quarta-feira, dezembro 28, 2005

Prosaicos Prazeres

Tomar café com amigos, mesmo que seja num shopping lotado. Ver um filme em boa companhia, mesmo que a produção não marque para sempre sua existência. Assim foi minha tarde e começo de noite. Amanhã pode ser que haja mais. Ou não. Por conta do clássico corre-corre pré Reveillon tudo pode melar...



Engraçada é a sensação de despedida. Todas as noites olho para as paredes do meu quarto e imagino como será meu próximo quarto (e quando será meu quarto de fato). Tento prever outros cheiros, gostos e caminhos. As perguntas das pessoas são as mesmas: "quando você vai?", "onde vai morar?", "vai trabalhar em quê?", "como sua família e seu namorado reagem a essa mudança?"...Por aí vai. Por enquanto, por aqui fico.

domingo, dezembro 25, 2005



Hohoho, que ressaca! Todo ano eu juro que não vou extrapolar com o vinho, mas sempre fico sem saber como era o gosto da ceia. Muitos presentes bacanas, risos e no fim, uma casa mega bagunçada para arrumar.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

E ontem tive amigo oculto com a turma do Agenda no Estabelecimento (ou Bar do Gibi, como queiram). Foi divertido, como sempre. Saí com a Samira (dei um CD da Nina Simone) e a Maíra saiu comigo (ganhei o Franz Ferdinand). Vou sentir saudades de todos eles, dos bares de BH, de saber corretamente meus itinerários. Já defini a data de partida para São Paulo. Dia 08 de janeiro minha vida ganha outro rumo.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Ótima Notícia

EUA querem bloquear celulares em cinemas e teatros

A National Association of Theater Operators, associação que dá assistência aos cinemas e teatros norte-americanos, dará um passo importante contra os chatos que insistem em deixar os celulares ligados durante apresentações. A idéia é tornar possível algo que já acontece na França: o bloqueio total de sinais de telefones celulares dentro dos cinemas e teatros.

A briga é boa, já que a medida não parece agradar à associação que cuida da telefonia móvel, pois fará com que eles percam dinheiro com as ligações que poderiam ser feitas ou recebidas durante o espetáculo.

O problema poderia ser facilmente resolvido se as pessoas mudassem o recebimento da chamada de toque para vibração, praticamente inaudível durante o filme. Isso permitiria que ligações emergenciais pudessem ser atendidas, afinal, acidentes acontecem, às vezes nas piores horas.

A discussão vai longe e, quem sabe, acontecendo por lá chega aqui também. Aí só faltará bloquear a língua das pessoas que insistem em conversar - e inclusive comentar o filme - dentro do cinema.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Universo Paralelo

Infelizmente, não consegui até hoje colocar links permanentes por aqui. E cada vez mais, leio menos blogs alheios (visito o de amigos e olhe lá). Mas sempre que posso, leio o hilário Suburbia Tales. Adorei esses posts:

Mistério Solucionado

Hoje descobri porque suburbano sempre leva bolo para casa depois de qualquer festa.

Estava no micro-ônibus retornando do shopping Nova América quando subiram no distinto coletivo uma tia, três crianças e um casal que, suponho, devem ser papai e mamãe dos agitados infantes. Cada uma das mulheres portava bolsa pendurada e um pratinho de plástico com bolo embrulhado no guardanapo e docinhos.

A tia, bem espaçosa, ficou de pé no corredor, encostada em uma das cadeiras, falando (alto, claro) com os pais que se ajeitavam na última fileira de maneira a deixar as crianças na janela. A conversa não passava daquele colóquio flácido habitual de tias solteiras: falar que tinha homem dando mole, que o pai da criança que deu a festa estava doidão e que o dono do bufê era grosseiro.

Após falar mal de cada um dos homens presentes à festa donde vinham, uma das crianças pede um pedaço do bolo. Ela abre o pratinho e dá. O pai pergunta:

- Esse bolo ‘tá bom?

E a tia responde:

- Não sei, Waldimilson, eu não comi.
- Pensei que tu tivesse provado, menina - retruca a outra mulher.
- Ah, mas a gente traz bolo pra casa porque na festa a gente come é os salgadinhos, o cachorro-quente, a pipoca…

Não é que faz sentido?

*****

Cena suburbana

batendo palmas no portão (campainha pra quê?)
cachorros latindo insanamente
A dona da casa chega berrando com os cachorros mandando eles calarem a boca, principalmente aquele poodle encardido de rabo sujo que acha que é mais cachorro que o pastor alemão que fica no quintal. Ela se aproxima do portão e uma senhora que ela não conhece está lá no portão.

Das duas uma:

1. A senhora desconhecida é crente e quer vender a Revista Sentinela e tentar converter a dona da casa.
2. A senhora desconhecida estava passando pela rua e olhou pro quintal e viu que na casa tinha um pé de folhas de quebra-pedra e resolveu pedir uma mudinha pra poder plantar no quintal de casa, já que o marido tá sofrenu de pedra no rins.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

E o final de semana foi agitado só para variar. Compras de Natal e quase nenhum momento em casa. Vi King Kong, do Peter Jackson e The Brown Bunny dirigido, roteirizado, produzido e estrelado pelo Vincent Gallo. Quanto ao primeiro, achei longo demais. No momento ilha do gorila, só faltaram aparecer uns elfos porque todas as criaturas imaginárias e da imaginação do diretor entram em cena. Até achei que Nova York ficaria para uma continuação. Cheguei à conclusão de que não gosto da narrativa do Peter Jackson. Pura implicância mesmo. Não tem gente que, por mais que o Spielberg faça filmes bem feitos não engole o cara? Eu tenho a mesma relação com o "Senhor dos Anerds". O Brown Bunny, por sua vez, é mais interessante. No entanto, as músicas não careciam de legendas em português. Estava feliz porque no Belas Artes ninguém conversa na sessão e nem fica chutando a cadeira, porém isso durou pouco. No momento final da fita (quando rola uma cena de sexo explícito), o tiozinho da cortina entrou na sala, sentou e virou o motivo de desconcentração e comentário geral. Depois - e para coroar a comilança do findi - eu e Alê fomos com Fred e Marília comer pizza.



quinta-feira, dezembro 15, 2005

R.S.V.P

Desde os primeiros eventos de confraternização de final de ano da categoria jornalistas dos quais participei, resolvi abolir de minha vida esse tipo de festa. Sim, eu rasgo convite sem dó nem piedade porque festa com imprensa reunida significa cerveja de má qualidade quente, buffet escasso, pagode ou axé para dançar no final e, principalmente, um muro de lamentações. Jornalistas que trabalham em redações falam mal dos chefes numa escala que pode variar do editor ao presinte do veículo. Assessores de Imprensa falam mal de determinados clientes ou ex-clientes. Todos falam mal do mercado e todos falam mal uns dos outros. Aí resolvi interagir com outras tribos e constatei que a queimação do Judas é geral. Publicitários falam mal de agências, clientes e colegas. Coorporativos falam mal das empresas, fornecedores e colegas e assim por diante.

A roupa acaba sendo o código que diferencia as línguas ferinas por opção profissional. Entre os jornalistas vai do chinelão riponga desleixado ao tailleur metido à besta da colunista sexagenária de moda. Parece BH Shopping na véspera de Natal: dá de tudo. Os publicitários são as pessoas coloridas e suas festas idem. As bebidas e comidas são sempre as "contemporâneas" e um DJ comanda a festa com hits óbvios. Já os cooporativos mestres nas escalas de cinza e preto, "ousam" com um vermelho aqui e um amarelo acolá. Acessórios discretos porque até para sair para balada eles fazem o que as revistas Exame e a Você S/A mandam. Festa de grande empresa tem banda, sorteio de brinde e nunca faltam Roupa Nova e Frenéticas para fazer a pista bombar. E quer saber? Com médicos, advogados, biólogos e engenheiros são poucas as variações sobre o mesmo tema. Por isso que esses pequenos cirquinhos dos horrores de nossas vidas profissionais acontecem uma vez por ano.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

As 24 horas de cada dia da semana que passou foram poucas...Acho que fica até complicado resumir. Muito trabalho, mas sem o estresse e a pressão de outrora. Muita chuva, muito brinde e muito riso! Na véspera de feraido fiz um jantar para os agendianos em minha casa. O menu: lingüini picante e lingüini ao funghi chileno. Foi das noites mais divertidas dos últimos tempos. Alguns - inclusive eu - no momento "performance toda hora é hora" e outros de espectadores. Rolou cupidagem, bandinha imaginária e ressaca (óbvio) no dia seguinte. Valeu a pena - e como valeu -uma noite aos meus amigos para sempre! O feriado, pero no mucho, seguiu com DVD light Kate & Leopold.



