domingo, fevereiro 28, 2010

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Do Contra - último capítulo

Essa saga me deixou aliviada ao saber que amigos/ leitores deste blog nem sempre aplaudem certas "unanimidades" ou "paixões nacionais". A última parte da lista não é o fim da linha. Sempre haverá uma reedição. Não se é do contra por acaso.

Olho Mágico - Um trauma de infância. Quando lançaram o livrinho, todo mundo via borboletas, pássaros, peixes, casas...E só via pontinhos coloridos, nada mais. E assim, passei a boicotar esses livrinhos.

Papel de Carta - Minhas amigas colecionavam, trocavam e eu...bem eu os utilizava para mandar cartas. Para minha avó, para a amiga Rosa na Bahia e para fazer o estatuto do clube que eu e minhas amigas tínhamos. Achava um desperdício deixar que amarelassem.

Peter Jackson - Fui ver "Senhor do Anéis (Anerds)" no cinema e achei cansativo. Não tive paciência para a saga inteira. Então, veio a versão de King Kong e, claro, eu curtia a original e a vintage com a Jessica Lange. Sim, ele é premiado. Sim, ele é talentoso, mas está aí um cineasta que não faz parte alguma do meu folclore pessoal.

Raul Seixas - Se ter cantado "pluntc platc zum" tornasse alguma criança fã de Raul, eu estaria na Sociedade Alternativa. E não teria um blog.

Reggae - Não tolerar axé, pagode, sertanejo é lugar-comum. Ser do contra é achar um gênero tipo jazz um porre. Meu problema é o tal do reggae e suas derivações. Acho chato. Não tenho nenhum disco do Bob Marley e não me envergonho disso.

Roda de samba - Sempre que pulo o programa "Coisinha de Jesus", alguém já canta o refrão de "quem não gosta de samba, bom sujeito não é...". Eu adoro Cartola, Adoniran, Clementina, mas para ouvir em casa, no ipod, não na roda e no gogó.

Teatro Interativo - Mais do que não gostar, tenho medo. Já tomei um banho de Coca-Cola de um palhaço italiano e fiquei muito longe do elenco do Zé Celso para não virar objeto de cena. Sou um pouco ortodoxa com isso: ator no palco e/ou rua e eu de mera espectadora.

Verão - já citei o calor? Acho que sim. Bem, reforço meu lado contrário à estação que inspirou "summertime", "summer love", "vem chegando o verão, um calor no coração, essa magia colorida"...Tenho pressão baixa, me queimo facilmente, atraio pernilongos e a combinação de muita chuva e muito calor só me traz mal humor.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Do Contra - parte dois

Glauberianices - Antes de mais nada, acho que o Glauber Rocha foi um grande artista. E como todo grande artista, ele deixa um séquito de admiradores sem senso de humor (e, pior, agressivos. Experimente não apontá-lo como o melhor). Na minha pós em cinema, uma professora disse que não suportava as "viúvas de Glauber", pessoas que acham que o cinema nacional morreu com ele, que nada de inventivo se fez depois dele. Nem preciso dizer que ela não foi aplaudida de pé. Mas arrancou um sorrisinho meu.

JoliePitt - Tenho uma preguiça monstra de celebridade, do culto à celebridade, de sub-celebridade... Sempre me lembro do manual de etiqueta da Glorinha Kalil, que tem um capítulo especial para as referidas criaturas dizendo que é feio furar fila só porque alguém disse que você é uma pessoa "importante". Mas o casal não faz isso. Não! Eles são simpáticos, adotam criancinhas de países pobres, doam fortunas para cidades devastadas. E por que não ser a favor? Porque são chaaatos de doer e chamam imprensa/paparazzis para mostrar como são altruídas. Forçado.

Legião Urbana - No auge da febre (80's), eu preferia os Titãs e depois da morte do Renato Russo, quando houve uma comoção absurda, já ouvia outras bandas. Nunca foi minha favorita, ainda que admire bastante as letras do cara. Tenho o vinil de "4 Estações", sei cantar "Faroeste Caboclo". Contudo jamais soltaria um "Toca Legião" se não fosse de zoeira.

Lost - Acho que 10 entre 10 amigos meus assistem ao seriado, comentam na mesa de bar e desenvolvem teorias malucas. Já tem gente sofrendo porque Lost vai acabar. E quer saber? Para mim, já vai tarde. Tentei ver, mas não me pegou.

Nelson - Gonçalves? Piquet? Acho o fim a intimidade que as pessoas tem com "o maior dramaturgo do País". Não que não goste de Nelson Rodrigues. Assisti (e até li) a um punhado de peças dele. De umas gosto mais e de outras menos. E fico me achando um pouco pedante por pensar que dramaturgo por dramaturgo, sou mais o Shakespeare.

