"Moça direita não pode fazer isso não".
Foi essa frase que um ouvinte de uma rádio AM disse há pouco. A discussão girava em torno do dilema de um sujeito que achava que sua namorada era simpática demais com outros rapazes.
Moça torta que sou, comecei a rir.
Não parou por aí. Um povo-fala, possivelmente na Praça 7, trouxe opiniões bem distintas. O repórter perguntou para uma garota de piercing na língua qual era a opinião dela sobre o problema do ouvinte. "Ah, chifre é que nem consórcio: uma hora você vai ser contemplado".
Na sequência, toca um Roberto Carlos para colocar o fim à questão. Segue a inevitável e milenar troca de pares. Essa aí vai continuar lotando botecos (como bem disse Antonio Prata: autoajuda é cachaça), consultórios médicos e cair nas ondas curtas.
Quarta-feira, Março 14, 2012
Sábado, Março 10, 2012
Sobre aprendizagens e prazeres
"Nós ainda somos moços, podemos perder algum tempo sem perder a vida inteira".
Bom mesmo eram férias de três meses, cheguei a pensar dias atrás. Tempos de colégio. Dezembro, janeiro e julho para fazer viagens incríveis. Nunca as fiz. Passava maior parte do tempo mesmo na casa da minha avó ou assistindo a desenhos. E quando voltava tinha a tal redação "minhas férias" para fazer. Diante daquela imposição, eu alternava a crônica com a ficção.
Nunca exercitei férias muito bem. Sou craque em pequenas viagens, escapdinhas de final de semana e de feriado. Com 30 dias livres é mais difícil. Encerrado o período escolar, eles aconteceram como estranhos fenômenos: em 2000, em 2007 e agora. Essa terceira vez foi totalmente sem viagem programada por alguns motivos: não há um co-piloto e, principalmente, existe uma urgência de se resolver aquela velha questão do lar que se arrasta por quase dois anos. Por isso, mais importante que descansar é ter a tranquilidade.
Conta-gotas. Vou fazendo tudo assim. Tiro a manhã para resolver burocracias e as tardes para o cinema, o sorvete, o observar (afinal, também é bastante simbólico escolher o "inferno astral" para as férias). No banco da Praça da Liberdade, fico com meus pensamentos. São aprendizagens que nada têm de doce. Daí os prazeres subsequentes que só essa pausa pode me proporcionar.
Quem sabe eu vá para a praia assim que, enfim, a chave estiver na minha mão? Restam-me 20 dias para serem utilizados da melhor maneira. Estou satisfeita com minhas férias. Não são as dos sonhos ainda, espero que sejam em 2013. "Mas olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia". Eu a considero, a espero e a busco. Nos dias de paz e nos dias de luta.
Alterno a cama arrumada com a taça de vinho no almoço em plena quarta-feira. Fico curiosa para saber como andam as coisas na redação, porém nem ando lendo o jornal. Sei que devia estar menos online, sei que devia refletir sobre tantos outros assuntos, no entanto as aprendizagens são processos, não tiram férias.
PS: As aspas são de Clarice Lispector
Bom mesmo eram férias de três meses, cheguei a pensar dias atrás. Tempos de colégio. Dezembro, janeiro e julho para fazer viagens incríveis. Nunca as fiz. Passava maior parte do tempo mesmo na casa da minha avó ou assistindo a desenhos. E quando voltava tinha a tal redação "minhas férias" para fazer. Diante daquela imposição, eu alternava a crônica com a ficção.
Nunca exercitei férias muito bem. Sou craque em pequenas viagens, escapdinhas de final de semana e de feriado. Com 30 dias livres é mais difícil. Encerrado o período escolar, eles aconteceram como estranhos fenômenos: em 2000, em 2007 e agora. Essa terceira vez foi totalmente sem viagem programada por alguns motivos: não há um co-piloto e, principalmente, existe uma urgência de se resolver aquela velha questão do lar que se arrasta por quase dois anos. Por isso, mais importante que descansar é ter a tranquilidade.
Conta-gotas. Vou fazendo tudo assim. Tiro a manhã para resolver burocracias e as tardes para o cinema, o sorvete, o observar (afinal, também é bastante simbólico escolher o "inferno astral" para as férias). No banco da Praça da Liberdade, fico com meus pensamentos. São aprendizagens que nada têm de doce. Daí os prazeres subsequentes que só essa pausa pode me proporcionar.
