terça-feira, novembro 28, 2006

Não sei se é só comigo, mas sinto que todo momento feliz é sucedido por uma certa melancolia. No final de semana, mamãe e Alê vieram me visitar. Foi tão bom ficar perto deles e durou tão pouco. Quando saíram de carro pela avenida Pompéia, me bateu um vazio grande. A vida que eu escolhi tem suas vantagens evidentes, porém o êxito na carreira diz muito pouco quando o contato com minha família e meus amigos é tão restrito. Será mesmo que não se pode ter tudo?

Ao menos, vi um filme bem legal.

sexta-feira, novembro 24, 2006







Aos mestres, com carinho


"A morte de um homem de mais de 80 anos não é nada, não deve nem ser lamentada. O show continua". Foi o que o anjo interpretado por Virgínia Madsen disse em A Última Noite, de Robert Altman. O filme em tom de despedida serviu como metáfora para o diretor que nas palavras de Jorge Furtado, numa entrevista que fiz essa semana, criou um gênero no cinema. Produções com vários personagens, tramas intrincadas e diálogos ágeis levaram primeiro a assinatura dele. Eu fico triste mesmo assim. Acho que a raça humana fica cada vez mais pobre quando perde a sabedoria de mestres como ele. Outra passagem triste da semana foi de Phillipe Noiret. Mais do que um ator com 150 títulos na carreira, um criador de personas inesquecíveis como o projecionista de Cinema Paradiso e o Pablo Neruda de O Carteiro e o Poeta. Ironicamente, em Pai e Filhos, seu último longa o adeus permeava a trama, mesmo que de maneira bem sutil. Fico impressionada e, ao mesmo tempo comovida, sobre como pessoas inspiradoras e singulares conseguem sair de cena, sem drama e com muita delicadeza. Se eu conseguir durar muito tempo, espero encarar minha partida com a mesma serenidade.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Para descontrair...



Para constar...

Hoje eu não sou ninguém
Porque ontem trabalhei 17 horas corridas
Porque tenho dormido mal e cada vez menos
Porque quando caio nos braços de Morfeu, ganho um pesadelo ou qualquer tipo de neurose onírica para destruir meu descanso

Hoje não sou ninguém
Porque ontem mais uma vez não respondi meus emails
Porque não saio com meus amigos há semanas
Porque não consigo ser regular na academia, na aula de inglês e em qualquer compromisso que me traga bem-estar e conhecimento

Hoje não sou ninguém
Porque meu corpo doí, meus pensamentos estão descoordenados. Se me perguntam qual a cor do cavalo branco de Napoleão, custo associar o nome ao sobrenome Bonaparte
Porque não tenho tido paciência alguma com as pessoas de um modo gera
Porque quando tocam o despertador e o telefone, tenho vontade de silenciá-los para sempre

Hoje não sou ninguém
Porque não tive tempo de buscar meu gatinho, de passar no Drosophyla ou de ir ao banco, compromissos que esperam desde segunda-feira
Porque apesar de estar tentando cuidar da minha saúde na teoria, a prática é um fiasco
Porque milhões de pendências com trabalho, dinheiro e amigos continuam no mesmo plano
Porque não paro de resmungar
Porque não sei ao certo o que quero da minha vida
Porque eu queria sumir do mapa
Quem sabe assim eu voltaria alguém?

segunda-feira, novembro 20, 2006

Voltando a ser morena...

Depois de muito tempo ostentando a cabeleira vermelha, resolvi voltar ao meu visual de outrora. Ou quase, uma vez que passei pelo processo de descoloração e a cor que predomina em minhas mechas é mais escura que a natural. Sinto-me bem melhor. Não agüentava mais o look falsa ruiva tão banalizado. Foi tudo feito no meu bate-volta para BH. Sexta, por bondade dos deuses, deu tudo absolutamente certo. Pela manhã, ia perder a lotação e o motorista me esperou. Saí tarde do jornal, com a convicção de que não iria conseguir viajar. Ganhei uma carona providencial e havia dois lugares no ônibus. Fiquei com o penúltimo, sendo que o último foi disputado na fila. Assisti a Bubble, fui ao mercado central e só não descansei como devia porque a "cachorrada" ficou latinho embaixo da minha janela porque saiu da segundona. Noite em claro, ainda que eu volte de leito. Sim, eu morro de medo de viajar de ônibus e carro. Devo trabalhar até de madrugada, iniciando árdua e produtivamente minha semana. Faltam 115 dias para minhas tão sonhadas férias. Antes que eu me esqueça, não sou de me gabar pelas minhas matérias. No entanto, minha capa do Variedades de hoje ficou muito legal...Não está na íntegra, então, é bom comprar o jornal.



