sábado, maio 27, 2006

Eu queria estar em Belo Horizonte. Na festa do Comida di Buteco. Com minha família, meu namorado e meus amigos. Só bebendo cerveja gelada, comendo tira-gostos maravilhosos e me divertindo. Sempre que penso assim, lembro do bom e velho "So What?". Ele me persegue? Eu necessito de tantas viagens, experiências e coisas que vem sendo adiadas. O fator "e daí?", antes parecia implacável. Agora, sem ser "Pollyanna", eu prefiro crer na sua temporariedade.

Trilha para suportar o final de semana com algum trabalho e nenhum dinheiro no bolso

Ooh, I bet you're wond'rin' how I knew
'bout your plans to make me blue
With some other guy you knew before
Between the two of us guys you know I love you more
It took me by surprise I must say
When I found out yesterday
Dontcha know that I

Heard it through the grapevine
Not much longer would you be mine
Oh I heard it through the grapevine
Oh I'm just about to lose my mind
Honey, honey yeah
(Heard it through the grapevine)
(Not much longer would you be my baby, ooh, ooh, ooh)

I know a man ain't supposed to cry
But these tears I can't hold inside
Losin' you would end my life you see
cause you mean that much to me
You could have told me yourself
That you love someone else
Instead I

Heard it through the grapevine
Not much longer would you be mine
Oh I heard it through the grapevine
And I'm just about to lose my mind
Honey, honey yeah
(Heard it through the grapevine)
(Not much longer would you be my baby, ooh, ooh, ooh, ooh, ooh)

People say believe half of what you see
Son, and none of what you hear
But I can't help bein' confused
If it's true please tell me dear
Do you plan to let me go
For the other guy you loved before?
Dontcha know I

Heard it through the grapevine
Not much longer would you be mine
Baby I heard it through the grapevine
Ooh I'm just about to lose my mind
Honey, honey yeah
(Heard it through the grapevine)
(Not much longer would you be my baby, yeah, yeah, yeah, yeah)

Honey, honey, I know
That you're lettin' me go
Said I heard it through the grapevine
Heard it through the grapevine

terça-feira, maio 23, 2006



Uma estética Dogville

Por algum tempo, meu novo apartamento se parecerá com o cenário de Dogville. Estarão "desenhados" na minha imaginação sofá, mesa, cadeira, estante...Todos eles remeterão aos anos 40 e 50. Tudo porque eu simplesmente adoro cadeiras-palito, penteadeiras, cristaleiras e rádios antigos. Não sou nenhum pouco High Tech. Não faço a menor questão de ter home theatre potente ou coisa do gênero. Sou mais a sala escura do cinema do que o conforto de uma poltrona reclinável e um controle remoto que, se perigar, busca cerveja na geladeira. Minha noção de "futurismo" remete aos Jetsons (preferencialmente com carros que voam, sem eu que precisasse fazer auto-escola. Iria tudo no "piloto automático"). No entanto, minha vida não é cinema, nem desenho animado. Penso no absurdo que estão me custando pequenos utensílios indispensáveis, o dia de uma faxineira, as taxas de juros que eu me recuso a pagar num eletrodoméstico financiado e tudo que me força a trabalhar mais para pagar. Aliás, tem dias que eu queria uma máquina do tempo que me levasse até o passado. E eu ficaria lá numa boa fazendo meu bolinho de cenoura com cobertura de chocolate ou tricotando um cachecol, enquanto ouvia Frank Sinatra no toca-discos. Sem essa de conviver com o estereótipo da mulher independente que "trabalha, cuida do corpo, 'administra' a casa e ainda faz sexo selvagem". Desculpem, leitores do blog, mas isso só existe nas páginas da Cláudia ou da Nova. Quando a gente tenta fazer tudo de uma vez, a bateria descarrega em tempo recorde.

terça-feira, maio 16, 2006



Polícia para quem precisa?

Ontem foi um dia péssimo, por vários motivos, incluindo o domínio do PCC aqui em São Paulo. Fiquei com medo de sair sozinha do jornal. Não havia táxi no Limão e muitos boatos assustadores circularam durante toda a tarde. Quando, enfim, consegui cruzar a cidade, grudei os olhos na TV e me estarreci com a cara de pau do Governador. É um absurdo recusar a ajuda do Presidente sob o pretexto da politicagem. Esses boçais governam para quem? Onde está a importância do cidadão comum que rala em empregos vampirescos para pagar as contas honestamente todos os meses? Ele tem que ficar à mercê do pânico generalizado. Pior é que para boa parte da polícia, manter organizações como PCC e Comando Vermelho no poder é mais do que conveniente: é lucrativo. Não quero a minha casa. Quero outra pátria.

sexta-feira, maio 12, 2006

O poder do 'não'
De Rosana Hermann.


