terça-feira, fevereiro 27, 2007

"Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer".
Honoré de Balzac

Nunca li Balzac, mas chorei vendo a Costureirinha Chinesa mudando sua vida por conta dos livros dele. Um livro nunca mudou minha vida. Minha vida não daria um filme...Estou chegando na casa dos 30 querendo mais Prozac do que romances. Se bem que um pouquinho na vida real não me faria mal algum. Sigo com minhas rimas pobres e causas nada nobres. Hoje é terça. Não tem jeito.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

E o Oscar vai para...

Sim, a festa é cafona. As piadas são, na maioria das vezes, para americano rir. Quase sempre discordo dos premiados, mas...adoro o Oscar. Pronto, falei. Todos os anos corro para ver os filmes em cartaz antes do evento. Entre sábado e domingo assisti a cinco (apenas um não estava no páreo) em sessões lotadas. Chorei, ri, fiquei irritada com filas e pessoas que falam na sala, comi mais pipoca do que devia, enfim.

Nove da noite de ontem: lá estava eu na frente da TV comentando o vestido exagerado da Nicole Kidman, o visual simplório da Meryl Streep, a elegância da Kate Winslet e o charme da Gwyneth Paltrow. Mais tarde, reclamei dos surtos do Rubens Ewald Filho, dos erros da Maria Beltrão (eu vou alternando os canais), dei uma cochilada durante as músicas sempre chatérrimas, comi mais bobagens, praguejei contra meu televisor sem tecla sap, torci para os latinos e lamentei não ter entrado num bolão pela primeira vez. Eu perderia, claro, porque não apostaria nos Infiltrados, nem na trilha de Uma Verdade Inconveniente. De resto, eu acertei na mosca.

E sabe o que vem depois? Eu invariavelmente perco a hora, não encontro nenhuma roupa digna no armário e chego atrasada no trabalho. No caso, foi um percurso nada agradável. A van do meio-dia é sempre lotada. Gente com todo tipo de visual, cheiro e reclamação. Nada de glamour na chegada até a Marginal Tietê. Almoço sem tempero, vida sem novidade e caixa de mensagens com emails que eu só devo responder amanhã. São poucas as vezes no ano que eu me permito adentrar no universo fútil (não vejo BBB, novela e odeio notícias sobre "celebridades", sobretudo noticiá-las) e, por alguns instantes, como agora, chego a pensar que ele tem seu encanto.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Não há muito o que contar para não haver lamúrias. Vi e revi alguns filmes, li a Décima Segunda Noite numa sentada (esperando o avião), fui ao aniversário da Fernandinha, tive que ouvir papos de pais empolgados com seus rebentos, namorei um tiquinho e pum, lá se foi mais um carnaval. Contagem regressiva para as férias. Dia de pescoção. Fim de semana sem nenhuma programação e um The Cure para animar esse dia quente.

domingo, fevereiro 18, 2007

O Blogger mudou e eu nem vi...

Alguns dias sem postar por falta de tempo, de paciência e de criatividade. Minha constante irritação está gritando, mas por hora em Belo Horizonte, acredito que os nervos à flor da pele se amenizem. São as benécies do ócio de que tanto preciso. Vários DVDs para assistir. Alguns clássicos como Noites de Cabíria, do Fellini. Não pretendo programação intensa. Aliás, vim para o lugar certo. Um quase deserto.

Semana passada tive um único momento de felicidade, que foi conhecer a Monja Coen. De resto, nada foi digno de relato por aqui. Meu vôo de sábado felizmente não atrasou como eu previa. No entanto, consegui ler a TPM de fevereiro inteira na sala de embarque. Quando o avião decolou, comecei a chorar. Foi o texto da Mara Gabrilli e meus hormônios juntos. Ainda bem que sempre haverá óculos escuros para evitar olhares curiosos.

