terça-feira, maio 23, 2006



Uma estética Dogville

Por algum tempo, meu novo apartamento se parecerá com o cenário de Dogville. Estarão "desenhados" na minha imaginação sofá, mesa, cadeira, estante...Todos eles remeterão aos anos 40 e 50. Tudo porque eu simplesmente adoro cadeiras-palito, penteadeiras, cristaleiras e rádios antigos. Não sou nenhum pouco High Tech. Não faço a menor questão de ter home theatre potente ou coisa do gênero. Sou mais a sala escura do cinema do que o conforto de uma poltrona reclinável e um controle remoto que, se perigar, busca cerveja na geladeira. Minha noção de "futurismo" remete aos Jetsons (preferencialmente com carros que voam, sem eu que precisasse fazer auto-escola. Iria tudo no "piloto automático"). No entanto, minha vida não é cinema, nem desenho animado. Penso no absurdo que estão me custando pequenos utensílios indispensáveis, o dia de uma faxineira, as taxas de juros que eu me recuso a pagar num eletrodoméstico financiado e tudo que me força a trabalhar mais para pagar. Aliás, tem dias que eu queria uma máquina do tempo que me levasse até o passado. E eu ficaria lá numa boa fazendo meu bolinho de cenoura com cobertura de chocolate ou tricotando um cachecol, enquanto ouvia Frank Sinatra no toca-discos. Sem essa de conviver com o estereótipo da mulher independente que "trabalha, cuida do corpo, 'administra' a casa e ainda faz sexo selvagem". Desculpem, leitores do blog, mas isso só existe nas páginas da Cláudia ou da Nova. Quando a gente tenta fazer tudo de uma vez, a bateria descarrega em tempo recorde.

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