segunda-feira, abril 30, 2012

#astrologiafail

Eu ri depois de ler o horóscopo do dia...vou até comentar em tópicos.

"Conte com uma dose extra de animo e autoconfiança". Não existe ânimo na segunda, ainda mais com a dobradinha plantão de final de semana (último) e feriado (amanhã).

"Rituais em momentos de relaxamento serão ótimos pra conectar você consigo mesmo". Relaxamento em meio a mudança (isso porque moro em média em três lugares diferentes por ano desde 2010)...sei. E se tem algo que eu quero muito é me desconectar, sobretudo de mim mesma. Quero outra eu há tempos.

"Ciúmes tendem a abalar relacionamentos afetivos e sociais. Seja mais constante nas promessas". Não vou mencionar relacionamentos afetivos. Quanto aos sociais, o fim de semana e o feriado seguem tão "forever alone" que meu telefone nem toca. E o que eu posso prometer para qualquer cidadão? Ahh, me poupe!

Já passou da hora de eu continuar acreditando em bobagens. E o post é só mesmo para registrar isso.

Outro abril de que não gostei.

terça-feira, abril 24, 2012

Uma busca

Não era o que queria ser quando crescesse.
Não foi o que desejou quando partiu.
E agora dobra quereres e desejos como se fossem origamis.
Nada de apartamento com varanda, amor tranquilo ou viagem a Londres.
Quer simplesmente sofisticar.

Meia hora na festa, poucas palavras, duas taças no máximo, bom dia, boa tarde, boa noite, muito obrigada.
Quer sorrir e agradecer quando surgirem as inúmeras fórmulas dadas pelos outros sobre como conduzir sua própria vida.
Espera de fato respirar - contando até 5.912 - sem que isso pareça um exercício árduo.
Trocará as horas lendo besteiras na internet por livros, e-mails por cartas, redes sociais por encontros com amigos de verdade, o passeio no shopping pelo parque, o seriado pelo cinema, a ansiedade por uma xícara de chá.
Voltará a cozinhar, a plantar os próprios temperos.
Retomará as aulas de inglês e espanhol.
Quem sabe até pinte quadros novamente?

Terá disciplina para alongar-se e correr.
Seguirá a dieta.
Dormirá mais, a ponto de, um dia, fazer a sesta.
Não dará bois ou boiadas por meia briga.
Nem emitirá opiniões que não sejam deliberadamente solicitadas.
Não cairá em conversas fiadas ou promessas furadas.
Passará longe de sujeitos descuidados, indecisos, bobocas e cretinos.
Evitará qualquer relação com pessoas de temperamento sórdido.

Sofisticar é simples.
O simples é que é extremamente complexo.

domingo, abril 22, 2012

Post Mal Humorado

Dor de cabeça insuportável. Redundância, pode ser? Talvez não. Tenho resistência a uma série das dores físicas. Cabeça e estômago, definitivamente, me tiram do eixo. Resolvi escrever porque pensei nisso como um experimento. Já redigi sob efeito de alegria, lágrima, álcool e por que não dor física? Tudo influencia...então esse é um post mal humorado porque é assim que eu fico quando a (s) neosaldina (s) não funciona (m).

Cogitei ir ao hospital. No entanto, fico pesando no que é pior: aquele monte de gente amontoada esperando a vez por horas a fio, num lugar abafado e cheio de bactérias no ar para depois ser atendida por um clínico pedante que vai te injetar algo (odeio injeção) ou prescrever um medicamento qualquer sem perguntar o histórico de alergias...

Prefiro ficar sob o efeito da máscara de ferro.

Olho para o dia bonito, sei que estou de folga e nada disso ameniza o meu azedar. O blogger mudou a interface, o que num dia como esse, quase fez com que eu deletasse esse endereço, who cares? Fúria que dura segundos. Não posso gesticular muito porque vem logo aquela pontada...