Consegui não matar nenhuma aula de spinning e fazer os releases mais ou menos no prazo. Sexta, sem trégua de São Pedro, vi mais um filme: Monsieur Ibrahim



E o melhor da semana ainda estava por vir. Passei o sábado quase inteiro com uma das criaturas mais sensacionais que já conheci em 28 anos: Elke Maravilha. Ela veio a BH a convite do Ronaldo Fraga. Quando chegamos em Confins para buscá-la, estava rodeada de fãs. No percurso, no almoço do Xapuri só deu ela: super fabulosa. Lógico que adorou mamãe e disse que são "da mesma enfermaria". Elke fala 10 línguas, sabe tudo de astrologia, mitologia, enfim, como disse Ronaldo, é um privilégio saber que existe alguém como ela no mundo! Foi dos melhores dias desse ano de 2005, finalizado com jantar romantiquinho no Mi Luccia!



E para fechar, com chave de ouro, domingão com amigo oculto Noir no Aurora. Almoço espetacular, caipisakê com jaboticaba, champanhe, fotos, mais "quanto riso, quanta alegria". Não satisfeita, encarei cinema de shopping lotado para ver esse aqui...

domingo, dezembro 04, 2005

Fim de semana Lars Von Trier.

Vi dois filmes do dinamarquês (no segundo ele assina o roteiro): Manderlay e Querida Wendy. Gostei muito da seqüência de Dogville e não curti nenhum pouco o clube das armas dos perdedores. Aliás, achei um dos piores filmes de 2005. No mais, o projeto dieta ficou para 2006 porque ingeri calorias além da conta no sábado e no domingo.



quinta-feira, dezembro 01, 2005

Acabo de voltar do meu "bota-fora" do Agenda no Bar do Antônio e ler o cartão coletivo da turma. Eu que não queria chorar, desabei. Coisa mais linda as homenagens que recebi. Cada presente, cada abraço, cada palavra. Nunca me esquecerei de nada...Mais uma vez: amo vocês!

E eis meus últimos escritos por lá:

Aos amigos da Rede Minas
Houve um dia, nos idos de 1996, quando eu fazia estágio na Arte do qual nunca me esquecerei. Fui ao banco, no meio do expediente, raspei o tacho e coloquei todo meu pagamento na carteira, dentro da bolsa no mesmo lugar de sempre. Como vivia em trânsito para o segundo andar, só percebi que a quantia tinha sumido no fim do dia. Nem tive tempo de me lamentar. Imediatamente, os funcionários passaram uma “sacolinha” por todos os andares para repor o prejuízo. Quando recebi a lista, vi nomes de pessoas que eu mal conhecia e então chorei para valer. Sempre que eu me lembro de cada um de vocês, penso em solidariedade, companheirismo e na determinação de vencer injustiças. E toda vez que alguém me diz, com desilusão, que a regra do mercado de trabalho é “puxar o tapete”, conto essa história.
É dessa Rede Minas que eu sentirei saudades. Da que me acolheu depois de minha formatura e que tanto me ensinou. Nem sempre, claro, foi da forma mais fácil, menos estressante porque em toda casa tem riso, bronca, lágrima, dores e delícias. Dos tempos da “ronda” de final de semana na Redação até as reportagens do Agenda, provando delícias em botequins e causando inveja geral, tive o privilégio de contar, na maioria das vezes, com a parceria de profissionais extremamente competentes e porque não dizer, amigos. Foram eles que me deram e dão segurança para seguir por outro caminho. Como disse Hegel: “o ser humano só é realmente grande, quando age movido por grandes paixões”. E essa foi minha grande paixão por quase oito anos.

A despedida é mais difícil do que se imagina. Podem acreditar. Ainda mais para quem conseguiu conhecer pelo menos um pouquinho de cada andar, de cada pessoa, porém não o suficiente porque precisa entrevistar, precisa colocar o programa no ar, precisa correr contra o relógio...

Ao final, vejo que a Rede Minas sempre terá algo que as outras não têm. Profissionalmente existem sim os que podem se dar bem em qualquer lugar. No entanto, essa não é nem de longe a maior qualidade de pessoas tão queridas, dedicadas e que sempre serão minha escola, meu referencial. Muito obrigada por tudo! Beijos! Ludmila


Meus queridos Agendianos:
Eu gostaria de não ter que me despedir, mas um dia vocês verão que chega a hora, como naquela máxima de Mark Twain: “Daqui há 20 anos você estará mais desapontado pelas coisas que não fez do que pelas que fez. Portanto jogue fora as bolinas. Navegue para longe da baía segura. Pegue o vento da aventura em sua jornada. Explore. Sonhe. Descubra”.

Talvez seja este o momento mais difícil e crucial da minha passagem pelo programa, que para mim foi mais do que os cargos que ocupei. Por alguns momentos, nesses últimos dias, me lembrei de “Funeral Blues”, de W.H Auden:
“Pare os relógios, cale o telefone
Evite o latido do cão com um osso
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie
a vinda do caixão, seguido pelo cortejo.
Que os aviões voem em círculos, gemendo
e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu.
Ponham laços pretos nos pescoços brancos das pombas de rua
e que guardas de trânsito usem finas luvas de breu.
Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste
Meus dias úteis, meus finais-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, minha fala e meu canto.
Eu pensava que o amor era eterno; estava errado.
As estrelas não são mais necessárias; apague-as uma por uma
Guarde a lua, desmonte o sol
Despeje o mar e livre-se da floresta
pois nada mais poderá ser bom como antes era.
Aí percebi que meu jeito ariano exagerado estava “processando placa” além da conta porque, de alguma forma – e como disse Rodrigo Bernardes fã do Agenda – um pouco de mim sempre estará com vocês e de vocês comigo. Quero levar um pedacinho da competência da Aninha, do companheirismo da Duda, da maluquice da Bete, da boa vontade do Tiba, da doçura da Bárbara, do alto astral do Paulo, do carinho da Samira, da sensibilidade do João, do papo no divã do Dênio, da afinidade Rock com a Mariana, da empolgação da Maíra, da risada do Nivaldo, da tranqüilidade do Tomaz...Tem mais gente? Hehehe! Bom, o Peste e o Chileno eu queria levar para São Paulo e montar uma equipe de externa só para pedir uma coca-cola depois da entrevista e a entrevistada em questão dar mole para nosso iluminador, como sempre.
Vocês sabem o quanto todos e cada um, à sua maneira, são importantes para mim. O quanto me ensinaram nesses períodos – longos e breves - de convivência. A gente passou por tanta coisa: quebrou o pau, riu demais, chorou muito, ficou ansioso, vibrou com resultados (tá parecendo editoria de esporte, né?), processou placa (de novo), ripou o que não valia em nome do que sempre acreditamos: produzir o melhor programa de cultura do Brasil. Vou morrer com essa convicção. E no fundo, eu só deixaria o Agenda, se fosse para deixar a cidade. Não deu outra.
Para vocês
A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.

Afinidade é não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo para o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo. Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado. Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. Mas quem sente com, avalia sem se contaminar. Compreende sem ocupar o lugar do outro. Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.
Arthur da Távola

PS: Aléxis: cuida bem dessa turma. Agora eu sei que ela está em ótimas mãos. Boa sorte!

terça-feira, novembro 29, 2005

Natal em novembro
De Nelson Botter.


Você, que está a ler o Blônicas neste exato momento, me responde rápido: existe frase mais manjada pra se falar em novembro do que "Nossa, já tá chegando o natal! Putz, acabou o ano!". Entonces, é nessas e outras que aposto um milhão como você já soltou a dita frase nas últimas semanas. Viu? Eu disse. OK, OK, o que isso tem a ver? Bem, essa introdução meio estranha nada mais é do que uma explicação do por que vou falar sobre o natal hoje, mesmo ainda faltando um mês para essa data.

Sim, é um pouco de ansiedade também, admito. E o mais interessante é que estudo e aplico vários macetes para amenizar a ansiedade. Mas a ansiedade dos outros, pois a minha não sei o que acontece, nunca consigo controlar. Você até pode achar isso engraçado, pois bem, eu perco a carreira, mas não perco a piada. Eu nem era tão ansioso, mas de uns tempos pra cá a coisa começou a piorar, a ganhar níveis altos e incontroláveis, a ponto de já haver comprado alguns presentinhos de natal antes de entrarmos em dezembro. Você pode até achar isso normal, mas o fato é que sempre compro todos os presentes nas últimas 12 horas antes da festa. Agora você começa a perceber meu drama?

Schopenhauer disse certa vez que "viver é sofrer". Filósofo safado esse (sim, Schopenhauer não é marca de cerveja alemã). Depois o Freud viu a bola quicando e pegou de primeira, chute na veia, afirmando (mais ou menos assim) que o sentido de nossa vida é aliviar o sofrimento de procurar alívio. Pegando carona nos geniais batutinhas, vejo que minha ansiedade - cada vez maior - nada mais é que a manifestação desse sofrimento. E o natal só faz tudo piorar! Agora, vejo que minha ansiedade anda se alimentando das decorações natalinas, é um verdadeiro complô contra mim.

