terça-feira, junho 30, 2009

Mais uma despedida

O mundo fica muito pior quando pessoas como ela se vão...

Coreógrafa alemã Pina Bausch morre aos 68 anos - Da Redação do Uol

A coreógrafa e bailarina alemã Pina Bausch morreu aos 68 anos, informa o jornal britânico "The Guardian". Bausch, nascida Philippine Bausch, era diretora artística do Teatro de Dança de Wuppertal desde 1973. De acordo com o jornal alemão Deutsche Welle, recentemente a coreógrafa foi diagnosticada com câncer.

As coreografias da bailarina, que estreou como coreógrafa em 1968, caracterizam-se por uma junção de teatro e dança moderna, refletindo sentimentos humanos como a tristeza e o amor.

Entre as suas produções mais conhecidas estão "Komm tanz mit mir" ("Vem, Dança Comigo", 1977), "Keuschheitlegende" ("Lenda de Castidade", 1979) e "Viktor" (1986), ou "Café Muller".

Parte dos trabalhos da companhia Tanztheather Wuppertal de Bausch tomou por referência países por onde passou desde a década de 1980. A Coreografia "Rough Cut" é dedicada à Coréia do Sul, por exemplo, e "Água", de 2001, é fruto da passagem da coreógrafa pelo Brasil.

Em 2007 ela ganhou o Prêmio Kyoto, importante prêmio internacional de dança, em homenagem ao seu trabalho, rompendo a fronteira entre dança e teatro e estabelecendo um novo parâmetro da arte teatral.

O trabalho de Bausch pode ser visto também no cinema, no filme do diretor Pedro Almodóvar "Fale com Ela" (2002).

Desde setembro de 2008, o trabalho da bailarina e coreógrafa era objeto de uma biografia cinematográfica conduzida pelo diretor Win Wenders.

quinta-feira, junho 25, 2009

R.I.P Michael Jackson



Ele fez parte da formação musical de quase tudo mundo, do contrário não seria o "Rei do Pop"."Thriller" fez com que toda uma geração se apaixonasse pela linguagem do videoclipe e segue ainda como um dos mais importantes de todos os tempos. Era preto e virou branco, comprou os direitos dos Beatles, foi acusado de pedofilia...Michael Jackson era um enigma e era foda.

Ninguém pode constestar sua importância e está sendo difícil acreditar: o rei está morto. Como? De que?

Foi tudo muito rápido. Felizmente Michael, que levou uma vida de glamour e de cão, teve um fim rápido. Ou não. Quem vai saber?

Eu me lembro como se fosse hoje quando ganhei o vinil e o ouvi repetidas vezes (mania de criança que eu trouxe para a vida adulta). Nos anos 80, sem globalização, blogs, comunidades virtuais e milhões de criticozinhos de música de meia tigela, Michael Jackson era uninanimidade. O break estourava e todo mundo queria ser como ele. Surgiam, então, as réplicas. Sábado era dia de ver MJs fakes no Chacrinha e domingo no Sílvio.

Michael era o cara, não tinha concorrente. Mesmo porque até a Madonna, em início de carreira, teve engolir a Cindy Lauper. Ele não. Ele era a história do pop, da música negra mundial...

Imagina crescer num lar onde só o que era autêntico sobrevivia? Meus pais só ouviam rock, blues e música brasileira. Tinham aquela alma hippie, olhar crítico e ouvido musical apurado...O Michael foi o primeiro ícone pop que foi avaliado pela família e conquistou todo mundo. E, se couber uma análise mais aprofundada, o único artista do gênero de que todos (meu pai, minha mãe, eu e minha irmã) gostaram...

Estou triste. Achei que a partida de Michael, mesmo com seu aspecto fragilizado, demoraria um pouco mais.

quarta-feira, junho 24, 2009

quarta-feira, junho 17, 2009

O fim do diploma?

Como o assunto atinge minha área de formação e, por enquanto, de atuação, eu não poderia deixar de opinar sobre o "calcanhar de Aquiles do dia" da maioria dos jornalistas brasileiros (ao menos pela minha constatação no fórum do Comunique-se e no twitter): o fim da obrigatoriedade do diploma por meio da votação no Supremo Tribunal Federal.

