domingo, abril 24, 2011

O melhor dos mundos

Engraçado como as redes sociais nos fazem pensar sobre relacionamentos. Sinal dos tempos o tal status do Facebook. Estar solteiro, em uma relação enrolada, noivo ou casado dizem até pouco, ante aos comentários e curtidas.

Dia desses, uma amiga muito querida reclamou que achava absurdo o aplauso virtual à transição do comprometimendo à solteirice. Talvez a pessoa tivesse sido traída, não quisesse aquele condição e vinha um "Joselito" achar bacana. Entendi perfeitamente.

Mas imaginei essa mesma pessoa numa relação asfixiante, insatisfatória...Estar com alguém não é estar necessariamente em boa companhia. E, contrariando meu amado Vinícius, é bem possível ser feliz sozinho.

Há menos de um ano não tenho ninguém. A vida segue sem marido, amante, namorado, ficante ou paquera. E nunca fui do tipo que ficou muitos meses sem isso. Vivi em longos namoros, que me trouxeram uma bagagem bem feliz e, por fim um casamento. E, entre eles, sempre houve um alguém por quem suspirar ao menos.

No entanto, ao contrário do que eu mesma imaginava, minha condição atual não me causa desespero ou tristeza. Não estou aqui defendendo que eu me basto. Não mesmo. Mas alguém para fazer seu coração disparar e você dizer uma série de bobagens e o outro ter a capacidade achar fascinante é coisa rara.

Outro dia li um texto muito oportuno do Felipe Machado, que foi meu chefe no JT. Eu concordo com cada linha. Vivemos na Era da Fragilidade. Qualquer deslize, dá a sensação de que a fila anda...O cara tem um nariz meio grande, torce para o time adversário, não acha Woody Allen um grande diretor de cinema e...beijo não me liga! Para que perder tempo com a imperfeição, não é mesmo?

Pois eu vivo na minha bolha, no meu infinito particular. Não que vá achar alguém totalmente nada a ver a "alma gêmea" (na qual não acredito), contudo gosto da diferença. Ela azeita, dá repertório e diverte.

Vou falar em fazer rir. Para mim um homem sem humor, é um homem sem pau (com o perdão do termo chulo). Não serve para mim, desculpa. Ele tem que provocar meu sorriso (sem estardalhaço). E não me importo que ele seja magricelo, meio desengonçado...eu consigo ver beleza na total falta de músculos. Eu gosto mesmo daqueles inteligentes, desafiadores. Só que não podem ser pedantes, pelamolho (como eu e a Marianinha costumávamos brincar)...

E nem é tanta coisa ter algum charme, bom humor e inteligência...

Pelo menos eu achava que não.

Balada após balada, eu me preocupo com o grau máximo de empolgação que eu possa atingir naquele momento. Não costumo olhar para os lados.

O resto é boiada.

Todo mundo ali, repetindo as roupas e os trejeitos: querendo ser a cabeça mais valiosa.

Menos de cinco minutos de uma conversa meia-boca e a pegação começa. E opa, o beijo é péssimo! O que é aquela língua molhada na sua orelha? Será que o sujeito sabe seu nome?

Não é dar de princesa inatingível, achar que o fulano vai te levar pro cinema no dia seguinte, para ver o último filme romântico da Sandra Bullock (o que, aliás, eu faço sozinha como tantas outras coisas...).

Ficar é meio idiota #prontofalei.

E eu devia tentar entender a graça. Como respeito, já imagino que faça a minha parte: tem gente que só vê emoção em pegar alguém novo toda semana, que abomina a ideia da relação estável, mesmo que jamais tenha provado a monogamia por mais de um ano.

Casamento também não é isso tudo. Não passa da consolidação de muitas expectativas depositadas em alguém, que não é sua metade (eu já falei, não creio que isso exista). Não somos Vênus e Eros. Somos tão menos...

Leio psicanalistas e psicólogos criticando as convenções, o sexo e os anos que as pessoas passam juntas, como se tivessem desperdiçando suas existências.

Acontece que tão pouco assino embaixo desse papo furado. Batalhar por um amor é perseverar. Enquanto ele acontecer, lógico.