Quem sabe eu vá para a praia assim que, enfim, a chave estiver na minha mão? Restam-me 20 dias para serem utilizados da melhor maneira. Estou satisfeita com minhas férias. Não são as dos sonhos ainda, espero que sejam em 2013. "Mas olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia". Eu a considero, a espero e a busco. Nos dias de paz e nos dias de luta.
Alterno a cama arrumada com a taça de vinho no almoço em plena quarta-feira. Fico curiosa para saber como andam as coisas na redação, porém nem ando lendo o jornal. Sei que devia estar menos online, sei que devia refletir sobre tantos outros assuntos, no entanto as aprendizagens são processos, não tiram férias.
PS: As aspas são de Clarice Lispector
Segunda-feira, Março 05, 2012
Longe é o meu lugar
Porto Alegre, faltando um mês para o meu aniversário, tarde quente de 2012
Não tento fazer de outros lugares os meus. Adapto-me a raptos que faço de mim mesma, daquele lar tão familiar, da rua sem árvores para fazer sombra e do sotaque similar.
Longe posso dizer que sou feliz.
Entro num café e descubro que misto quente é torrada. E torrada o que seria? Apenas torrada.
Os carros param para que eu atravesse. Corro porque sempre corro demais, como na canção do Roberto.
Do vidro vejo o riso: ele pensa que sou louca.
Do meu lado, acredito que é difícil aceitar gentilezas nesses tempos. Ainda que prefira esse universo paralelo.
Taxistas são extremamente parecidos cá e lá. Conversam sobre qualquer assunto, indicam os melhores passeios e tudo aquilo que você não pode deixar de provar antes de partir.
E a partida é o fim da vida sem roteiro. É para ficar novamente de olho no ponteiro.
Eu gosto de me perder em ruas desconhecidas. Descobrindo cantinhos aos quais provavelmente não voltarei. Lendo placas que são códigos bastante locais. Mesmo que nas praças as crianças correndo, os velhos sentados nos bancos e a turma saudável soem tão universais.
Fico imaginando o que são certas palavras por minutos a fio antes de me atrever a perguntar.
Em determinados momentos não pergunto.
Ouço, observo e imagino como seria estar aqui mais uns dias ou uma vida. Faço esses exercícios em São Paulo, em Buenos Aires, no Recife e até no Rio...
Minha inquietação vive de malas prontas.
Não tento fazer de outros lugares os meus. Adapto-me a raptos que faço de mim mesma, daquele lar tão familiar, da rua sem árvores para fazer sombra e do sotaque similar.
Longe posso dizer que sou feliz.
Entro num café e descubro que misto quente é torrada. E torrada o que seria? Apenas torrada.
Os carros param para que eu atravesse. Corro porque sempre corro demais, como na canção do Roberto.
Do vidro vejo o riso: ele pensa que sou louca.
Do meu lado, acredito que é difícil aceitar gentilezas nesses tempos. Ainda que prefira esse universo paralelo.
Taxistas são extremamente parecidos cá e lá. Conversam sobre qualquer assunto, indicam os melhores passeios e tudo aquilo que você não pode deixar de provar antes de partir.
E a partida é o fim da vida sem roteiro. É para ficar novamente de olho no ponteiro.
Eu gosto de me perder em ruas desconhecidas. Descobrindo cantinhos aos quais provavelmente não voltarei. Lendo placas que são códigos bastante locais. Mesmo que nas praças as crianças correndo, os velhos sentados nos bancos e a turma saudável soem tão universais.
Fico imaginando o que são certas palavras por minutos a fio antes de me atrever a perguntar.
Em determinados momentos não pergunto.
Ouço, observo e imagino como seria estar aqui mais uns dias ou uma vida. Faço esses exercícios em São Paulo, em Buenos Aires, no Recife e até no Rio...
Minha inquietação vive de malas prontas.
Terça-feira, Fevereiro 28, 2012
Sobre ossos e ofícios
Há uma série de promessas que não estão sendo cumpridas enquanto escrevo esse texto. A primeira delas: estar diante do computador após a meia-noite. Não me importo. Eu quebro promessas, especialmente as que faço comigo mesma, silenciosamente, em busca de uma tal superação que, às vezes, nem sei de quê. Isso porque tenho andado no compasso de "tudo ao mesmo tempo agora". A cabeça fervilha e até devaneia.
