém, faz concessões ao mundo, dirige afinado com a sinfonia dos outros, dentro dessa outra geléia modorrenta cujo nome, hoje, soa tão adolescente: sistema. E por isso me irrito, porque ali, naquela rua, diminuindo meu ritmo, me percebo velho, adequado, apascentado. Eles vão no ritmo deles, a realidade que se vire e é assim, distraídos, que mudam o mundo.

Antes do Vencimento

Uma detalhada e desagradável sessão de fisioterapia para lembrar que o joelho é uma paçoca, a coluna faz um "s" de tão torta, a pisada é brusca de tal forma que a sensação de que o pé vai quebrar a qualquer momento é mais que uma bomba-relógio. Tudo isso para quê? Correr mais ou, digamos, profissionalmente.

Cansei de spinning, mas não tenho expediente para aulas convencionais de ginástica. Daí vou atrás dessa "tendência do "fitness". Num esquema quase personal, investi numa palmilha super cara (e um novo tênis idem) para amenizar os estragos da infância usando bubble gummers e conga nas atividades de alto impacto, como queimada e pular corda; da adolescência quase sedentária, que introduziu na minha vida o salto alto como forma de socialização ou tentativa de adequação a determinado grupo; e, finalmente, dos esforços de se recuperar o tempo perdido na vida adulta, sob os pisantes mais variados.

Como o tema do dia foi a precaução, aproveitei para pagar as contas antes do vencimento e acabar logo com o ímpeto de pegar o salário todo e repassar para uma agência de viagens com o propósito de comprar uma passagem de ida para onde aquela quantia de dinheiro der...

segunda-feira, junho 30, 2008

Tell me why?

Há alguns meses, fui numa vidente que adivinhou quase tudo sobre minha vida. Por razões óbvias (não conheço ninguém que preveja o futuro), ela não disse se eu ia ganhar na megasena, abandonar a carreira, viver de arte ou coisa do tipo. Telma conseguiu visualizar minha encarnação anterior. Pois eu era uma escritora judia, bem de vida, que morava num lindo loft em Nova York (o lindo loft é por minha conta). Reencarnei rápido porque tive um romance sem ponto final com o Alexandre, que conheci naqueles tempos, e estava aflita para revê-lo. Fomos afastados pela guerra. Triste, mas bonito.

Fico pensando por que ironia do destino vim despencar no Brasil (mais especificamente em Pequenópolis), como jornalista, remediada, vivendo de aluguel num apartamento apertado? Até minhas crises existenciais, profissionais e afetivas são uma bobagem perto de viver nos anos da guerra. E olha que minha contrapartida não era nada mal: mais conteúdo, uma gorda conta bancária (ou pelo menos um café da manhã em frente a Tiffany´s) e um amor de cinema em preto & branco. Honestamente, não estou gostando nada desta encarnação. Estou sem lugar.

domingo, junho 29, 2008

Nostalgia FNM

Eis que hoje estava me lembrando o quanto eu era alucinada pelo Mike Patton (deixei de estudar para uma prova final de matemática a qual eu devia "fechar" para passar de ano, porque ele estava em Belo Horizonte). Daí me deparei com este teste. E claro, sou o tipo Faith no More.

