terça-feira, dezembro 30, 2008

Adeus ano velho...

Decidi não fazer nenhum tipo de restrospectiva de 2008. Nada de eleger melhor filme, livro, disco ou momento. Não vou olhar para trás, ainda mais num ano como este que chega ao final daqui pouco mais de um dia. Mas fico feliz em saber que amigos realizaram sonhos: viajaram, conseguiram um emprego melhor, compraram um apartamento, casaram, tiveram filhos. São realizações que realmente importam, sobretudo quando acontecem com quem a gente quer bem.

Estou com o Alê no Rio de Janeiro, na casa dos amigos Patrícia e Arthur. Viajar no Réveillon, depois de anos em casa não dando a mínima para essa passagem, pode ser bacana. Apenas por fugir da rotina. Aquela ansiedade que a mudança no calendário traz não faz parte do meu folclore pessoal desde criança.

Então, fico contemplando a vista para o Cristo, sentindo a brisa que vem do mar. Já tomamos chopes, comemos bolinhos de bacalhau (contrariando minha reeducação alimentar que foi para o saco desde o natal), passeamos na Visconde de Pirajá, fomos trapaceados por um carioca que nos entregou um O Globo de domingo no lugar do de segunda (e quando sentamos para ler, nos demos conta de que estávamos a quadras da banca em meio a um mormaço terrível), aderimos ao chinelo por tempo quase indeterminado...

De terça (hoje) em diante vamos fazer programas mais leves. O primeiro dia tem um afã turístico, uma certa insanidade. O Rio, para o bem e para o mal, deixa todo mundo meio insano. Tudo é muito bonito, desleixado, extraordinário, caótico, caro e democrático. De modo que é preciso entrar numas de "em Roma como os romanos".

Enfim, esse meu último post de 2008 está meio divagante, quase com sono, meio desajeitado (sem mouse para ajudar na digitação e eu sou meio dependente dele, confesso), com o estômago cheio, com um tiquinho de cólica (atrapalhando minha praia) e a consciência pesada (não corri, como planejava, e tenho comido muita bobagem, como relatei). Essa sou eu. Posso me esforçar para ser melhor em 2009, como venho fazendo desde 1977.

Feliz ano novo!

terça-feira, dezembro 23, 2008

Eu viveria como dondoca sem problema algum



Há pouco me dei conta que não morreria de tédio ou culpa se não tivesse que trabalhar ou vá lá, que minha jornada fosse radicalmente reduzida. Muita gente pode achar absurda tal afirmação. O fato é que defendo cada vez mais menos tempo no trampo, com maior remuneração: "por uma vida menos ordinária" simplesmente.

Não me sentiria bem trabalhando num esquemão de alguns funcionários públicos, longe disso. No meu mundo de malboro, desejaria que lixeiros, manicures, engenheiros, médicos, quase todo mundo trabalhasse umas quatro horas por dia no máximo e fosse muito bem pago. Seríamos mais felizes, estudaríamos com afinco, cuidaríamos melhor de nossos parentes, amigos e, boa parte das pessoas, de suas próprias vidas.

Um dia de recesso foi mais produtivo do que muitos no escritório. Atualizei playlists do ipod, li as notícias do dia, corri, almocei com o marido, fui ao supermercado, fiz acupuntura, entreguei lembrancinhas de natal, tomei um lanche (com direito a uma taça de malbec) com minha mãe e minha irmã, fiz as unhas e pude brincar com meu gatinho um tempão...Tudo isso com calma e prazer. A vida poderia ser mais assim e menos daquele jeito, o da segunda a sexta entre a manhã e a noite, com eventuais finais de semana e feriados.

O jeito é aproveitar o recesso. Mesmo que surja aquele bodinho básico quando janeiro chegar.

sábado, dezembro 20, 2008

"Um Pensamento"

Antes de começar, a letra do Walter Franco assaltou minhas idéias: "lembrar de esquecer, esquecer de lembrar". O dia de ontem se enquadra na categoria do verso. Banal dizer que o sol e a tempestade foram metáforas. Penso na gentileza, na delicadeza do presente recebido no final de expediente. Tão emocionantes como o cartão que chegou pelo correio de alguém com quem se conviveu no dia a dia de trabalho e deixou uma coisa boa por prazo indeterminado. Ainda teve o contentamento de quem preparou delícias que tinham como finalidade agradecer, desejar coisas boas para os outros.

Enquanto tomava um banho (que devia ser de sal grosso), tentei entender o desconforto e a mágoa. Foi quando me ocorreu que uma das pessoas mais incríveis e generosas que conheço, até ela, cultivou por alguém (outrora querido) uma mágoa que culminou num rompimento irremediável. Neste caso havia uma relação de extrema cumplicidade e, por um extremo e imperdoável desrespeito, tudo mudou. Reflito sobre isso porque venho refletindo sobre uma série de relações "fraternais", digamos.

