sexta-feira, fevereiro 26, 2016

Sobre boiar

Ela me ensinou a não me afogar, antes de eu aprender a nadar. Estava pensando na simbologia disto, neste sobreviver, mesmo não dominando as modalidades. Afinal, eu poderia chegar à superfície como qualquer campeão.
"Mãe, me segura até eu boiar?"
Ela segurava e, possivelmente, afirmava que eu tinha ficado muito mais tempo por minha conta do que eu realmente ficava. Talvez seja isso o tal de nos preparar para o mundo.
Alguns irão nadar de braçada, outros serão trapaceiros.
Mas foi ela que me disse sem palavras que eu não me afogaria.
Tem dias que nos falamos incontáveis vezes.
Hoje eu liguei, fiquei engasgada.
Ela ligou de volta. Foi como se entrasse na piscina e abrisse os braços para eu me deitar.
Respirei.
Não há palavra que a defina mais do que coragem.
Reinvetar-se aos 60. Não tem holofote nisso, nem reportagem da Marie Claire para inspirar leitoras.
Então achei um fragmento de uma obra, "Os Infinitos do Amor", de José Luís Nunes Martins, filósofo português, que admito, não li ainda: "A coragem é um movimento do espírito pelo qual um coração grande se dá a conhecer. Não é uma força bruta da vontade, é uma decisão da consciência. é a capacidade de ser livre apesar do medo".
E tudo fez sentido.





2 comentários:

  1. ...e antes de terminar a leitura,ja estava chorando! Voces,mulheres Azevedo sao muito lindas!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. muito obrigada pelo carinho! :)

      Excluir