É difícil dizer não. Em geral, o único não que sai fácil é o ‘não fui eu’, na hora do aperto, a resposta rápida do instinto de sobrevivência á culpa e a punição. Os outros, como não quero, não sou, não posso, não tenho, não sei, são todos complicados.

Dizer não para quem pede um favor, para um parceiro, amigo, parente, sempre deixa um travo amargo. Quem pede sabe, racionalmente, que o outro pode e tem o direito de negar ajuda, mas se pede é porque venceu sua vergonha, esforçou-se e porque tem esperança de ouvir um sim. E aí, quando você frustra o pedinte, perde um ponto no caderninho do céu.

Também é difícil admitir tudo o que não se é, não se tem não se pode. Claro que sem isso ninguém melhora. É só a partir da conscientização de nossos erros e limitações é que podemos crescer. Mas às vezes uma vida não é tempo suficiente para aceitar todas as qualidades que não temos, especialmente aquelas que adoraríamos ter.

“Não sei” também é recordista de dificuldade, junto com o não conheço, não fui, não vi, não li. É muito mais comum mentir que viu o filme, que leu o livro e foi no tal lugar do que revelar ignorância. Somos todos muito orgulhosos e detestamos ser flagrados em nossa falta de conhecimento e cultura. É assim. Ou não?

O não mais difícil, porém, é outro, é o não da determinação, o não que vence a compulsão. É o não que impede que a mão esprema a espinha, arranque a casquinha, futuque a ferida. É o não que mantém o cartão de crédito dentro da carteira, o que impede que você repita o segundo prato no rodízio. É o não do bom senso, que faz com que você conquiste atos heróicos que vão desde o simples não obrigado, para um panfleto inútil até não às drogas químicas que matam.

Para viver uma vida feliz, inteira, verdadeira, é preciso ter coragem de dizer não. Sem magoar, sem ofender, sem ser cruel. Se você não gostar do texto, por exemplo, não é preciso xingar toda a linhagem do autor. Diga apenas ‘não gostei’. É um exercício simples que fortalece o caráter, dá firmeza às opiniões e valoriza o sim.

Ou não.

domingo, maio 07, 2006

Depois de 15 dias de trabalho direto, vim para Belo Horizonte. E já estou indo embora. Ando como louca nos últimos dias, porém agora tenho um roomate. Novo endereço nas próximas semanas, inclusive para receber família e amigos. No fim, a maratona de serviço até que compensou. Recebi elogios pela matéria de emocore na Galeria do Rock até na coluna do Lúcio Ribeiro, no Uol.

"Reportagem ótima no paulistano "JT" desta semana, assinada por Ludmila Azevedo. Era a respeito do preconceito que o povo emocore sofre nas Galerias do Rock, o coração roqueiro de São Paulo. O negócio é sério. Do síndico do lugar à lojistas, ninguém suporta integrantes da tribo que curte "som levemente pesado e adoçado com letras românticas". Geralmente teens sem trabalho e por consequência sem grana, eles são malvistos no local porque não compram discos e "ficam se beijando na porta das lojas", disse uma comerciante. "Proibido estacionar emos e emas", chegou a aparecer escrito em cartaz fixado numa vitrine de loja de discos da galeria. Sociologia rock profunda"

Porém, quero falar mais disso aqui...

As árvores da rua Carangola

Eu nasci no bairro Santo Antônio. Desde criança, a vaquinha da rua Leopoldina me encantava e, por anos a fio, enumerei suas vantagens como boa localização (ao lado da Savassi), vizinhança tranqüila (velhinhos), bares históricos (quem não teve a oportunidade de ir ao Lulu, perdeu a melhor coxinha de frango com catupiry do mundo, além da malucada que se reunia por lá). Agora vejo-me longe das ladeiras, dos rostos familiares e do meu quarto...Talvez por isso, o Santo Antônio tenha virado o meu lugar favorito e dele eu não queira sair quando venho, uma vez por mês, na minha cidade. Ontem, reparei nos contornos das árvores da Carangola, enquanto subia a rua com mamãe em direção à minha antiga academia de ginástica. Na volta, visitei aquele que será o lar dos sonhos, da conquista da pessoa que mais admiro nessa vida e que me receberá de volta sem julgamentos ou críticas, assim que eu quiser voltar. Lamento não ter podido encontrar os amigos. Com a mudança no esquema de plantões, da próxima vai ser mais fácil.

segunda-feira, maio 01, 2006

Depois de trabalhar três feriados seguidos, devo dizer que, apesar de gostar do que faço, estou a defender com fervor o ócio criativo. Meu blog anda sem graça e eu praticamente parei de escrever (aquilo que não publico virtualmente). Isso me chateia bastante porque não tenho a intenção de ser "jornalismo 24 horas" nessa vida. Queria voltar a pintar e fazer minhas colagens, como se não houvesse uma tonelada de pendências me esperando no serviço.