No ano passado rompi com uma amiga de quem muito gostava, ou gosto, não sei. Foi um tremendo mal entendido, mas não teve volta. Recentemente venho avaliando com mais rigor o que eu julgava como laço de amizade. Talvez alguns estejam frouxos e não sejam passíveis de reatar. Entretanto não quero, não vou e nem preciso chegar ao ponto da indiferença. Se o amor entre duas pessoas se transforma, por que a amizade não se transformaria? Ela pode ser superior, como cantou Caetano, porém é de uma inocência sem fim imaginá-la eterna.

Dei uma volta para chegar no ponto: eu não quero ter um milhão de amigos, como o Roberto. Esse desejo parte de uma extrema insegurança. Eu prefiro ter um milhão de pessoas - que mesmo que eu mal conheça ou que nem freqüentem minha casa - que me respeitem. No fatídico dia que virou passado conclui que certos exercícios não levam anos, mas vidas desde que não sejamos céticos o suficiente para pensar nas possibilidades. "Somos acidentes prestes a acontecer", li no perfil de orkut de uma amiga. Nos embates, prefiro imaginar que há a tal lógica dos três lados. Ainda assim, não é divertido, agradável ou bom ficar extremamente chateado com alguém com quem você se importa minimamente. Eu fiquei. Porém um sentimento triste me invade e, ao mesmo tempo, me conforma: nada disso dura muito ou te perturba depois que você já teve uma cisão com um amigo de verdade.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Mais uma da série "just like me"

A Gaveta - por Antônio Prata
(publicado no Estadão)
O ano vai chegando ao fim e decido arrumar a gaveta. Há várias gavetas em minha casa, evidentemente, mas refiro-me a uma em especial, onde há um tempo eu guardo os documentos, recibos, comprovantes de carta registrada, esses papéis fugidios que, como toda pessoa desorganizada, temo precisar um dia e não encontrar: “a geladeira pegou fogo no dia que instalaram, mas pergunta se ele tinha recibo?”. “Fraudaram um cheque de treze reais e agora tá devendo cento e trinta mil ao banco. Tivesse guardado os canhotos...”. “Lembra do Antonio? A Receita apareceu com o exército, perguntando pela página dois da declaração de 1998. Não achou. Parece que tá lá em Guantánamo, aguardando julgamento”. Agora, quando surgem esses pensamentos, lembro-me que em meio à barafunda que é minha casa, ao caos cartorial e burocrático que é minha vida, há esse cercadinho de juízo e precaução, zelando por meu sono: a gaveta.
Acontece que com os anos os papéis foram se acumulando e a gaveta tornou-se, ela também, um inferninho. Quase não fecha de tão abarrotada, na última eleição levei meia hora para achar o título de eleitor e começo a temer que se os homens de preto interfonarem, não encontrarei a página dois da declaração de 1998 antes que subam as escadas e derrubem a porta. O ano termina e, num ato de fé e otimismo, digno do mês de dezembro, decido arrumá-la.
De início não encontro dificuldades: contratos aqui, recibos ali, essas pragas azuis e amarelas do redeshop vão pro lixo... Vou fazendo pilhas temáticas, imagino pastas coloridas e etiquetadas, em 2009 cada coisa terá seu lugar, tudo será facilmente localizável, a vida parece simples, penso até em começar uma natação.
Aos poucos, no entanto, surgem os problemas -- se os armários escondem esqueletos, caro leitor, as gavetas também guardam seus ossinhos: esse cartão postal, eu respondi? Tenho que mandar a cópia do PIS para o SESC. O IPVA... Céus, não paguei o IPVA. A pilha das pendências vai crescendo, crescendo, então desaba sobre mim. Pastas não darão conta do recado: não é a gaveta que precisa ser organizada, é a vida. Preciso ganhar mais dinheiro. Preciso acabar meu romance. Ver mais os amigos e pagar a conta de luz. Preciso estabelecer prioridades, metas. E cumpri-las, claro. Preciso de uma secretária. Não, não, de uma analista. Perder uns quilos não seria má idéia. E se eu fizesse abdominais? Preciso ler Proust. Do alto da pirâmide de papel, trinta e um anos me contemplam: afinal, Antonio, o que você quer da vida?
Desisto. Não adianta. A gente faz o que pode. É tarde. Sou isso aí, o conteúdo da gaveta e o que está fora dela. Paciência. Guardo tudo de volta. Dois mil e nove que venha. Semana que vem compro um baú. E fim de papo.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Amigo Oculto da Noir 2008

O tema foi erótico e a festa foi da pesada!