A antítese das mães - Mara Gabrilli

No dia-a-dia com vovó Semi, aprendi a assistir à TV com a tela trêmula e a acreditar que podem existir mais coisas entre o céu e a Terra

Numa tarde de sábado estacionei o carro ali na rua Avanhandava, no centro de São Paulo, esperando o Walter Mancini sair de seu restaurante. Fiquei admirando aquela rua que agora transformamos num boulevard acessível a todas as pessoas. Como nos centros históricos europeus, que se inspiram no conceito de “traffic calming”, deixando a rua no mesmo nível da calçada para integrar veículos e pedestres. O Walter chegou curtindo um som no seu iPod. Colocou um dos fones na minha orelha: “Anos de Solidão”, do Piazzola. Em seguida, declamou um poema que, por profunda coincidência, minha avó recitava para mim. Me emocionei com lágrimas... Morei com ela no seu apartamento na avenida Brigadeiro Luís Antônio bem naquela região central. Por mais que reclamasse da dor no fígado, das freqüentes mudanças que eu fazia no apartamento, da velocidade com que eu a ultrapassava no corredor, quase a derrubando no chão, tinha entusiasmo e falava naturalmente a linguagem do amor. Eu adorava sair para dançar e, quando chegava muito tarde, decidindo não ir à faculdade logo cedo, ela crescia de felicidade e triplicava os quitutes do café-da-manhã. Gostava de demonstrar que era melhor comigo em casa. A maioria das avós vira antítese das mães, já foram duras com seus filhos e preferem ser doces com seus netos. Muitas vezes enquanto eu estudava, entrava no meu quarto, subia num pequeno divã e declamava poemas encenando gestos e expressões numa entonação que fazia ela própria chorar. Sentava ao lado dela para assistir à sua televisão, com uma imagem repleta de chuviscos e rabiscos que eu mal conseguia reconhecer pessoas... Mas ela entendia! Depois de um tempo sem decifrar aquilo eu começava a folhear revistas até que minha avó pedia que eu parasse de fazer vento nela. Eu achava aquilo um absurdo, mas hoje, depois do meu acidente, fiquei muito sensível a oscilações de temperatura. Não posso com alguém folheando revista ao meu lado. Conhecida na feira da Major Diogo, que freqüentava há 30 anos, era chamada pelos vendedores, que gritavam o nome do produto junto ao dela: – Olha as berinjelas, dona Semíramis! (Aliás, refogadas, eram uma de suas especialidades.) Quando fui morar com ela, tinha 80 anos e confundia um pouco as cédulas. Quando dava 50 reais para pagar uma compra de 4 reais e mandava o feirante ficar com o troco, alguns devolviam, outros não. Vovó Semi tinha graça e encanto. Usava conjuntinhos, tudo combinando. Seu banheiro tinha toalhas, tapetinhos, cortinas, enfeites de mármore, pia, bidê, vaso, acessórios para toalete e flores artificiais, tudo cor-de-rosa. Coisas que só uma avó faz Ela via personagens, que chamava de espíritos, na sala. Eles chegavam ao cair da noite. Era o orelhudo, o de cabeça azul e o peludo de olhos amarelos. Ela me chamava para vê-los, ficava mostrando onde estavam, mas eu não conseguia enxergá-los. Um dia cheguei para almoçar e senti um cheiro forte de rosas na sala. Minha avó veio da cozinha contando que viu o espírito de uma mulher de branco jogando pétalas de rosas pela sala. Fiquei em pânico e, mesmo sabendo que de nada adiantaria, tranquei as portas pra dormir. Fui morar num flat e, um ano depois, ela morreu. Meu irmão morava fora do Brasil e estava viajando com meus pais. Vesti e maquiei minha avó! Com minha tia, primos e minha amiga Selma fizemos o enterro. Foi a única pessoa da família muito próxima que perdi. Na correria burocrática, não deu para sofrer. Adormeci e no dia seguinte, quando acordei, chorei de emoção e felicidade!

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Hoje eu esqueci de tomar o remedinho. Também deixei meu celular em casa. Fiquei o dobro do tempo no trajeto para o trabalho e apaguei na van. Fui acordada na Barra Funda pelo motorista, com cara de pena. Mal sabia ele que eu também ficaria um bom tempo esperando o transporte do jornal.

Pior é que com medo de me atrasar demais em dia de pescoção, acabei colocando a primeira roupa que vi pela frente: uma calça jeans, que como quase todas as outras, está apertadíssima. Levantei cedo para ir à academia e fiquei pensando naquela frase do Woddy Allen: "se a decadência física é inevitável, para quê tanto execício?". Eu até gostava de malhar até bem pouco tempo atrás. Agora, devo admitir, que só tenho paciência para yoga, a qual sou super irregular em freqüência.