Novela - Eu já gostei, admito. Há anos não vejo nenhuma sequer. Quando é do Gilberto Braga - Vale Tudo Forever - ainda tento. Fico me sentindo uma velhinha rabujenta, mas "no meu tempo" elas eram melhores. Entonces, em meio a noveleiros inverterados fico a ver navio e quase caio em ciladas (como quando fui ao Bom Retiro e, por pouco, não comprei a rasteira "igual da Helena". O vendedor, coitado, que achou que estava fazendo o negócio da China, perdeu a venda).

Continua...

domingo, fevereiro 14, 2010

Espero que seja bom

Ano Buda 2576 - Ano do Tigre - por Monja Coen

Tigre que se recosta na montanha. Tigre em seu elemento natural, sua casa, sua morada, tranqüilo estado de liberdade iluminada.

Tigre tigrado tigrada tigreza.

Em cada faixa incomensurável braveza

Pisa leve

Salta e surpreende

A presa grita

Tigre rasga entranhas

Boca escancarada

Ensangüentada

Tudo se aquieta

Mama na teta a tigreza



Resto de gente

Resto de feras

Bebe o leite

Com cheiro de sangue

Ainda nas guelas

Da mãe e do pai



Então aprende

Nas listras negras e amarelas

A se esconder

No sorriso

Do gato de Alice



Apenas um salto

Um pulo

Um grito

Um nada



Tigre na mata

Tigre na selva

Tigre recosta

Barriga exposta

Na barra da montanha



Recosta e descansa

Depois da façanha

Ronrona

Ressoa o seu roncar

E toda montanha

Ronca tranqüila



Tigre livre

Tigre feliz

Tigre domina

Tigre predomina

No ano do Tigre

Cada um de nós

Recostando na montanha

No Zazen

Nosso elemento natural

Nossa casa, nosso lar

Nossa tranqüilidade perfeita

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Do Contra - parte um

Se há algo que eventualmente escuto sobre mim - e às vezes - concordo é o fato de ser do contra. Nem acredito que seja uma ofensa, já que a massa homogênia do (con) senso comum nem sempre é atraente. Pensar diferente pode ser simplesmente um toque de personalidade, não um fator intencional para aborrecer o outro.

Comecei a listar a primeira parte de tudo aquilo que a maioria das pessoas que conheço parece aprovar com unanimidade e eu nem sempre. Não quer dizer que eu não goste de Beatles, por exemplo, no entanto prefiro os Rolling Stones. Na minha ordem quase alfabética, acho que são supervalorizados digamos assim:


Açaí - acredito que haja alguma substância viciante nele, pois quem aprecia a fruta não viver sem ela. Experimente dizer que não gosta e ainda, como eu, argumentar que "já que é para comer uma bomba calórica, prefiro Hageen Dazs".

Bacalhau - comi um milhão de vezes e o sabor não me apetece. Tenho a sensação que todo mundo ama e o azar de aniversariar próximo à semana santa.

BBB - Não assisto e acho uma canseira esse "mundo de Marlboro" em torno de pessoas tão fúteis e rasas.

Caetano Veloso - Os discos dele dos anos 60 e 70 são legais. A figura tem sua importância, mas vamos combinar que a mídia querendo que ele dê pitaco em tudo está demais? Ainda mais porque as opiniões dele não são tão relevantes quanto sua obra.

Calor - o país é tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, ok. Mas se a temperatura média fosse de uns 15 graus a menos, eu me sentiria melhor. Tudo que é consenso e envolve as altas temperaturas me incomoda, o que não é, como pernilongos e horário de verão também.

Carnaval - não estudei sociologia para achar esse fenômeno interessante, acho samba-enredo boring e a euforia desnecessária. Curtia o Clóvis Bornay e me fantasiar quando criança. Não gosto de carnaval contemporâneo. Prefiro o vintage.

Carro - acho simplesmente um meio de transporte. Não entendo gente que mora num muquifo e tem um carrão importado na garagem. Para mim as conversas sobre carro e suas ramificações (automobilismo) são extremamente tediosas.

Copa do Mundo - não torço para a Seleção Brasileira e ponto final.

Djavan - Por que raios tem sempre um sujeito nas praças de alimentação fazendo releituras dele?

"Eu amo BH radicalmente" - A campanha é um engodo, o adesivo é ridículo e as variações são piores. Só que agora não basta amar, precisa provar. Socorro!