Não sou estudiosa de relacionamentos e falo por mim apenas. E o que serve para mim é que nem calça jeans, nem a modelagem no Brasil chegou num acordo.

Namoro é o melhor dos mundos. Ali é onde eu realmente me senti bonita e desejada. Ali residem o mistério, os bilhetinhos de amor, os beijos de tirar o fôlego. No namoro são os dois nus e as quatro paredes, durante todo o final de semana, sem a preocupação de uma conta chata para pagar.

Talvez eu ache banal ficar, talvez eu não tenha feito as pazes com a ideia de me casar de novo.

O namoro é, com certeza, minha única convicção amorosa do momento. As cores da estação, a última coca-cola do deserto.

terça-feira, abril 12, 2011

You are my joy


Chegar em casa e ver a sala vazia.
A sala vazia, o coração cheio de tristeza.
O coração cheio de tristeza e a saudade que não terá fim.
E o fim, que eu achei que demoraria, me traiu.

Meu gatinho, minha alegria, meu bebê, meu Tétinho, meu caramelinho, meu fofuxo, meu bolinha de pelo, meu amassadinho teve a vida interrompida antes de completar cinco aninhos.
Possivelmente tenha sido a tal sétima vida.
Quando ele tinha pouco mais de um ano, me deu um susto. Uma virose, vários dias de internação, mais de um veterinário. E eu olhei em seus olhinhos cor de mel e pedi chorando que ele não me deixasse.
Era meu companheirinho. Dormia ao meu lado, andava atrás de mim como uma sombra e não saía do meu colo.
Ele teve forças para cumprir nosso primeiro pacto, ali naquela sala gelada, numa gaiola horrível e muito magrinho.
Em troca, dei todos os mimos que pude. Eu comeria PF, mas o Téti jamais provaria uma ração ordinária.
Meu gatinho amava alturas. E ficava na janela contemplando a vida corrida das pessoas.
No calor, apesar do meu pânico de vê-lo doente, eu o deixava dormir sentindo a brisa em seu rostinho.
Eu quero me lembrar de tudo o que houve de bom nesse convívio, apagar todas a s injeções que ele tomou, os remédios, o longo tratamento, sua saúde frágil e seus olhinhos me prometendo mais tantas vidas.
Eu queria apenas ser como donos de bichinhos, que puderam ter seus amigos fiéis por 10, 15, 20 anos.
Eu sei que o Tétinho queria também.
Eu vi no seu olhar de desespero, no último domingo para segunda quando eu o segurei nos braços igualmente apreensiva.
Meu gatinho passou mal uma, duas, três vezes - quatro no trajeto para mais uma internação - e eu não o larguei...eu disse a ele o tempo todo que logo ele ficaria bem.
Ele ficou.
Eu não.
Tétinho foi sedado, medicado. Eu fui para casa ansiosa para que as tais horas de observação corressem para tê-lo de volta.
E a clínica, impessoal e horrível como qualquer hospital, não se deu ao trabalho de me ligar.
Acordei assustada, eram quase quatro da manhã. Me forcei a cochilar, ao menos. E foi coincidentemente nesse horário que ele lutou pela sua frágil existência pela última vez.
Mas não me bateu nenhum mal presságio, eu tinha a certeza de que iria buscá-lo. Planejava, inclusive, um combinado de tratamentos (homeopático e alopático) para não ver meu bebezinho se debatendo e sangrando. Então, ao telefonar para onde ele devia ser mais do que cuidado, salvo, minha alegria foi embora.
Na maca gelada só havia o corpinho cansado. O espírito do Tétinho já estava no céu dos bichinhos junto com a Fifi, a Leozinha...
A diferença e o que mais doeu, por mais que eu imaginasse sua recepção num paraíso, é que ele foi o primeiro bichinho só meu. Não era o gatinho da casa, o cãozinho da casa, o coelhinho da casa...
Meu gatinho, que fazia quem não era afeito a felinos mudar de ideia, que vinha atrás de mim correndo quando eu chamava, que invadia o box durante o meu banho para brincar com as gotículas de água, que enchia minha camisola de remelinha (da qual eu não tinha nojo) nunca mais iria aprontar das suas, pedir carinho, e sobretudo, me dar carinho.
Eu queria que a dor passasse um pouco para escrever uma homenagem...não parar o tempo todo porque as lágrimas insistem em cair. No entanto, se fizesse isso neste espaço, talvez não houvesse previsão de atualização.
Nos meu dedo indicador inchado, as marcas dos dentinhos dele, porque segurei sua boquinha para que machucasse menos a língua durante a convulsão. Serão 10 dias de antibiótico, alguma cicatriz...e esse tempo vai passar e a minha tristeza vai continuar.
Procuro o Téti pela casa. Como se eu fosse outro bichinho que vive neste lar.
Alice, Georginha, Chiquinha também não assimilaram a falta dele.
Meu amor nunca vai ter fim.