Uma vez no jornal, tudo que eu estava fazendo caiu. Ou foi substituído. Normal, pensei. Se o gravador digital não fosse um lixo e a expectativa de plantão das menos animadoras. Por um pedido lá de cima, serei obrigada a cobrir um maldito festival de karaokê no ABC, fora as matérias de cidades que eu detesto fazer.

Parece TPM, mas é só um péssimo humor mesmo. Minha tolerância é zero, meu saldo de três dígitos não cobre o montante de contas de quatro dígitos. Por razões óbvias, não pegarei nenhum cineminha para não morder a pessoa que sentar ao meu lado na sala porque ela resolveu respirar. O único número satisfatório em minhas contas essenciais é o das férias: faltam 38 dias para eu sair desse mal humor que até pode me pertencer em parte, no entanto, está agudo demais para suportar.

Escrito para mim...
Desabafo de um blogueiro.
De Rosana Hermann.


Quando você compra um filhote de cachorro você sabe que além de fazer gracinhas e alegrar a casa ele também vai fazer xixi e cocô no tapete, roer os móveis, puxar a cortina e mastigar seus sapatos. Só um ser humano totalmente inconsciente adquire um animal de estimação acreditando que ele é um bicho de pelúcia que se mexe.

Algo semelhante acontece quando você decide ter um blog. A diferença é que neste caso não é o blog que faz xixi e cocô pela rede mas um ou outro internauta anônimo que eventualmente entra nos comentários para deixar seus dejetos.

Ao longo desses anos todos de contato direto com o público através de sites e blogs aprendi algumas coisas básicas. A primeira delas e, talvez a mais importante, é que todo ofensor, além de ser um solene filho da puta, é uma pessoa carente. Carente, infeliz e, em última instância, doente. Digo isto com a experiência de quem involuntariamente coleciona alguns desses poucos pervertidos, entre milhares de pessoas bacanas e gentis.

Uma dessas criaturas, que gosto de pensar como sendo mulher, é uma chata de galochas que praticamente mora na porta do meu blog. Ela entra todos os dias, várias vezes, o que em tese, seria motivo de gratidão e orgulho. Pelo menos eu me sentiria assim se a freguesa viesse três vezes ao dia na minha padaria para comprar pãozinho quente. No entanto, o que a leva ao blog não é a convivência com outros leitores ou a busca de informação mas o garimpo por acentos em sílabas terminadas em ú. Não é piada, juro. E não adiantaria mandá-la para nenhum lugar adequado ao tema. Ela tem orgasmos, múltiplos, quando encontra um acento errado num ‘u’ ou num ‘i’. E quando não cometo este erro, ela tece comentários de posts anteriores onde a falha ocorreu. E, se não encontra nenhum problema com os acentos, ela sai alucinadamente buscando por vírgulas mal colocadas. Agora, sério, me diz se isso não é uma espécie de transtorno ortográfico compulsivo?

Uma outra pessoa, muito mais comprometida e nefasta, está arquivada na minha memória como um homem de pinto pequeno. Extremamente indeciso sobre sua sexualidade, ele assina ora com nomes femininos ora com masculinos, sempre com aquele ódio venenoso de quem desistiu de ser feliz. O tema recorrente para me ofender são assuntos antigos, sempre ligados a trabalhos em tv, que não têm o menor fundamento. Ao que tudo indica, deve ser algum funcionário ou funcionária que demiti ou nem contratei quando tive um cargo que permitia esse tipo de decisão. Os anos passam, a fila anda, gente nasce, gente morre e ele, sempre lá, batendo na mesma tecla. Imagino que o sofrimento dele deva ser imenso. Não consigo pensar em nenhum sofredor maior do que o vingativo amargo. Conheço uma outra pessoa assim, que não consegue ser feliz um único dia na vida, porque arrasta esqueletos produzidos durante décadas, todos amarrados em seu próprio corpo. É muito karma pra uma pessoa só.