Lembro que antigamente as lojas, ruas, shoppings, enfim, todos os lugares começavam a se enfeitar com pinheirinhos, bolinhas, duendes, estrelas e o bom velhinho Noel no início de dezembro. Agora, ai ai ai, mal entra novembro e já está tudo coberto de neve. Um verdadeiro festival de inverno em tudo quanto é canto, como se precisássemos nos preparar psicologicamente para enfrentar o natal. Mas a festa é só daqui dois meses? E daí, já vamos esquentar os motores, vai que o povo esquece e resolve lembrar um dia antes, né? E foi assim que caí na armadilha, vejo aquilo tudo e acabo gastando dinheiro antes da hora, vivendo o natal por antecipação e deixando minha ansiedade mais agitada do que detector de mentiras em Brasília.

Estranho, pois isso é um contraponto com a melancolia que toma conta da maioria das pessoas nessa época do ano. Esse papo de fraternidade e saudosismo cria uma certa letargia na galera, realmente o povo fica estranho. Inconsciente coletivo, que leva o pseudônimo de "espírito natalino". Não que isso seja ruim, muito pelo contrário, sinto que as pessoas ficam mais calmas e caridosas. Eu até sinto aquela coisa no peito, um suspiro diferente, me encanto com as luzes, me sinto realizado em ir até o Bank Boston da Paulista (pelo menos uma vez no ano, pois dinheiro que é bom, nada), etc e tal. Mas no fundo tudo é comércio, tudo é business, tudo é sobrevivência. No money, no game. O espírito natalino morre no dia 26 e vira cada um por si de novo. Basta ver que a próxima festa, reveillon, é uma grande putaria (no bom sentido, sempre).

Se a cada momento de pseudo-união entre as pessoas ficasse sempre uma sementinha do quanto é bom respeitar o outro e ajudar, a coisa toda do natal valeria muito mais a pena. Não estou pregando o "seja bonzinho", é apenas uma constatação de que se viver é sofrer, é preciso amenizar esse sofrimento (principalmente minha ansiedade!), estender a mão com força e vontade, para depois receber a mão do outro também. Assim como o comércio do natal, ajudar e ser ajudado é uma questão de sobrevivência.

Feliz natal e até semana que vem.


Meu amigo Woody - João Pereira Coutinho

Atenção, críticos. Eu tenho três palavras para vocês. Não. Sejam. Ridículos. Será preciso repetir? Falo em defesa de Woody, meu amigo Woody Allen, que há trinta anos --bom, há uns vinte-- vive cá em casa, na melhor estante do meu coração. E se vocês acham que estou sendo piegas ou sentimental ou excessivo, por favor, não tenham dúvidas: estou mesmo. E vou piorar.

Vocês conhecem a tese: Woody Allen começou o seu naufrágio em 2000, com "Small Time Crooks" (Trapaceiros). Continuou com "The Curse of the Jade Scorpian" (O Escorpião de Jade), "Hollywood Ending" (Dirigindo no Escuro), "Anything Else" (Igual a Tudo na Vida) e "Melinda e Melinda". Cinco filmes, cinco desastres de bilheteria. E os sábios deste mundo declarando a certidão de óbito. Woody está morto. Woody repete-se. Woody perdeu a graça. Woody perdeu a criatividade. Woody cansa. Ah, Deus, como eu gostava de aparecer na casa destes críticos e, com um bastão de beisebol, tratar do assunto com os meus vagares. Mas depois imagino que os críticos têm filmes de Cameron Crowe na sala --"Vanilla Sky", "Elizabethtown"-- e uma compaixão súbita apodera-se de mim. Tudo bem. Se eles querem lixo, eles que comam lixo.

O pior é que Woody acredita nos críticos. Ele diz que não lê --mas, acreditem, ele lê. Aparece aqui em casa, uma lágrima rolando por detrás dos óculos grossos, o tweed encharcado pela chuva que cai. "Eu não presto, Coutinho. Nunca serei um Fellini, um Bergman." Pobrezinho. Encomendo o jantar no chinês aqui do bairro e depois, ao som de Harry James, inicio o tratamento. Woody, senta aí.

O tratamento começa com uma revisão da matéria dada. Em quarenta anos de filmes, não existe um único --eu vou repetir, para vocês aí atrás: em quarenta anos de filmes, não existe um único que seja realmente mau. No próximo número de dezembro da revista "Vanity Fair", Peter Biskind, provavelmente um dos poucos críticos que respeito depois da morte de Pauline Kael, concorda comigo --ou, tudo bem, eu concordo com ele, não vou discutir quem é ovo ou galinha (mas eu pensei primeiro, Peter). Podemos não gostar de "Melinda e Melinda", um dos mais fracos da colheita. Mas "Melinda e Melinda", história contada em duas versões, como comédia ou como farsa, por grupo de amigos numa mesa de restaurante, revela um virtuosismo narrativo e cinematográfico que não se encontra na esmagadora maioria dos vagabundos que fazem filmes em Hollywood. Eu, pelo menos, não encontro --e confesso que só David Lynch e Clint Eastwood me obrigam a sair de casa com uma regularidade sazonal. (Scorsese? Depende. Muito.)

E os outros? "Igual a Tudo na Vida" dá para os gastos, sim. "Dirigindo no Escuro", história do diretor que fica cego e disfarça o problema para não ser despedido, é Howard Hawks vintage, sim. E com bónus: o filme do diretor cego acaba por ser um desastre, claro, mas os franceses elogiam. Touché. É o melhor comentário à cultura francesa atual. Sem falar dos diálogos. Os diálogos destes cinco --de todos os cinco, sem exceção-- são um prazer intelectual para mentes civilizadas: um sarcasmo blasé temperado pelo espírito de Nova York que Woody Allen criou e recriou.

(Esclarecimento: a Nova York que vocês imaginam que existe, na verdade, não existe. Só nos filmes de Woody, que praticamente sublimou a cidade --uma cidade invulgarmente desumana e agressiva-- a golpes de ternura.)

Mas o tratamento não acaba aqui. Peter Biskind escreve, e com razão, que os grandes diretores da história deixaram dois ou três filmes que fizeram o nome e a fama. Bognadovich dirigiu "A Última Sessão de Cinema" e "Lua de Papel" (pessoalmente, mais o primeiro que o segundo). Aconteceu na década de 70 e não voltou a acontecer mais. Mesmo Truffaut, um dos raros "nouvelle vague" que sobreviveu ao tempo, deixou "Os Incompreendidos", "Jules et Jim" e "Tirez sur le Pianiste" --na década de 60. Incluir "A Noite Americana", eu entendo, mas só por nostalgia. Truffaut deixou três filmes e, depois dos três, partiu para parte incerta. O mesmo para Orson Welles, que deixou quatro. Ou Coppola, que deixou três. Ou Cimino, que deixou um. Bertolucci, exatamente, nenhum.

Woody Allen não deixou dois. Não deixou três. Biskind arrisca 10: "Annie Hall", "Manhattan", "A Rosa Púrpura do Cairo", "Broadway Danny Rose", "Zelig", "Hannah e Suas Irmãs", "Crimes e Pecados", "Maridos e Esposas", "Tiros na Broadway" e "Desconstruindo Harry". Eu arrisco 12: todos esses dez e ainda "Love and Death" (A Última Noite de Boris Grushenko) e "Another Woman" (A Outra0, o filme que Cassavetes gostaria de ter feito com a mesma mulher (que, por acaso, até era a dele: Gena Rowlands, meu amor). E se falamos de obras-primas --definição de obra-prima, por J.P. Coutinho: objeto artístico que Deus, no Dia do Apocalipse, irá poupar na sua infinita misericórida para que os novos hominídeos não se sintam sozinhos na Terra (lembrar início de "2001", de Kubrick) --se falamos de obras-primas, dizia eu, bastariam três. "Hannah e Suas Irmãs", "Crimes e Pecados" e "Desconstruindo Harry".

"Hannah" é o mais solar dos filmes de Allen e mesmo nos meus piores dias --uns vinte e cinco todos os meses-- a história de Mickey, o hipocondríaco que recupera a fé com um filme dos irmãos Marx, é a única ressurreição laica que me comove. Mas não é apenas uma ressurreição. É uma resposta: a mais simples e bela resposta do cinema moderno. Podemos não encontrar um sentido de vida, um sentido para a vida, o caminho célere para a felicidade ideal, como as teologias descartáveis prometem de porta em porta. Mas existem pequenas ilhas de felicidade, por onde vamos saltitando como náufragos perdidos. São estas ilhas que dão alento no caos que nos consome. O rosto de Mariel Hemingway em "Manhattan" --ou o rosto da pessoa que amamos, tanto faz. Os discos de Django Reinhardt em "Poucas e Boas" --ou os discos que fazem a trilha sonora das nossas vidas, tanto faz. E, como nesse "Hannah" que me deixa num estado de felicidade irreal, os poemas de e.e. cummings que descobri devido ao filme. Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão generosas como Woody.

