segunda-feira, novembro 29, 2010

quarta-feira, novembro 17, 2010

Homenagens

Linda homenagem da Sil a BH e aos amigos que ela fez aqui. De tabela, ela homenageou meus queridos amigos de São Paulo que me receberam tão bem e foram citados. Essa eu dedico para a senhora fofa da Feirinha do Bixiga.

Meu amor por Belo Horizonte - por Silvana Mascagna

Faz 14 anos que cheguei em Belo Horizonte, completados na segunda-feira. Fiquei pensando que, se tivesse engravidado, assim que botei os pés por aqui, teria já um adolescente em casa, cheio de espinhas e questões.

Mas não. Não engravidei, e, como não tenho filho, me sobra tempo de olhar para mim mesma e minha trajetória. São anos que passaram rápido, indolores. Não tive fase de adaptação. Não me senti, em nenhum momento, sem amigos, nem desamparada, nem numa terra estranha. A impressão é que sempre vivi aqui.

Tive sorte. Não me canso de dizer. Porque sei que gostar ou não de algum lugar depende dos encontros e das experiências que se tem. E, disso, eu não posso reclamar.

Tenho conversado muito sobre isso com uma amiga, recente, mas nem por isso menos querida. Ela é louca por São Paulo, onde passou uma temporada rápida - dois anos, se não me engano -, mas que foram suficientes para descobrir que aquela é a sua cidade.

Fico realmente feliz em ouvi-la falar toda cheia de carinho da minha cidade, que a maioria das pessoas despreza, odeia, tem medo, enfim... Sei que é muito mais fácil não gostar de São Paulo do que gostar.

E ela ama. Ama porque prefere frio ao calor, por ser uma apreciadora de bons restaurantes, de vida cultural intensa, noite animada... Enfim, tudo o que São Paulo tem de sobra. Mas ama, principalmente, porque teve uma rica experiência profissional, porque encontrou pessoas com as quais se identificou, amigos de verdade, que fizeram sua vida mais fácil. Isso, sim, faz toda a diferença. E, quando existe essa zona de conforto, parece que tudo conspira a favor.

Essa minha amiga conta uma história linda sobre uma vez em que foi a uma dessas feirinhas de antiguidades que existem em São Paulo. Numa das bancas, se encantou com um anel, de ouro, antigo. Experimentou e começou a elogiar a peça. A senhora que vendia o anel deu detalhes dele e ela ficou cada vez mais encantada. Quando foi devolver o anel, a mulher pediu que ficasse com ele, com apenas um argumento: ninguém, nem ao menos as filhas dela, tinha entendido o valor daquela peça. Boquiaberta, minha amiga resistiu em aceitar, mas a senhora insistiu. "Me diz, se não tenho que amar aquela cidade?". Foi a frase dita por ela no dia em que mostrou o anel.

São histórias assim, surpreendentes - igual àquela em que um taxista carioca resgatou uma outra amiga de um feriado infeliz no Rio de Janeiro, que contei aqui há algumas semanas -, que contribuem para fazer uma cidade ser especial para nós. Mais do que isso, são capazes de derrubar conceitos - ou preconceitos - sobre determinados lugares.

Quando cheguei por aqui, vim com o coração aberto. Era uma época difícil, em que trabalhava 12 horas por dia - às vezes, 18 horas -, morava numa rua barulhenta e estava absolutamente de saco cheio de São Paulo. A cidade me sufocava.

Ainda assim, podia ter dado tudo errado, já que não conhecia Belo Horizonte - tinha passado apenas uma noite aqui, muitos anos antes, quando fiz uma viagem pelo rio São Francisco, que saía de Pirapora -, nem ninguém na cidade. O jornal O TEMPO, em que ia trabalhar, ainda não existia de fato - só sairia às bancas uma semana depois - e não tinha informação sobre como ele seria.

E as surpresas foram todas agradáveis. Lembro do meu encanto imediato pelo projeto do Magazine e da simpatia de toda a equipe do caderno ao me receber.

A impressão é que fugia de uma cidade hostil para outra que me abria os braços para me recepcionar. Com o tempo, essa cidade foi fechando os braços em torno de mim. E é assim, acarinhada, que tenho me sentido nesses 14 anos.

segunda-feira, novembro 15, 2010

Boris Yelnikoff

Porque as segundas-feiras pedem.