A terceira e última criatura que vale ser mencionada, porque talvez represente um avatar que você já conheça, é a invejosa profissional. Aquela que sofre com qualquer alegria alheia. Que anda com um alfinete na bolsa para estourar balões de gás das criancinhas. A invejosa é surpreendemente ardilosa e é capaz de fazer pesquisas e contas só para saber quando você gastou no jantar que você descreveu ou a viagem que você fez. Tudo isto, claro, para tentar calcular quanto você ganha, com o único objetivo de invejar seu estilo de vida. A invejosa vibra com seus fracassos, tem frouxos de riso com suas derrotas e ataca assim que fareja um pequeno sucesso conquistado. Ela nunca escreve de forma direta, falando com o blogueiro: ela fala sobre o blogueiro com os outros leitores que, em geral, tenta cooptar para seu covil. Ela bate o pé e diz ‘bem feito’ quando você se dá mal e torce para que você se exploda. Torce apenas, não, ela está sempre pronta para ser a primeira voluntária a apertar o detonador. E se sobrar um dinheirinho, ela doa para financiar a dinamite.

Diante desses exemplos a pergunta natural seria, por que manter um blog, então? Para sofrer? Para apanhar calado sem poder saber a identidade dos agressores? A resposta é simples: porque compensa. Porque as alegrias prevalecem. Porque é meu jeito. Porque eu preciso escrever. Porque tenho muitos leitores amigos e amigos leitores. E porque assim como as bactérias têm função vital no equilíbrio de todo organismo, também esses ofensores têm um papel na blogosfera. Eles servem para nos lembrar que o mal existe, que a qualquer momento podemos ser apunhalados. Servem de contra-exemplo para que a gente não caia nessa mesma armadilha e não faça o mesmo com outros. Os infelizes mostram que a infelicidade é um fardo insuportável que devemos evitar durante a vida, perdoando, compreendendo e deixando pra lá sempre que possível. No Fashion Week da Vida eles são aqueles modelos que a gente deve ver para jamais copiar.

A única coisa que lamento mesmo é que, também ao contrário dos cães, não seja possível aplacar essas dores, iras e males desses leitores para que eles se libertem das amarras da infelicidade. Acredito que não seja possível ensinar essas pessoas a fazer cocô no lugar certo, como se faz com os bichinhos. Porque enquanto o cachorro, o gato, querem distância dos seus excrementos, essas pessoas fazem questão de deixá-los perto de si mesmas. Fazer o quê. Dizem que cada um dá o que tem de melhor. Vai ver elas só tem isso para oferecer ao universo.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Férias de Mammy e Uiara em SP - Parte 2: as estrelas da festa

Lavanderia do Téti


Vale invade a lavanderia


Filó e Valentin


Os irmãos caramelo


O gatinho mais lindo e carinhoso do mundo


Reecontro:

Ontem fui ao Veloso (um bar ótimo que fica próximo à estação Ana Rosa) com meu querido amigo Thiago Guimarães. Há algum tempo eu não o via. Ele foi estagiário do Agenda e um dos melhores produtores que o programa já teve. Além disso, seu texto é excelente e pelo que sempre notei, um profissional ético como poucos. Ainda por cima ele é bonito. Por dentro e por fora. Tivemos ótimos momentos, lembramos dos amigos e do passado. Ele agora é chefe na Agência Folha e tenho certeza (e torço) de que ele irá muito mais longe ainda.

Mera Coicidência?

Como o Lúcio Ribeiro mostrou em sua coluna, as duas maiores revistas de música do País tiveram a mesma idéia genial de colocar o Chris Martin, do Coldplay na capa. É a criatividade dos jornalistas musicais brasileiros gritando.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Imperdível



Momento Identificação?

Estou testando a importância de ser desocupada no caderno em que escrevo (não ídola como aquela meninha da MTV da qual não lembro o nome disse uma vez). Mas hoje percebi que trata-se de uma tentativa inútil já que meus préstimos estão em outros cadernos (porque eu me ofereci, com exceção das matérias de cidades, claro) e no Alto Falante. É duro ser maníaca por trabalho, mas está acabando. Dentro de menos de 40 dias tiro férias de 30 como não tirava desde 2000. Isso deve me tornar uma pessoa melhor.

domingo, fevereiro 04, 2007

Cenas das férias de Mammys e Kikinha em São Paulo - Parte 1


Rodrigo "Heleninha", meu roomate insano com seu amigo Márcio


Uiara com o casal Marco e Ju


Eu, ao lado de Rosele e Daniels Borat


Eu, Lili e Mamãe no Drosophyla


Mamãe e Ronaldo numa cantina do Bixiga


Mamãe fazendo chifrinho em Uiara na Liberdade


Com mamãe na Liberdade