sexta-feira, novembro 28, 2008

Quiroga para Áries - Hoje

Grande parte das discussões, brigas e desavenças perderá todo o sentido por causa de outro tipo de acontecimento que se tornará mais importante do que todo o resto. Mais vale elevar a mira e começar a se guiar por outra estrela.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Isso são horas?

Lembrou-se da figura clássica do marido insatisfeito, que sai do serviço e vai direto para o bar. Nem sempre sai acompanhado, embora possa encontrar algum conhecido. Não necessariamente quer sentar-se à mesa para bater um papo. Deseja, na maioria das vezes, algo bem forte, um trago, que o faça esquecer, naquele breve momento, da rotina sem graça, das reclamações da mulher, das contas, dos filhos adolescentes malcriados, da calvície, da falta de iniciativa, de grandes idéias que tivera quando jovem.

Ele olha fixamente para o vidro engordurado que emoldura o balcão e tenta escolher entre o torresmo e o bolinho de mandioca. Ambos estão passados, porém a triste figura decide mastigar algo com muito molho de pimenta. Assim, talvez, não deva sentir o gosto amargo na boca que lhe parece bem menos agradável. Pede outra dose, olha para o relógio e planeja não chegar em casa durante a novela. Se a mulher ficar suspirando pelo Tarcísio Meira, melhor para os dois: não há conflito e, mais importante, não há conversa. Sabe que deve passar na padaria e, como de praxe, vai se esquecer de levar o pão doce do café da manhã do dia seguinte. Será observado com reprovação, ainda mais com aquele hálito quente e forte.

Lembrou-se de que não tem nada a ver com a vida medíocre daquele homem cuja falta de brilho nos olhos desconcerta qualquer pessoa. Entretanto, ao contemplá-lo em sua memória, pôde se não compreendê-lo, não julgá-lo de forma tão cruel. Concluiu que "em caso de emergência, suas portas encontrariam-se destravadas e as saídas desobstruídas". Contudo ante ao inconclusivo diagnóstico, o terapeuta protelaria a sua "alta" e recriminaria (profissionalmente) suas eventuais fugas desastradas e mal planejadas. O homem, assim, virou um fantasma.

(De vez em quando aparece para tomar de assalto os pensamentos).

Notícias que realmente importam

A vida do Radiohead ao Brasil. Os ingressos começam a ser vendidos dia 05 de dezembro e eu irei aos dois shows.

domingo, novembro 23, 2008

Rever amigos...

Ontem tomei um dos melhores chopes na minha vida. Não era artesanal, nem sei de qual marca era na verdade. Tomei o melhor chope da minha vida porque estava na companhia de amigos queridos, que eu gostaria de encontrar com mais assiduidade. Eu, Alex, Mari e Marcelo fomos ao Genial, na Vila Madalena, dar boas risadas. Dei um tempinho na dieta e comi deliciosos bolinhos de camarão. Suspeito até que a felicidade emagreça, pois dormi bem, sonhei coisas boas, dentre elas que eu já estava com o ingresso do Radiohead na mão. Hoje, minha dose de alegria se completou com o almoço no "clube milhofa" com meu "irmão" Luiz, minha amiga Telma e Nina, o bebê mais lindo do mundo. Depois da chuva, subi a Augusta silenciomente, como fiz muitas vezes. Sentei no Café do Ponto e tomei dois expressos aromatizados. Li revistas sem pressa, como em outras circunstâncias aqui em São Paulo. Pensei que a vida poderia ser melhor e tentei bolar simples planos daqui por diante.

sábado, novembro 22, 2008

Vôo Cancelado

Aqui estou eu mais uma vez presa em Confins. Como nos tempos do apagão, na minha época de ponte aérea Belo Horizonte-São Paulo. Resolvi adiantar em um dia uma viagem de trabalho, para ter tempo de rever amigos de quem sinto muita falta. Acho que sempre irei alimentar esse vazio porque talvez voltar não tenha sido uma boa idéia.Venho admitindo isso mais conscientemente. Passei a enxergar a nova vida velha de um modo não tão otimista. Pouco tempo me sobra para fazer aquilo que me dá prazer e as limitações culturais e profissionais do lugar onde nasci ainda pesam.

