terça-feira, novembro 26, 2013

Do mês passado...

Me esqueci de postar essa!

Longe

Como no filme de Marcelo Gomes, a primeira parte da frase faz muito sentido para mim: “Viajo porque Preciso”. Em São Paulo para cobrir a 37ª Mostra Internacional de Cinema, aproveito as brechas entre as sessões para colocar papos em dia com velhos amigos dos tempos em que morei por aqui. Às vezes, sinto que o tempo voltou diante do combinado chope e pastel, tão paulistano.

Pego o metrô, mas meu destino não é a Vila Madalena como antes. Dessa vez, não comerei milho-verde quentinho na estação. Mais uma vez, entro em filas, intermináveis. No Museu da Imagem e do Som, o MIS, foi mais de uma hora para conseguir entrar e ver o acervo do Stanley Kubrick. Enquanto isso, e como sempre, fiz amigos na fila. “Ah, você é mineira, seu sotaque é tão fofo!”, me disseram.

Eu amo São Paulo. Andar pela avenida Paulista ouvindo as conversas de pessoas de todos os lugares do mundo. Meninas japonesas de cabelo roxo, meninos bem-vestidos de mãos dadas com seus namorados, velhinhas cheias de laquê no cabelo, judeus ortodoxos caminhando com seus filhos, Elvis Presley pedindo uns trocados na porta do shopping. Me perco por horas em livrarias, lojinhas de arte, cafés e padarias. Como pão na chapa cheio de manteiga, e sempre tenho assunto com taxistas e pipoqueiros.

A cidade tem tanto barulho que me faz ficar em silêncio. Às madrugadas, abro as janelas do quarto para olhar o Conjunto Nacional. Ainda há pessoas na calçada. Aqui não se dorme, como Sinatra um dia cantou para uma de suas musas, Nova York. Apesar de estar em hotel, me sinto em casa. Sinto saudade de tanta coisa, de tantos rituais. Muitos nem pude cumprir nesses dias. E não os cumpri intencionalmente. Quando venho a São Paulo, compro um tíquete de metrô a mais, deixo de visitar um museu ou um novo restaurante só para voltar correndo.



quinta-feira, novembro 21, 2013

Dos questionamentos

A despeito de toda alegria recente, e da tão esperada paz que invadiu o coração, ouvia perguntas/ frases como:
- Você anda tão calada (por que?)
- Você não tem escrito (por que?)
- Você devia tirar umas férias (como?)
- Você devia deixar pra trás essa nova-velha descrença ("Is it getting better?Or do you feel the same? Will it make it easier on you now. You got someone to blame?")

Nem sempre há como responder às próprias perguntas.

quarta-feira, novembro 06, 2013

Ironia do Destino

Eu tenho a mania de pensar sobre clichês, frases feitas e afins. No intuito de entendê-los e descontruí-los. "Ironia do Destino" é um deles. Como fosse ele o remetente, ela a carta e eu quem recebe.
Quando penso na postagem, os Correios não estão em greve, o endereço é preenchido corretamente. Nesse dia, eu saio mais tarde de casa (ou atrasada, para dar mais dramaticidade ao fato) e, como nunca acontece, encontro o carteiro para assinar o protocolo.
Abro o envelope e o texto tem uma saudação extremamente formal, algo como "Ilustríssima Senhora Ludmila Azevedo Dias".
Ele, o Destino, é muito frequente. Pode me avisar que por mais que eu prefira dias frios, os de calor e de chuva serão mais extensos, justamente por eu viver nesse país tropical, por não ter como fazer as malas imediamente. No discurso, o remetente faz questão de me lembrar o conjuntos de porquês que atravancam o meu caminho.
Sarcástico e cruel em ocasiões específicas, o Destino troca assinaturas como "atenciosamente" por "eu te avisei".
Nunca respondi a essas correspondências, são como avisos da conta de luz não paga. Aperto de cá, me viro dali e acerto. Não dou explicações, elas não são necessárias.
Certa vez, depois de beber sozinha uma garrafa de vinho, decidi que iria redigir, nada ficaria subentendido. De quebra, diria umas verdades para esse grandessíssimo filho da puta. Achei, aliás, uma boa ideia começar assim.
Acordei em cima do papel amassado, com uma dor de cabeça monumental. Eu tinha uma reunião de trabalho que durou horas, enquanto as pessoas ao redor da mesa falavam, me esforçava para lembrar de tudo que quis escrever, mas a mente apagou cada palavra.
Também passei um período sem abrir as cartas, que se amontoavam entre as demais.
Rasguei sem ler, joguei diretamente no lixo.
Hoje eu as leio. Resgatei umas antigas até.
Admito que tento reinterpretá-las.
Fiquei com os olhos cheios d' água quando li sobre uma determinada Ironia que tornou os tempos melhores.
Pensei no que deveria conter o conteúdo desprezado.
E respirei fundo.