Generosas e sublimes, se por sublime entendermos tudo aquilo que aterroriza o fundo mais fundo das nossas certezas. E se Dostoievski estiver errado? E se o crime não implica necessariamente um castigo? E se a "consciência", como Nietzsche afirmava, é um anacronismo da civilização judaico-cristã para aprisionar os homens num mundo sem Deus? "Crimes e Pecados" é um anti-Dostoievski por excelência. Imagino título de primeira página: "Amante mata amante". E o lead: "Mas descobre que o ato não pesa na consciência". Assustados? Eu fiquei. Quando assisti pela primeira vez a "Crimes e Pecados", senti todas as certezas a ruir com o passar do filme. A minha alma é como o rosto de Martin Landau: consumida pela culpa, no início; liberta de qualquer culpa, no final. Ou quase. A natureza subversiva do filme é a única culpa a que não podemos escapar.

E "Descontruindo Harry"? É um afago na minha consciência e, suspeito, na consciência de todos aqueles que vivem das suas criações. Harry Block, belo nome, tem bloqueio criativo. Tragédia inevitável, quando sacrificamos tudo em volta pelo amor à arte --neste caso, à nossa. Mas Woody apresenta um paradoxal otimismo: se a arte nos alienou da vida, é a própria arte que nos devolve à vida. Sobretudo quando todos os personagens do escritor aparecem em homenagem final. Aplausos --deles e nossos. Quem diria, camarada. Quem diria que as nossas ficções, às vezes, são formas perfeitas de salvar a realidade.

Nem mais. Todos os anos, com a regularidade das aves, Woody regressa. Nós devemos regressar a ele com um sorriso grato e íntimo. Porque os filmes de Woody Allen são gratos e íntimos: nós entramos na sala, sentamos na mesa e ele vai servindo o jantar. Conhecemos todos os comensais. Sabemos que a comida não se altera com os anos: sal a menos, sal a mais --o cozinheiro é o mesmo. Os filmes de Woody Allen são uma família a que se pertence: ninguém deseja mudanças radicais ou desaparecimentos radicais. Desejamos apenas que seja outono lá fora e que as histórias, conhecidas e até repetidas, sejam embaladas por um fio de jazz
.

segunda-feira, novembro 28, 2005

sexta-feira, novembro 25, 2005

Sonho em tecla SAP

Eu já sonhei altas vezes que conversava com o David Bowie ou que estava em Tókio batendo papo animadamente com passantes. Tudo isso em bom português. Essa noite foi a vez do Orlando Bloom entrar na roda.

quinta-feira, novembro 24, 2005

36 coisas cretinas que você pode fazer em São Paulo
De Castelo



1. Andar de pedalinho no rio Tietê.
2. Tentar o suicídio comendo um churrasquinho grego no Centrão.
3. Colocar roupa preta, pintar a bicicleta de preto e sair pedalando pela Marginal à noite.
4. Entrar na favela do Buraco Quente usando uma camiseta com a inscrição: SEGURANÇA.
5. Dar uma nadada no Lago do Ibirapuera e ser eletrocutado na "Fonte das Águas Cantantes".
6. Fingir-se de cego e atravessar a avenida São João na faixa de pedestres.
7. Ir à uma pizzaria do Brás, chamar uma redonda de aliche e, com sotaque carioca, pedir catchup ao garçom italiano.
8. Ficar moscando na pista do aeroporto de Congonhas vendo os aviões.
9. Entupir-se de churro e caldo de cana.
10. Vestir-se de Yoda e acompanhar a missa com canto gregoriano do Mosteiro São Bento.
11. Chegar num ensaio da Vai-Vai e dizer, em alto e bom som, que carnaval é o carioca.
12. Pedir fogo a um policial da Rota.
13. Ir a um sarau na casa do Arnaldo Antunes e defender que poesia concreta é uma merda.
14. Se o dia estiver garoento, levar seu (sua) filhinho(a) num parque de diversões de shopping.
15. Dar uma força ao colesterol ruim almoçando dois “pastel” sabor lingüiça e um “chopps” na feira mais próxima.
16. Passar no Mercado Central e chamar um carregador de baitola.
17. Dar um pulinho na avenida do Jóquei à noite e perguntar qual das "garotas" ali se chama Waldemar.
18. Promover uma blitz na Vila Madalena e entornar uma dose de Fogo Paulista por bar visitado.
19. Baixar numa padaria, pedir um pingado e xingar o Corinthians.
20. No ristorante Il Sogno di Anarello insistir em comer um hambúrguer mal passado e uma Coca.
21. Numa roda de bambas do Bexiga citar a famosa frase: "São Paulo é o túmulo do samba".
22. Perguntar a um sushi-man da Liberdade se é verdade que japonês tem pinto pequeno.
23. Fantasiar-se de mulher e dar uma esticada num forró do Brás.
24. Entrar numa loja de lustres da Consolação e pedir uma vela emprestada.
25. Sair um pouco de São Paulo e passar o dia num lugar mais astral: Cubatão.
26. Vestir uma batina e entrar numa sessão de cinema da rua Aurora.
27. Bancar o penetra numa festa de calouros uspiana, amarrar um fogo e se deixar jogar na piscina do CEPEUSP.
28. Assistir um vídeo do novo trabalho do Supla.
29. Subir pelado em cima do cavalo da estátua do Empurra-Empurra e ficar dando tchauzinho pra galera do Ibira.
30. Entrar na Galeria Pagé, gritando: "olha o rapa!"
31. Fazer bungee-jump no Viaduto do Chá.
32. Alugar o dirigível da Goodyear e fazer um pouso forçado na Ipiranga com a São João.
33. Entrar de bombacha num Centro de Tradições Nordestinas.
34. Entrar vestido de cangaceiro num Centro de Tradições Gaúchas.
35. Oferecer um acarajé a um skinhead.
36. Chamar um integrante da máfia coreana de "china".

quarta-feira, novembro 23, 2005

Ando muito sem paciência com a humanidade. Não tenho dormido direito também e, para me inspirar, ainda fico revendo horrorshow. Right, right, right.

quarta-feira, novembro 16, 2005

Então, 15 de novembro foi o último feriado semanal de 2005. Antes disso, na segunda, "o cão foi quem botou pra nóis beber" parafraseando Jeremias Muito Louco. Estresse desnecessário no trabalho, na reta final, não dá. Ontem apaguei e só acordei para ver esse filme aqui, que por sinal é muito bom.

segunda-feira, novembro 14, 2005

Adorei



***

E lá se foi um fim de semana tranqüilo, tanto que de ontem para hoje sonhei que estava sendo assaltada, que levaram todo o dinheiro do meu mês (que no caso, já acabou até) e me renderam com uma tesoura na jugular. Bom, pelo menos eu acordei sã, salva e assustada. Enfim, não acredito em premonições, se bem que vou ao banco agora e lá eles me assaltam mais do que o suficiente.

***

Muito bom!

Breve guia para salvar a pele das mulheres

De Xico Sá.


Tudo bem, bravas fêmeas, os homens são todos iguais, já sabemos.
Alguns, no entanto, são bem mais perigosos que os outros. Em mais um serviço de utilidade pública, este cronista de costumes expõe aqui sua vitrine de carapuças. Um mostruário que vai além, muito além, do apenas moderno, como diria minha mucama branca que ganhei de um velho e bom gilbertofreyriano arrependido. Eis alguns tipos, noves fora a categoria metrossexual (já devidamente tratada nesta página) que merecem cuidados especiais:

Homem-bouquet - aquele macho que entende de vinhos finos, abre a garrafa, cheira a rolha, balança na taça, sente o "bouquet" da bebida... O tipinho não perde um programa do Renato Machado no GNT, entra em sites franceses do gênero, reúne os amigos para aporrinhá-los com o tal "bouquet"... Mais uma advertência: o mesmo elemento costuma apreciar também o que ele chama de "um bom jazz", uma "música de qualidade"... Corra, Lola, corra de criaturas desse naipe.

Homem-hortinha _ Aquele mancebo que, ao receber as moças elegantemente para um jantar, usa o manjericão cultivado na própria hortinha que mantém no quintal ou na área de serviço. Cultivar o próprio manjericão não é exatamente o defeito do rapaz. O problema é que ele passa duas horas a discorrer sobre o cultivo da hortinha, os cuidados, o zelo, uma chatice só, para não dizer outra coisa. Uma amiga, coitada, conheceu um destes exemplares que cultivava até a própria minhoca usado como "fator adubante" da própria hortinha. Corra, Lola, corra, corra mesmo, corra enquanto é tempo!