Em alguma ocasião (talvez na época da faculdade), eu posso até ter achado legítima a tal conquista do canudo. Mas desde que me formei, penso na exigência como uma bobagem. Apesar de todo o meu desencanto alimentado ao longo de quase 11 anos de estrada, fiz vestibular para comunicação porque acreditava ter vocação para a coisa. O jornalismo foi uma escolha precoce, já que nos tempos de escola criava fanzines e até uma "emissora de rádio" que operava na hora do recreio. Comunicação (para o bem e para o mal) está no meu código genético.

Eu quis ser jornalista porque aquele universo um dia me fascinou: da apuração do fato (não do recebimento do release pronto e mastigado) à correria do fechamento e suas eventuais desventuras em série. Há um prazer indescritível em se realizar uma boa entrevista. Quando digo boa, não me refiro àquela troca de gentilezas entre entrevistado e entrevistador. Uma "alfinetada" na dose certa - e dependendo da circunstância e necessidade, óbvio - tem seu lugar e isso só se dá também à custa de muita pesquisa, informação e "feeling". Então, quando se deseja algo não interessa se alguém irá validar isso com um diploma.

Sempre afirmei que a faculdade para mim foi apenas um consórcio. Me dei conta disso no segundo ou terceiro período, quando ingressei no meu primeiro estágio. A prática destoava bastante de toda aquela teoria ministrada por muitos professores que ou estavam fora do mercado ou possuíam um único referencial. Eu só assimilei disciplinas como filosofia, sociologia, artes. Contudo, resolvi seguir para ver no que dava. Para os meus pais não deixaria de ser uma conquista importante (não essencial) ver a filha concluir uma faculdade (temos que lembrar que moramos num país que até pouquíssimo tempo atrás só acessibilizava o ensino superior para quem tinha condições financeiras para tal ou um esforço incansável para batalhar uma vaga em universidades públicas, sem cursinho ou mordomias do tipo. Nenhum dos meus avós passou do ensino médio, só para constar).

Uma pena que somente na casa dos 30 vejo que seria melhor "fechar o livro e ir viver", como já disse o poeta. Entrei no curso com apenas 17 anos. Poderia ter rodado o mundo com a grana da mensalidade, aprender sobre diversas culturas, falar outras línguas. E só agora isso tudo cai por terra? Não, não é essa "desobrigação" que gera um certo arrependimento. Foi minha imaturidade na escolha da carreira. Eu devia ter adiado por um tempo uma decisão tão importante.

Eu acho que no mundo ideal (vá lá, meu "mundo de Malboro"), eu poderia ter tido a chance da prática antes de optar por aquilo que faria o resto da vida porque estagiário, em geral, é preservado de certas pautas recomendadas, da falta de visão de certos superiores, de qualificação de certos colegas...O fim da necessidade de diploma pode trazer essa perspectiva. Isso pode ser melhor para o jornalismo a médio e longo prazo, ainda mais se considerarmos que ele mergulha numa grande crise.

Ter ou não um diploma não exclui ninguém de um compromisso ético. Ética a gente aprende em casa e leva para toda existência. Ter ou não um diploma não torna nenhum profissional especialista na maioria dos assuntos. Leio, ouço e vejo muita porcaria mesmo de "bacharéis" que se metem a tratar de cinema, artes plásticas, música, moda só para citar aquilo em que me "especializei" dentro do jornalismo. Ter ou não diploma, não exime o cidadão do compromisso com o outro, com o revelar dois lados da mesma moeda e ter o mínimo de senso de justiça. Por fim, ter ou não diploma não torna ninguém melhor que ninguém.

De todo chororô que acompanhei hoje, o mais lamentável foi o desconforto de alguns jornalistas na comparação com um cozinheiro, que foi feita pelo Ministro Gilmar Mendes (por quem não nutro nenhuma simpatia, aliás). Alimentar é extremamente digno e essencial à sociedade tanto quanto recolher sacos de lixo, fazer uma cirurgia de alto risco, defender um caso complicado, planejar a construção de um prédio, cuidar da segurança de uma rua dentro de uma guarita...