Véspera de férias. Reflito sobre trabalho. Não necessariamente o do momento. Lavorando de maneira pouco ortodoxa em solos arcaicos, aprendi muito. Aprendi especialmente com pólos opostos. Me ocorre, de imediato, o companheirismo do Vanderlei Timóteo. Eu estava sob a maior das pressões com uma "promoção" que não pedi. Meu pai morreu derepente. Foi algo como no dia seguinte receber uma ligação do chefe pedindo para eu finalizar uma edição. Pois esse meu colega, a quem pela atitude considerei um amigo, ficou indignado com a situação, tentou intervir. Estava tão anestesiada, por mais de uma dor, que ativei o modo zumbi e fui. Importante ressaltar: o Vanderlei não trabalhava diretamente comigo. Mais importante ainda: não guardei mágoa alguma daqueles de quem esperava apoio similar.
Aquilo tudo foi, enfim, o divisor de águas na minha carreira, a perda de uma certa inocência que se arrastava desde a graduação. Jornalista gosta de achar que só porque tem a palavra ao alcance, pode romancear. Nessa possibilidade, uma série de equívocos, entre eles, exercitar uma certa frieza. Não dou um "bom dia" seco, faço o serviço no automático e vou embora. Não me interessam certos atalhos para subir algum degrau, pois tenho muito a fazer por mim, pelo meu trabalho, pela minha consciência, pelos valores que meus pais me ensinaram desde sempre. Respeitar, ter senso de justiça e educação para lidar com quem passo a maior parte do dia. E, claro, é fundamental a resiliência, a minha "whatever works".
O que não deixo jamais é de me lembrar com ternura daqueles instantes que nem pareciam expediente, pois houve e sempre haverá entre os tantos números que nos indentificam no crachá, pessoas gentis com nome e sobrenome que serão maiores do que esse meu muito obrigada.
Véspera de férias. Reflito sobre trabalho. Não necessariamente o do momento. Lavorando de maneira pouco ortodoxa em solos arcaicos, aprendi muito. Aprendi especialmente com pólos opostos. Me ocorre, de imediato, o companheirismo do Vanderlei Timóteo. Eu estava sob a maior das pressões com uma "promoção" que não pedi. Meu pai morreu derepente. Foi algo como no dia seguinte receber uma ligação do chefe pedindo para eu finalizar uma edição. Pois esse meu colega, a quem pela atitude considerei um amigo, ficou indignado com a situação, tentou intervir. Estava tão anestesiada, por mais de uma dor, que ativei o modo zumbi e fui. Importante ressaltar: o Vanderlei não trabalhava diretamente comigo. Mais importante ainda: não guardei mágoa alguma daqueles de quem esperava apoio similar.
Aquilo tudo foi, enfim, o divisor de águas na minha carreira, a perda de uma certa inocência que se arrastava desde a graduação. Jornalista gosta de achar que só porque tem a palavra ao alcance, pode romancear. Nessa possibilidade, uma série de equívocos, entre eles, exercitar uma certa frieza. Não dou um "bom dia" seco, faço o serviço no automático e vou embora. Não me interessam certos atalhos para subir algum degrau, pois tenho muito a fazer por mim, pelo meu trabalho, pela minha consciência, pelos valores que meus pais me ensinaram desde sempre. Respeitar, ter senso de justiça e educação para lidar com quem passo a maior parte do dia. E, claro, é fundamental a resiliência, a minha "whatever works".
O que não deixo jamais é de me lembrar com ternura daqueles instantes que nem pareciam expediente, pois houve e sempre haverá entre os tantos números que nos indentificam no crachá, pessoas gentis com nome e sobrenome que serão maiores do que esse meu muito obrigada.
Terça-feira, Fevereiro 21, 2012
Deixa o dia raiar que hoje eu sou bem do jeito que você quiser...
Sou uma foliã desajeitada. Não sei sambar e, depois de algumas horinhas, a duracel que existe em mim descarrega. Diferentemente de quando estou em inferninhos ouvindo rock, mas é carnaval...mesmo em esquema de plantão, não serei eu a nota dissonante.