sábado, junho 28, 2008

Manhã de sábado

Depois da tempestade existencial, eu precisava de uma manhã tranqüila. Nada de despertador. Assim, aproveitei a cama quentinha toda para mim (já que o marido não vive sem TV e acabou adormecendo no outro quarto na noite passada). O café eu tomei quase às 10h30. Depois, fui para academia e, de lá, segui para a feirinha na Rua São Domingos do Prata. Enchi o carrinho de frutas, verduras e legumes frescos. O sol de inverno me faz bem (é o único aliás). Por isso, fiz tudo com calma. Há uma banca específica em que o vendedor não me chama de senhora (que eu odeio) ou freguesa, mas de menina (o que me faz ganhar o dia, quando dito da forma sincera como ele diz). Ele sempre me dá desconto e fatias generosas de abacaxi (na temporada) ou melancia (como a que comi hoje). Saí da feira lambuzada e feliz, mesmo tendo gastado mais do que em qualquer sacolão ou supermercado. Ao chegar em casa, peguei os jornais. Li somente a Folha (os outros são a título de clippagem), arrumei a casa, tomei um banho quente e demorado. Uma reunião de trabalho foi cancelada (confesso, achei ótimo) e pude seguir com o sábado de forma serena. Comendo em casa, tirando uma soneca de quase uma hora... No fim da tarde, a única obrigação chata foi ir ao supermercado, porém considerando meu dia até então, nem a fila enorme do caixa ou as várias crianças choronas (sou contra a presença de crianças menores de 10 anos em supermercados porque eles só tocam o terror) me tiraram do sério. No momento, a TV tem dono, que assiste a maratona de Lost (sou a única pessoas que eu conheço que não acha graça em Lost). Não tenho a vaga idéia se iremos ou cinema ou seguiremos bodando. E isso não me preocupa.

sexta-feira, junho 27, 2008

Quase na mosca

Porque faltou mencionar que o conflito não é apenas pessoal e profissional.


Eis que, entre os dias 27/06 (hoje) às 1h17 e 29/06 às 2h30, a Lua entra em seu quarto-minguante. O conflito aqui envolve carreira versus anseios pessoais. É bem provável que você, Ludmila, venha a perceber de uma maneira bastante clara todas as coisas que lhe incomodam em seu trabalho ou estudos. A idéia do momento envolve a percepção da defasagem entre o ideal e o real. Há também um choque entre quem você é de verdade e aquilo que a sociedade exige que você seja. Como a fase envolve um conflito, é bem provável que você sinta suas energias vitais em baixa, portanto não é recomendado que você abuse nestes dias, se alimente direito e durma bem, caso contrário pode sentir fraqueza e alterações fortes de humor.

segunda-feira, junho 23, 2008

A exceção

Porque Debs é daquelas duas ou três pessoas que eu citei no post abaixo.


"Sempre que precisa fazer mais uma coleção, Ronaldo Fraga diz que se depara com uma desculpinha das boas para ler e entender mais sobre certos assuntos. Sorte nossa. A cada nova temporada, ele vai fundo no tema a que se propõe e transforma idéias em estampas, cores, roupas cheias de história para contar. Hoje não foi diferente. Para o seu verão 2009, Ronaldo usou o Rio São Francisco como tema e, de lá, trouxe o colorido das casas ribeirinhas, que se transferem como imagem para o vestido que abre o desfile, em formato de saco de estopa e enfeitado de tapeçaria. A ele se seguem outros vestidos com silhueta semelhante, de seda pura com linho, algodão e jeans, numa mistura leve e adequada. As imagens se constroem lindamente. São tábuas das casas e das canoas, sacos de açúcar, café e especiarias e os peixes. De escamas até os recortes nos jeans, passando pelas estampas, eles são as estrelas da coleção. Aplicações de metal coloridos aparecem, bem como os bordados, que serpenteiam a roupa, sobem, passam em volta do pescoço, e descem do outro lado. Na modelagem, o que mais chama a atenção é a 'transposição' dos recortes. As cavas das mangas são deslocadas para as costas, deixando a frente fechada, como uma escultura. E que tal os passarinhos que voam na jaqueta masculina? Coisa que só Ronaldo Fraga é capaz. Ao final, o lado morto do rio se vê retratado em pretos com plissados, e nos bordados de esqueletos de peixes. Vale registrar o cenário, com bacias de sal grosso e uma cortina de cordas, para retratar o rio salinizado, invadido pelo mar na foz, um conflito lindamente retratado pela moda."

Deborah Bresser, no Blog do Estadão