sexta-feira, dezembro 28, 2012

Para encerrar o ano do fim do mundo

O dois mil  que bate à nossa porta será 13. No tarô é o jardineiro eliminando tudo que não serve para que o jardim floresça. Renascimento, renovação...tempo da borboleta sair do casulo e voar.

No horóscopo chinês é o ano da serpente. Bom para fazer outra festa no dia 10 de fevereiro quando acontece a virada.

Também comemoro quando o sol ingressa em áries e se inicia o ano de Buda (normalmente em abril).

Restinho de 2012 que serve para balanços. O ano do fim do mundo. E eu achei essa resposta  incrível de Proust para a pergunta: Que efeitos essa iminência do fim causaria? O que você faria?


“Acho que, de repente, a vida nos pareceria maravilhosa se estivéssemos ameaçados de morte como o senhor diz. Pense em quantos projetos, viagens, casos de amor e estudos a vida oculta de nós, tornando-os invisíveis por causa da nossa preguiça, que, certa de um futuro, adia-os incessantemente.
Mas, sob a ameaça da impossibilidade eterna, tudo isso voltaria a ser lindo! Ah! Se o cataclismo não acontecer desta vez, não deixemos de visitar as novas galerias do Louvre, de nos jogar aos pés da Srta. X, de fazer uma viagem à Índia.
O cataclismo não acontece e deixamos de fazer tudo isso porque voltamos ao âmago da nossa vida normal, no qual a negligência arrefece o desejo. Mas não deveríamos precisar do cataclismo para amar a vida hoje. Seria suficiente pensar que somos humanos e que a morte pode acontecer esta noite.”

Por esse ângulo, meu saldo é positivo. Não deixei de arriscar, de saber que minhas escolhas em busca do meu mais precioso objetivo me levariam a ele, de alguma maneira. Naquele Réveillon de 2011 usei uma calcinha branca e pedi paz. E para que ela invadisse o meu coração, como cantou o Gil, precisei até guerrear internamente. Consegui, enfim, minha casinha. Com meus discos na prateleira, meus móveis vintage e a sensação de aconchego. Lar é paz em estado puro. 

Acreditei mais em mim, nos outros e até aqueles que não mereceram o crédito ficaram em débito com eles mesmos...que sejam felizes e sigam bem longe de mim (porque, afinal, não tenho sangue de barata). Tive o privilégio de fortalecer algumas amizades e, ainda, de conhecer gente que quero para perto nos próximos dias, meses e anos. 

Aquele branco lá de dezembro passado segue ganhando novas formas. Agora é uma folha para anotar ideias, escrever cartas e deixar tomar conta da memória quando não se tem resposta para tudo. 

Eu aceito e agradeço o que 2012 me trouxe. Tudo de ruim e de bom. Nada disso me derrubou ou me envaideceu. Sigo querendo paz, batalhando por sua permanência. Mas nesta virada de segunda-feira, confesso, mudarei a cor da calcinha (único ritual que pratico porque não como 12 uvas, não pulo 12 ondas e nem nas 12 badaladas fico eufórica, pois estamos em horário de verão). 

Meu próximo desejo de ano novo vai gostar de andar de mãos dadas com a paz. Desconfio que sejam almas-gêmeas.






terça-feira, dezembro 25, 2012

Feliz, feliz Natal. Merecemos. Por Caio Fernando Abreu


Amanhã à meia-noite volto a nascer. Você também. Que seja suave, perfumado nosso parto entre ervas na manjedoura. Que sejamos doces com nossa mãe Gaia, que anda morrendo de morte matada por nós. Façamos um brinde a todas as coisas que o Senhor pôs na terra para nosso deleite e terror. Brindemos à vida – talvez seja esse o nome daquele cara, e não o que você imaginou. Embora sejam iguais. Sinônimos, indissociáveis. Feliz, feliz Natal. Merecemos.

Páragrafo final de Mais Uma Carta Para Além dos Muros, publicada no Caderno 2 do Estado de S. Paulo na véspera do Natal de 1995, o último Natal de Caio Fernando Abreu por aqui. Está no livro Pequenas Epifanias.






Deste blog sensacional aqui






sexta-feira, dezembro 21, 2012

Então eu vou ali...

Comprar minhas flores, renovar na marra a tal esperança. Não porque seja fim de ano e nessa época é o que se faz por hábito. Mas porque o fim de ano, às vezes, vem com aquela peça de mau gosto que o destino gosta de pregar. E quando não vem, algumas reflexões são inevitáveis.

Fui uma pessoa melhor em 2012. Pratiquei o que para mim é muito difícil, a tolerância. Ao conviver com o que me faz mal, testei limites, respirei fundo, busquei minha fé meio adormecida, os glóbulos mágicos da homeopatia e o colo, que não me falta, dos poucos e bons.

Não emagreci cinco quilos, não voltei a estudar inglês, não escrevi um livro, não tirei carteira, não ganhei na loteria, não conquistei o coração de ninguém.

Eu poderia chamar a lista de frustração ou transformar, novamente, todo esse pacote em meta...No entanto, decidi jogar fora. Parar de esperar que eu vá ser perfeita, que as coisas irão surgir por merecimento. Parar de olhar para os tempos difíceis com raiva e os incríveis com nostalgia.

