quarta-feira, março 29, 2006

Sinal dos tempos

Daqui a uma semana faço 29 anos e sinto que minha empolgação tem mudado bastante em relação à data. Já não planejo festas, não alimento expectativas e nem faço questão de tanta gente me rodeando. Aliás, alguns amigos disseram que não poderão comparecer ao final de semana posterior ao dia cinco (em que irei BH soprar simbolicamente as velinhas) e isso não me chateou. Não que não faça diferença, mas eu sei o que é ter compromissos inadiáveis, outros planos, inclusive aquilo que aparece de última hora. Eu estava pensando em nem fazer nada. Chegar em casa, ficar com minha família e pronto. Talvez seja cansaço, preguiça, falta de sociabilidade ou tudo junto.

Lud, com TPM, mau humor e chuva até os joelhos

segunda-feira, março 27, 2006

E ontem eu fiquei na frente do computador até o dia de hoje esperando a inspiração baixar. E no MSN, conversando com o Pablo Villaça trocamos idéias sobre os "ossos do ofício" e ele me mandou uma frase ótima, de autoria do Thomas Mann: "um escritor é um pessoa para quem escrever é algo mais difícil do que para as outras pessoas". Eu retribuí com Henry Ford: "pensar é o trabalho mais duro que há, o que é provavelmente o motivo porque tão pouca gente se dedica a fazê-lo".

Então, o último foi mais um final de semana com menos tempo para mim. Nada de manicure, almoçar com calma (engoli tudo às pressas para não me atrasar) ou ir para a balada. Pelo menos, esfriou um pouco ontem e eu fui ao cinema com a Giovana. Vimos A Máquina, bem inferior à peça, que é uma das mais emocionantes que eu já assisti. A linguagem "nordeste pop" à Guel Arraes ficou repetitiva: mocinha deslumbrada meio "Lisbela", trilha sonora inadequada(o que era o beijo dos dois pontuado por um solo de guitarra com cara de novela das sete?)e o Gustavo Falcão em momentos de cópia ao "João Grilo", do Mateus Nachtergale. Gostei mesmo do Paulo Autran, do Lázaro Ramos e do Wagner Moura, mas sei que o filme consquistará adeptos. E viva o cinema nacional com todos os seus defeitos! Enfim, como meu blog anda sem pôsteres, vou colocar o do que vi no domingo, dia 18, Uma Mulher Contra Hitler. E que venham sábados e domingos de lazer pela frente. Eu mereço!



sábado, março 25, 2006

Confesso que dormi

Em relação ao post anterior, admito que às vezes meu lado implicante tem razão...Fiquei longe do pessoal no show e, com a cerveja quente a cinco reais, só me restou dar duas chances para o bar e umas "pescadas" no cantinho do Credicard Hall.

sexta-feira, março 24, 2006

Mordendo a própria língua

Sabe aquela pesssoa que você achou que fosse metida, estranha ou grosseira e não é nada disso? Sabe aquela sua crítica a quem vai à praia nas férias, que cai por terra quando você sonha com veraneio à beira mar? Sabe aquele show do qual você não faz a menor questão de ir e, no fim, pode ter achado divertido? Eu vivo mordendo a língua. Tudo graças à urgência de se ter uma opinião formada nos primeiros contatos com alguém, às convicções que parecem a da criança que não come camarão porque o cheiro dele cru é insuportável e aos ouvidos seletivos que traem a legião de pessoas que se acham com o melhor gosto do mundo.

