terça-feira, maio 31, 2011

A redação mais bonita da cidade

Sim, eu estou no clipe, mais rindo do que qualquer outra coisa. Me joguei no mantra hare krishna do final. Ricardo Corrêa, mentor da ideia arrasou.

domingo, maio 29, 2011

Saída pela direita


Nunca gostei do Leão da Montanha. Quando ele tinha que tomar uma decisão na vida ou a coisa apertava para o seu lado, sacava uma "saída" pela direita ou esquerda. Não sou do tipo que foge por conveniência ou que cultiva a "invisibilidade" pela covardia de dizer, por exemplo, 'não vou te ligar nunca mais' e 'quando te encontrar na rua, fingirei que não te conheço' (indo rapidamente para a calçada oposta). E, talvez por este motivo, não consigo respeitar quem o faça (entender já desisti há muito).

Prefiro que tenham a exata imagem do que sou. E como todo mundo, nem sempre um docinho, uma flor de formosura. Já disse para um rapaz que não daria meu telefone porque não estava afim de "render". Na verdade, eu nem devia tê-lo beijado e, na noite em questão, eu bebera apenas água. Meu bom senso estava no modo ativado, porém não houve química. Pior, o papo do moço era raso como um pires. Uma amiga me disse que eu dou tempo demais para saber que o sujeito não vale a pena. No entanto, acho melhor não fazer as pessoas desperdiçarem expectativas. Eu não dei o telefone errado para o rapaz ficar chateado, não dei o certo para ele tomar um fora e nem saí correndo como o Leão da Montanha.

Escapar é realmente muito mais fácil. Fica aquela aura de mistério, a pergunta no ar, a porta entreaberta... Não apenas eu, como muita gente que conheço já esperou o telefone tocar no dia seguinte, uma semana depois, até se dar conta de que um mês havia passado e aquilo que foi bom ou divertido num determinado momento, não se repetiria. Ouvir, na lata, um "eu queria ter você, mas acho que já vou andando" com a maior tranquilidade do mundo só mesmo ser for do Ira!. Ainda assim, eu prefiro a objetividade que também pratico nessas ocasiões.

As pessoas gostam tanto da saída de emergência nos tempos atuais que aplicam a ação em todos os setores da vida. Ninguém almoça mais na mesa com a família para não ter que conversar. E aí um vai para o computador, o outro para TV e o terceiro fica ali no "bloco do eu sozinho" da copa. E vai ver que até a avó está no Facebook e a mãe arrumou um namorado no Badoo... Depois, fica chorando pitanga na terapia porque é cada um na sua. Quando foi que o mundo passou a se esquivar por demasiado?

Não é incomum notar uma criatura, que já tenha o diploma pendurado na parede de casa, dar uma de Leão da Montanha diante de certas responsabilidades no trabalho. Ainda mais se for em equipe. "A minha parte eu fiz" ou "essa orientação você não me passou". Espere mais que o óbvio dessa pessoa que se disse "proativa" no currículo para comprovar. Sair de cena de modo que seja conveniente apenas para um ator coadjuvante como esse nem estraga o enredo, porque há sempre a improvisação e o talento de quem segura as pontas.

Mesmo que fugir ou tornar-se invisível pressuponham atos, eu só consigo pensar que revelam uma irritante falta de atitude, de personalidade. Uma espécie que vai tornando-se óbvia, superficial e opaca. Se não precisa e não quer convívio - fora das centenas de seguidores do próprio Twitter-, vai viver na ilha então! De preferência na ilha de Lost.

Isso tudo que eu tenho percebido reflete uma dose cavalar de egoísmo geracional. Não é "self preservation" fugir de alguém que durou uma noite e que se diferencia das demais apenas porque pode te surpreender. Não é validar sua incompetência se o resultado que o seu chefe esperava ficou aquém da sua capacidade.

Eu acho que a geral devia tentar sair desse armário existencial, cheio de proteção, "ovomaltino e leite com pêra" para ser mais verdadeira, com todas as flores e espinhos que possui.

domingo, maio 22, 2011

À moda antiga

"Dar-te-ei a mim mesmo agora
E serei mais que alguém que vai correndo pro fim
Esse morre, envelhece, acaba e chora, ama e quer, desespera. Esse vai, mas esse volta"


Quando ouvi essa música fiquei muda. Como assim? Quem é esse cara capaz de trair todas as convicções de que não existem mais exemplares gentis e amorosos nesse mundinho egoísta? Imediatamente, confesso, fiquei viciada em "Feito Pra Acabar", doçura a cada faixa, do Marcelo Jeneci. Comprei o disco, coisa que não faço há anos. E o deixo no "repeat" algumas vezes na semana até hoje.