Nesse estranho 21 de dezembro tão malfadado ao fim do mundo, eu vejo os dias que virão sem tons cinzentos ou fluorescentes. Terei que ter saúde e disposição para um novo trabalho. Seguirei exercitando a paciência para lidar com aquilo que preciso e desprendimento para tudo que não está em minhas mãos. Nas horas vagas, vou sair para dançar, vou preparar um suflê, vou ligar para um amigo apenas para dizer o quanto ele me faz feliz, cuidarei do meu lar...bem, serei eu com a esperança renovada na marra, as astromélias no vaso às sextas.

Então eu vou ali, porém não quero deixar de agradecer, que é mais legal que pedir qualquer coisa, àqueles que seguem comigo de mãos dadas e todo sentimento do mundo (" minhas lembranças escorrem/ e o corpo transgride/ na confluência do amor". Carlos Drummond de Andrade, claro, e sempre).




quinta-feira, dezembro 20, 2012

Álvaro de Campos

quarta-feira, dezembro 19, 2012

Desconstruindo Mutantes

Calor insuportável, desses de delirar. Eu, meu caderninho em minutos de pausa, nas primeiras horas do dia. Lembrei-me de "Baby", dos Mutantes e escrevi a bobagenzinha abaixo, que transcrevo para apenas não perder.

Está decidido: vou comprar um biquíni
Para que você possa me chamar para a piscina
E farei com que nem queira saber de gasolina ou Carolina
Você só  precisa saber de mim
Baby, há quanto tempo...
Também vou tomar um sorvete na lanchonete
Mas você não precisa ir, se não quiser.
Nem mesmo terá ouvir aquela canção do Roberto
Para mim tá tudo certo, baby
Você só precisa saber de mim.




segunda-feira, dezembro 17, 2012

Ainda a impossibilidade



Todo dia a impossibilidade nos atravessa de algum modo. Hoje a mulher que saiu de casa para visitar a família, comprar presentes de natal ou ir ao cinema sofreu um acidente. Seu carro derrapou e ela morreu na hora. Também o garoto, que jogava futebol com os amigos. Ele sonhava ser um craque, no entanto, olhou para os olhos dela. E seu coração parou de bater.


"Não é possível completar sua chamada", diz a voz metálica do outro lado do telefone. "Desculpe, senhora, não foi possível localizar um carro para te atender", completou a atendente da cooperativa de táxi. Não teve jeito da espuma do meu cappuccino italiano vir espessa naquela padaria chique e também o encontro foi desmarcado.


Então tem hora que é melhor não insistir. Saber recuar, parar de pensar simplesmente. Parar de ligar, ir para a rua pegar o tal táxi, beber um chá e não remarcar. A impossibilidade sempre esteve rondando nos últimos tempos, seja por conjunção astrológica, ciclos a serem encerrados ou azar mesmo. Eu inclusive, num contexto bem diferente, escrevi sobre uma de suas facetas em agosto de 2011. Para lembrar, basta clicar.






Desse substantivo feminino composto por 15 letras, com 4 vogais e 6 consoantes derivam sensações incômodas e perguntas sem respostas convincentes. Ao menos para mim que, insistente, no fundo acredito naquele refrão do Roy Orbison ("anything you want, you gotta it"). Quem sabe na próxima.  








segunda-feira, dezembro 10, 2012

Um cappuccino morno

Um cappuccino morno. Nada poderia ser pior. O dia estava estranho e ainda choveu. E eu não gosto de chuva, de sol escaldante, dessa combinação veraneia. Sei que a natureza tem ciclos, blá blá blá. Mas invejo os pássaros que voam atrás do clima que consideram mais agradável.

Um cappuccino morno. Não era italiano. Umas pelotas de leite em pó, café solúvel e achocolatado. Eu ilhada naquele café ordinário pensando que a vida não poderia ser como aquele cappuccino. Estava melado, quase transbordando na xícara. A atendente fria provavelmente o esquentaria no micro-ondas, caso eu me valesse da máxima "o cliente tem sempre razão".

Um cappuccino morno. Era preciso fumegar, me esquentar e até quase me queimar...não tenho problemas em ferir a língua. Com um bebida quente ou um beijo demorado e rasgado. Não sou de selinho, não acredito nesse hype. Não sei viver de maneira morna, essa coisa meio Leila Pinheiro cantando: afinadinha, pero non Maria Bethânia. Vá ser abelha rainha na vida e faz de mim um instrumento de seu prazer.

Um cappuccino morno, uma tarde vazia, uma vontade de fim de mundo diante do que é mais ou menos, preguiçoso, pela metade, nem oito, nem oitenta, cheio de medinhos ou não me toques. Nada morno, a não ser um banho antes de dormir, serve para mim. Pago a conta e nem abro a sombrinha. Deixo as gotas geladas me ensoparem. Ao menos, os tais deuses da chuva sabem dosar quando querem.




domingo, dezembro 09, 2012

Cuatro Caminos

Eis que surge o bom e velho impasse.
Eis que você quer estrear na modalidade prática e racional.
Eis que você procura resposta nos seus oráculos, nos tempos passados, no que um dia deu errado.
Eis que você faz um verdadeiro plebiscito: qual o conselho da amiga que não é impulsiva? Alô, alô amigo marciano, aqui em fala é da Terra, me ajuda a resolver essa guerra?
Eis que você percebe que isso tudo daria o nome de um disco do Café Tacvba: Cuatro Caminos. Por qual seguir?
Melhor colocar a música para tocar.
Melhor esperar que passe, impasse.
Ou, pelo menos por hoje, fingir que ele não está diante de mim.