Homem-do-predinho-antigo _ Aquele sujeito que ou é gay ou é um metrossexual enrustido. E o pior não é habitar um predinho antigo. O que mais dói é quando ele pronuncia, como toda a afetação desse mundo, que mora num "predinho antigo, charmoso". Você entra lá, leitora do meu coração, e avista logo umas revistas chiques estrangeiras espalhadas pela sala, tipo "ID", "Wallpaper" e quetais. O cara entende de iluminação indireta, tem cada abajur que só vendo. É um tipo sobretudo do Sudeste, mas também já começa a se espalhar pelo Sul e Nordeste. Fuja Lola, fuja.

Homem-Ômega 3 - Trata-se do camarada-saúde, preocupado em combater os radicais livres e encher o saco da humanidade com as suas receitas, dietas e bulas. Adora um salmãozinho, que ele pronuncia "salmon", claro, como os mais frescos exemplares da raça. Jamais vai enfrentar um bom chambaril pernambucano ou barreado paranaense. Buchada de bode que é bom, vixe, passa longe. Até se benze, assustado, diante de um belo cozido de domingo. Adora um frango. Noooossa! Voa Lola e não se fala mais disso.

Homem-ONG - O sujeito onegê é o que há. Todo politicamente correto, benza-te Deus. Adora um abaixo-assinado, uma passeata, e está sempre morto de decepcionado com o governo, qualquer governo. Sim, ele acredita na humanidade, na responsabilidade social, no terceiro setor, na arte como redenção dos pobres... Se você reparar, leitora do meu coração, ele quase levita, de tão puro, de tão bom. Dá um "ninja" nele e some, Lola, some que é roubada-mor.

Homem-chorinho - Ele odeia tudo que é do estrangeiro, mesmo que seja um velho e bom rock´n´roll do Lou Reed ou do Elvis _tanto o rei como o Costello. Mas é capaz de passar horas, dias, quinzenas, como se estivesse numa festa igual à do filme "Anjo Exterminador" (de Buñuel), só ouvindo uma "MPB de qualidade" ou "zum de besouro ímã" do gênero. Finja que vai no banheiro, Lola, e dê área.

sexta-feira, novembro 11, 2005

quinta-feira, novembro 10, 2005

Emocionante

Assisti ontem - finalmente - a Por Elise, da Espanca! que traz no elenco Paulinho Azevedo e Sassá Ávila, apresentadores do Agenda. Lindo, tocante e com atuações de tirar o fôlego. Esses meninos vão longe mesmo e todos os elogios que eles vem recebendo da crítica são mais que merecidos.

segunda-feira, novembro 07, 2005

E para encerrar bem o final de semana, mais dois filmes:





E eu ontem escrevi esta crônica:

36 meses - Ludmila Azevedo

Foi Martha Medeiros em sua certeira crônica “A impontualidade do amor” quem escreveu as palavras mais sábias: “jamais espere ouvir ‘eu te amo’ num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após o primeiro encontro. O amor odeia clichês. Você vai ouvir ‘eu te amo’ numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, ou quando você menos esperar”.

Depois de quase três anos, chorei de soluçar não ao ouvir, mas ao ler o melhor – se que é possível qualificar - “eu te amo” de um namorado. Foi num bate-papo de messenger, o que entre nós sempre foi uma ferramenta para exercitar a capacidade de ser monossilábico ou objetivo. E com todas as abreviações possíveis da frase quanto à agilidade do meio, nunca uma mensagem me atingiu tão em cheio.

Vivemos uma história nada linear. Com o primeiro beijo, veio a primeira noite. A urgência deu lugar a um período de teste. Ficamos juntos definitivamente, na minha opinião, após uma sintonia de pensamento na madrugada de 15 para 16 de março de 2003. Porém, a data é até hoje contestada pela outra parte. Ainda bem. De lá para cá foram muitas sessões de cinema, shows, festas, beijos, pisadas na bola, viagens, brigas, planos, ciúmes, implicâncias, fotos, risos, tristezas, sobremesas divididas, compromissos, bolos, cócegas, desenhos animados, camisinhas, portas batidas com força, abraços mais apertados ainda, tempo, reconciliação, noites, madrugadas, manhãs inspiradas, cochilos em tardes de domingo, apelidos típicos e atípicos.

Um belo dia, ao olhar para trás, invariavelmente todo mundo decide se vai pedir para “parar o carro” ou “seguir viagem”. Escolhi uma estrada, mas não aquela com atalho. Mais uma vez, a impontualidade se mostra implacável: decido me mudar de cidade e arriscar, mesmo com o coração retalhado e o medo absurdo de perder aquela pintinha do queixo feita para ser beijada por mim, a sobrancelha grossa feita para emoldurar olhares tão expressivos capazes de derreter ou censurar e as mãos, que parecem ter sido feitas sobe medida para acariciar meus cabelos.

Por mais estranho ou contraditório que pareça, sempre penso em trilhas para pontuar momentos cruciais da minha efêmera existência. Tenho ouvido muito “Ruby Tuesday”, dos Rolling Stones. Uma estrofe em especial diz: “Não há nenhum tempo para perder... Pegue seus sonhos antes deles escapulirem... Perca seus sonhos. E você perderá sua cabeça. A vida não é indelicada?”. No entanto, a armadura que vesti para desbravar o novo parece bonita e forte aos olhos do mundo. Só não era tão perfeita aos nossos olhos.

Ao perceber isso, ele escreveu não em um cartão que acompanhasse tulipas em datas comemorativas, o “eu te amo” da forma mais direta, delicada, inesperada, desapegada e, ao mesmo tempo, mais segura do que dormir abraçado numa noite fria. Eu enxerguei meu amor como nunca havia antes e toda fragilidade circunstancial ficou pequena para a imensidão do que somos e seremos um para o outro.

sábado, novembro 05, 2005

Hoje foi minha última reunião de trabalho aos sábados com a equipe do Agenda. Como em todas as outras nesses anos, os editores não deram as caras e maioria das pessoas chegou atrasada. Longe de ser divertida, não chegou a ser das piores e definimos a pauta de comemoração dos 18 anos do programa. Bom, não vou me antecipar na despedida, e, mudando de assunto vi esse filme agora à tarde.

quinta-feira, novembro 03, 2005

Eu não sei ainda colocar links permanentes no blog por causa desse meu template. Mas vai a dica de um blog que eu ando lendo basatnte, o Blônicas, que traz ótimos textos como o que segue abaixo.

Por Rosana Hermann

Ontem eu não tomei café da manhã. Saí em jejum e fui para uma reunião.
Na hora do almoço, fiquei conversando e praticamente não comi. A comida esfriou e enrijeceu a tal ponto que eu não consegui cortar o alimento com a faca.
(É, é papo de blog, mas blog é o tema. O link já vem.)

Assim, depois de um dia de muito trabalho e poucas calorias, atingi o avançado horário das nove da noite com o estômago liderando um motim em protesto à greve de fome da turma da boca fechada.

A hipoglicemia embaçava a tela do laptop e o cérebro deu um reboot na memória. Abandonei o recinto, guardei metade do meu escritório-móvel na mochila, metade numa pasta de mão e saí do prédio em busca de víveres. A única coisa aberta era uma sub padoca bem nojenta onde uma atendente idem rescaldou um enroladinho queimado e gelado cobrando três reais. Morto por morto, pedi um cadáver mais jovem. Peguei, paguei e saí mastigando o finado pela Avenida Paulista. Um homem alto me parou dizendo que era aidético e estava com fome. Imediatamente ofereci meu lanche e fiquei bastante surpresa quando ele o recusou com cara de asco dizendo que preferia dinheiro. Segui.

Fazia muito frio, ventava e, com a boca cheia de pão, o saquinho numa mão e o laptop na outra, tentei raciocinar com que membro inferior eu faria sinal para parar um táxi. Exatamente neste momento tão frágil da minha existência, um simpático casal me abordou sorrindo. Ele me chamou pelo nome e logo se identificou como leitor do Blônicas e do meu blog e começou a conversar alegremente. Sem conseguir mastigar e falar, cobri a boca com o saquinho de pão enquanto a garota ria do meu ridículo. Finalmente engoli a mordida, pedi um segundo, virei de costas, limpei os fragmentos do pão da cara, deixando os da roupa e novamente, de frente, cumprimentei-os com beijos. Fiquei verdadeiramente feliz. Encontrar leitores de blog é uma experiência enternecedora, estimulante, entusiasmante, edificante e outros termos começados por e.

Encontrar pessoas que conhecem o autor pela televisão é diferente, porque no caso do leitor do blog, o texto precede a imagem, a relação é com a escrita. Escrita online, que também difere do leitor de um livro. O leitor online é freqüente, acompanha, volta sempre, desenvolve uma relação de mão dupla. Já conheci muitos leitores de blog, em encontros marcados, fortuitos, inesperados. Uma vez, encontrei uma leitora do blog em Buenos Aires, um momento marcante, justamente por ter ultrapassado as fronteiras nacionais. Nesta hora a gente sente que a rede é mesmo mundial. Recentemente, em Londres, fui ciceroneada por dois leitores do blog que eu só conhecia no mundo virtual, em passeios inesquecíveis e evidentemente registrados em foto e vídeo.

