terça-feira, abril 29, 2008

Zapeando

Sabe quando se está cansado a tal ponto que o processo dormir dá tanto trabalho que é melhor esperar um estágio de desmaio para encará-lo? No momento vejo os caracteres de um filme subindo no telecine. Impossível parar diante da TV e achar algo bom. Tem sido assim há algum tempo. A TV a cabo é basicamente do Alê. Está proibida no nosso quarto onde prefiro ler.

Na Gabi tem Agnaldo Silva falando de uma novela que eu não vejo (não vejo nenhuma, aliás), no Multishow aquele lixo do Circo do Edgard. De longe, um dos programas mais chatos produzidos nos últimos tempos. Na Globo um humorístico com a Magda e o Caco Antibes. Revival? Nos canais de sitcom nenhum seriado parece interessante, filmes dublados e batidos aos montes, Observatório da Imprensa (com aquela imagem lavada e áudio grotesco das gerações da Rede Minas) discutindo o caso Isabella, mais caso Isabella no Em Cima da Hora, na Globonews. Documentários sobre a vida animal, milhares de picaretas vendendo panela, pneu e a cura para quem tem Jesus no coração. Pulo quase tudo na TV aberta. Deixo no Eurochannel e abaixo o volume. Qualquer coisa em francês, idioma que não domino, é melhor que o som constante do meu bocejo.

Há que se levantar dessa cadeira na qual pareço estar colada, tomar banho, lavar o rosto, passar o adstringente, o creme do contorno dos olhos, o anti-oleosidade, os hidratantes específicos de cada região, colocar a camisola e deitar. Ler uns 20 segundos e desligar a luz.

Como nas nove em cada dez vezes que deito sozinha, serei acordada pelo meu marido que não consegue não ligar a luz quando já estou dormindo. Ele pergunta se estou dormindo mesmo. Então, eu custo a voltar aos braços de Morfeu. Em menos de cinco horas, Téti já está se aninhando na nossa cama. Levanto, faço xixi, tomo água e deito. Nem sempre tiro um cochilo. O despertador toca. Levanto de novo, lavo o rosto, coloco a lente, faço o café, calculo a melhor hora do dia para ir malhar, arrumo as bolsas, separo a roupa que vou usar, tomo banho, troco a opção de roupa porque tenho preguiça de passar e estou atrasada, coloco a roupa, alimento o gatinho, checo sua caixinha sanitária, pego os jornais e vou trabalhar.

No caminho do trabalho fico pensando que esqueci de algo que posso lembrar daqui três dias. Leio e critico os jornais, ligo o computador e só volto ao normal quando não consigo mais reagir diante da tela. Acho que vou ficar rouca amanhã. O punho dói por conta da simultaneidade de se escrever no word, email e msn. Dou respostas vagas e nem sempre entendo as perguntas da minha equipe. Impossível sonhar com férias ou mesmo prevê-las. Relaxar é elevar a frequencia cardíaca ao máximo no spinning. O café com os amigos eu só vou adiando.

Abaixo o volume da TV que neste momento exato me irrita ao extremo. Como tem ator elogiando o governo! Em 2050 não haverá comida como em 2008 não há clima ameno nessa Belo Horizonte desértica.

Mais um post sem nexo? Parece que bebi, no entanto, estou, sim, exausta. As últimas semanas têm sido intensas. No feriado do trabalho, trabalho. Mudo de canal e o olho coça. Mais atores que dessa vez dizem que o Santander é uma mãe seguindo o refrão do Mundo Livre S.A, "quem se importa de onde vem a grana?".

Meu olho arde e a garganta arranha. Estou no ápice da irritabilidade e da rabujice.

Vou dormir.

domingo, abril 20, 2008

I wanna be Julie Delpy

Não que 2 Dias em Paris seja fabuloso. Há referências claras a Richard Linklater e Woody Allen. Mesmo assim, Julie Delpy arrasa porque roteirizou, dirigiu, protagonizou, editou e cantou na trilha sonora do filme. Saí sozinha da sessão vespertina de ontem do Savassi num misto de leveza e angústia.

segunda-feira, abril 14, 2008

Este post não tem patrocínio de Engov

Profissionais da boemia podem morrer de inveja. Em dois dias (sábado e domingo) fui a 14 bares concorrentes do Comida di Buteco. Mesmo fazendo a linha fina (sobretudo pela combinação de dieta e trabalho), com degustações super moderadas, a ação kamikaze rendeu algumas reações adversas: não é para menos quando se come, inclusive, todos os exemplares de torresmos da disputa paralela.