Fiz um chá, escuto uma música suave só que não consigo não fritar. Com meu saldo negativo no banco, com o vazio de tantas coisas na minha vida, com os acontecimentos emperrados, emperradíssimos há meses. E diferentemente do que aconteceu no passado, não sinto a terrível pena de mim mesma. Estou com raiva mesmo. Da sorte (falta de), do destino, dessa maldita dor de cabeça, da solidão, da minha falta de talento para ganhar dinheiro. E, óbvio, do blogger.

Esse é um post que nem deveria ser publicado. Não gosto dele, não tenho o interesse em revisá-lo, relê-lo.

Meus olhos ardem muito.

Não há nesse post inspiração, protesto ou relevância. Há uma velha resmungona que habita em mim, com dor de cabeça insuportável tentando passar o tempo, fazer disso uma experiência. Sem sentido.

Espero que não seja lido, não renda comentário e nem vá para as estatíscas, que nem sei aonde foram parar com a novidade.

Chega de ó vida, ó céus, ó azar. Nem eu me suporto e ainda bem que estou sozinha. Não existe nada pior do que azedar o dia do outro. Vou me trancar no quarto. Saio quando melhorar.

quinta-feira, abril 12, 2012

Ao vento

Eu gosto desse vento gelado que vem da janela. Estou arrepiada e nem busco casaco ou manta. Eu vejo as manchinhas roxas na minha pele pálida, na minha carne trêmula e não sei distinguir quais vem da melancolia e quais de uma noite dessas, dias atrás.

Queria uma grande inspiração para agora. Não me repetir nas palavras, nas incertezas, nas atitudes. Queria suspirar por alguém, mesmo que dificilmente admita ou cada vez menos acredite nessa possibilidade. Disse essa semana para uma amiga que amor, para mim, é como a ararinha azul.

Pensei naquele moço que vive longe. Foi por instantes. Sempre são. Em algum momento do mês, me imagino como seria se estivesse com ele e faz mais de um ano que não o vejo. Há um sentindo enorme em pescar ilusões nessa distância. Se não der certo, não iremos nos encontrar no mesmo bar, os amigos não me darão notícia alguma dele e vai ser tranquilo esquecer.

O amor é uma ararinha azul. Eu fico aqui tomando vento frio, café quente e nenhuma decisão significativa. Olho para minhas manchinhas roxas. Estou lendo um romance: me identifiquei com a personagem, suas convicções e maneira de ver a vida. Não terminei o livro, mas sei o que acontece no final. E quanto ao meu?

Procuro pistas no horóscopo online, que me aconselha a ser o contrário do que sou. Se eu for paciente, se eu deixar de ser impulsiva, dramática, delirante, o Senhor Destino me dá um presente? Desculpe, acho que ando cética demais para cogitar essas barganhas.

Fecho os olhos e escuto Roy Orbison. Ele me consola, tira do foco alguns devaneios (ainda que alimente outros). Como se fosse meditação para minha mente inquieta, espinha torta e coração intranquilo. E cá estou eu, recontando a mesmíssima história.

domingo, abril 08, 2012

Renovação

Quando 2012 começou, mais uma vez, reuni minhas melhores intenções para aplicá-las. Acontece que no meio do caminho há um ou outro atalho, percalço ou tentação. Então, veio o início do ano astrológico e, novamente, aquela canção do Roberto: daqui pra frente, tudo vai ser diferente.

Poucos dias depois, nada de incluir frutas no cardápio, lembrar do significado de moderação ou organizar aquilo que desde anteontem me espera. Em outros tempos, existiu a sensação de fraqueza quando não perseverava no que sempre achei que poderia me fazer bem. Hoje aceito minhas imperfeições e, de vez em quando, sei que preciso estar perto do fogo, sentir a altura do abismo.

Renovação é agora, a cada dia, na queda de braço entre o lado sensato e o desatinado. Renovar a ação, seguir adiante, deixar para trás certos condicionamentos. Fundamental encerrar ciclos, eliminar (res)sentimentos. Libertar-se do outro, de mim. Depois do julgamento: carta vinte no tarô traz redenção.