E se você tem um animalzinho de estimação, saiba que ele é único, especial e dará cores a sua vida. Meu conselho é ame-o. E ainda que com todas as travessuras, sofás arranhados, tapetes destruídos, cocôs e xixis espalhados onde não deveriam estar...ele será sempre um dos maiores presentes que você vai receber nessa vida. Um presente que só te dará afeto, que vai te admirar como se fosse você, pessoa comum, um Beatle praticamente. Dificilmente (para ser otimista), outra pessoa irá te olhar com os olhos tão ternos e brilhantes quanto os do seu bichinho. Aproveite cada minuto com ele, como eu tentei aproveitar com meu gordinho: um gato-anjo, a estrelinha mais fofa do céu.

sábado, abril 09, 2011

A poesia que me persegue

Quando estava aprendendo a ler, Cecília Meireles chegou em minhas mãos. Logo virou das minhas poetas favoritas. "Ou isto ou aquilo" me intrigava porque eu queria usar a luva com o anel...comprar o doce, mas ter dinheiro...sair correndo tranquilamente.

Eu não tenho tanta dificuldade em escolher, embora às vezes lamente o que deixei para trás.

Algo também como aquela música da Zélia Duncan: "Tento fazer desse lugar o meu lugar. Ao menos por enquanto. Enquanto isso durar".

Não sei se tento ou se estou me forçando, para dizer a verdade.

O sem-lugar é aonde estou. E não falo de teto. Antes fosse só isto. Ou aquilo.


Ou isto ou aquilo


Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!


Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!


Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.


É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!


Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.


Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!


Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.


Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

sexta-feira, abril 08, 2011

Algumas opiniões que compartilho...

Maior deficiência

Hoje, não poderia ir dormir sem me manifestar neste espaço.

Depois de saber que 12 adolescentes foram mortos em uma escola, no Rio de Janeiro, eu me pergunto:

- Qual é a maior deficiência do ser humano?

Com certeza não é a surdez, nem a cegueira, nem a falta de uma perna ou de um braço ou ainda a dificuldade de elaborar pensamentos complexos.

A maior deficiência do ser humano é a perda da percepção de quem é o outro. É a falta de moral, de civilidade. Esta deficiência é invisível e corrói o coração e a mente de muitos brasileiros. Infelizmente...

É esta deficiência de que devemos nos envergonhar porque é ela que mata sem piedade, que destrói sem culpa e que rouba sem compaixão.

Fico me colocando no lugar destas mães e pais que perderam os filhos hoje em um ambiente de aprendizado e não tem como eu não ficar solidária.

- Como curar esta ferida?

Somos tão frágeis diante destas situações. Sei que o bem e o mal convivem lado a lado desde que o mundo é mundo, mas há situações sociais que são incompreensíveis!

- Que valores estamos ensinando aos jovens?

Hoje em dia, tudo é tão descartável, momentâneo e passageiro que está havendo uma confusão social.

É preciso deixar claro: as pessoas não são descartáveis.

Precisamos praticar ações do bem, multiplicar dignidade, falar o que precisa ser dito.

Quero um mundo melhor, mais humano e uma sociedade bem menos deficiente.