quinta-feira, abril 10, 2008

Algo para se concordar

CONTARDO CALLIGARIS

Comoção pela morte de Isabella


A tragédia nos lembra afetos dolorosos que regram nossa maneira "moderna" de casar

HOJE, QUARTA-FEIRA, quando acabo esta coluna, não conhecemos os eventos que levaram à morte de Isabella Nardoni; só sabemos que a menina, de cinco anos, foi assassinada, intencionalmente ou não, enquanto estava na custódia do pai e da madrasta. E conhecemos um pouco a história da família: a mãe e o pai de Isabella não chegaram a se juntar -foi um romance adolescente que acabou antes de Isabella nascer. O pai tem dois filhos pequenos com sua mulher atual.
É uma situação trivial: a pensão mensal, as visitas, o padrasto ou a madrasta, os meio-irmãos etc. Mas a banalidade dessa situação não deveria disfarçar o emaranhado de afetos dolorosos que ela produz -afetos que muitos vivem e que todos preferimos esquecer.
Não sei se esses afetos são responsáveis pela morte de Isabella. Mas talvez eles sejam responsáveis pela extraordinária comoção produzida pela sua morte. Como assim?
A morte violenta de uma criança nos fere a todos: é como se, ao mesmo tempo, alguém nos arrancasse um pedaço de nosso próprio futuro e destruísse a fantasia nostálgica da infância, que sempre cultivamos, mesmo que o primeiro período de nossa vida tenha sido infeliz.
Mas a história de Isabella nos comove também por outra razão: as tentativas de "explicar" o acontecido evocam, inevitavelmente, as dificuldades de nossa maneira "moderna" de casar.
São dificuldades nas quais, em geral, preferimos evitar de pensar.
É comum que o marido ou a mulher (às vezes, ambos) levem para o casamento filhos que são frutos de uma relação anterior. Espera-se que isso aconteça sem complicação: afinal, se descasamos e casamos por amor, por que o mesmo amor não reinaria pelo lar todo? Pois é, o amor é uma coisa complicada. Exemplos.
A rivalidade, que sempre existe entre irmãos, vinga entre enteados e meio-irmãos. E vinga redobrada, justamente por ser mais inconfessável do que a rivalidade entre irmãos -por ser silenciosa, reprimida pelo esforço geral de compor uma nova família ideal, em que todos os integrantes se amariam.
Na nova família, à primeira vista, o homem convive com seus enteados melhor do que a mulher. Não é nenhum milagre do "instinto" paterno: o homem encontra uma satisfação narcisista no exercício da paternidade. Ele, aliás, curte ser e se sentir amado por suas qualidades "paternas". Pare ele, saber ser pai de filhos e enteados faz parte de uma virilidade que ele quer que seja reconhecida e festejada pela mulher.
Mas cuidado: a encenação da paternidade, embora às vezes espalhafatosa, não resiste à pressão da culpa de dar para seus filhos de sangue menos do que para seus enteados.
Essa culpa, envergonhada e reprimida, é inevitável, porque há uma coisa que o homem, na grande maioria dos casos, dá mais aos enteados do que aos filhos: sua própria presença no lar.
A mulher, ao contrário, vive quase sempre uma rivalidade dramática com seus enteados: compete com eles como se ela fosse mais uma filha. Para a mulher, o enteado ou a enteada não usurpam o lugar dos filhos que ela trouxe de um casamento anterior, nem o lugar dos filhos que nasceram no novo casamento: eles ameaçam usurpar o próprio lugar dela. Essa rivalidade, escondida, expressa-se de maneiras travessas: por exemplo, numa crítica assídua das manifestações do afeto paterno do homem para com o filho ou a filha dele. Ou seja, para não admitir um ciúme envergonhado do enteado, a mulher censura o "excesso" dos sentimentos paternos do marido. Esse, criticado como pai, sente-se diminuído como homem. O desastre está às portas.
São apenas exemplos. O casamento "moderno" é um nó de afetos reprimidos, uma convivência explosiva que aposta no amor do casal como se fosse remédio para todos os males.
Não se trata de condenar a idéia de que seja possível refazer sua vida com outro ou outra e, nessa ocasião, levar consigo os filhos dos casamentos anteriores. Mas seria melhor que a gente se engajasse nesses projetos sem a ilusão de que os bons sentimentos prevalecerão por conta própria. Seria melhor, para começar, que nossas disposições menos nobres, em vez de silenciadas e reprimidas, fossem faladas, explicitadas. Isso, para evitar que, de vez em quando, a trágica morte de uma menina nos lembre, por um dia ou uma semana, que a vida das famílias "modernas" é muito mais difícil do que parece.

