sexta-feira, fevereiro 26, 2016

Sobre boiar

Ela me ensinou a não me afogar, antes de eu aprender a nadar. Estava pensando na simbologia disto, neste sobreviver, mesmo não dominando as modalidades. Afinal, eu poderia chegar à superfície como qualquer campeão.
"Mãe, me segura até eu boiar?"
Ela segurava e, possivelmente, afirmava que eu tinha ficado muito mais tempo por minha conta do que eu realmente ficava. Talvez seja isso o tal de nos preparar para o mundo.
Alguns irão nadar de braçada, outros serão trapaceiros.
Mas foi ela que me disse sem palavras que eu não me afogaria.
Tem dias que nos falamos incontáveis vezes.
Hoje eu liguei, fiquei engasgada.
Ela ligou de volta. Foi como se entrasse na piscina e abrisse os braços para eu me deitar.
Respirei.
Não há palavra que a defina mais do que coragem.
Reinvetar-se aos 60. Não tem holofote nisso, nem reportagem da Marie Claire para inspirar leitoras.
Então achei um fragmento de uma obra, "Os Infinitos do Amor", de José Luís Nunes Martins, filósofo português, que admito, não li ainda: "A coragem é um movimento do espírito pelo qual um coração grande se dá a conhecer. Não é uma força bruta da vontade, é uma decisão da consciência. é a capacidade de ser livre apesar do medo".
E tudo fez sentido.





quarta-feira, fevereiro 24, 2016

Mickey

Até o momento, a fase dos 30 foi é a mais instável e interessante que vivi. Não me encontrei na mulher de Balzac e talvez minha personalidade se aproxime mais de personagens de cinema e de séries de TV. Tenho me divertido com a Mickey, de "Love", e me identificado com o jeito extrovertido especialmente moldado para mascarar inseguranças, a vontade de não desperdiçar os últimos suspiros de juventude (e, com isso, acordar com as piores ressacas possíveis) e a capacidade de me adaptar a trabalhos que simplesmente paguem as contas.

No entanto, sou mais generosa comigo mesma (ou aprendi a ser). Nunca me achei a rainha da merda, como ela afirma, assim que deixa o Gus em casa, após um encontro desastroso com a ex dele. Por mais que eu tenha me autossabotado além da conta justamente na faixa dos trinta e poucos, tenho a certeza de que jamais fui covarde ou pisei em alguém. Aliás, esses são meus pequenos troféus sentimentais, que para muitos nada valem.  Faltam dois episódios para eu terminar a primeira temporada. Ao que tudo indica, a série terá continuação. Na vida da Mickey, como na minha, sempre espero aquele ajuste de roteiro. Porque o happy end, sabemos, não existe.