Como naquela propoganda da havaianas, a gente só pode criticar o que conhece. Eu me sinto nessa propriedade: sei que para muitos, sou vista como dura ou incisiva nas minhas opiniões. Não é só a cidade, mas muitas pessoas que moram nela. Há uma falsa simpatia no ar, uma hipocrisia que se traveste de "valores". Posso ter perdido a inocência, porém não atribuo essa "culpa" a outra pessoa que não eu mesma.

Fiz uma separação radical de quem são aqueles de quem gosto, tenho carinho e quero que sejam meus amigos. Considerando esse corte, a maioria arrebatadora do meu convívio passa a receber de mim da cordialidade de ocasião à indiferença. Neste último caso, referindo-me aos de temperamento sórdido. Eu não sou santa e confesso que até tento ter raiva. Ela dura no máximo um dia. Opto agora pelo "bom dia, boa noite e boa sorte", desejando do fundo da minha alma que a criatura tenha uma vida tranquila bem longe de mim.

Ainda falta um bocado para eu embarcar. Levo na mala alguns presentes e a convicção que, mesmo a trabalho, conseguirei ter momentos bacanas nesses dias cinzas, simplesmente por rever quem eu quero. Como falei, estou cansada da falsidade: preciso de gente verdadeira, que me admire sem reservas, sem falar mal de mim pelas costas (como eu sei, vem acontecendo por aqui, sobretudo com quem se posiciona como "amigo" meu e não é). Não preciso dessa merda e sei nitidamente com quem de fato posso contar, com quem, ainda que me decepcione, saiba reconhecer a mancada. Eu também decepciono. Todos os dias, principalmente a mim mesma.

terça-feira, novembro 18, 2008

Do check-up

Resolvi fazer meus exames de praxe entre outubro e novembro. Os resultados começam a sair e entre taxas, números e siglas, preciso de explicação médica que, às vezes, encontro somente no google. Minha nova endocrinologista ligou dizendo que meu colesterol HDL estava muito baixo. Como ela sabe que eu não fumo e faço exercícios, disse que eu devia monitorar, pois imaginava ser um problema genético. De resto, tudo ok. Fiquei encucada com essa necessidade de acompanhamento, já que até então cumpria essa rotina com ginecologista, oftalmologista, dentista e angiologista (desses dois, confesso, tenho andado milhas e milhas distantes).

Vasculhando no Drauzio Varella (sim, sou super hipocondríaca), achei "HDL baixo isoladamente é fator de risco. Em trabalho recente realizado, analisamos a relação triglicérides e HDL, uma vez que triglicérides isolado também é fator de risco. O estudo mostrou que, quando essa relação está aumentada, ou seja, triglicérides aumentados ou HDL baixo, não só a detecção da doença coronária é 5 ou 6 anos mais precoce do que nas pessoas em que essa relação é normal, como a ocorrência de infarto também é muito mais precoce.

Essas conclusões nada têm a ver com LDL. Estamos lidando agora com HDL e insistindo que em níveis baixos ele é um fator de risco importante. Estamos demonstrando, ainda, que é possível corrigir o HDL baixo de três maneiras: não fumando, fazendo exercício físico e tomando um remédio, a niacina, que aumenta os níveis de HDL e corrige a disfunção endotelial".

A disfunção é a menor capacidade de dilatação dos vasos (?), como refere-se o artigo. Ok, vou ter que (con) viver com isso, mesmo não sabendo direito o que é...

Enquanto ninguém me preescreve niacina, sou reconhecida pela tarja preta no lugar em que almoço. Explico: por indicação da Lili, dei uma entrevista sobre antidepressivo no Estado de Minas e fiquei com a sensação de ser mais observada desde domingo, quando a matéria foi publicada. A Roseli, minha diarista, elogiou a foto. No elevador, um vizinho, que é professor universitário, gostou da minha postura e hoje no almoço, uma moça me abordou numa ode às tarjas preta e vermelha. Dá-lhe fluoxetina. Ainda que eu não tome mais por causa da acupuntura, me fez bem por um tempo.

Espero as férias como uma criança espera o natal. Meu próximo check-up será na cabeça.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Três em um

Vou colocar três posts de uma só vez...