Quando eu era criança, ia em festinhas de clube. Lembro-me de duas fantasias: a de havaiana e a de Mulher Maravilha, essa, aliás, eu usava fora do feriado momesco. Bem, digamos que era meu dirfarce debaixo do uniforme da escola.
Cresci e Belo Horizonte virou o túmulo de tudo. Carnaval era para ir ao cinema, dormir e ler. Eu achava ótimo de qualquer maneira. Até que nos últimos anos, blocos surgiram para mostrar que para gostar de um, você não precisa desprezar o outro. Eu sigo na sala escura e atrás da batucada.
Quem me ensinou a gostar de carnaval? Minha irmã Uiara. Ela não chegou a ir em bailes de clubes, mas seus olhinhos ficavam vidrados na TV quando a Mangueira entrava na avenida. Até hoje é assim. A Estação Primeira era para ela o encantamento que as sessões de domingo no Pathé eram para mim.
Somos rios que desembocam no mesmo mar, de qualquer modo. Que ninguém pense que Uiara não tenha um ótimo gosto para filmes ou que eu não me emocione vendo aquele mar de gente fantasiada se abrançando como se não houvesse a tal quarta de cinzas.
Por indicação da irmãzinha, passei das tardes mais divertidas, travestida de francesa que só sabe falar "merci", "croissant", "voilá", "adieu", "pardon"...Há um band-aid no meu calcanhar, pois obviamente quis fazer bonito, lavar a alma e brincar de música do Chico.
Por essas coisas que só acontecem no Carnaval, vi passar um moço que não via há pelo menos dez anos. Nosso último encontro foi num show super indie. Eu era super indie, ele idem. E ficamos horas falando sobre bandas que ninguém conhecia e nós amávamos. E não me esqueço que ele pediu para eu ficar. Fui com o coração apertadinho, pois amigos hospedados na minha casa estavam caindo de sono. Tempos depois, ele partiu de mala e cuia para outro país e nunca mais nos esbarramos.
No meio do bloco, no meio da euforia, ele passou por mim. Não me viu. Não tive ímpeto de ir atrás. Retomar uma conversa que ficou dez anos num lugar tão especial não seria boa ideia. Melhor que os dois pensassem no outro extamente como eram uma década atrás. Mas quem diria o moço indie cantando "mamãe eu quero"? Quem diria eu?
Tudo culpa da Uiara (a autora da foto)
Quando eu era criança, ia em festinhas de clube. Lembro-me de duas fantasias: a de havaiana e a de Mulher Maravilha, essa, aliás, eu usava fora do feriado momesco. Bem, digamos que era meu dirfarce debaixo do uniforme da escola.
Cresci e Belo Horizonte virou o túmulo de tudo. Carnaval era para ir ao cinema, dormir e ler. Eu achava ótimo de qualquer maneira. Até que nos últimos anos, blocos surgiram para mostrar que para gostar de um, você não precisa desprezar o outro. Eu sigo na sala escura e atrás da batucada.
Quem me ensinou a gostar de carnaval? Minha irmã Uiara. Ela não chegou a ir em bailes de clubes, mas seus olhinhos ficavam vidrados na TV quando a Mangueira entrava na avenida. Até hoje é assim. A Estação Primeira era para ela o encantamento que as sessões de domingo no Pathé eram para mim.
Somos rios que desembocam no mesmo mar, de qualquer modo. Que ninguém pense que Uiara não tenha um ótimo gosto para filmes ou que eu não me emocione vendo aquele mar de gente fantasiada se abrançando como se não houvesse a tal quarta de cinzas.
Por indicação da irmãzinha, passei das tardes mais divertidas, travestida de francesa que só sabe falar "merci", "croissant", "voilá", "adieu", "pardon"...Há um band-aid no meu calcanhar, pois obviamente quis fazer bonito, lavar a alma e brincar de música do Chico.
Por essas coisas que só acontecem no Carnaval, vi passar um moço que não via há pelo menos dez anos. Nosso último encontro foi num show super indie. Eu era super indie, ele idem. E ficamos horas falando sobre bandas que ninguém conhecia e nós amávamos. E não me esqueço que ele pediu para eu ficar. Fui com o coração apertadinho, pois amigos hospedados na minha casa estavam caindo de sono. Tempos depois, ele partiu de mala e cuia para outro país e nunca mais nos esbarramos.