Feijoada - sei que é um ícone da culinária brasileira. Gosto, mas prefiro frango ao molho pardo.

Continua...

sábado, fevereiro 06, 2010

Das intolerâncias irreversíveis - parte dois

Ou ainda, meu sábado.

Sou ariana, do signo de Cazuza, exagerada. No entanto, esse relato é completamente fiel aos fatos. Hoje fui acordada por uma serra elétrica às 8h30. Sei que o barulho é tolerável entre 8h e 22h, que certos reparos são inevitáveis, que peões de obra nunca trabalham no período vespertino...Acontece que a manhã de sábado é ainda mais sagrada que a de domingo. Eu aguentei a semana, o calor, o trabalho, a ansiedade, a dieta, a corrida...O que uma criatura que mora no sexto andar pode pedir a não ser um pouco de paz?

Bem, o sujeito da casa em frente não sabe que para a regra de convivência existir, ele deveria se colocar no lugar do outro. No meu prédio quase todo mundo trabalha, há bebês, idosos. Parece muito pedir um pouco de bom senso, ainda mais porque o tal vizinho era - pelo que corre a boca miúda - da diretoria de uma agência envolvida no Valeriodoto. Ou seja, não posso esperar nada além do desprezo de gente assim.

Findo o barulho, lá pelas 10h, quando começo a tirar um cochilo, a campainha dispara, a porta é esmurrada. Susto. Tenho uma vizinha de andar que tem problemas mentais, é monitorada por empregada e enfermeira, que nem sempre dão conta da função e ela "foge" para o meu apartamento. Nenhum problema com ela, não fosse por ser acordada abruptamente. Não fosse o fato de já estar irritada, desprovida de paciência. Decidi não atender e saí de casa.

Manhã e tarde ótimas na Savassi. Um breve intervalo de tranquilidade, brinde e coisas boas.

Até que volto para a rua da amargura, que terá até altas horas um bloco de carnaval. Gente de abadá fazendo xixi na porta da minha casa, foguetes, cornetas, Bete Carvalho e Gonzaguinha...Todos a festejar o meu sofrer, o meu pesar. Não gosto de carnaval e tenho desenvolvido, nos últimos anos, uma intolerância irreversível a barulho: motos e carros com escapamento solto, playboys que andam com som alto em seus veículos tunados, briga de vizinho, choro de filho pirracento de vizinho, latido de cachorro preso de vizinho, vizinho ouvindo Djavan e acompanhando a canção, grito de "Galo" toda vez que um barulho ainda maior - fogos, trovão, objetos pesados que vão ao chão ou qualquer 0X0 do Atlético - pode assustar a mim ou aos meus bichanos e alarmes, ah os detestáveis alarmes.

Que vizinho é o próximo capítulo desse tratado da intolerância, não há dúvida alguma.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Das intolerâncias irreversíveis - parte um

A palavra em si é pesada, eu sei, pois pode remeter a algum tipo discriminação. Mas quero falar da versão light, pois existem intolerâncias irreversíveis que não tem nada a ver com preconceito. Intolerância como a que muitas pessoas tem à lactose, por exemplo. Imagino que os que sofrem desse mal até queriam tomar um sorvetinho em paz, entretanto há uma rejeição natural do organismo.

Pois bem. Não é de hoje que minha intolerância ao calor vem ganhando nuances patológicas. Eu desenvolvo alergias absurdas nas altas temperaturas, fora a dor de cabeça e as quedas de pressão. Se o calor é seco então, sai de baixo. Nunca foi fã do sol quente, das altas temperaturas, embora tente fazer programas convencionais de verão e deseje que meu corpo consiga tolerar o clima dos trópicos.

Adoraria morar no Recife, só não conseguiria fazê-lo por mais de um mês. E não há sorvete, mar, piscina que reverta o quadro. Porque o calor traz consigo pernilongos que amam meu sangue doce e, nessa altura do campeonato, fico com brotoejas iguais as de um bebê. Há no verão - ao menos no sudeste e sul - as chuvas. Intermináveis, feias, destruidoras. Desde criança tampo os ouvidos durante os trovões. Sei que é São Pedro arredando as cadeiras do céu, como diria minha avó Celinha. Só que não me apetecem.

A cereja do bolo para mim é o tal horário de verão ao qual NUNCA me adapto. Passo mais horas exposta ao sol, ao calor infernal, suando de maneira indigna, com uma sensação de inchaço e fotofobia. A qualidade do sono despenca, o humor nem se fala. Nem acho agradável perder o apetite. Adoro comer e principalmente comer bem.

Desculpe sol, que és tão forte, que derrete a neve...Prefiro você bem longe de mim.