Primeiro, a dica

Não costumo advogar em causa de meus clientes por aqui, com algumas exceções. Não há uma razão específica para isso e, talvez, eu deva dar dicas interessantes no blog, a partir do que divulgo...Enfim, quero convidar a todos os leitores para prestigiar o trabalho do Alexandre Vogler, na Galeria Carminha Macedo (Rua Bernardo Guimarães, 1.200, Funcionários). A vernissage ontem dividiu opiniões. Em "Base Para Unhas Fracas" o artista carioca provoca sim, mas a discussão.

De acordo com o próprio, "a adequação do mobiliário urbano às regras do capital é um exemplo da transformação da paisagem das cidades em grandes corredores de publicidade estática. As imagens veiculam aquilo que o espectador-pedestre quer vê. Campanhas publicitárias são precedidas por pesquisas de opinião que estabelecem a conformação dos elementos simbólicos contidos nas imagens.

Isso produz a sensação de prazer e deleite aos consumidores em potencial, capturados pela força de composições sofisticadas e bem produzidas. O julgamento estético recobre o julgamento ético nesse grande campo simbólico que se transformou a paisagem imagética das cidades.

Dessa forma, recorro a uma imagem ordinária que, veiculada junto a um vidro de esmalte de unha, reproduz uma campanha publicitária de um cosmético.
A escolha deste segmento deve-se a fetichização da imagem da mulher em campanhas dessa (e outras) natureza como apelo de consumo. Assim, imprimo as mãos de uma mulher casada, com unhas pintadas de vermelho, sobre imagem manipulada que faz alusão ao órgão sexual feminino".

Vogler espalhou lambe-lambes em BH com imagens de seu "anúncio". Claro que hoje pela manhã jornalistas mais ligados à cadernos/editorias de Cidades do que Cultura me ligaram frenéticos para pautar a "polêmica". Isso sem ter o release à mão, sem saber do que se trata. Somente pelo barulho.

A questão não é entender/ gostar (de) arte contemporânea. Se mais pessoas além do "cercadinho da cultura/arte"(não necessariamente tão entendedores como se fazem parecer) em redações se interessam, missão quase cumprida. Quase porque a reflexão não necessariamente está em pauta. E olha que dessa vez, eu não acho que seja algo típico somente de um lugar "fora do eixo" como Belo Horizonte.




Segundo, do Comunique-se


Senado vai punir jornalista que respondeu email com um palavrão

Sérgio Matsuura, do Rio de Janeiro

A TV Senado vai abrir inquérito para apurar denúncia de mau comportamento no uso do email pelo jornalista João Carlos Fontoura. Na quinta-feira, ele teria respondido a uma proposta de pauta do assessor da secretaria de Emprego e Relações de Trabalho de São Paulo Vinícius Prado de Moraes com um email dizendo “F...!”.

O diretor de comunicação do Senado, Helival Rios, informa que o episódio é “muito inusitado” e causou imenso mal-estar na Casa. Segundo Rios, o presidente do Senado, Garibaldi Alves, exigiu explicações sobre o caso.

“O jornalista não é um João ninguém. Ele representa o Senado Federal. Será aberto inquérito e ele será punido. Nós solicitamos que o destinatário do email formalize a queixa”, afirma Rios.

O assessor da secretaria paulista se disse surpreso com a resposta que recebeu e explica que a sugestão de pauta, sobre a participação do secretário Guilherme Afif em uma audiência pública, foi enviada para jornalistas de vários veículos.

“Quando chequei a minha caixa, vi uma resposta: “F...!”. Eu respondi ao email agradecendo a confirmação de recebimento do aviso de pauta”, conta Moraes.

Na tarde desta sexta-feira, Moraes recebeu um email de desculpa enviado por Fontoura. Nele, o repórter da TV Senado diz ter confundido a mensagem com um SPAM.

“Acredite, não foi minha intenção atingi-lo pessoalmente ou profissionalmente. Menos ainda ao senhor secretário Afif Domingos. Não foi, certamente, uma atitude compatível com a de um servidor público com 24 anos de serviços prestados ao Senado Federal. Creio que estava num mau dia”, escreveu Fontoura no email de retratação.


