quinta-feira, abril 12, 2012

Ao vento

Eu gosto desse vento gelado que vem da janela. Estou arrepiada e nem busco casaco ou manta. Eu vejo as manchinhas roxas na minha pele pálida, na minha carne trêmula e não sei distinguir quais vem da melancolia e quais de uma noite dessas, dias atrás.

Queria uma grande inspiração para agora. Não me repetir nas palavras, nas incertezas, nas atitudes. Queria suspirar por alguém, mesmo que dificilmente admita ou cada vez menos acredite nessa possibilidade. Disse essa semana para uma amiga que amor, para mim, é como a ararinha azul.

Pensei naquele moço que vive longe. Foi por instantes. Sempre são. Em algum momento do mês, me imagino como seria se estivesse com ele e faz mais de um ano que não o vejo. Há um sentindo enorme em pescar ilusões nessa distância. Se não der certo, não iremos nos encontrar no mesmo bar, os amigos não me darão notícia alguma dele e vai ser tranquilo esquecer.

O amor é uma ararinha azul. Eu fico aqui tomando vento frio, café quente e nenhuma decisão significativa. Olho para minhas manchinhas roxas. Estou lendo um romance: me identifiquei com a personagem, suas convicções e maneira de ver a vida. Não terminei o livro, mas sei o que acontece no final. E quanto ao meu?

Procuro pistas no horóscopo online, que me aconselha a ser o contrário do que sou. Se eu for paciente, se eu deixar de ser impulsiva, dramática, delirante, o Senhor Destino me dá um presente? Desculpe, acho que ando cética demais para cogitar essas barganhas.

Fecho os olhos e escuto Roy Orbison. Ele me consola, tira do foco alguns devaneios (ainda que alimente outros). Como se fosse meditação para minha mente inquieta, espinha torta e coração intranquilo. E cá estou eu, recontando a mesmíssima história.

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