segunda-feira, outubro 29, 2012

Everything in its right place

Faz muito tempo. Eu tinha onze anos. Meu sonho era morar sozinha. Pré-adolescente bocó, eu me sentia fora do lugar. Queria ir para a escola de ônibus, mas tinha que ir junto com minha irmã no especial, em minha concepção, lotado de "pirralhos". Enfim, eu já era meio chatinha. Melhorei em certos aspectos, piorei em outros e me mantive fiel à convicções traçadas na maternidade.

Demorou para eu morar sozinha. Vinte e oito anos ouvindo "não sou sócia da Cemig" (porém eu entendo nesse momento o desespero da conta alta). Daí vieram dois roomates, um casamento, novamente casa da minha mãe após a separação, mais uma roomate, outra volta e...voilá! "A casa é sua/ Por que não chega agora?/ Até o teto tá de ponta-cabeça/ Porque você demora?"

Na verdade...Adoro a música, deixaria esse alguém chegar nesse minuto. Ficar, habitar é outra coisa. Devo admitir: acho que não sei mais dividir meu espaço, minhas manias, minhas loucuras a não ser com Alice, minha gata. Não é egoísmo, é auto-preservação.

Está tudo no lugar certo, mesmo que em dias pré-Cida de quase caos. Nesse lugar estou como quero, com minha pilha de livros na cabeceira. Minha garrafa de vinho aberta em plena quarta, meu CD do Radiohead tocando inúmeras vezes, meu buquê de flores comprado às sextas. Eu vejo o mesmo seriado (e choro), o mesmo filme (e choro) sem passar por canais de esporte. Acordo e limito-me a uma salada de frutas ou troco o jantar por uma cervejinha com tira-gosto.

É muito antagonismo para ser aceito como algo encantador. Ainda assim, decidi que minha liberdade foi conquistada com muito esforço, o que implica em nem sempre ceder ou agradar, em ter o direito de ir e vir sem ser questionada. O pacote também inclui generosidade e discrição.  Perguntas como: "quanto você gastou nesse creme anti-sinais?" ou "para que flor de sal, se existe sal?" são irrelevantes. Fred Astaire, por exemplo, não as faria. Melhor dançar comigo.




domingo, outubro 14, 2012

Basta eu encontrar você no caminho

São planos bobos que faço para quando você chegar. Algo como voltar a usar minha batedeira para preparar suflês numa terça-feira qualquer ou sair do pacote básico da TV a cabo para passarmos a tarde de domingo disputando o controle remoto. Desapegar-me dos vários vestidos e deixar uma gaveta livre, caso você queira e até assistir no cinema, sem fazer biquinho, a aquele filme de ação que você descreveu com olhos de luzes de natal.

Semanas atrás, entrei numa agência de turismo decidida a comprar um pacote para o tal réveillon de que tanto tenho pavor. Por instantes, o fato de não achar nenhuma viagem boa o suficiente - porque ano novo tem aquele punhado de rituais cansativos e um sambão na linha "viver e não ter a vergonha de ser feliz" ao final - me pareceu um sinal de que você chegaria para me tirar desse tipo de cilada. Olhei para a porta e não tinha ninguém.

Confesso que ando meio desanimada trafegando por "desinteressâncias" e "semgracezas" que se apresentaram nos últimos tempos. Ficou difícil te enxergar nessa confusão. Se passou por mim, volte. Se eu não te conhecer ainda, diga que leu essa mensagem. Pois eu sou de planos bobos, de festas surpresas, de carinho nas costas e de tantas pequenas doçuras-travessuras que podemos descobrir quando houver eu e você. 


Desse tumblr bacana aqui

segunda-feira, outubro 08, 2012

Melancolia

Eu criei esse espaço para me repetir de vez em quando...toda vez que eu quiser. Há 58 seguidores na lateral direita, mas às vezes prefiro pensar que não escrevo nem para mim e o porquê publicar é tão contraditório quanto igual à tudo na vida.

Ando pensando nesses tempos eufóricos. A eleição, a final do futebol, as "timelines" das redes sociais e tudo que tem que ser no peito, na raça, no grito, em plenos pulmões. E se eu quiser ficar quieta?  Eu, logo eu, que falo pelos cotovelos? Posso apenas votar, esquecer a decepção do meu time e postar uma música bem triste no Facebook sem ser questionada por tanta gente barulhenta, metida a engajada, torcedora incondicional e pseudo feliz?

Os tempos eufóricos são difíceis para quem tem a melancolia circulando nas veias.

Melancolia = essas manchas roxas que surgem não sei da onde na minha pele. A vontade de seguir deitada na cama olhando para o teto por horas a fio. E não, não preciso derramar uma lágrima. Isso é outra coisa.

Devia ser um direito poder faltar ao trabalho porque não se quer sair da bolha. Cadê meu atestado? Aonde assino?

E não sai de mim, não sai de mim, não sai.

Explicações desde a bossa do Tom Jobim ao movimento de Saturno milimetricamente calculado pela astrologia. E por que raios não consigo não ser arrastada por essa multidão?

Deixem-me com minha taça de vinho, a minha canção deprê no repeat e, especialmente, meu silêncio...

Ao menos até as manchas sumirem por completo.


sábado, outubro 06, 2012

Sobre realidades e cigarros



Seria muito oportuno acender um cigarro neste momento. Mas eu não fumo. Não há tragada para contemplar a noite vazia ao meu redor, para acompanhar uma dose de Jack Daniels ou para ser parte de um ritual entre amantes.

Seria urgente entrar na minha própria ficção. Observar o céu ao invés do relógio, esse eterno monitor da tal hora de dormir, que nunca vem fácil. Uma dose cairia bem, no entanto bebo um refrigerante zero caloria, sem cafeína para colaborar com o relógio supracitado. A cama está arrumada, impecável e esperando apenas por mim.

Seria excelente não ter o dia seguinte com as perspectivas que se apresentam. A improbabilidade do cigarro, portanto, faz todo o sentido.