Rangel "introduzindo"...a festa


Flavinha dando aulas de pompoarismo


O fator Selton Mello


A cueca do "tradicional" Alisson



Decifrando o kit que ganhei do Rafa



Mamãe e Robinho "Eat Me"


O bolo fálico



Bom, essas são as que possuem conteúdo apropriado para um blog lido por menores. Espeschit, nossa jovem aprendiz é autora das fotos. As da festa e as "proibidas" estão em processo de importação da câmera para o computador. Em breve, notícias.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Na mão

Comprei meu primeiro ingresso para o Radiohead no Rio, em dólar, pelo site oficial. O James já sabia da venda super antecipada. Antes da meia-noite comprei ingresso para São Paulo, em real, de maneira inacreditavelmente rápida no ingresso.com. Olha, foi o primeiro show em que me senti respeitada. Nenhuma confusão ou congestionamento, como já cansei de ver (e perder shows por conta disso). Estou super feliz!

quinta-feira, dezembro 04, 2008

A expectativa



Não adianta o mundinho indie desprezível ficar especulando sobre adiamento dos shows do Radiohead no Brasil e tão pouco reclamar do valor do ingresso. Hoje eu só quero saber do mais rápido possível balanço das horas para eu comprar os meus!

terça-feira, dezembro 02, 2008

Da Preguiça



Aproveito o mormaço sufocante dos últimos dias para refletir sobre esse pecado capital, que é cada vez mais praticado por mim. A preguiça faz parte de um top 3 pessoal. No último lugar permanece a avareza, só para esclarecer.

Física e mental, a preguiça está comigo desde o momento em que abro os olhos, pela manhã. Não sou do tipo "bom dia flor do dia" e demoro a esboçar uma expressão simpática antes das nove. Então vem a preguiça de malhar, quase sempre driblada e às vezes adiada para a hora do almoço ou depois do expediente. Ao escolher a roupa, prefiro a que não exija de mim o esforço de ter que passá-la. Deixo de sair com o vestido que não uso há muito e adoro porque tenho preguiça monumental de usar o ferro.

No quesito "situações cotidianas", a lista é grande. Eu tenho preguiça de ir ao salão fazer unha e depilar. Vou arrastada pela minha vontade de não parecer a "Monga- Mulher Gorila" ou mesmo sugerir um aspecto descuidado. De cortar cabelo eu não tenho preguiça. De fazer compras no supermercado eu tenho, com marido mais ainda. Agora se for bolsa, sapato, acessório ou roupa, eu nem sei o que é preguiça. Porém não me apetece a idéia do provador.

Tenho sentido preguiça absurda de rotina, de fazer todo dia a mesma coisa e, para piorar, no final de semana pegar um DVD na Dumond, pedir um japa ou uma pizza e nem ver a luz do sol ou da lua durante os sábados e domingos. Tenho preguiça de trabalhar em dias chuvosos; de sair para almoçar e voltar com a barra da calça molhada. Tenho preguiça de reunião, de discutir relação (essa é nova na série) e de fazer relatório.

A cada dia surge uma nova preguiça e algumas pessoas, jurídicas principalmente, quase me fazem morrer dela. Não tenho nenhuma preguiça de animais, fora os peçonhentos que, óbvio, me causam pânico, algo muito diferente de preguiça. Não sei se a idade está me influenciando a mudar de opinião e passar a nutrir preguiça por pessoas e coisas que não tinha. Pode ser que eu esteja ficando mais ranzinza.

A lista de "personalidades" de que tenho preguiça contém clichês, como o mundo de malboro do jornalismo (não adianta, eu não cito nomes), as celebridades como um todo e nomes talvez menos óbvios. Gente que o mundo adora, acha talentoso e eu até concordo, mas...tenho preguiça.

Tenho preguiça do Rappa há algum tempo e do Selton Mello recentemente. Há, ainda, unanimidades que tomam conta de discussões de mesas de bar e me deixam no vácuo nas conversas como o Lost. Tenho preguiça de churrasco enquanto evento e de comida chinesa. Tenho preguiça de diversos lugares em Belo Horizonte onde estão as mesmas pessoas, acima de tudo, do "BH way of life". Confesso: tenho discos do Rappa, admirava bastante o Selton Mello, tentei acompanhar Lost, não sou vegetariana e já me entupi de rolinhos primavera na infância. Até foi assídua em certos lugares que hoje evito e o jeitinho belo-horizontino saltou de uma irritação subconsciente para a consciente.

A cereja do meu bolo de preguiça vem agora com o famoso "fazer o social". Amanhã tem mais e, para fazer a linha "killing me softly", durante quase todo o mês de dezembro, com seus amigos ocultos e festinhas regadas a cerveja quente e fritura fria. Ai que preguiça!