Na confusão das mãos, malas, migalhas, beijos, pressa e ventania, esqueci de perguntar o nome dele. Pena. Eu queria saber seu nome. Pronunciá-lo em voz alta, repeti-lo, emanar a vibração de seu nome para o universo. Não deu, esqueci mesmo. Foi a pressa. Ou a emoção. Mas fica aqui meu muito obrigada, a você, leitor na calçada. Hoje, escrevi para você.


Eu vi ontem e achei do caralho.

terça-feira, novembro 01, 2005

Quiroga rocks

Previsão para Áries - novembro 2005

Sua natureza ariana nunca combinou bem com o estado de suspense e, ante esse, normalmente você assumiria a função de quebrá-lo, ou de evitá-lo, mas isso não deu, nos últimos meses, os mesmos bons resultados de outrora. Porém, agora a coisa está mudando, e você perceberá que os ventos soprarão favoráveis novamente, com lentidão, isso sim, mas tenha certeza que, tudo o que, antes, não conseguia ser resolvido será, em poucas semanas, superado. Nada é para sempre.

domingo, outubro 30, 2005

Fim de semana cheio de compromissos, com direito a um domingo de Amélia (o que em certas circunstâncias é detestável).

Fui ao aniversário do Ronaldo Fraga na sexta e ontem quase não parei em casa. À noite teve o show do Thedy no Vinnil, em homenagem ao Lupicínio Rodrigues. Consegui ver dois dos três DVDs que aluguei e amanhã o expediente será quase normal.



sexta-feira, outubro 28, 2005

Todo dia 28 de outubro, eu acendo uma vela para ele, o especialista nas causas impossíveis. Hoje não será diferente!



Oração a São Judas Tadeu

São Judas Tadeu, glorioso apóstolo, fiel servo e amigo de Jesus, o nome do traidor foi a causa de que fôsseis esquecido por muitos, mas a Igreja vos honra e invoca universalmente como patrono nos casos desesperados, nos negócios sem remédios.

Rogai por mim que sou um miserável. Fazei uso, eu vos imploro, desse particular privilégio que vos foi concedido, de trazer viável e imediato auxílio, onde o socorro desapareceu quase por completo.

Assisti-me nesta grande necessidade, para que eu possa receber as consolações e auxílios do Céu em todas as minhas precisões, atribulações e sofrimentos, alcançando-me a graça de (aqui se faz o pedido particular), e para que eu possa louvar a Deus convosco e com todos os eleitos, por toda eternidade.

Eu vos prometo, ó Bendito Judas Tadeu, lembrar-me deste grande favor e nunca deixar de vos honrar como meu especial e poderoso patrono, e fazer de tudo o que estiver ao meu alcance para incentivar a devoção para convosco. Amém. São Judas Tadeu, rogai por nós e por todos os que vos honram e invocam vosso auxílio.

Rezar 3 Pai Nosso, 3 Ave Maria e 3 Glória ao Pai.

Ah, voltei com os comentários, atendendo a pedidos. E agora sei gerenciar mais ou menos essa bagaça. Como estou sempre mudando de idéia, quem quiser falar que fale.

quinta-feira, outubro 27, 2005

Com tanta água correndo, nem comentei sobre referendo no blog. Bom, não me posicionei pelo sim ou pelo não simplesmente porque não votar era uma certeza, já que estaria em São Paulo. Eu não compraria uma arma nunca e acho que portar um revólver em casa não livra ninguém da violência. Hoje, passando pelo Pensata, vi esse artigo pertinente.

Lula não perdeu. O medo é que venceu - Gilberto Dimenstein

Muita gente está interpretando a derrota do "sim" como também a derrota do presidente Lula que, por seu desgaste, teria recebido um "não" dos eleitores. Se isso ocorreu foi um detalhe. Não foi Lula que perdeu --foi o medo que venceu.

No final das contas, o que importa é o seguinte: os eleitores demonstraram que se sentem desprotegidos, vivem sitiados e não confiam na polícia para defendê-los. O que, vamos convir, pode ter algum exagero, mas, em essência, está certo: o número de crimes aumenta e lemos periodicamente notícias sobre a fragilidade das forças de segurança ou, pior, o envolvimento de policiais no crime organizado --e até no desorganizado.

Se os eleitores caíram na ilusão de que se estariam mais protegidos com uma arma na mão é porque estavam baseados em algo bem real: a incapacidade do poder público em protegê-los.

quarta-feira, outubro 26, 2005

Então... já tô aqui onde o céu é azul, o calor é mais forte, as opções culturais limitadas. Tô aqui onde vive minha família e a maioria das pessoas que eu amo. Tô aqui onde ainda há pendência e vontade enorme de ir embora. Tô entre constrastes. Mais do que normal.

E mais de São Paulo. Fui ao cinema com Mari e Gustavo.



Me encontrei com Ígor e tivemos uma conversa ótima. Decisiva até. Voltei com um moleque de menos de um ano, na minha frente (lógico), esgoelando madrugada afora no Cometa. Ninguém dormiu e os pais pouco fizeram para melhorar a situação. Não entendo porque os progenitores não procuram um tratamento homeopático para acalmar seus filhos em viagens de longa distância ou então, a boa e velha maracujina, sei lá. Afinal, o problema é deles. Criança berrando incontrolável, para mim, tem que ser sedada de algum jeito! Já sei, tô que nem a música do Mundo Livre S.A: "você quer fuder com o mundo, logo logo vai menstruar. Guarde um pouco pra mim". É isso mesmo!

segunda-feira, outubro 24, 2005

Vacaciones - direto de uma lan house de São Paulo

Pois meus poucos dias de descanso do trabalho foram de folga, pero no mucho. De fato, bom mesmo foi tomar chamapanhe numa tarde de terça no Pátio com Manu e Marianinha e ver filmes bacanas em DVD que eu não havia assistido no cinema.





Na sexta cheguei, enfim, na Terra da Garoa. Estou hospedada na casa da Mari Ferreira e ela e o marido dela Gustavo tem sido extremamente atenciosos e gentis comigo e com Uiara e David, que vieram para o final de semana. É impressionante como se tem coisa para fazer nessa cidade, que apesar de assustar um pouco também encanta. Fui pela primeira vez ao bairro da Liberdade, à feirinha da Benedito Calixto e ontem fiquei mais por conta da maratona Tim Festival. Bem, achei o palco mal montado (muito baixo, com telões pequenos que só reproduziram imagens a partir do terceiro show!) e a seleção com atrações completamente dispensáveis (M.I.A e Kings of Leon. Podiam ter sido substituídos por Wilco). Me surpreendi com o Arcade Fire e adorei Strokes. Julian é lindo, o máximo e ponto final. Depois, eu conto mais.


Momento Last Nite

domingo, outubro 16, 2005

Enquanto houver horário de verão, praguejarei contra ele

Sou das pessoas que mais detesta exposição ao calor que conheço. Sol demais deixa minha pele vermelha e suada. Afora que as altas temperaturas causam me inchaço, dor de cabeça e sangramento nasal. Sim, é nojento! Mas confesso que aprendi a respeitar os amantes do verão e não sou tão xiita a ponto de não colocar meus pés na areia. Eu sei que protetor solar, vinte banhos por dia, neosaldina, ventilador e vaporizador para noites secas são paleativos. Mas contra o maldito horário de verão, só morando quatro meses em Recife, o que não seria de todo mal. Não vou nunca, pelo menos nessa encarnação, achar bonito levantar de madrugada e ver que as sete da noite ainda é dia.Vou lamentar as horas a menos de minha vida durante as transições e achar ridículo virar o ano na hora errada. O argumento da economia de energia nunca me pegou e, definitivamente, eu não vou me adpatar!

E além do odioso horário de verão, o final de semana teve outro inconveniente: a ressaca. Mas não uma ressaquinha que dura a manhã toda, não. Eu me senti azul até de madrugada e não dormi em paz. Culpa da Campanha "Pela Banalização do Champanhe" promovida na casa de Mari Peixoto na sexta. Insanidade pouca é bobagem para as zilhões de bolhas que correram no meu sangue representaram. Ressaca também moral por vários motivos, mudanças e insatisfações que pontuam a minha vida.

Com a nulidade de minha social, restou ler em tempo recorde "Minhas histórias dos Outros", do Zuenir Ventura, que é dos jornalistas que eu mais respeito e admiro. Fiquei surpresa com alguns relatos e fatos do livro e me senti ínfima por saber que nem o meu maior furo na carreira - que ainda não aconteceu - chegará aos pés do que Zuenir já vivenciou na profissão.