E lá vem o sol.

terça-feira, abril 03, 2012

Federico e Giulietta


Durante as férias quis morar no Instituto Moreira Salles, no Rio. Minto. Antes delas e depois também. Há dois lugares em que viveria tranquilamente com a minha cama no meio de tudo: o IMS e a Livraria Cultura, em São Paulo. Seria delírio, se a dimensão do sonho não fosse maior do que aquilo nos habituamos a acreditar.

Nos desenhos de Fellini, feitos ao despertar, imagens fantásticas e reflexões de um gênio. Tenho muita afinidade com o cinema dele. Embora as obras-primas citadas de modo recorrente sejam outras, guardo um carinho especial por "Noites de Cabíria". E por que? Porque vejo a Giulietta, ainda que em cena, pelo olhar do Federico.

Não dá para não se emocionar com uma foto gigante da atriz logo na entrada da exposição "Tutto Fellini". Giulietta está com uma cara doce, de palhacinha. E o amor de verdade é isso: é você enxergar com ternura, querer abraçar e não soltar mais. Ficar toda produzida num vestido sensacional, com uma maquiagem deslumbrante capaz de chamar atenção numa festa pode ser incrível, algo meio Anita Ekberg, aquele furacão. Não acho que seja fácil também sustentar a diva, porém no fundo para uns e escancarado para outros, queremos aquela simplicidade tão sofisticada

Giulietta está em muito, quase tudo. Sempre parece bobagem ter coração de manteiga como o meu nesses tempos em que o espaço do beijar é tão na velocidade da luz, que mal cabe o amor. Fiquei comovida com aquele casal unido por 43 anos e nem foi essa medida o essencial. Não são dias multiplicados por milhares. Nem imaginar que meses depois da morte dele, ela não aguentou as saudades e saiu de cena.

Tudo se resume a ler o depoimento de Fellini sobre a amada. São trechos em que ele conta que ela não fazia ideia do quanto é talentosa e incrível. Fechei os olhos e juro que ouvi o diretor falar, em bom italiano, cada palavra ali escrita. Naquele instante, me lembrei do Oscar que ele ganhou pelo conjunto da obra. Giulietta chorava e para Federico parecia não existir plateia, apenas a esposa. E eu já nem estava mais no Instituto Moreira Salles.

Acordar todos os dias junto, dividir as contas, as responsabilidades, as dores e prazeres parece...casamento. O que eles viveram foi livro dos sonhos e quando digo isso, nem penso em contos de fadas. Há o amargo entre os sabores doces em tudo. O admirar é o segredo. Porque o amor em si não é suficiente. Você pode amar e mesmo assim se separar, amar e ficar procurando defeitos no outro, de modo que as críticas começam a minar tudo e aquele encanto dos enamorados se perde. Admirar não é idealizar. Talvez seja algo felliniano, difícil de se traduzir em palavras.

Quis logo escrever sobre as milhares de impressões sobre aquela exposição. Precisaria morar naquela casa até junho. Há fragmentos guardados na minha memória que podem fazer com que em volte ao assunto.

Ironicamente, faz dois anos que comecei mentalmente a preparar minhas malas, meus gatos e seguir pela estrada de vida sem o co-piloto que tinha escolhido. Naquele três de abril, em meio a festa de casamento tão especial, fiquei sozinha por instantes. Me pareceram eternos. Na valsa, a mão da amiga me segurou. Silenciosamente, foi como a certeza que daria tudo acabaria bem.

Muitas sensações incômodas se esvaíram. O recomeço com o mais importante, a tranquilidade, já não é luz no fim do túnel. No amor, acredito umas terças ou sábados, esqueço aos domingos ou nem penso. Já procurei em lugares inadequados, em meio aos descuidados, indelicados e covardes. E não que tenha desistido. Simplesmente espero - e não busco - que quando (e se) chegar, tenha mais admiração que qualquer coisa no pacote. A vida pode ser doce. Basta entrar na fonte e experimentar.