Cláudia Cotes, fonoaudióloga, Vez da Voz



***

O Pai do Homem - Flávio Gomes

Então…

Depois de ler o que pude, ouvir o rádio e ver a TV, peguei meu carro, era dia de folga, jornalista folga de quinta-feira, fui até a oficina, vi os dois Weber que colocaram no Meianov, ligamos o carro, o motor ficou com um ronco legal, depois descemos lá onde eles fazem funilaria e pintura, a peruinha já está toda raspada, sem motor, descobrimos a cor original. Descobrir a cor original de um carro de 55 anos é algo emocionante para quem gosta deles, dos carros. Foi arrancar o forro do teto e lá estava o azul, Azul Firenze, segundo o amigo das cores, intocada a pintura, uma coisa bacana, ajuda muito na restauração, mesmo que o Azul Firenze não seja lindo, eu tinha a ideia de fazer creme e vinho, ou branco Lotus e azul-marinho. Mas ela era azul, ora bolas, e se nasceu assim, que continue assim. Acho que será azul, e também encontrei o número do chassi, é umas das únicas 173 fabricadas em 1956, creio que o mais correto seja mesmo fazê-la como era quando saiu da fábrica e tal.

Depois fui ao centro da cidade, com um trânsito curiosamente bom, atrás de um emblema e de umas calotas, o trânsito curiosamente bom.

As irrelevâncias nos movem. Tudo que fiz hoje foi irrelevante, ver uns carburadores, descobrir uma cor, procurar uns emblemas e umas calotas. Foi tudo que consegui fazer. Mergulhar na irrelevância e na indiferença.

O rapaz que entrou na escola atirando não se encaixa em nenhum perfil que permita esbravejar. Até onde se sabe, não era traficante, ladrão, fugitivo. Não era militante de nenhum partido, não lutava jiu-jítsu, não era um skinhead, não pertencia a nenhuma torcida organizada. Até onde se sabe, não usava drogas, não bebia, não era pedófilo, não era evangélico, não era muçulmano, não era judeu, não era cristão, não era xiita, não era sunita, não tirava racha na rua, não tinha suásticas tatuadas na pele, não pertencia a nenhuma seita, não era gótico, não era punk, não ouvia Bossa Nova, não usava piercing, não era rico, não era pobre, não era gordo, não era magro, não estava em liberdade condicional, não tinha passagem pela polícia, não vivia no Complexo do Alemão, não era do Jardim Ângela, não morava numa cobertura da Vieira Souto, não era nada. Segundo sua irmã, ele era estranho.

Estranho.

Seu nome era Wellington de Oliveira, um nome bem brasileiro, há milhares de Wellingtons, Washingtons, Andersons. O Brasil tem um estranho fascínio por W e por nomes que terminam em “on”. Wanderson, Jackson, Jobson, Richarlyson. Ele era um Wellington de Oliveira.

Quando não se pode culpar traficantes, fugitivos, ladrões, militantes, lutadores, skinheads, nazistas, torcedores organizados, drogados, cristãos, bêbados, pedófilos, muçulmanos, góticos, magros, evangélicos, rachadores, punks, gordos, xiitas, ricos, pobres, nem o prefeito, nem o governador, nem a presidenta, nem o ministro, nem o secretário, nem a polícia, nem o senador, nem o deputado, nem a diretora da escola, nem o médico, nem o professor, culpamos quem?

Culpamos quem?

Quando não podemos culpar ninguém, chegou a hora de assumir o que somos. Uma espécie fracassada, violenta, agressiva, condenada à extinção. Uma espécie habituada à barbárie, e que não se imagine que “nos transformamos em”. Sempre fomos assim, indecentes, obscenos, há séculos nos matando em guerras, inquisições, pogroms, chacinas, massacres, genocídios, atropelamentos, assassinatos, latrocínios, torturas, execuções. E pragas, pestes, terremotos, incêndios, tsunamis, deslizamentos, enchentes. Um moto-contínuo de mortes, mortes, mortes, e vinganças, vinganças, vinganças, ódio.

A criança é o pai do homem. Guardo um pequeno cartão com essa frase no meu carro, há anos está lá, era o convite da formatura do meu mais velho no pré-primário. Não o guardo como mantra ou guia espiritual. Está lá porque está lá, porque o carro que nos levou à formatura do pré ainda está comigo, e lá ficaram o cartão e a frase. De vez em quando uso o cartão, de papel de alta gramatura, cartolina, talvez, porque quando o vidro sobe levanta uma rebarba da forração da porta, e o cartão serve para colocar a forração no lugar. É um uso banal, irrelevante, coloco o cartão entre o vidro e a forração da porta, e tudo fica no lugar, tudo volta ao seu lugar. Um uso banal e irrelevante, mas que me faz ler essa frase todos os dias, ou, pelo menos, quando preciso colocar a forração da porta no lugar.