Amanhã é o meu primeiro dia de férias ou o que quer que a palavra possa representar nos sentidos próprio e figurado.

quinta-feira, outubro 13, 2005

quarta-feira, outubro 12, 2005

Manifesto a favor do descontrol
por Nina Lemos


É muito legal ser controlada. Eu, depois de anos, acho que até sou. Só que às vezes a gente olha em volta e vê tanto, mas tanto controle que... sente falta do descontrol! Falta passionalidade nesse mundo tão politicamente correto, desabafou um amigo outro dia pelo telefone. Ele tá certo.

Então, esse é um manifesto pelo direito ao descontrol. Quer dizer, mais que pelo direito. Venho aqui clamar o descontrol e acender uma vela para ele. Que bom que ainda sentimos coisas embaralhadas, que bom que temos ciúme, raiva, amor e paixão. Que bom que gritamos na pista! Que bom!

Acho bom, até, nesse momento, que vez ou outra a gente sinta tanta raiva, mas tanta raiva, que até bata o telefone na cara de alguém. Que a gente grite quando está com raiva. E não seja exageradamente educado quando a gente não está afins de ser.

Ser superior (não, não esqueci da minha musa mulher superior) é também poder sentir! Eu quero sentir! E pra sentir amor, preciso sentir raiva. E pra sentir raiva preciso sentir amor. Ta, é psicologia barata descontrolada, mas esse é um manifesto pelo descontrole, então, escrevo sem me policiar.

A gente precisa parar de se policiar.

A gente precisa parar de ser cordato o tempo todo.

Nada como uma emoção bem de verdade gritada, nem que seja "um nunca mais quero te ver", mas que também seja um "eu te amo", dito pra pretê, amigo ou bicho de estimação.

As terapias orientas e florais não vão eliminar nosso direito de sentir. E eu, que não acredito nem em floral nem em terapia oriental, continuarei celebrando o descontrole. E a psicanálise. Que Freud a salve.

terça-feira, outubro 11, 2005

Eu sei que já é terça...

Minha insônia não me deixa alternativa. Então é hora de homenagear o ícone do luxo carnavalesco: Clóvis Bornay! A criatura jogou para o alto a frase idiota "ninguém é insubstituível". Quem irá encher os salões de plumas e paetês? So restam bundas e peitos, quando fevereiro chegar. Bornay era a própria originalidade, além dos pontos de audiência da também finada TV Manchete nos dias de folia. Me encontrei com ele no Rio de Janeiro, há poucos anos, vagando anônimo pela Nossa Senhora de Copacabana. Não me contive e liguei eufórica para a minha mãe. Com tantas celebridades de fato e instantâneas para se ver na Cidade Maravilhosa, por que alguém iria se empolgar com Clóvis Bornay? Sendo eu esse alguém, devo confessar que até hoje não desvedei de onde vem minhas predileções. Pode ser genético. Pode ser o calor. E ontem lá se foi Clóvis Bornay, meu primeiro contato com o mundo da moda. Brilhos, cores e elegância não passarão em brancas nuvens lá em cima.



Bom, e para ninguém sair por aí dizendo que me curei da minha cinefilia, eu simplesmente delirei com Wallace & Gromit. Ainda bem que o cinema é escuro e ninguém repara na marmanja aqui gargalhando que nem criança de cinco anos.

domingo, outubro 09, 2005

Nada de novo no front

Fui ao Seu Jorge, mas o show atrasou demais. Inventei de entrevistar o homem e lá pelas três e meia da manhã, tô eu e Mari Castelo Branco em plena roubada, na Serraria Souza Pinto. O bom mesmo do findi foi ir ao Balaio de Gato com a turma no sábado e ao Mercado Central na manhã de hoje. Sinais do tempo. Será que as baladas não me apetecem? Será que sou uma velhinha no corpo de uma mulher de 28 anos? Ou será apenas uma fase? Eu sei que preferi tomar limonda de domingão no "Rei da Limonada" por R$0,60 do que Prosseco de graça no sábado à noite. O Mercado é sensacional. Todas as bancas mais tradicionais ou têm nome de santo (Santo Antônio, São José) ou são o top de linha: Rei disso, Império daquilo. E para aqueles que não utilizam o adjetivo no nome, sempre há o slogan do tipo "a melhor casa de carnes do Mercado Central". Aliás, o almoço ficou mais gostoso com tudo fresquinho comprado por lá.

segunda-feira, outubro 03, 2005

E o final de semana foi cheio. Deu para trabalhar, passear, visitar a Marianinha, sair com a turma, dormir e ver filmes. Não recomendo lugares em BH faz tempo aqui neste blog, mas aí vai um que eu adorei: o Ora Bolhas, onde funcionava o insosso Cristina com Leopoldina, no Santo Antônio. Champanharia com preços variados e tira-gostos muito saborosos. Precisa de mais?



E os filmes que vi foram estes:




sexta-feira, setembro 30, 2005

Este é meu post de número 300!

Gostaria de escrevê-lo de forma comemorativa, especial. Talvez não precise de um número redondo para isso. O fato é que o mês de setembro não foi dos melhores e terminei esta última semana na maior gripe e com a pele cheia de espinhas. Não fui regularmente à ginástica, abandonei o livro que estava lendo ainda nas primeiras páginas e tenho várias pendências para resolver, sem saber por onde começo. No entanto, o que aconteceu de pior me fez enxergar a vida de uma outra maneira e não me desesperar da mesma forma com antigos problemas. Que venha outubo, que chegue logo 2006. Paciência ainda vai me custar tempo.

sexta-feira, setembro 23, 2005

Dias surreais

Da noite de terça a madrugada de quinta para sexta, presenciei momentos muito estranhos. No primeiro desses dias, vi uma punk beijando loucamente um colunista social local. Quarta foi o exército de Mobys no Chevrolet Hall (a respeito do show: foi um dos melhores do ano, com destaque para a vocalista da banda e o cover de Hendrix) e um casal (o cara é relativamente conhecido) brigando de forma insana depois do show. Ontem/hoje foi a festa de Mariiinha no Top Bar, que foca no Centrão da cidade. Eu, James, Manu e Daniel fomos os DJs do evento, que contou com a presença de Caetano Veloso. Sim, o próprio. Ele até deu parabéns à aniversariante. No mais, ficamos fazendo coreografias temáticas e agora eu preciso de uma dexintoxicação etílica urgente...

quarta-feira, setembro 21, 2005

segunda-feira, setembro 19, 2005

O último final de semana foi ótimo como há muito tempo eu não tinha! Fiz todas as coisas que mais gosto com quem mais gosto. Assisti a dois filmes muito engraçados e recomendo, principalmente Um dia sem Mexicanos.



quinta-feira, setembro 15, 2005

E ontem fui ao coquetel do Harmonia, que vai estreiar na Rede Minas e tem direção do meu amigo Lu Alkmim e produção de uma turma de primeira da TV (o pessoal do Livro Aberto está envolvido para se ter uma idéia). O primeiro programa sobre Beethoven vai ao ar domingo 16h30 e as entrevistas e povo-fala estão ótimos! Eu recomendo. Agora, o melhor da noite foi ficar ouvindo os casos de Magela, um dos caras mais engraçados que eu já conheci! Só ele consegue ter uma ex-namorada que pediu indenização em dólares...

Hoje já faz dois anos e meio. Como o tempo voa! Acho que já ofereci essa música, a minha favorita diga-se de passagem, para o meu bonitinho. Não custa reafirmar.

My Funny Valentine

My funny valentine;
Sweet, comic valentine;
You make me smile with my heart.

Your looks are laughable;
Unphotographable;
Yet, you're my favorite work of art.

Is your figure - less than Greek?
Is your mouth - a little weak?
When you open it to speak, are you smart?

Don't change a hair for me;
Not if you care for me;
Stay, little valentine, stay!
Each day is valentine's day.

sexta-feira, setembro 09, 2005

E sempre há, em meio a tristeza, aquele momento de pausa, que te faz viajar, esquecer. O meu nesta semana foi ver o Grupo Corpo, uma de minhas paixões...

Onqotô


Lecuona

quarta-feira, setembro 07, 2005

Coincidência: ontem quando fui buscar livros e vinis do meu pai, encontrei o disco do Secos & Molhados, que tinha acabado de comprar dias atrás porque queria relembrar as músicas da infância. E no meio da arrumação, me deparei também com milhares de fotos minhas bem pequenininha e algumas cartinhas, que eu e minhas irmãs escrevemos para ele...