Há muitos cursos não regulamentados - em comunicação temos publicidade, por exemplo -, sem sindicatos fortes (o dos jornalistas para mim só faz barulho e mais nada) e isso não é drama, é apenas motivação para lutar por condições mais justas e melhores remunerações. Quem tem talento e profissionalismo não fica sem boas oportunidades (emprego é uma palavra complicada).

Para encerrar, gostaria de pontuar que tenho grandes amigos atuantes em redações e assessorias (e não se graduaram no curso de jornalismo necessariamente) e superam requisitos que a sociedade poderia esperar de um profissional da área: escrevem extremente bem, possuem noção global dos processos, têm faro, curiosidade, criatividade, sensibilidade, ética, comprometimento. A estas pessoas incríveis, dou as minhas "boas-vindas" ao clube. Ainda que eu espere acionar meus planos B e C um dia.

terça-feira, junho 16, 2009

Um pouco do ponto de vista do outro (neste caso, o meu também)

Sub Solo 1 - por Antonio Prata

“Mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não uma solução”.Os versos de Drummond me desabaram na cabeça assim que saí do elevador no andar errado, num prédio da Berrini, e dei com um piso inteiro de restaurantes; uma praça de alimentação submersa em toneladas de concreto, no centro empresarial de São Paulo.

Então assim é o mundo – pensei -, é aqui que estão as pessoas normais. As pessoas que têm emprego, FGTS, crachás, férias remuneradas, chefes que admiram e/ou detestam, colegas com quem competem e se comprazem, horário de almoço e happy hour, todo mundo, enfim, que sai de casa toda manhã para trabalhar num escritório, em vez de caminhar, só, em direção a uma edícula, no fundo do quintal.

Eu leio sobre o mundo com frequência, nos jornais. De vez em quando, leio livros sobre o mundo. Pensando bem, estudei o mundo por cinco anos, na faculdade de ciências sociais, mas raramente vou até ele, e precisei do choque daquela praça de alimentação submersa para dar-me conta de quão distante nós estávamos – eu e o mundo. Para um escritor, poucas constatações podem ser mais trágicas.

Posso me acabar de ler Shakespeare, Dostoievski, Kafka e Goethe, mas os verdadeiros Macbeths, Ivans Karamazovs, Gregors Sansas e Faustos estão entre as máquinas de café e os scanners, tiram fotinhos na portaria e alimentam as catracas com seus crachás; nos vinte andares acima daquelas bandejas, todo dia, sonhos medram ou murcham, homens competem, traem, fofocas são discretamente difundidas, alguém entregará o que tem de mais precioso em nome de uma causa; a glória e o fiasco espocam, das oito da manhã às seis da tarde. Como posso querer ser um escritor se só trato com o Ser Humano por e-mail? Se só o vejo amistoso e calmo, no cinema ou num restaurante, no fim de semana?

Voltei ao elevador decidido a raspar essa barbicha calculadamente desleixada - meu crachá de escritor, que pretende dizer, ingenuamente, “não faço parte do mundo” - e arrumar um emprego na Berrini. Pode ser de quinto auxiliar de almoxarifado ou sub-analista de cafezinho, não importa. Só preciso ter acesso ao coração do mundo. Uma vez ali dentro, ouvirei as moças falando mal do chefe na fila do Subway, descobrirei o que planejam os jovens de terno na mesa do Súbito, verei a felicidade do garoto do interior que acabou de ser contratado e o ódio de seu vizinho de baia, que não foi. Depois, e só depois, poderei voltar para minha edícula e tentar escrever algo que preste. Algo que, um dia, espero, chegue aos pés do último verso do poema de Drummond: “Mundo, mundo, vasto mundo, mais vasto é meu coração”.

domingo, junho 14, 2009

A verdadeira Vida Simples

Eu já fui leitora assídua de muitas revistas. Na pré-adolescência devorava Capricho, depois veio a fase Bizz. Antes mesmo da morte da publicação, ela já não me interessava por uma série de motivos que não convém enumerar. Fui assinante da Elle por um ano e, em seguida, da TPM. Cheguei a ensaiar a compra de edições seguidas da Bravo e os primeiros números da Rolling Stone. Gosto de revista, eventualmente até colaboro para algumas (menos do que eu gostaria, entretanto é outro ponto que não vem ao caso).