terça-feira, abril 08, 2008

Ando meio Woody Allen

Não bastasse a mania que tenho de verificar o tempo todo se as janelas foram fechadas em dias nublados, se o tostex, o forno e a trempe do fogão estão desligados, se não esqueci o ferro quente no chão a ponto de queimar o focinho do meu gato. Talvez não fossem suficientes as inúmeras vezes que girei a maçaneta para me certificar de que a porta foi realmente trancada. Na retrospectiva mental do elevador, no meio do caminho para o trabalho, os retornos para novas checagens em casa invariavelmente acontecem. Já cheguei ao cúmulo de solicitar com carro no jornal sob a suspeita de que meu apartamento estaria em chamas.

Por mais que a origem dessas pequenas neuroses seja um mistério para mim, há momentos que penso que isso tudo vem do meu medo de esquecer. Fico apegada a pequenez cotidiana, que mascara certos pavores de maior proporção. Não quero que as imagens da infância fiquem turvas ou que as seqüências de certos fatos importantes para mim percam a lógica. Então forço minha concentração como posso, seja num texto, na missão de solucionar a roupa amassada, no café que ferve freneticamente enquanto o leite esquenta e o pão fica torrado. Sinto o cheiro de queimado.

A técnica "infalível" que supervaloriza "uma coisa de cada vez", não se aplica a mim. Quando empregada, resulta no mais completo e absurdo lapso de memória. Ou seja, o tiro sai pela culatra. Pegar uma xícara sem que todo o "aparato" da primeira refeição matinal esteja a todo vapor rende segundos de contemplação ao infinito. "Por que estou olhando para a prateleira mesmo?", questiono.

Só escovo os dentes antes de dormir, passando cremes e tirando as lentes de contato simultaneamente. Nessa operação relâmpago, felizmente nunca apliquei o caríssimo anti-sinais na escova de dentes. Como toda pessoa convicta de que suas teorias obssessivas são inabaláveis, sábado fiz um test-drive inconsciente com o estado de calmaria. Antes do banho, busquei o aparelho de depilar no armário e acabei ligando o secador na perna.

A loucura venceu! E olha que tudo que descrevi enquadra-se numa categoria bem branda da minha personalidade.

domingo, abril 06, 2008

Surpresa!

A turma e...




...Eu!

Ok, eu acordei meio "drama queen" ontem. Depois das tarefas domésticas, teve jantarzinho super delicioso com o maridinho no Hermengarda e hoje uma festa sensacional no Aurora com menu personalizado preparado pelo Maurinho. Ganhei presentes incríveis dos meus amigos e da family...E que venham os próximos!

sábado, abril 05, 2008

Motor 3.1

Até bem poucos aniversários atrás, eu era empolgadíssima com a data. Quatro meses antes (janeiro) alardeava o dia 05 de abril. Não sei se foi a casa dos 30 que mudou meu jeito. Estou mais ranzinza, meu metabolismo é uma tartaruga e, como não consigo de todo cortar meus vícios, eliminei a cerveja para sempre da minha vida. Também fujo dos doces e frituras em dias úteis. Cazuza, ariano como eu, previa: "o meu tesão agora é risco de vida e meu sex and drugs não tem nenhum rock' and roll. Eu vou pagar a conta do analista para nunca mais ter que saber quem eu sou".

O que gastava com discos, agora gasto com produtos anti-idade. That's life, cantaria meu querido Frank Sinatra. Eu que não foi poeta, profeta, pirata e o que mais ele cita na letra, mandei vir um temporal nessa madrugada. Com o dia cinza, aproveitei a primeira hora para lavar roupas de mão e limpar a caixa sanitária do Tétinho...Quase como um dia qualquer. Mas eu sei que não é.


Bette Davies, que nasceu no dia 05, como eu. Teria minha musa os mesmos "sintomas"?