Isso é apenas mais uma prova de que jornalistas de redação e de assessoria estão de lados opostos. Eu fiquei mais tempo do lado de lá e tive contato com alguns (poucos mesmo) assessores malas. A maioria sempre foi gentil. Mas hoje percebo que é muito mais uma questão de respirar fundo.

Terceiro, do Antônio Prata


Blowing in the wind
Meu pai nunca entendeu que eu e minha irmã não tínhamos a mesma idade que ele. Isso não se restringia a nós nem mudou com o tempo: até hoje ele conversa com uma criança de três anos de igual para igual, o que faz com que elas o adorem, como se o tom as promovesse a outro patamar. Quando você é filho, no entanto, a coisa é um pouco mais complicada.
Era domingo e não sei por que cargas d’água meu pai resolveu nos levar ao Pico do Jaraguá. Não era o tipo de programa que fazíamos nos fins de semana -- um sim, um não -- que passávamos com ele. Íamos a restaurantes, bares, às casas de amigos dele, ao cinema ou ao teatro. Aquele, contudo, era um domingo atípico, tanto é que a Julia, minha meia irmã (filha do meu padrasto), também estava conosco.
Lembro-me de estar deitado no banco de trás da Brasília, com as pernas esticadas por cima do encosto e a cabeça pendendo entre os bancos da frente, próxima à base do freio de mão. Hoje em dia, se a polícia pára um carro e flagra uma criança nessa posição, o motorista deve perder a carta, talvez até guarda dos filhos, mas estávamos em 1984 e o mundo era outro, não se usava cinto de segurança nem protetor solar, as pessoas não andavam por aí com garrafinhas d’água, como se fosse o elixir da vida eterna, fazíamos cinzeiros de argila para os pais nas aulas de artes e o colesterol era apenas uma vaga ameaça de gente paranóica, como a CIA ou a KGB, dependendo da sua visão de mundo; de modo que eu seguia feliz, estrada acima, vendo as árvores passarem de cabeça para baixo, lá fora.
Foi a Maria, minha irmã mais nova, sentada próxima a janela da esquerda, quem deu o alarme: “Ó lá ela chupando o pinto dele!!!”. A Julia pisou na minha barriga, passou por cima de mim e também grudou a cara na janela, eu levantei correndo mas só cheguei a tempo de ver uns vultos dentro da Variante bege parada no acostamento. A Maria jurava ter visto direitinho: o cara pelado, uma mulher chupando-lhe o pinto. Nós três começamos a pular e gritar no banco de trás, como chipanzés amotinados. “Chupando o pinto!”, “Hahahaha!”, “Chupando o pinto dele!”, repetíamos, sem acreditar que havíamos passado tão próximos daquele evento inencaixável na ordem geral das coisas. A gritaria estancou de imediato quando meu pai, com a naturalidade de quem discute a situação com senhores de cinqüenta anos, perguntou: “o que é que tem?”.
Até aquele segundo, em minha vida, chupar pinto não tinha nenhuma relação com a sexualidade humana, o prazer, o afeto. A frase “chupa meu pinto!” pertencia ao terreno das ofensas, ao jargão do futebol, como “prensada é da defesa”, “gol só dentro da área”, e “vou te encher de porrada” – essa sim uma ameaça que poderia ser cumprida. Chupar o pinto era metafórico, como “cospe e sai nadando” ou “vai ver se eu estou na esquina” e jamais tinha passado por nossas cabeças (eu devia ter uns nove, a Julia oito e a Maria, sete) que alguém de fato fizesse aquilo -- e por que faria?!
“Não sei do que vocês tão rindo tanto”, continuou meu pai, sério. Eu só consegui gritar o óbvio, de pé no assento de trás, metendo o corpo entre os bancos da frente: “pai! Ela tava chupando o pinto dele!”. Meu pai abanou a cabeça. “Antonio, chupar pinto é uma coisa muito normal. E saudável. Todo casal faz isso” – ele disse, e acreditem: era só o começo. O pior, o que subverteu todo o arcabouço conceitual construído até meus nove anos, o que provavelmente faria com que fogos de artifícios fossem vistos nos dois hemisférios do meu cérebro, caso estivesse num desses aparelhos de ressonância magnética, o que, dada a intensidade, provavelmente fixou toda a história em minha cabeça, desde a posição em que me encontrava no banco da Brasília até a cor do céu, quando chegamos ao mirante, lá no alto, viria a seguir: “Normal, sim. A Juliana chupa meu pinto. A sua mãe chupa o pinto do marido dela. Sua avó chupa o pinto do seu avô. A tia Lurdes chupa o pinto do Augusto, a professora Carla chupa o pinto do Josué, ah!, os homens que namoram homens então, como o Pedrinho e o Ivan, chupam muito o pinto um do outro. Todo mundo que namora faz isso. E é muito gostoso. Não tem porque rir.”
Chegamos ao Pico do Jaraguá, descemos do carro e vimos o pôr do sol. Eu olhava a cidade lá longe e só conseguia pensar que por trás de cada janela, dentro de cada carro, debaixo de cada teto, atrás de cada porta havia pessoas que chupavam ou eram chupadas, meus pés pisavam sob um planeta onde dois bilhões e meio de seres humanos colocavam os pintos dos ouros dois bilhões e meio na boca. Talvez fosse o vento, ou a memória tenha inserido o áudio mais tarde sobre a imagem, mas o som que eu ainda ouço, lá no alto, é equivalente ao de um canudo do tamanho de um prédio puxando o último gole de um copo gigante de milk-shake: sssrrrrrrrlllllllllllluuuuuuuuurrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrp!
Na volta, ninguém falava nada. Entramos em casa correndo, com os olhos arregalados. Não tão arregalados quanto ficaram os de minha mãe, meu padrasto e mais uns dois casais de amigos, que tomavam vinho e comiam alguma coisa, quando desandamos a falar: “Mãe! Mãe! É verdade que você chupa o pinto dele?!”. “A vovó chupa o pinto do vovô?!”, “A minha avó também, pai?! A minha avó também chupa pinto?!!”, “Todo mundo?! Todo mundo chupa pinto?!”. “Mãe, mãe, quando eu crescer eu também vou ter que chupar pinto?!”. “Com que idade?! Com que idade começa a chupar pinto, pai?!”.
A última cena de que me lembro nesse dia é vista do alto da escada, de onde eu estava bisbilhotando, já de pijama. Havia taças vazias e pratos sujos na mesa, os casais tinham ido embora. “Mas será que você não entende? Eles são crianças!”, dizia minha mãe ao meu pai, pelo telefone, aparentando mais cansaço do que raiva na voz. Não lembro com que sonhei naquela noite.