E como adoro quando as ideias correspondem aos fatos, tive o prazer de entrevistá-lo no início da semana que passou (como eu andava saudades dessa dinâmica da reportagem). Com um sorriso fácil e sincero, Jeneci é a tradução do que compõe. E espero que faça muitos e muitos discos, porque as pessoas precisam parar de acreditar que não existem mais exemplares gentis e amorosos nesse mundinho egoísta.

Por uma dessas armadilhas cósmicas, dois rapazes também me deram uma lição nesses últimos dias. Um deles, colega de trabalho e recém solteiro, estava nas nuvens em pleno horário de almoço, assim numa quarta-feira...tudo por causa de um beijo. Um não, vários. Eu e duas amigas aproveitamos o ensejo para sabatiná-lo, tirar aquelas dúvidas básicas sobre o ligar no dia seguinte, a capacidade de sumir completamente e tudo mais. Ele nos olhou como aquilo não fizesse parte de seu folclore pessoal. De fato não faz. Pois bem, o moço não só ligou no dia seguinte como disse que ainda sentia os lábios dela nos dele.

Embora não necessariamente esteja atrás de compromisso, meu colega esclareceu que se deixa levar pelo romance. Simples assim. Esse simples sofisticado que não conseguimos cogitar. Por que ter apenas aquelas velhas possibilidades? Posts atrás, eu mesma escrevi sobre casar, namorar e ficar. A lacuna romance não passou pela minha cabeça. Quanta limitação!

Um romance é invariavelmente saboroso e deveras raro.

Quantas pessoas você conhece que vivem um romance? Que dure uma noite, alguns dias, semanas, meses ou a vida toda?

Apegar-se às certezas pode ser traição na certa. Quando achei que a vivência do meu colega foi a responsável por azeitar seu comportamento, fui apresentada ao amigo de uma amiga. Com menos de 30 anos de idade, ele abraça as pessoas de um jeito terno e verdadeiro. Suas histórias, sua fala pausada e seu jeito de ver o mundo mostraram rapidamente que ele faz parte desse seleto clubinho que ainda preza a delicadeza. Sabe aquela pessoa que você mal conhece e quer ser amigo? É algo muito especial que não acontece sempre. Ou talvez quando a gente está mais aberto a enxergar beleza, poesia e, literalmente, deixar-se conduzir pela leveza.

sábado, maio 14, 2011

Outonando

No outono estão os dias mais lindos que existem. Dias de sair de casa, sem medo de derreter. Dias de ficar em casa, debaixo das cobertas, vendo um filme bem bobo na TV. São finais de tarde avermelhados, ventos da mudança. Folhas e sementes secos espalhadas pelo chão são, para mim, uma delicadeza celestial: estão ali para que eu volte à infância e dispute com minha mãe quem faz mais crec crec crec...

Outono tem cheiro de bolo de maçã com canela e roupa de cama bem passada. Outono tem um pé na realidade e outro no sonho porque o verão já se foi com suas noites Shakespeareanas e ainda há o inverno para embalar e a primavera para florescer. No outono eu nasci e nele minha vida recomeça. São micro-ciclos em que posso ficar exultante ou no casulo assim, sem legenda.

"Estação Liberdade", como na voz metálica gravada no metrô de São Paulo. Me perco, me acho como fiz em tantos domingos errantes de cinco anos atrás. É que devo permitir que aquilo que jaz em minha árvore balance, desapareça. Um processo às vezes de desapego, às vezes de desassossego. Estou "outonando" na teoria faz quatro dias. Hoje tomei a poção para acompanhar a dança das folhagens.

domingo, maio 08, 2011

"Eu vou fazer um iê-iê-iê romântico, um anti-computador sentimental"

Escreveria uma carta de amor. Páginas e páginas de papéis coloridos, especialmente escolhidos para abraçarem suas mais doces palavras. Tinha computador, mas preferia imprimir sua letra naquele espaço, como se fosse uma tatuagem.

Passou o dia esperando o final do expediente, o término da aula. Chegou em casa com aqueles tons na mochila e o coração em disparada. Esperou que todos fossem dormir.