Uma boa música para o momento:

Sangue Latino
Composição: João Ricardo/Paulinho Mendonça

Jurei mentiras e sigo sozinho
Assumo os pecados
E os ventos do norte não movem moinhos
E o que me resta é só um gemido
Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos
Meu sangue latino
Minha alma cativa
Rompi tratados, trai os ritos
Quebrei a lança, lançei no espaço
Um grito, um desabafo
E o que me importa é não estar,
E o que me importa é não estar,
E o que me importa é não estar vencido


terça-feira, setembro 06, 2005

Talvez seja impossível descrever a dor da perda, a sensação do nunca mais...Por esta razão, prefiro me apegar ao que fica: o amor infinito das pessoas mais importantes da minha vida, a generosidade e o carinho dos amigos. É hora de dizer obrigada a todos que estão ao meu lado e ao lado da minha família. Obrigada principalmente à minha irmã Uiara, que tem o maior coração do mundo.

segunda-feira, setembro 05, 2005

Para o meu pai

Depois de um dia terrível ontem no hospital, lutando mais uma vez para viver, meu pai se foi. Logo cedo minha tia ligou. E eu e minha irmã ficamos aliviadas, pois a mínima chance que ele teria seria um pesadelo: ficar em estado vegetativo, com o sistema neurólogico todo comprometido. E por mais que a gente queira que as pessoas que a gente ama vivam, essa não seria a forma de meu pai viver. Não ele. Meu pai trabalhava com criação e era tão ativo que nem os vários derrames tiraram dele a vontade de dirigir. Os outros vários infartos também não o assustaram a ponto de viver uma vida monástica. E quem pode julgar isso? Viver segundo as próprias regras foi uma opção dele.

Meu pai e eu nos afastamos por um tempo, porém antes que fosse tarde, Deus lançou sua caneta em nossas linhas tortas, para que nos falássemos enquanto havia lucidez. A última frase do meu pai foi: "eu te amo, minha filha". E naquela tarde de domingo, em meio a tanta tristeza e ansiedade, minha tia Sueli disse que ele falou que o dia em que fui vê-lo, pela última vez, foi o dia mais feliz de sua vida. O irônico é que ontem mesmo ele estava bem e havia comentado com minhas tias que iríamos fazer uma visita. No sábado a tarde pensei no meu pai e ainda no domingo, horas antes de receber o telefonema da Uiara chorando.

Minha mãe, com sua sabedoria de sempre, disse que agora eu só tenho que guardar as boas lembranças até porque eu e meu pai já resolvemos nossas diferenças, mesmo que silenciosamente. Então eu fico aqui chorando e puxando os arquivos da memória...

Meu pai, aquele cara teimoso, que partiu aos 56 anos, tinha o costume de me chamar de flor de laranjeira e chamava a Uiara de flor de manacá. Foi o primeiro homem que me mandou flores, inclusive. Justo na época em que eu era uma adolescente gordinha que achava que morreria encalhada. Foi do meu pai que eu herdei os cachos, o jeito passional e implicante. Herdei também a criatividade, o gosto pela cozinha e a incapacidade de administrar minhas contas.

Ele me buscava em festas super tarde, bem depois da meia-noite porque achava que eu tinha mais era que aproveitar. Me dava livros ao invés de brinquedos e pouquíssimas broncas. Aliás, meu pai era dado a lições pouco ortodoxas. Deixou que eu enfiasse os dedos na tomada para entender limites e me cortou de um comercial que ele fez - e que estavam todos os meus amiguinhos - porque eu fiz uma pirraça homérica. Foi também com meu pai que eu tomei meu primeiro copo. Eu tinha uns 13 anos quando ele levou para casa um Keep Cooler. Me senti super adulta na ocasião.

Com o meu pai vi que homem chora sim e isso não é nenhum absurdo. Muita coisa fazia com que ele derramasse lágrimas, assim como eu: uma música, um jogo de futebol, a minha formatura. Ele chorou quando me viu pela primeira (todos os anos contava que no dia 05 de abril de 1977, a emoção foi tanta que meu avô Nunzio, pai dele, até bateu o carro) e pela última vez.

Agora a gente empatou porque minha cota de choro sobrou para a despedida. Eu só posso dizer uma única coisa, e eu sei que meu pai vai entender: "Vai com Deus porque seu 'agarradinho' vai ficar bem".

sexta-feira, setembro 02, 2005

Previsão para Áries em setembro - por Quiroga

A vida ainda não recuperou o brilho que você tanto aprecia, ainda há mais problemas do que soluções, mais tédio do que diversão, mais conflito do que criatividade. Tenha certeza, no entanto, que uma situação assim só poderia ser passageira, confie em sua natureza, você não apenas sobreviverá a tudo, como também viverá muito melhor do que antes.

quarta-feira, agosto 31, 2005

Depois de uma renião super estressante, um ótimo encontro com a a Michele Borges e a turma do Magazine para o, digamos, "bota-fora" dela, que assumirá outro posto no jornal. Enquanto ouço Cachorro Grande e penso nas pendências do dia seguinte, uma frase não me sai da cabeça: "o que vem de baixo não me atinge". Desta vez não será diferente. Em outubro sim, para o bem, tudo será diferente!

terça-feira, agosto 30, 2005

Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade

segunda-feira, agosto 29, 2005

E o final de semana foi aquela loucura: um evento atrás do outro. Preciso de mais um para descansar e colocar os trabalhos atrasados em dia. Bom, mas do que eu mais preciso mesmo são as férias de 30 dias que não tenho há 5 anos...

sexta-feira, agosto 26, 2005

Mais uma semaninha agitada e insana se foi...Tenho dois casamentos para ir no sábado, além do aniversário da minha irmãzinha Uiara.

Pra ficar legal, vai um disquinho das pesada que estou ouvindo e recomendo

domingo, agosto 21, 2005

Acabo de voltar de um showzaço...



O final de semana foi ótimo, tirando os excessos (bebi demais ontem e fiquei o dia inteiro indisposta) e uma notícia muito triste. Na verdade é mais do que uma "notícia", é algo que promove uma mudança de comportamento e reavalição de valores e convicções. Não se pode voltar no tempo para consertar alguns erros ou dizer aquilo que ficou engasgado. Porém existe o "antes que seja tarde", que neste caso não será nenhum pouco fácil.

sábado, agosto 20, 2005

E do almoço chiquê com a top Isabeli Fontana de ontem, eu pulo para a festa da Obra, logo mais...

Tô louca para ver o Matanza!

terça-feira, agosto 16, 2005

Toda segunda podia ser um feriado, como foi ontem. Fui ao Salão do Livro (o mais fraco de todos até agora. Tudo porque os estandes de auto-ajuda e livros religiosos estão dominando a área), almocei no Doca, tomei cerveja, dormi muito, vi o Que Coso, curta da Bete no Humberto Mauro, fui ao cinema de novo e depois Taninha. Deu para cansar.



domingo, agosto 14, 2005

O diário que virou semanário
Assim está meu blog. Enfim, o trabalho não deixa ser mais que isso mesmo!

E hoje é Dia dos Pais
Parabéns à minha mãe, que é pai para toda obra. Infelizmente neste domingo não dei presente porque minha situação é periclitante. Mas fiz um almoço mexicano ultra picante para ela. Guacamole, Tacos e Feijão Típico. Para minha primeira incursão nesta culinária, até que fiz bonito. Só faltou mesmo a tequila!

O que de melhor rolou até então
Ir ao Festival de Circo na quinta, e ver Espangles (razoável) ontem. Teve outra esticada para o universo circense ontem, porém o cansaço não me deixou ver o DJ Dolores, que até duas da manhã não tinha entrado em cena.



E amanhã é Feriado, ueba!!!

segunda-feira, agosto 08, 2005

Domingo agradável. Fiz risoto de camarão e de funghi para a turma da Noir + família.

Depois, um cineminha para não perder o costume. Em geral, filmes de aventura não me apetecem (se perigar só gosto mesmo do Indiana Jones). Acho ridículo um sujeito escapar ileso de uma chuva de balas, depencar do trigésimo andar e ter apenas um cortezinho no braço...A Ilha vale apenas pelos efeitos visuais e pelo Ewan McGregor, que eu acho um charme com aquele sotaque.



E na volta do cinema, eu e Alê ouvimos o Marcos Valério em entrevista à CBN. Como o cara consegue ser tão cara de pau? Ainda solta a pérola: "a única forma de ganhar dinheiro que eu conheço é trabalhando". Dá para alguém traduzir, porque essa eu não entendi ?!?

sábado, agosto 06, 2005

Trabalhar com aquilo que se gosta é um privilégio para poucos, mas não chega a ser um mar de rosas por conta da responsabilidade, do perfeccionismo e da grana que quase nunca é ideal nesses casos. Enfim, nesta semana dormi, acordei e comi com a cabeça na pesquisa sobre o Grupo Corpo e o especial de 30 anos que estamos produzindo sobre a Companhia (para mim é a melhor do mundo e não tem jeito). Encerrei o Agenda com imagens do ensaio de Onqotô, em primeira mão (o espetáculo estréia em setembro no Palácio das Artes) e colhi depoimentos maravilhosos e emocionantes. Assim que rolar o especial, aviso aos meus "leitores" deste espaço.







E o melhor até o momento foi encontrar com a turma (Marianinha, Mari, Lu, James e Fernandinha) hoje no Bar do Careca para falar de bobagens e, claro, do Marcos Valério, assunto número um dos país (desde ida ao salão de beleza até a prévia de entrevista com alguém bafão).