"Deixe-me explicar, certo? Não sou um cara simpático. Carisma nunca foi uma prioridade pra mim. E, saibam todos, esse não é um daqueles filmes "pra cima". Então, se você é um daqueles idiotas que precisa se sentir bem, vá fazer uma massagem nos pés. O que significa tudo isso afinal? Nada. Zero. Nadinha. Nada leva a nada e ainda há tantos idiotas tagarelando. Eu não. Sou um cara de visão. Estou discutindo com vocês. Seus amigos, colegas de trabalho, jornais, TVs. Todos ficam felizes em falar, cheios de desinformação. Moral, ciência, religião, políticas esportes, amor, seus portifólios, seus filhos, saúde, meu Deus! Se eu tivesse que comer nove porções diárias de frutas e verduras para viver, não ia querer viver. Odeio esse troço de frutas e verduras. E Omega 3, esteira, eletrocardiograma, mamografia, ultrasom pélvico, e, oh meu Deus, colonoscopia! E ainda assim, chega um dia em que te colocam em um caixão e logo vem próxima geração de idiotas, que também falará sobre a vida e definirá o que é apropriado. Meu pai se matou porque os jornais matinais o deixavam deprimido. E você pode culpá-lo? Com o horror, a corrupção, a ignorância, a pobreza, o genocídio, a AIDS, o aquecimento global, o terrorismo, os imbecis valores familiares e os imbecis armados! "O horror". Kurtz falou dele em "O Coração Das Trevas". "O horror". Sorte dele que não tinha o "Times" entregue na selva, aí ele veria o que é o horror. Mas o que se pode fazer? Vocês lêem sobre o massacre em Darfur, ou sobre um ônibus escolar que explodiu e dizem "Meu Deus, o horror!". E aí vocês viram a página e terminam seus ovos de galinha no quintal. Porque...o que se pode fazer? É massacrante. Eu já tentei me matar. Obviamente não deu certo. Mas por que vocês vão querer saber disso? Meu Deus, vocês têm seus próprios problemas. Tenho certeza que estão obcecacdos com suas tristezas, esperanças e sonhos. As previsíveis vidas amorosas infelizes, seus empreendimentos fracassados. "Ah, seu eu tivesse comprado aquela ação!", "Se eu tivesse comprado aquela casa anos atrás!", "Se eu tivesse me aproximado daquela mulher!" Se isso, se aquilo...querem saber? Êstou de saco cheio desses "poderia ter" e "poderia ser". Como minha mãe dizia, "Se minha mãe tivesse rodas, ela poderia ter sido um bonde"."

sexta-feira, novembro 05, 2010

Que tipo de mãe eu seria?

Tenho poucas amigas com filhos. Uma proporção meio Sex and the City, quando era apenas seriado, para dizer a verdade. E sempre que alguma diz que está grávida, evidentemente, fico muito feliz.

E com muitas dúvidas.

Como será que ela reagirá à barriga crescendo? Vai ser daquelas que enjoam com tudo? Vai só falar do filho 24h por dia? Vai me excluir do mailing porque enquanto eu falo de baladas, carinhas interessantes e afins ela opina sobre mamadeiras e a obrigatoriedade do bebê conforto?

Uma amiga que está longe acaba de me contar que vai ser mãe. Quer dizer, ela mandou uma mensagem no bate-papo com o link do blog que ela criou para contar a novidade de cada dia.

Ela será o tipo de mãe divertida, que as outras crianças vão querer adotar. No post "existe gravidez à prova de breguiçe?", imaginei a Lola cogitando decorar o quarto do bebê com a temática literatura russa, com o cantinho "Crime e Castigo"...

Mulheres, em geral, se derretem com a maternidade. Alguns poucos homens também. Eu ainda não senti aquela vontade de ter um filho. Não imagino como vai ser a cor dos olhos, se os cabelos terão cachinhos. Mas algo dentro de mim sabe que se um dia eu for mãe, vou amargar com o geniozinho difícil do meu herdeiro.

Acho a genética implacável.

Às vezes me pergunto que tipo de mãe seria. Brava? Superprotetora? Carinhosa? Exigente? Dramática? Não sei e não tenho a menor pista. Desconfio que vai depender do tipo de pai que terei ao meu lado para compartilhar a experiência.

Hoje eu vejo mais claramente que um bebê, uma criança, um adolescente e até um adulto precisa dos dois, ainda que não estejam juntos.

Sempre que minhas amigas disseram que estavam grávidas, o complemento era que os pais estavam nas nuvens, filmando tudo desde agora, criando um blog, um perfil no twitter, comprando roupinhas de time de futebol e até fazendo cursos.

Isso me deixa duplamente feliz, me dá um pouquinho de esperança.