terça-feira, janeiro 29, 2013

Pensamento, essa coisa à toa

Confesso que nunca fui de recaídas.
Mentira!
Tive um rolo com um ex-namorado, pois não sabia ao certo se deveríamos mesmo ter terminado. Fiquei outras vezes com um mocinho que jurei jamais chegar perto, a título de teste para ambos. No primeiro caso, tirei de letra. No segundo, bateu um arrependimento emendado com um: "podemos ser amigos?". Não éramos, não somos ou seremos. C'es la vie.

Eu sempre misturei recaída com segunda chance. No entanto, percebo como podem ser completamente diferentes. É possível tentar de novo aquele encontro que não foi tão bom quanto o esperado  (ah, as expectativas!), ou buscar desfecho clássico do beijo quase inocente na porta de casa, que sequer chegou a acontecer (ah, a mania de ser blasé de vez em quando) e até mesmo desarmar-se do punhado de convicções quando aquele cara bacana que foi ali "comprar um cigarro", resolver reaparecer (ah, o vamos ver no que dá, uma vez que não temos nada a perder).

Talvez tenha sido a mensagem despretensiosa de "que tal tomarmos uma cerveja um dia desses?". Talvez, a lembrança daquela conversa meio nonsense que me fez sorrir. Talvez até tenha sido a minha memória de que, em algum daqueles momentos, eu devesse ter sido mais leve com o outro, menos rígida comigo e mais aberta com o porvir.

Eu precisei de um tempo para entender, mas espero que ainda dê tempo.


domingo, janeiro 20, 2013

Preparação


Mãos dadas 

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade

Pois eu vejo agora que tudo não passa de preparação. Daquela posição que não se ocupa mais, fica a reflexão do que realmente se quer. Pois é fundamental ser leal aos próprios princípios e, especialmente, à verdadeira vocação. O que parece perda, não é nada mais que um espelho colocado diante de si para entender que o que se travestiu de desafio - e que no fundo tanto pesava ou entristecia, por mais que tentasse encarar, por mais que lutasse com todas as suas forças...era apenas uma preparação. Simbólicos os tais 15 anos que batem à porta. Eles servem entender que aquela jovem cheia de sonhos não era tão delirante em seus projetos. Ela só precisou levar uns tombos aqui e outros acolá para não ser tão impulsiva ou orgulhosa. E nenhum deles - o agir sem pensar ou ficar os pés em convicções que podem  ser mutáveis -ajudaria no crescimento, nessa percepção. Não serei nada no mundo caduco, muito menos cederei à pressão de me antecipar.

Foram preparações também meus amores passados, as possibilidades de romance e até aqueles que me magoaram sendo pouco cuidadosos ou covardes. Nada de um cenário cor-de-rosa se abrindo daqui por diante. Tudo aquilo que foi, me ensinou a ser paciente, a não perder a ternura, a ter um pouco de fé, confiança e, sobretudo, a visão clara do que desejo para mim e este outro que virá: a sorte do amor tranquilo, como cantou meu exagerado preferido. Desconfio do alarde de "mais amor, por favor" nos muros físicos e virtuais (já falei sobre o assunto aqui no blog), simplesmente porque muitos desses pichadores da perfeição a dois somem na primeira oportunidade em que você os olha fixamente e diz: "então, vamos fazer acontecer?".  E não que sejam condenáveis. Apenas têm mais medos e incertezas do que ousadia. E quem não os tem? No entanto, a simples existência deles (ou seria insistência?) ainda  faz parte da preparação e isso pode nem ter fim.

Outro dia, chateada, disse para um amigo que me faltava perspectiva. Ele, que não mora na mesma cidade que eu, afirmou que é para eu deixar que ela me encontrasse. Até lá, um bom plano era tomarmos um drink dia desses. Não há mesmo fugas para ilhas ou raptos por serafins...Ainda assim, eu continuo comprando passagens aéreas só de ida. E volto, inevitavelmente.



segunda-feira, janeiro 14, 2013

Ausência

Eu venho pensando muito em saudades. Esse substantivo, que em outras línguas é verbo. Quisera eu alguns verbos agora...ação.

Senti saudades do mar, planejei uma viagem para o próximo mês.
Senti saudades dele, mas foram quinze longos dias de espera.
Daí percebi que a expressão "matar a saudade" é muito infeliz.
Não se pode matar a saudade, ela jamais deixará de existir.
A saudade não se desgruda da ausência, aquele lugar da impossibilidade.

Foi na ausência que percebi como o tempo pode ser cheio de artimanhas.
Meses atrás eu não pensava em ninguém.
Dias atrás eu pensava nele com esperança do encontro
Hoje eu penso com aperto no coração.

Na ausência  - e na sua terrível iminência - decidimos que a distância seria sofrida, que o que tínhamos ruiria inevitavelmente, que o rompimento seria o caminho possível. Entretanto não é fácil, rápido e indolor.

Eu acordei achando que havia sido um sonho ruim, porém a mensagem não respondida estava lá. Ela me mostra que nesse cada um por si, teremos diferentes maneiras de seguir.

Não farei meu café preto e forte, para aguçar logo os sentidos. Tomarei um chá, por precisar de conforto.

Esquecer quem ainda se quer bem e que te fez bem até dois dias é cair na saudade, perder-se na ausência e agarrar-se firme no tempo, esperando que ele seja generoso e passe rápido.


terça-feira, janeiro 08, 2013

Dos nuncas, das tentativas e dos mesmos

Pelo menos uma vez por mês, farei algo que nunca fiz. Nada metódico, com data marcada. Não sou nenhum pouco rígida. Mas sinto a necessidade de não desperdiçar minha vida com a monotonia. Começou no dia três, quando me hospedei  numa dessas pousadinhas frequentadas essencialmente por casais em Macacos. Ouvi mais de um: "é só você mesmo?".  Na verdade, éramos muitos: o iPod carregado de músicas, o livro do Rubem Braga, pensamentos, projetos e intenções...A experiência alternou sentimentos e me despertou uma vontade. Se tudo der certo, quero passar uns dias com uma mochila nas costas, sem destino. Nunca é tarde para viajar pelo mundo, falar outra língua ou se apaixonar. Então, estou soltando essas amarras, outro nunca.

Ao mesmo tempo, eu "me desorganizando posso me organizar". Na curvinha da virada, coloquei em prática um diário escrito à mão há muito prometido. Listas também estão previstas. Arrumações de armários, documentos e gavetas - sempre um desafio - estão na fila. Tudo em seu momento. Ou melhor, em meu momento e movimento. Diferentemente de tudo que faço, será lento (porém atento). E na solidão da minha varanda, em noites de terça, que para mim são dias meio estranhos, enquanto penso em entrar num mar nunca navegado, rego as plantas secas por causa daquela correria que me fazia esquecer de tudo, principalmente de mim.

Sem contar os nuncas e as eternas tentativas, estou igual e diferente. Ainda coloco meu disquinho do Radiohead para tocar no fim de um dia de trabalho, com o bônus de não estar sentido exaustão, mas prazer.  E aquele velho trajeto permeado por ônibus vermelhos, de itinerários desconhecidos, mesmo com o engarrafamento, não me irrita mais. Fiz as pazes com o despertador e, no intervalo, leio, canto e observo detalhes do caminho. É a jornada que importa.