Por isso, eu tenho vários amigos do coração de quem não ia com a cara num primeiro momento, não vejo a hora de pisar na areia fofa do sul da Bahia e vou ao Jamiroquai com Fernanda, Mariana e Gordo. A vida é curta e amanhã estou de plantão.

terça-feira, março 21, 2006

Mulher Solteira Procura

Ah, a eterna busca. Eu estou sempre procurando coisas, pessoas e lugares. Perdi, por exemplo, o título de eleitor e não tenho a menor pista de onde achá-lo no meu quarto, em Belo Horizonte. Uma companhia para tomar uma cervejinha é sempre bem-vinda. Gostaria daquelas mais disponíveis, que não tivessem tanto trabalho ou tão pouco tempo para ver a vida passar, sem se dar conta das milhares de calorias ingeridas na mesa de um bar. Procuro, principalmente e desesperadamente, um lugar para viver em São Paulo. Um apartamento que não seja caro, que não tenha carpete, que não seja num muquifo, que não seja longe de tudo, que seja arejado, que fique numa rua tranqüila, que tenha uma vizinha velhinha fofa, que não se incomodará com meus discos, que caiba meu namorado, minha família ou meus amigos num final de semana, que me faça não precisar de ficar vagando por shoppings ou avenidas por me sufocar, que tenha a luz do sol, porém que ele não me queime, que tenha armários grandes, mesmo que o resto seja pequeno e que me permita ter um gatinho. Não é pedir um triplex na Vieira Souto no Rio não. Esse aí eu estou guardando para depois.

sábado, março 18, 2006

Sim, eu acordo preocupada com as providências como as milhares de contas, que eu não tenho dinheiro para pagar, como na música do Nando Reis. Vejo que a semana toda ficou para trás e eu tenho trabalhoado demais, como nos versos do Ludov e me pego pensando: "tanto tempo longe de você, quero apenas lhe falar. A distância não vai impedir, meu amor de te encontrar"...Aliás, acho que por mais que torçam o nariz, sempre haverá "aquela canção do Roberto" com a qual todo mundo se identifica.

terça-feira, março 14, 2006

O último final de semana poderia ter sido um fiasco. Não foi. Também não chegou perto do que eu havia planejado, mas em nenhuma época da minha vida aprendi tanto a me adaptar como agora. Adaptar-se ao desconhecido, ao que é menos cômodo e seguro. Tem sido assim por dois meses. Tem dias que eu acho o máximo estar longe de casa, num emprego novo, conhecendo gente com outros sotaques e referências. Aí me vejo como alguém de coragem. Há outros em que me pergunto o que estou fazendo aqui, quando poderei ouvir meus discos, me sentir totalmente à vontade e por que escolho sempre o mais difícil? E ainda existe a terceira possibilidade, que é a aquela de não ficar morrendo de pena de mim mesma e ter a certeza de que certas conquistas não são fáceis para ninguém. Em suma: alterno surtos, melancolia, alegria e pé no chão. A minha "crise dos 30" chegou aos 28. Mais uma vez, meu lado precoce vence o relógio biológico. Vou ao cinema e choro na sala escura sem ter que me importar com quem está ao lado. Depois, desfruto o prazer da minha companhia tomando uma taça de vinho e observo detalhes. Tenho a sorte de, no dia seguinte, sair com bons amigos e rir bastante. Os dias de semana não são iguais: a distância o calor e a chuva têm efeitos variáveis no meu humor. Essa Ludmila não muda. Não gosto de transporte coletivo (ônibus e metrô), no entanto não sei dirigir. Chuva me tira do sério, sol demais irrita. Claro que há o frio, que eu amo. Ele adora me pegar desprevinida. Ultimamente, porém, posso achar a distância importante para organizar minhas idéias, espero a chuva passar sem drama e sei que o sol não vai me derreter por muito tempo, que um ser iluminado inventou o ar condicionado e alguém o colocou na potência máxima na redação do jornal. Sim, minha bolsa Mary Poppins tem milhares de badulaques e lugar para protetor solar, sombrinha e casaco. Para tudo tem lugar. Comigo não vai ser diferente.

quarta-feira, março 08, 2006

Dia de quem? - Mário Prata

A pergunta do título foi feita pela primeira vez há exatos 143 anos. E foi em Nova Iorque. É que a mulherada das fábricas de vestuário e têxteis da cidade fizeram uma marcha contra os salários baixos, doze horas de batente e péssimas condições de trabalho. Era 1857 e, no Brasil, as mulheres brasileiras, quais Penélopes, ainda não trabalhavam. Aguardavam os maridos que tinham ido até a guerra do Paraguai. Enquanto os maridos brasileiros massacravam os paraguaios, as mulheres americanas eram violentamente dispersas pela polícia.