A criança é o pai do homem.

Wellington ajudou a nos matar mais um pouco hoje. É um erro, Wellington, matar-nos aos poucos. Da próxima vez, Wellington, mate-nos a nós, direto, sem intermediários.

Mate o homem, Wellington, não seus pais.

domingo, abril 03, 2011

34 motivos para eu festejar meu aniversário

1- Porque no dia 05 eu vim ao mundo.
2- Porque eu nasci no ano do punk.
3- Porque sou elemento fogo e movimento é comigo mesmo.
4- Porque eu me considero uma pessoa ótima.
5- Porque nem os feriados de sexta-feira da paixão e páscoa, que já caíram no meu dia, me fizeram desistir de festa.
6- Porque eu adoro quando as pessoas de quem gosto me desejam boas coisas nesse dia tão especial.
7- Porque eu amo ganhar algo que foi pensando para mim: de um bilhete a um presente.
8- Porque eu ganhei festas sensacionais na infância.
9- Porque minha avó Celinha fazia empadão 3 pingos só para mim no dia 05.
10- Porque foi a primeira vez que ganhei um buquê de flores.
11- Porque ganhei de presente de um ex-namorado muito querido um kit festa, quando estava chateada porque um feriado cristão obrigou as pessoas a comerem bacalhau, ao invés de brigadeiro na minha casa.
12- Porque Bette Davis nasceu no dia 05 de abril
13- Porque minha mãe só me dá parabéns ao meio-dia.
14- Porque meu tio Marco aguenta minha contagem regressiva que começa meses antes.
15- Porque minha família grita: "não vai cuspir no bolo não" no momento em que assopro as velinhas.
16- Porque sempre tem bolo de chocolate com cobertura, mesmo que de caixinha, que minha irmã fazia quando morávamos juntas.
17- Porque quando fiz 30, amigos vieram de longe para a festa em BH.
18- Porque meus amigos entendem que eu não admito bolo nas minhas comemorações e me adoram mesmo assim.
19- Porque eu já fiz festa temática do Radiohead.
20- Porque há 10 anos amigos queridos, minha mãe e minha irmã me deram uma festa surpresa maravilhosa no Pastel de Angu.
21- Porque reencontro, de alguma maneira, as pessoas que realmente importam na minha vida.
22- Porque é outono, minha estação favorita.
23- Porque Mário Quintana escreveu sobre abril:
"Vem vindo o abril tão belo em sua barca de ouro!
Um copo de cristal inventa as cores todas do arco-íris.
Eu procuro
As moedinhas de luz perdidas na grama dos teus olhos verdes.

E até onde, me diz,
até onde irá dar essa veiazinha aqui?
(Abril é bom para estudar Corpografia!)"

24- Porque TS Eliot escreveu sobre abril. “April is the cruelest month”. Bem, lá é primavera. Vai ver ele tinha alergia ao pólen das flores (estou sendo sarcástica. Antes que algum engraçadinho use o anonimato para tecer uma tese explicando meu "deslize", ok?).
25- Porque existe uma tradição na minha família: ninguém pode ser contrariado no dia do aniversário.
26- Porque é um dia importante também para os meus pais, certo Angelita?
27- Porque adoro ser nativa de áries, regida por Marte, Serpente e filha de Ogum.
28- Porque eu sou capaz de dar umas 3 festas na mesma semana, tipo cigana.
29- Porque quando eu morava em São Paulo, a dona Felícia, mãe do meu amigo Luiz, fez um bolo delicioso de nozes para mim do qual lembro o gosto até hoje.
30- Porque também quando morava lá, meu chefe liberou minha manhã do dia 06, para eu curtir um pouco mais a minha própria festa.
31- Porque a vida é louca, breve e quero celebrar antes que ela me leve.
32- Porque existe algo no DNA que faz com que eu, minha mãe e minha irmã amemos o dia em que viemos ao mundo.
33- Porque eu saio do meu inferno astral. O ano, astrologicamente falando, começa em abril.
34- Porque as celebrações para Buda ocorrem nessa época (já que estou alguns meses longe de Jesus Cristo Super Star, não vou perder o bonde de andar com fé) e no budismo e felicidade é muito importante.