Blacks da hora
Um passeio pelos antigos bailes da periferia de SP

LUDMILA AZEVEDO ludmila.azevedo@grupoestado.com.br

Entre as décadas de 70 e 80, os bailes black eram a curtição do pedaço na periferia paulistana. Mais do que colocar a turma para dançar, tinham a função de criar tendências musicais ou comportamentais. DJ Hum, freqüentador assíduo das festas, e mais tarde integrante da equipe alta rotação, lembra com saudade desses tempos, como na introdução de Senhor Tempo Bom, composição feita em parceria com Thaíde, uma das homenagens mais carinhosas e dançantes a artistas como Tim Maia, Tony Tornado, Gerson King Combo, Lady Zu, Toni Bizarro, bem como às equipes Chic Show, Zimbabwe e Black Mad e, claro, os jovens que passavam horas na frente do espelho para desfilar nas pistas o modelito psicodélico e a vasta cabeleira.

“Os bailes eram compostos por 90% de afro-brasileiros e descendentes. Dificilmente via-se um branco ali, a não ser que fosse da periferia. Você precisa considerar que estávamos em plena ditadura: meia-noite a televisão já estava fora do ar. Era bom porque a diversão estava fora de casa. Essas festas chegaram a reunir de 10 a 17 mil pessoas, público maior do que muitas bandas internacionais famosas atingem hoje em São Paulo. Eram exibidos filmes sonoros, pois não havia o videoclipe. Tinha também concurso de beleza, sem falar nas coreografias”.

Os passinhos ritmados eram um capítulo à parte. “A gente passava a semana inteira ensaiando porque sabia que quem dançasse melhor pegava todas as meninas”, diz. No entanto, DJ Hum faz questão de ressaltar que a diversão das matinês e domingueiras era bastante tranqüila e até ingênua. “Não se vê isso mais. Para se ter uma noção, eles vendiam pipoca na porta das discotecas. Lá dentro eram só drinques. Não havia frescura. O que os freqüentadores queriam era ficar em meio àquelas luzes, música e vibração. Era um lance magnífico”.

A seleção musical dos discotecários era pontuada por diferentes climas. “As músicas nacionais traziam balanço e samba-rock, que nasceu aqui. Já as internacionais iam de funk, groove, soul até ritmos negros de outras culturas, como a caribenha. Ficávamos atualizados com os lançamentos. O curioso é que os de fora pareciam alcançar maior escala. Artistas brasileiros soltavam discos no mercado com intervalos maiores. A indústria fonográfica não investia muito, porém como os bailes também circularam pelo ABC, o interior e outros estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais, ajudaram a valorizar quem não alcançou devido reconhecimento”, opina.

As questões que afligiam sobretudo a juventude nos anos de chumbo eram tratadas nos bailes. “Tínhamos uma afinidade com o discurso de Martin Luther King e os ideais de liberdade. Na periferia convivíamos como os punks. Éramos de tribos diferentes, mas todos bem politizados”, explica. DJ Hum conta que mesmo que não existisse rusga, cada grupo de jovens dos anos 80 habitava universos distintos, não necessariamente impenetráveis. “Alguns gostavam de pop rock, new wave, heavy metal sem que houvesse um intercâmbio. A primeira vez que isso aconteceu foi em 1986, quando o Nasi, do Ira! convidou DJs, músicos e cantores da periferia para uma festa a My Baby, no espaço Mambembe, que estava organizando junto com o Skowa. Achamos estranho, mas resolvemos ver no que ia dar. Basta dizer que a noite marcou a origem da minha dupla com o Thaíde”.

Na década de 90 as equipes, uma espécie de kit completo dos bailes black foram se diluindo. “Não sou contra a tecnologia, ao contrário, só que as ferramentas de divulgação e acesso a música na internet ajudaram a enfraquecer os bailes na periferia. O som migrou para a região nobre e virou cult”.DJ Hum não é contra o acesso irrestrito do conteúdo da black music e pondera que nem só de nostalgia vive a época. “O hip hop é uma forma de manter essa cultura viva”, conclui. “Mudaram as músicas, mudaram as roupas, mas a juventude afro continua muito louca”.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Não escrevo porque é feriado e estou de folga. Aliás, essa palavra quase não existe para quem é jornalista. Ela acontece em escalas e nem sempre alguém lá de cima (da diretoria e não do céu, óbvio), se lembra disso. Enfim, ao menos o final da semana passada e início dessa semana foram ótimos. Com o Alê e a Uiara em São Paulo, a apresentação do New Order na segunda, um momento Ferris Bueller com os amigos depois do show (saimos sem pagar a conta por conta do péssimo atendimento) e a marguerita do El Kabong ontem à noite. Dia 20 tem mais um feriado, municipal, é verdade. Mas ouço Chet Baker cantar em meus ouvidos o refrão: “but not for me”...

