terça-feira, julho 28, 2009

Meu Esquema




Existe a paixão, aquela que eu já tive pelo Rio. Existe o contrário dela, que é a que venho sentindo por Belo Horizonte. Agora, cidade que sempre será "Meu Esquema" é Recife. Correr na Boa Viagem, tomar suco de graviola, cajá... Comer tapioca, camarão, passear no Mercado São José, visitar o Brennand e o melhor: conversar com os pernambucanos longamente são daquelas coisas que você tem que fazer na vida antes de partir dessa. E se os livros falam em maravilhas - que talvez eu nem vá conhecer - eu já me sinto feliz por ter minha própria.

Meu Esquema - Fred 04
Ela é meu treino de futebol
Ela é meu domingão de sol
Ela é meu esquema

Ela é meu concerto de rock'roll
Nação, minha torcida gritando gol
Minha Ipanema

Ela é meu curso de anatomia
Ela é meu retiro espiritual
Ela é minha história

Ela é meu desfile internacional
Ela é meu bloco de carnaval
Minha evolução...

Galega
Tento descrever o que é estar com você

Princesa
Todos vão saber que eu estou muito bem com você

Ela é minha ilha da Fantasia
A mais avançada das terapias
Meu Playcenter

Ela é minha pista alucinada
A mais concorrida das baladas
Meu inferninho

Ela é meu esporte radical
Poderosa, viciante, mas não faz mal
Meu docinho

Ela é o que meu médico receitou
Rivaldo Maravilha mandando um gol
Minha chapação...

Galega
Nem dá pra dizer o que é estar com você

Princesa
Todo mundo vê que eu sou mais...

quarta-feira, julho 22, 2009

segunda-feira, julho 20, 2009

Dia do Amigo

Entre Amigos
Martha Medeiros

Para que serve um amigo? Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra. Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.

Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos.

Verdade verdadeira. Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contruído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.

Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.

Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.

Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.

Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.

Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.

Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.

Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.

Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém
.

segunda-feira, julho 13, 2009

Escola de Rock

Tem gente que agradece aos pais pelo investimento nas melhores escolas, pela temporada fora do país durante o intercâmbio, pela festa de 15 anos, pelo primeiro carro, pela faculdade cara, pelo apartamento que nem precisou suar para pagar, pela festa de formatura, festa casamento... Eu agradeço aos meus por várias regalias que tive na vida, claro. Mas não acho que elas tenham sido a coisa mais importante que recebi dos dois (eu sei que teve todo um sacrifício no meio desse caminho de pedras. Não estou entrando no mérito da questão ou sendo injusta, viu madresita que lê este blog!?!).

Para mim, entre as melhores coisas que os pais podem proporcionar aos filhos são as formações cultural e humana. Falando sobre primeira, graças a eles eu sempre li muito, fui a muitas sessões de cinema, peças de teatro, exposições, balés. Experimentei novos sabores porque lá em casa criança comia não só colorido (pratos exóticos também), viajei para cidades legais, acampei no meio do mato e por aí vai...Contudo, minha primeira "aula" de arte e cultura foi definitivamente musical. E de rock. Eu me lembro que mal falava a maioria das palavras que uma criança domina na língua portuguesa e já balbuciava canções dos Rolling Stones. Sticky Fingers foi, é e sempre será o disco mais importante da minha formação musical, embora haja o Radiohead em mi vida...

Estou falando de base, de chão, daquilo que te faz ter a curiosidade de um dia ouvir outras canções (visto que criança adora ver/ouvir a mesma coisa milhões de vezes), que serão sua trilha em algum momento da existência. Os Stones foram minha porta de entrada para Beatles, Doors, Hendrix, Led, Animals, Ramones, Clash, Cure, Echo, Chili Peppers, Faith no More, Pearl Jam, Nirvana, Queens of the Stone Age e tudo mais que eu nunca parei de escutar e amar. "É apenas rock and roll, mas eu gosto". E pronto. Até para me justificar para o mundo, uso uma composição de Jagger&Richards. Teve um tempo - microtempo, admito - que eu até ficava um pouco sem graça de preferi-los aos Beatles, dada a magnitude, a aura de revolução e a oponência do quarteto de Liverpool. Há um punhado de anos nem me faço de rogada; não entro em nenhuma discussão sobre quem é melhor. Eu sei perfeitamente quem é melhor, porém prefiro aqueles caras sujos, malvados e imperfeitos, com discos que nem sempre são obra-prima. No meu critério musical basta comparar as gravações de "I wanna be your man". A versão Beatles é casamento. A versão Stones é trepada.

E como hoje é dia do rock - e eu habitualmente divago sobre minha disciplina favorita entre todo e qualquer gênero musical inventado até o momento -, separei um blues dos Stones, que eu cantava desde não me lembro quando. Sabe aquela música que a criança escuta e cai na gargalhada de tanto que gosta? Para a geração de agora pode até ser uma Adriana Calcanhoto, whatever. Essa era a minha e, arrisco dizer, da minha irmã. Porque nossos ouvidos musicais foram muito apurados ainda quando éramos fetos.

"You Gotta Move". Always!

terça-feira, julho 07, 2009

Alguma poesia? (Ou enquanto faço o curto trajeto a pé para o trabalho)

Um homem vestido de branco está descendo a rua.
Enquanto fala ao celular.
Ao passar por mim, aciona o modo automático de sua emoção
E diz, em tom menor, beijoeuteamotchau.

Mesmo com a cinza névoa no céu,
as amoras da minha rua insistem em tingir o chão de roxo.

Já me perguntaram um milhão de vezes se não canso de te escutar.
Quando driblo as faxineiras dos prédios, que varrem as folhas para longe,
Nem sequer as surpreendo com meus olhos fechados
Ao cantar desafinadamente sua música, agora minha.