Mas o mundo girou e a lusitana rodou a baiana. E há 25 anos a ONU cismou que o dia 8 de março é o dia da mulher. Se eu entendi bem, os outros 364 são dias de homem. Ou seja, discriminaram mais uma vez as meninas.

E para que elas não chiassem muito, inventaram outros dias igualmente femininos. Por exemplo: dia 3 de novembro é o dia da cabelereira. Dia 12 de março - semana que vem - é o dia da bibliotecária. Para as enfermeiras reservou-se o dia 12 de maio, um dia antes da libertação das escravas. E a telefonistas fica toda serelepe no dia 29 de junho. Pensaram também na mulher empregada doméstica: 27 de maio, mês das noivas.

Para que homens e mulheres tivessem alguns dias juntos, nasceu o dia da amizade, 20 de julho. E, se são amigos, podem comemorar juntos no dia 13 de abril o dia do beijo. Verdade. E se ela está velhinha, nada como o dia 24 de janeiro para o dia das aposentadas.

E tem mais, mulheres: tem o dia da mulher criança, da mulher mãe, da mulher avó e, é claro o dia das sogras, 28 de abril.

Quer sacanagem, né? Então não se esqueça de anotar o dia 22 de setembro. Dia da amante. Ou espere até o dia 15 de agosto e curta sozinha o dia das solteiras. Tem até dia da vizinha: 23 de dezembro. Será que é para lembrar de dar presente de natal ou reclamar das luzinhas que não param de piscar a noite toda?

Eu acho que quem fica inventando essas datas todas é tudo viado. Dia de viado não tem. Nem dia do cronista. Muito menos dia do cronista de saco cheio de datas e vazio de inspiração.


março de 2000

sábado, março 04, 2006

Em busca do Chokito perdido

Este é o meu primeiro plantão de final de semana no jornal. Almocei correndo para não me atrasar e, no meio da tarde, a vontade de ingerir uma dose glicose básica motivada pela TPM tomou conta do meu ser. Eis que a máquina me tascou R$1,20, mas não me entregou o Chokito, chocolate que por razões afetivas eu escolhi. Ele ficou ali, pendurado pela embalagem agora, como milhares de outras, maquiada. Tentei tirá-lo com delicadeza, com força bruta e ignorância. Nada. Sugeri que as pessoas pedissem o Sufflair. Só ele derrubaria meu Chokito. E agora, no décima visita à máquina de café, vizinha da de gulodices, vi que um espertinho tascou meu Chokito e eu, estúpida, deixei um bilhete para o operador da birosca pedindo meu dinheiro de volta.

quinta-feira, março 02, 2006

De volta a São Paulo...

É hora de aproveitar o meu chamado inferno astral para resolver a vida. Se algo não sair como o planejado, tenho o que culpar. Bom, meus últimos dias em BH foram de mais filmes, comilança e outros exageros. Na terça jogamos com James e Mari Peixoto em casa, conheci o Hard Rock Café, que é meio breguinha, porém bem localizado, com vista para as montanhas, enfim, foi divertido. Na quarta de cinzas foram quase nove horas de ônibus (ainda não consigo saber se é pior viajar de noite e não dormir ou ficar incomodada, olhando para o teto, durante a tarde toda. Todas duas têm em comum crianças histéricas, mau cheiro e tempo precioso jogado no lixo) e agora só no final do mês. Decidi, aliás, não combinar nada com ninguém da próxima. Detesto ficar na obrigação e, mais ainda, fazer alguém se sentir na obrigação. Não é preciso de muito para esbarrar por aí...