sexta-feira, novembro 10, 2006

E hoje ultrapassando a marca das 14 horas trabalhadas!!! Diz aí Tim Maia: "uh, uh, uh que beleza"...

terça-feira, novembro 07, 2006

A semana começou bem, mas devo ter noites ainda mais reduzidas de sono. Enquanto eu tiver disposição, tudo bem. Vi dois filmes em DVD: A Lula e a Baleia, que minha irmã e minha mãe adoraram. Eu gostei, embora esperasse mais. É o problema das super recomendações...



Adorei mesmo foi Orgulho & Preconceito, com o final oficial, claro. O alternativo é meio bobo. Quero ler o livro. Aliás, todos da Jane Austen. Quem tiver, pode me emprestar, pois sou do tipo que devolve.



O que é aquele Mr. Darcy (super meu tipo diga-se de passagem )dizendo para Lizzie que a ama ardentemente? Que homem no mundo diz isso para alguém? Arrependo-me de não ter visto no cinema!

domingo, novembro 05, 2006

Não tem ninguém que desteste o horário de verão mais do que eu. Não perco a oportunidade de reiterar isso. Quem olhar meus posts nos últimos 5 anos (neste blog e no antigo verão). Ao menos a hora perdida foi num plantão. Fim de semana extremamente sem graça foi esse meu. Só trabalhei e li. Fiquei ouvindo Léo Jaime no MP3 para tentar melhorar o astral.

A Fórmula do Amor

Eu tenho gesto exato, sei como devo andar
Aprendi nos filmes pra um dia usar
Um certo ar cruel de quem sabe oque quer
Tenho tudo planejado pra te impressionar
Luz de fim de tarde meu rosto encontra a luz
Não posso compreender não faz nenhum efeito
A minha aparição será que errei na mão
As coisas são mais fáceis na televisão
Mantenho o passo alguém me vê nada acontece
Não sei porque se eu não perdi nenhum detalhe
Onde foi que eu errei

Ainda encontro a fórmula do amor
Ainda encontro a fórmula do amor
Ainda encontro ohohoh a fórmula a fórmula do amor

Eu tenho a pose exata pra me fotografar
Aprendi nos livros pra um dia usar
Um certo ar cruel de quem sabe oque quer
Tenho tudo ensaiado pra te conquistar
Eu tenho um bom papo e sei até dançar
Não posso compreender não faz nenhum efeito
A minha aparição será que errei na mão
As coisas são mais fáceis na televisão
Eu jogo charme alguém me vê nada acontece
Não sei porque se eu não perdi nenhum detalhe
Onde foi que eu errei

Ainda encontro a fórmula do amor
Ainda encontro a fórmula do amor
Ainda encontro ohohoh a fórmula a fórmula do amor

Mantenho o charme alguém me vê nada acontece
Não sei porque se eu não perdi nenhum detalhe
Onde foi que eu errei

Ainda encontro a fórmula do amor
Ainda encontro a fórmula do amor
Ainda encontro a fórmula do amor
Ainda encontro a fórmula do amor

sábado, novembro 04, 2006

Jornalismo "sério"

Antes mesmo de me formar em jornalismo, fui obrigada a conviver com as teorias conspiratórias contra a editoria de cultura. Na época da faculdade, na maioria das vezes, cumpria a lição sem questionar demais. Meu único objetivo era quitar logo o consórcio do diploma para me ver livre do discurso vazio e preconceituoso dos meus "mestres" que tinham muita bagagem num só veículo. Sim, eu tinha aula de Rádio Itatiaia, TV Alterosa e Jornal Estado de Minas. Os professores, que por esses veículos passavam ou ainda se mantinham, defendiam com unhas e dentes que o mártir da profissão era aquele que enfrentava sol, chuva, frio e fome em busca de um furo. A futura profissão não poderia nunca ter um pingo de requinte. Do contrário era desperdício de tempo, dinheiro e massa encefálica. Trocando em miúdos: só se poderia fazer uma reportagem digna de nota na favela, na delegacia ou numa sala de imprensa tensa, com o intuito de desafiar uma autoridade política. Depois do expediente, um boteco copo sujo para teorizar e, principalmente reclamar da vida (coisa que TODO jornalista de QUALQUER EDITORIA ama fazer).