Atualmente, tenho lido - e cogitado assinar - a Vida Simples. Porque descomplicar é o verbo da vez para mim. Não preciso fazer um teste para saber se "ele gosta mesmo de mim"; a crítica ferrenha de qualquer jornalista musical sobre alguma banda que eu goste, não me atinge nenhum pouco; tenho meu próprio estilo; não vejo necessidade de apoiar campanhas do tipo "boicote a chapinha"; faço meu próprio roteiro cultural e baixo minhas músicas com indicação de amigos.

Em tempos de pressão extrema no ambiente de trabalho, correria no dia a dia, frustração com certas escolhas profissionais, dá um certo alívio saber que isso não é "pessoal" e a Vida Simples acompanha, digamos, essas mazelas sem dramatizar como muitas outras revistas costumam fazer...

Mas o que eu queria dizer com esse post é que mesmo tendo uma bagagem meio hippie, por conta dos vários acampamentos que fiz com meus pais, ir para lugares mais tranquilos em feriado nunca foi uma opção (e acredito que eu não seja influenciável nem mesmo por uma revista bacana). Dessa vez foi diferente: eu quis ir para um lugar mais distante e calmo. Escolhemos Diamantina porque é charmosa, sem a pretensão de Tiradentes, preservada ao contrário de Ouro Preto. Ideal para curtir o frio (que eu amo), passeios diferentes, exageros à mesa e, principalmente, observar.

Em Diamantina as pessoas são genuinamente mais simpáticas. Não é só uma "carcaça Senac" que Tiradentes possui com os indinheirados e Ouro Preto nem isso. Conversamos com muitas pessoas que nos atendiam com presteza e cordialidade. Contamos casos, rimos. Na volta, quisemos comprar uma carne de sol e o comerciante falou que teve um problema no freezer no dia anterior, que não seria prudente viajar 3-4 com a carne. Uma honestidade que não se vê facilmente.

Em Diamantina, não recusei sobremesa porque, quando tentei, fui surpreendida por um doce de casquinha de limão recheado com doce-de-leite delicioso. Também comi o que tinha restrição (pequi). Não posso dizer que mudei de ideia, mas ao menos não bati o pé. Também comi paçoca de carne seca, pão de queijo com linguiça, torresmo, carne serenada...Tudo sem pensar nas calorias. Subi e desci ladeiras para compensar, ainda que essa não fosse uma preocupação.

Fiquei como criança na quermesse, quis dançar quadrilha. Aqui já não temos a legítima festa junina, na rua, com as crianças correndo, os velhinhos dançando, os namorados se abraçando, a fogueira, o quentão, a canjica. Para aproveitar este tipo de festejo em BH, eu teria que ir num condomínio fechado ou no super clichê "Arraial de Belô", promovido pela Prefeitura.

Então eu vi a lua enorme no céu e estrelas, muitas estrelas. Eu vi gatos no telhado, cães passeando simpáticos pelas ruas e gente na janela vendo o tempo passar, esperando o amor chegar, pois sexta foi dia dos namorados. Eu vi gente de fé entrando nas igrejas, gente encantada com a Casa de Chica da Silva e os adolescentes paquerando na praça. Vi um tiozinho bêbado discutir com a caixa de som. Uma tiazinha catadora de latinha dançando com o vento. Ninguém ali parecia perturbar a loucura, a sanidade, a crença, a alegria, a melancolia, a festa ou o sono do outro.

