sexta-feira, novembro 30, 2007

Expediente da Noir

Tarde de ontem. Todos concentrados em seus computadores fazendo textos, planilhas ou pesquisas. Helga quebra o silêncio:

- Gente, vocês sabiam que Frances Bacon morreu de pneumonia após realizar uma experiência com frango congelado?

- Que ótimo, Helga (respondeu mamãe com ironia)!

- Ótimo nada, eu gostava tanto dele (retrucou)...

Não precisa dizer que caímos na gargalhada

segunda-feira, novembro 26, 2007

Papas na Língua

Pode parecer uma constatação meio besta, mas só alguns velhinhos podem se dar ao luxo de não ter as tais papas na língua. Ainda assim, esse exercício libertário é apontado - por pura incapacidade das pessoas de lidar com determinadas realidades - como esclerose, loucura ou algo do gênero.

Eu, você e até as criaturas mais influentes e poderosas da terra não devem falar o que realmente querem, sob penas que variam de advertência à mais completa exclusão social e profissional. É preciso medir as palavras e controlar o carão desde a visão do inferno da roupa cafona e inadequada de um colega ao gosto azedo da incompetência, falta de visão e ética no trabalho de determinados indivíduos com os quais a relação é obrigatória.

Somos um exército da falsidade cuja maior ilusão é posicionar-se na condição de desertor. Eu parei de acreditar no poder das metáforas, em sutilezas e meias palavras. Prefiro rasgar o verbo, embora quase nunca, nunca mesmo possa fazê-lo. Então, converto quase que silenciosamente, a falta de noção, a folga, a displicência dos batedores de cartões com seus ofícios em humor negro. Ironizo os medíocres e burocratas (na maioria das vezes tão internamente porque nem só de paredes vivem os ouvidos).

À medida que o tempo passa, percebo que há virtudes (ou não) quase impossíveis de alcance. Entre os dois lados da mesma moeda - tolerância ou indiferença - fico com a insanidade que, espero, a idade avançada me reserva.

quinta-feira, novembro 22, 2007

Copy&Paste

Para aquele lugar.

De Tati Bernardi.

Você aumenta o I-pod até quase estourar os tímpanos. Aumenta a carga até quase estourar os joelhos.
Seu prazer em estar viva não basta e você toma aquelas químicas da felicidade prescritas pelo psiquiatra ou por algum amigo que freqüenta raves.
Seu cabelo não basta e você estoura ele até ficar igual ao da menina da novela.
E você aumenta as horas de corrida conforme aumenta a sua idade.
E aumenta os amigos oba-oba porque descobre que quase nunca tem amigos de verdade quando realmente precisa.
E aumenta os casinhos e diminui o amor.
E arregala os olhos para dar conta de ver tudo e saber de tudo mas continua acordando com aquele vazio.
E o mundo te acompanha ou você acompanha o mundo.
E as escadas rolantes e os elevadores fazem de conta que tudo bem você não saber mais como andar com suas próprias pernas.
E os comerciais berram muito na TV porque ninguém escuta mais nada.
E seus amigos, casinhos e até o cabeleireiro só falam de si próprios e você não escuta mais nada porque está louco para chegar a sua hora de falar de si
próprio.
Você está nas alturas, no topo, no seu melhor. Mas se sente devendo ao mundo. Pouco. Preguiçoso. Menos.
Suas funções estão no limite humano. Mas se pudesse, você compraria mais memória pro cérebro e mais bateria pro coração.
O que você não pode ter naturalmente, compra. O que não pode fazer ou falar, usa. O que não pode sentir, imita. O que não pode viver, inventa.
E assim você se renova mecanicamente, a casa fase. Como um computador que vira G3, G4, G200.
Mas um dia, depois de não agüentar mais uma vida de vitrine e pessoas querendo barganhar a sua existência, você descobre que não existe nada
melhor do que mandar tudo isso para aquele lugar.


Porque, afinal, eu não tenho tido tempo e inspiração para os meus próprios escritos

terça-feira, novembro 20, 2007

Saramago

"Se quisermos procurar alguma coisa, teremos de levantar as tampas (ou pedras, ou nuvens, mas vá por hipótese que são tampas) que as escondem. Ora, eu creio que não valeremos muito como artistas (e, obviamente, como homem, como gente, como pessoa) se encontrada por sorte ou trabalho a coisa procurada, não continuarmos a levantar o resto das tampas, arredar as pedras, afastar as nuvens, todas até o fim. Lembremos que a primeira coisa pode ter sido posta apenas para distrair a segunda. Verificar, simples opinião minha, é regra de ouro"

Texto copiado da parede da sala do Corpo Cidadão

sábado, novembro 17, 2007

Sim, estou trabalhando no feriado...

mas achei um texto ótimo durante minha pesquisa.

Comemorar, recordar por Rubem Alves

É preciso preparar a alma com antecedência para o evento. O tempo da "comemoração" se aproxima. Comemorar quer dizer "trazer de novo à memória". Para quê? Para que se cumpra o ditado popular que diz "recordar é viver". Dentre todos os seres vivos os seres humanos são os únicos que se alimentam do passado. Eles comem aquilo que já deixou de existir.

Proust deu o nome de "Em Busca do Tempo Perdido" à sua obra clássica. Se está perdido irremediavelmente no passado, por que se entregar à tarefa inútil de procurá-lo?