Fixou seu olhar na janela, pediu para que as estrelas derramassem ali um tantinho delas mesmas antes de lacrar o envelope. Queria que ele recebesse estrelas, mesmo que a carta chegasse num dia chuvoso.

Usou a folha branca até lotar o lixo de bolinhas. A madrugada era paciente, no entanto nada do que ela sentia tinha a ver com tranquilidade. Sentia-se à beira de um precipício, estranhamente adorando a altura.

Resolveu ouvir música, lembrando-se do domingo em que ele ligou "naquela tarde vazia e lhe valeu o dia".

Os parágrafos, então, disputavam lugar naquele espaço. Alguns seriam preteridos porque simplesmente era necessário deixar que as entrelinhas participassem da carta.

Já era dia quando assinou.

Não sentia sono, fome ou cansaço. Somente a vontade de que sua carta fose teletransportada imediatamente.

O problema agora era o tempo que levaria para os Correios abrissem. E não é que ao longo de seu trajeto quis voltar para trás?

Não era pouca coisa que levava consigo. Era uma carta de amor. Tinham trocado e-mails, telefonemas e confidências...nunca uma carta de amor.

Um dia e meio.

Quando vê o código de longa distância no visor do celular, treme. Do outro lado, ele diz que foi tão inesperado quanto lindo.

Pensou nas estrelas, naquele momento, se espalhando pelo apartamento dele ..."São os meus sonhos que eu estendi a teus pés; Sê suave no pisar, que pisas os meus sonhos".

Poucos dias depois, os dois se encontraram.

Alguns dias depois, ele desapareceu.

Chorou ao se dar conta de que suas folhas coloridas, estrelas e beijos foram jogados naquele precipício que vislumbrou antes de redigir carta. E isso foi há quase 15 anos.

Mas pensa em folhas coloridas quando pede às estrelas um amor. Haverá de, um dia, escrever novamente uma carta como aquela.

quarta-feira, maio 04, 2011

Eu vou te dar alegria...*

No início do ano, fiquei emocionada ao ler um post de uma amiga muito fofa que encontrou o seu "número um" da agenda telefônica. Ela segue com o sorriso mais terno do mundo quando olha para ele. De longe, torço pela história dos dois, como se fosse a minha.

No mês passado, uma amiga por quem tenho um imenso carinho, saiu de casa e está montando, aos poucos, seu cantinho. Celebrei a notícia saboreando também o gostinho de casa nova, a inquietação de ter as paredes vazias onde os quadros novinhos naquele lugar darão o colorido tão especial. Ainda não a visitei, mas me sinto acolhida.

Dois amigos de longa data, que eu amo, outro dia me disseram que neste 2011 completam 20 anos de uma relação cheia de carinho, respeito e admiração. Eufórica, planejei a própria festa de Babette para o casal. Cozinhar para eles, será estar naquela jura que foi além de " na alegria, na tristeza, na saúde, na doença".

Eu sou do tipo que faz as malas na imaginação quando alguém querido partirá para uma grande viagem, que conta os dias até o momento de o ultrassom relevar, enfim, se o bebê é menino ou menina. Eu vibro com cada conquista pessoal e profissional dos que escolhi para serem as pessoas mais importantes da minha vida.

E não poderia ser diferente.

"A tristeza é uma forma de egoísmo" e amigo para mim poderia também se chamar generosidade.

Se algumas áreas da minha vida estão estagnadas ou se passo por maus bocados, eles sempre foram os primeiros, seja aqui, em São Paulo ou no Rio a me oferecer um colo, um drink ou puxão de orelha.

Tenho amigos de poucos meses e de décadas que enquanto estou insone, escrevendo este post, estão tendo sonhos maravilhosos e, ao despertarem, seguirão assim. Suas vidas, comuns como a de todos nós, ganharão toques extraordinários: um encontro, a concretização de um projeto, uma promoção. Eu sei porque eles me confidenciaram.

Há em mim o encontro, o projeto e a promoção. Há em mim um punhado de desejos profundos de "raiar um novo dia". Eu ando de mãos dadas com essa alegria. Não por acaso, nessa semana, me lembrei de uma frase que define tudo: "o futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos" (Elleanor Roosevelt).

* para minha irmã Uiara, sempre amiga, desde o berço.

domingo, maio 01, 2011