Pela primeira vez, senti uma ponta de inveja da verdadeira vida simples. Li todos os dias, não liguei a TV e, mesmo sem despertador, acordei cedo porque queria aproveitar o dia. Não atendi o celular, exceto para saber de notícias do Tétinho. Podia ser sempre assim...

terça-feira, junho 02, 2009

American Beauty*

Todo mundo tem (ou pelo menos deveria ter) um plano B. Centenas de jornalistas que eu conheço, por exemplo, querem abandonar a redação e abrir um boteco. Outros tantos acham que podem virar Verissimo ou Martha Medeiros e viver do que escrevem. Há, ainda, a categoria mais curiosa - normalmente pertence aos extremamente estressados - que é virar hippie e vender colar de coquinho na praia.

Não quero jogar areia no plano B de ninguém, que fique claro.


Por muito tempo, pensei em vários planos de fuga. Estudar era um deles, mas a roda-viva do trabalho nunca deixou. Claro que quem quer muito colocar a ideia em prática faz-se valer da máxima "o que você faz de meia-noite às seis?". Depois de muito pensar nisso, cheguei à conclusão de que desejava atingir a meta sem sacrifícios extremos. Simples assim. Acho muito admirável quem trabalha 50 horas semanais e ainda estuda, namora e vai ao cinema. Só que comigo não funciona. Tenho uma alma de bon vivant.

Como não virei mestre ou doutora em coisa alguma, o plano B continuou a ser uma pulga atrás da orelha. Comprei um livro sobre períodos sabáticos e também concluí que não seria tão fácil fazer a mochila e me aventurar. Afinal, para se desprender da rotina de trabalho, você tem que ter uma reserva em dinheiro basicamente para comprar as passagens para aquele destino distante e guardar para emergências (tipo pagar um médico/curandeiro quando for picado por um inseto raro na Savana). Eu sou a cigarra e não a formiga nessas horas.

Sem muitas cartas na manga, comecei a refletir de maneira mais crítica sobre meus talentos e potenciais artísticos e...nada! Eu não canto, não danço, não pinto e não atuo. No campo das ciências exatas e biológicas, bastou eu lembrar da quantidade de notas vermelhas que eu colecionei nos tempos de escola durante toda minha vida. Eu sempre passava com excelência em redação, línguas, história, geografia e dada minha extensa capacidade de comunicação, era assunto regular nas reuniões de pais e mestres.

Acontece que o plano B virou uma espécie de obsessão, uma nova diretriz em tempos de crise e não me refiro somente à econômica mundial. Fiquei em pânico, sobretudo quando me dei conta que uma década de passou desde que me formei e de lá para cá, a pressão só aumentou e o mercado - no caso de BH, feira - virou uma prostituição generalizada. Ninguém pode querer isso para mais uma década, certo? E não se trata da dificuldade de lidar com um chefe na redação ou determinado cliente na assessoria. É um campo minado e ponto.

Eu não quero ser o que o mundo espera de mim, à essa altura da minha vida, pelo menos na minha área. Sofro menos com esse conceito de "bem sucedido" do que posso fazer parecer nessas linhas. Acredito na frase do Bob Dylan que é algo como o sucesso é ter feito só o que se gosta entre acordar e dormir.

Enquanto seu lobo não vem, passeio na floresta com minhas divagações meio insanas, meio idealistas. Na atual conjuntura, tem dias que dá vontade de largar tudo e virar Cachorro da Emive (uma empresa de segurança, para quem não conhece). Ele está em todo lugar: no sinal, na linha de chegada da corrida, dançando na festa do Comida di Buteco. Sempre acenando. No meu caso, toda vez que eu visse um mala, mostraria o dedo médio e, em seguida, acenaria de novo para confundir a pessoa.

Seria uma grande realização pessoal.

É algo meio American Beauty, eu sei. O cara larga tudo e vira atendente do Mac Donalds...Mas no terceiro mundo isso não cola. A opressão ao trabalhador não deixa brecha para criatividade. Cachorro da Emive seria uma vingança poética, doce e lúdica (odeio essa palavra).

Pode não ser propriamente um plano B, todavia, se um dia alguém vir um Cachorro da Emive mais insano que o normal, pode desconfiar. A boa notícia é que com aquele cabeção, eu não morderia.

*Esse post é dedicado às amigas Júlia e Carol que curtiram minha ideia.