Genial, como sempre. Morri de rir dessa crônica que me lembrou um pouco minha infância. Meus pais faziam a linha do Mário Prata e, não raramente, eu deixava as pessoas coradas.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Delay






Equipe Noir fazendo a linha comportada e com Warley, nosso simpático motorista (fotos: Fabiano "Carrarinha" Aguiar)



Era para esse post estar aqui desde segunda, mas quem disse que deu tempo? Como ainda tenho memória, vou passar impressões (datadas, eu sei) e fatos do final de semana assim mesmo. Afinal, o blog é meu e eu faço dele o que eu quiser (um clássico dos arianos usar essa frase). Até postar notícia velha e indigna de comentário. Vamos lá:

- Mega Space: Nunca havia ido àquele lugar. Fora o calor insuportável, achei uma alternativa boa para festivais. O povo de Pequenópolis fica chiando que é longe, é longe, mas fora o Sesc Pompéia nunca vi show nenhum perto da minha casa em São Paulo. E por essas bandas, tudo é melhor que Chevrolet Hall (a acústica de lá é um lixo e pronto).

- Shows: Por uma série de razões, não vejo a maioria esmagadora. Os internacionais foram mais fáceis. Maroon 5, apesar de não me apetecer, fez uma ótima apresentação e levantou a galera. Offspring foi uma decepção. Também com o Dexter gordo e sem fôlego, só restava um "thank you", depois do cumprimento da tarefa.