No meio do bloco, no meio da euforia, ele passou por mim. Não me viu. Não tive ímpeto de ir atrás. Retomar uma conversa que ficou dez anos num lugar tão especial não seria boa ideia. Melhor que os dois pensassem no outro extamente como eram uma década atrás. Mas quem diria o moço indie cantando "mamãe eu quero"? Quem diria eu?
Tudo culpa da Uiara (a autora da foto)
Segunda-feira, Fevereiro 13, 2012
All my troubles seemed so far away
"Don't look back in anger", cantou Liam Gallagher.
"Procure entender o que houve lá atrás", disse o terapeuta.
"Quem vive de passado é museu", rezou a lenda popular.
Definitivamente, não sei o que fazer com tanto ontem.
"Procure entender o que houve lá atrás", disse o terapeuta.
"Quem vive de passado é museu", rezou a lenda popular.
Definitivamente, não sei o que fazer com tanto ontem.
Sexta-feira, Fevereiro 10, 2012
In Between Days
Hoje eu acordei Robert Smith. Cabelo em pé. It's friday, but I'm not in love. Saí às pressas de casa. Passei no banco, chequei o saldo na conta. Faço contas mentais para saber se vai dar, mesmo sendo péssima em matemática. Não vai dar.
No iPod busco a trilha para me traduzir: yesterday I got so old it made me want to cry. Agora, não mais. Faz um bom tempo que não mais. Na minha imaginação, o sol rachando desaparece, é noite. Danço The Cure, bebo minha cerveja sem deixar de pensar no que se refaz, naquilo que substitui ausências, como a corrida e sua inexorável sensação de prazer, como um lindt, que é como beijo em barra.
A buzina me assusta. Estou errada, fora da faixa de pedestre. Go on go on just walk away. Go on go on your choice is made. Tenho feito escolhas? Fico nesse outro atropelo, que acontece de fato, e os dias se intermediam, se entremeiam. Às vezes nem sinto. Boys don't cry...eu também não. Lágrimas estão escassas. Quis chorar no início da semana, quando soube da morte da minha avó paterna. Naquela família, a recíproca da indiferença é verdadeira. Ninguém avisou, no entanto, não me surpreendeu. As sombras deles são as minhas.
Yesterday I got so scared. I shivered like a child. Yesterday away from you. It froze me deep inside. Por fora, quase derreto com esse calor, no metrô lotado seguindo lento, com cheiros e sons, invariavelmente atrapalhando minha escuta, meus escritos.
Cansaço. Queria que esse trem saísse da linha e fosse para bem longe. Queria, por conseguinte, descarrilhar. Come back come back. Don't walk away. Come back come back. Come back today. Come back come back. Why can't you see? Come back come back. Come back to me. Para quem ou o quê estou pedindo isso?
No iPod busco a trilha para me traduzir: yesterday I got so old it made me want to cry. Agora, não mais. Faz um bom tempo que não mais. Na minha imaginação, o sol rachando desaparece, é noite. Danço The Cure, bebo minha cerveja sem deixar de pensar no que se refaz, naquilo que substitui ausências, como a corrida e sua inexorável sensação de prazer, como um lindt, que é como beijo em barra.
A buzina me assusta. Estou errada, fora da faixa de pedestre. Go on go on just walk away. Go on go on your choice is made. Tenho feito escolhas? Fico nesse outro atropelo, que acontece de fato, e os dias se intermediam, se entremeiam. Às vezes nem sinto. Boys don't cry...eu também não. Lágrimas estão escassas. Quis chorar no início da semana, quando soube da morte da minha avó paterna. Naquela família, a recíproca da indiferença é verdadeira. Ninguém avisou, no entanto, não me surpreendeu. As sombras deles são as minhas.
Yesterday I got so scared. I shivered like a child. Yesterday away from you. It froze me deep inside. Por fora, quase derreto com esse calor, no metrô lotado seguindo lento, com cheiros e sons, invariavelmente atrapalhando minha escuta, meus escritos.
Cansaço. Queria que esse trem saísse da linha e fosse para bem longe. Queria, por conseguinte, descarrilhar. Come back come back. Don't walk away. Come back come back. Come back today. Come back come back. Why can't you see? Come back come back. Come back to me. Para quem ou o quê estou pedindo isso?
Assinar:
Postagens (Atom)