Por fora, no mundo cotidiano do trabalho, estamos em busca de coisas novas. Mas a alma, nas penumbras em que mora, vive à procura de coisas velhas. Alma é saudade. Saudade é a inclinação da alma na direção das coisas amadas que se perderam. Foram perdidas e, a despeito disso, continuam presentes como dor: "...Que a saudade dói latejada, é assim como uma fisgada no membro que já perdi..." Saudade é a presença de uma ausência.

Para a saudade não existe cura. Tudo o que podemos dar a ela como consolo é inútil. Por isso, Fernando Pessoa escreveu: "Mas por mais rosas e lírios que me dês, eu nunca acharei que a vida é bastante. Faltar-me-á sempre qualquer coisa, sobrar-me-á sempre de que desejar..." A alma é como um queijo suíço, toda cheia de buracos que doem no seu vazio...

Há um esquecer que é uma felicidade. É como mar que limpa e alisa a areia que os humanos haviam pisado na véspera sem pedir desculpas. Já tive essa estranha sensação bem cedo na praia diante da areia lisa, um sentimento de culpa por machucá-la com meus pés... O esquecimento alisa a areia. Tudo fica puro, como se fosse a primeira vez. Isso, do lado de fora. Mas lá no fundo, onde mora a saudade, não há esquecimento. Porque lá só moram as coisas que foram amadas. E o amor não suporta o esquecimento. "Aquilo que a memória ama fica eterno", escreveu a Adélia.

Há a estória daquele homem dilacerado pela dor da saudade de sua amada que morrera. Em desespero, dirigiu-se aos deuses pedindo que a devolvessem. "A morte é mais forte que nós", responderam os deuses. "Não podemos devolver o que a morte levou. Mas podemos pôr um fim ao seu sofrimento. Podemos fazê-lo esquecer a sua amada. Podemos curá-lo da saudade..." Horrorizado o homem respondeu: "Não, mil vezes não! Pois é o meu sofrimento que a mantém viva junto de mim!"

Palavra boa para dizer isso, parente de "comemorar", é "re-cordar". Pus o hífen de propósito para destacar o "cordar", que vem do latim "cor", que quer dizer "coração". Há memórias que moram na cabeça, muito úteis. Se nos esquecemos delas, cuidado! Pode ser Alzheimer se anunciando! Essas memórias não doem, são informações que levamos no bolso, ferramentas. Mas há outras memórias que moram no coração, são parte da gente. O Chico sabia e escreveu: "Oh pedaço arrancado de mim..."

Já estou preparando a minha alma para o evento. O Natal vai fisgar o membro que já perdi. Perdi a minha infância. Gostaria mesmo era de ir para um mosteiro, longe de comilanças, presentes e risos. Num mosteiro eu poderia experimentar a bem-aventurança na alma que Fernando Pessoa descreveu como a alegria de não precisar de estar alegre... Eu gosto da minha tristeza natalina. Ela é verdadeira. Sou como aquele apaixonado que não queria ser curado da saudade...

segunda-feira, novembro 12, 2007

Da série: Adoro estudos que me beneficiam

Estudo relaciona curvas femininas à inteligência dos filhos

Um estudo publicado pela revista científica Evolution and Human Behaviour afirma que mulheres com curvas são mais inteligentes e têm filhos mais espertos.

A explicação dos pesquisadores é que os ácidos graxos ômega 3, que se acumulam nos quadris e nas coxas das mulheres, servem de alimento para o cérebro e são essenciais para o desenvolvimento neurológico dos bebês durante a gravidez.

Os pesquisadores Stephen Gaulin, da Universidade da Califórnia, e William Lassek, da Universidade de Pittsburgh, usaram dados do Centro Nacional de Estatísticas de Saúde, nos Estados Unidos, para fazer o estudo e descobriram que a relação cintura-quadril das mães estava diretamente relacionada ao desempenho delas e dos filhos em testes de cognição.

Quanto mais gordura acumulada na parte inferior do corpo das mães, e não na cintura, melhor eram as notas nas provas. "Coxas e quadris fartos guardam nutrientes essenciais que alimentam o cérebro e podem produzir crianças inteligentes também", disse Gaulin ao jornal The Daily Telegraph.

Os cientistas acreditam que é essa é mais uma razão pela qual os homens se sentiriam mais atraídos pelas mulheres "com curvas". "Os homens reagem a isso porque é importante para a reprodução (da espécie)", afirmou Lassek ao jornal.

O estudo também concluiu que mães adolescentes têm filhos com problemas cognitivos porque não têm uma reserva suficiente de ácidos graxos, mas os pesquisadores afirmam que as que têm quadris largos acabam sendo menos afetadas pelo problema.

terça-feira, novembro 06, 2007

domingo, novembro 04, 2007

Coisas que passei a fazer só de olhar para ele

- Tirar um bom cochilo depois do almoço
- Inventar receitas gostosas e testar aquelas que considerava difíceis
- Tomar sorvete de côco (com salada de frutas)
- Enrolar mais uns minutinhos na cama - e de vez em quando perder a ginástica - para namorar um tiquinho
- Massagem nas costas dele, que parecem viver doloridas (mas no fundo, isso é dengo)
- Passar um findi inteiro em casa e achar bom