- De tirar o fôlego: Eu nunca achei o Maroon 5 nada de mais. Em todos os quesitos, mas aquele Adam Levine é muito lindo. Lindo, mesmo não fazendo o meu tipo. Lindo de desconcertar (fiquei sabendo que deu sopa na Obra depois. Fato que posso lamentar à vontade, já que meu marido não lê esse blog). Nos clipes e fotos ele não passa essa impressão.

- Troféu artista fofo: NX Zero. Foram pontuais e extremamente gentis com todos. A Noir virou fã, posso assegurar.

- Troféu artista mala: Big Cry, pelo enésimo ano consecutivo. "Disseram por aí que a gente não tocaria no Pop Rock Brasil", gritou pro público. Se eu tivesse um microfone na mesma potência, retrucaria: "Eu disse. E pena que você e sua banda chinfrim vieram".

- Mico: Eu sei que tenho que fazer a linha discreta, mas chegou ao meu ouvido que na coletiva do Strike uma pessoa com a credencial de imprensa perguntou se agora que a banda está mais famosa em relação ao ano passado (?), ela está beijando mais fãs na boca (??????????). Fernandinha não se conteve e falou para a fofa reservadamente que isso é constrangedor. Bons tempos quando as pessoas saíam pautadas ou informadas da redação. Depois dizem que eu implico à toa com os meus "colegas".

No mais, as groupies continuam a cercar camarins, os artistas iniciantes continuam atrás de jornalistas e artistas famosos com seus demos, algumas panças não páram de crescer (e deveriam parar, afinal Dinho Ouro Preto do alto de seus enta, continua sequinho), vários bicos insistem em dar carteirada (acho isso o fim da picada porque a figura necessariamente perde a linha vem com aquele "você sabe com quem está falando?". E claro que eu não dou a outra face) e mesmo dizendo que não no calor (e que calor) da hora, a gente se diverte no final.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Pára Tudo!!!!!!!!

Como assim, minha banda favorita virá ao Brasil??? Vou dar um jeito de comprar ingressos pro Chile porque aqui é uma presepada!!!

quinta-feira, novembro 06, 2008

Even Flow



Tenho ouvido mais músicas da minha adolescência do que nunca. Saudade dos tempos que eu achava que homem perfeito era o Eddie Vedder, que meus grandes problemas giravam em torno da minha eterna incompreensão dos conceitos da física e da química e que meus cassetes de rock salvavam um dia chato. No mais (e nada a ver com esse post), fiquei emocionada com a vitória do Obama.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Dica cultural para hoje



Martha lança hoje, às 19h, na livraria Quixote, em Belo Horizonte. Mais do que recomendo porque antes de ter o privilégio da companhia dela para almoçar e falar sobre mil assuntos, eu já admirava muito suas bem traçadas linhas.

domingo, novembro 02, 2008

Vendo o domingo passar

Hoje teve almoço em família. Franguinho "suado", receita da vovó Celinha, que mamãe faz com perfeição. De acompanhamento, farofa de couve. Amo couve. Eu já disse que quando eu tinha uns 2-3 anos, fugi do berço na madrugada para atacar a couve do jantar na geladeira? Meus pais preocupados com meu "sumiço" e eu lá, sentada no chão da cozinha comendo feliz a verdura.

Domingo tem um bode clássico, a programação ruim da TV (com futebol e fórmula 1, que eu detesto), o estresse pré-segunda, mas há em mim um quê de nostalgia: era o dia que eu almoçava com meus avós preferidos (não adianta dizer que isso não existe), que os jornais vinham maiores, se espalhavam pela casa e ninguém tinha que arrumar a própria cama.

Eu ainda mantenho certos rituais, como comer ovos mexidos no café da manhã (coisa que não se faz em dia de semana), tomar mais coca-cola do que me permito normalmente, esquecer que inventaram despertador e dormir até umas 11 horas. Até o ano passado cultivei alguns hábitos diferentes, como visitar a Liberdade, o Bixiga, assistir a umas duas ou três sessões de cinema seguidas. Eu fazia isso com amigos, quando recebia visitas familiares e, sobretudo, sozinha.

Em São Paulo percebi que gosto de apreciar a minha companhia num dia de domingo...Como gosto agora, com o Alê e o Téti dormindo.