sábado, abril 02, 2011

Soltando as amarras

Embora eu goste de debates, encontros com escritores e pensadores, nunca fui uma pessoa oficineira. Sempre considerei o oficineiro um faficheiro em sua essência...antes que isso soe um preconceito, explico: sempre escolhi as práticas nos tempos de faculdade. Havia a turma da UFMG, que fazia imersões no Festival de Inverno, que se graduava com um ingresso no mestrado porque devorava disciplinas paralelas.

Eu não. Conciliava dois estágios e cursava comunicação à noite. Queria aprender logo a ser jornalista. Com o diploma na mão, percebi que de interessante mesmo na graduação, só mesmo as aulas de filosofia, cinema, teatro, sociologia e ética. Confesso que me frustrei com minha pressa assim que recebi o canudo.

Hoje vejo que foi apenas uma escolha. Quem seguiu na direção oposta não necessariamente solta foguetes.

Dei essa volta para dizer que, quando minha amiga Carol me chamou para fazer a oficina de escrita da Márcia Tiburi, não pensei duas vezes. A vontade de sempre aprender só cresce em mim a medida que os anos passam e a Márcia, pelo que já li e vi na TV, sempre me pareceu interessantíssima.

E digo, após quase sete horas de convívio, que ela é mais incrível ainda pessoalmente.

A filósofa, escritora e mãe da Malu me ganhou nos primeiros momentos da conversa (com a turma bastante heterogênea), assim que disse que escrever era de uma intimidade extrema (mais até do que sexo). Depois, veio a discussão da apropriação da história dos escritores que são nossas referências. E, ainda, a impagável "lupa literária" que já adotei.

Sobre a Lupa: pense numa pessoa que possua uma característica marcante a qual pode, inclusive, irritar profundamente (um pedante, por exemplo). Transforme-a num personagem e, voilá, você a verá com outros olhos...

As práticas foram ótimas e desafiantes. Houve quem brigasse com o papel em branco e quem se agarrasse à primeira ideia. De algum modo, acho que todo mundo ali sofreu com pouquinho. Medo de ter escrito algo ruim, de ler o que escreveu para o público, de não conseguir de fato se expressar.

O fator tempo foi outro algoz. Como criar em 15-20 minutos um microconto? Eu consegui não pelo talento, mas porque o cotidiano jornalístico (aquele para o qual me preparei desde os 17 anos) me impõe limites e prazos.

Fiquei pensando que para mim o tema livre, ao contrário do que fizemos, era o mais apropriado. Ele intensificaria meu sofrimento (necessário) na busca das palavras. A capacidade narrativa é importante, observou a Márcia. Ela não pode engessar, constatamos.

Meus contos falavam de uma passagem que me ocorreu pouco tempo atrás na fila de cinema e do dia em que a Mariana se foi.

Anotei várias indicações de livros e adoraria ler todos eles, até os que tratam de temas mais distantes do meu interesse.

Enquanto a turma falava da Branca de Neve e toda a crueldade velada dos clássicos infantis, me lembrei do móbile de bruxas da Disney que eu ganhei quando tinha uns seis anos e de como, não sei porquê, eu gostava delas.

Caminhei pela rua da Bahia até a Savassi. Quis almoçar algo tão delicioso quanto aquela experiência, ficar sozinha com meus pensamentos e a taça de vinho.

Olhei as pessoas de outra maneira. Saquei meu bloquinho e sorri ao ler uma frase da Márcia: "para eliminar uma tristeza, desenhe um elefante".

Continuei fazendo exercícios extra-classe e, drummondianamente rabisquei: "gastei ideias com palavras que os dedos não queriam digitar. é a poesia da vida que foi dar uma voltinha".

Quando a sobremesa chegou, eu a dividi (sou do tipo que acha que existem as pessoas que dividem e as que não dividem a sobremesa). Pedi para a garçonete embalar a outra metade da torta de limão para minha mãe.

Voltei feliz para casa.