Aboli boa parte dos clichês do jornalismo desde que eu era uma caloura, aos 17 anos de idade. Nunca fumei, não acho graça em máquina de escrever (vendi a que meu pai me deu sem nunca ter usado) e os 25 copinhos de café por dia me acompanharam por alguns meses no meu último emprego. Apenas porque foi ficando insuportável a cada dia e eu precisava de uma dose de ânimo (atualmente, eu prefiro chá verde). De modo que a predileção por fazer reportagens de música, cinema, literatura, teatro, artes plásticas, dança e moda nunca se abalou por eu ser acusada de não querer fazer "o verdadeiro jornalismo", "o jornalismo sério", "a escola de jornalismo" e tantos outros sinônimos para editorias de cidades/ polícia e política/ economia.

Não tenho "ídolos" entre colegas. Posso no máximo admirar gente como Zuenir Ventura ou Marília Gabriela. Nunca quis ser um deles. Nem por um dia. Não quero ganhar prêmio de reportagem. Não quero trabalhar em "Olimpos" da Comunicação. Se a proposta vier, eu penso com carinho. Como outra qualquer.

Voltando à balela, imaginei que ainda a escutaria por muito tempo depois de me formar. Elas sempre saem certeiras da boca de quem está no mesmo lugar há décadas. Dos focas que passam por uma espécie de lobotomia e acreditam piamente que cobrir buraco na rua dignifica o profissional. Não é uma mentira completa. Engolir sapo, em qualquer que seja a pauta é fundamental para se preparar melhor da próxima vez. Eu já passei por milhares saias justas com entrevistado. Fiquei horas num morro dominado pelo tráfico de drogas. Também perguntei coisas que o entrevistado não queria ouvir e que, pressionado, não teve saída. Tudo isso fazendo o que sempre gostei de fazer: cultura, comportamento e moda.

Para ter bagagem, malícia, jogo de cintura e conteúdo eu não preciso, nem nunca precisei de uma pauta de três linhas que olha para mim e diz: "se vira". Me viro sem pauta alguma porque quero ir além dela. Se eu faço o jornalismo que eu queria fazer? Não. Isso é utópico. Não tenho mais idade para editar fanzine e não posso me dar ao luxo de viver de luz. O anunciante paga meu salário. O governo já pagou meu salário. Minhas idéias menos convencionais pagam alguns supérfluos por meio de frilas, que tem a faca do editor no processo final. Tudo precisa ser embalado para o gosto do leitor, ouvinte e telespectador: um debate político, uma rua que ganhou tratamento de esgoto e o show do Elton John no Brasil.

Quando alguém acha que meus plantões com pautas que nem sempre têm a ver comigo vão engrossar meu caldo, eu concordo para evitar polêmica. Nessas horas eu lembro das aulas de química e física do Colégio Piedade. Aquilo era importante, mas eu não conseguia me concentrar o tempo todo porque não usaria na prática e nem no meu futuro as fórmulas e as leis. Eu ia invariavelmente para a última página do caderno e escrevia nos momentos em que poderia conversar, dormir ou enrolar. Tenho certeza de que eu não estava deixando de aprender.

quinta-feira, novembro 02, 2006

O Fim das Coisas?

A TPM termina quando chega o nada agradável período menstrual. O salário sempre acaba quando são pagas todas as depesas (e olhe lá). Os dias de chuva sempre acabam com a chegada de novembro e o feriado de finados. O pote de sorvete sempre acaba quando a preguiça de sair para comprar outro debaixo de um sol escaldante começa.O bom humor de um ser humano normal nunca dura até o fim do plantão de feriado e de final de semana. O maldito horário de verão acaba com a sensação correta de dia e noite (seis da manhã está escuro e sete da noite está ensolarado). Um livro para se devorar, um filme emocionate, um vinho divino, uma aula de ioga, uma massagem relaxante... sempre chegam ao final. Minha falta de inspiração também há de ter seus dias contados. Falta pouco (eu espero!).

Vídeo do dia com a música que cai como luva para o momento

quarta-feira, novembro 01, 2006

Ainda em crise...

Duas coisas que eu odeio:
- Trabalhar em dia de chuva
- O horário de verão que começa domingo

Uma coisa que eu adoro:
- Brincar com o Téti todas as manhãs