terça-feira, novembro 29, 2005

Natal em novembro
De Nelson Botter.


Você, que está a ler o Blônicas neste exato momento, me responde rápido: existe frase mais manjada pra se falar em novembro do que "Nossa, já tá chegando o natal! Putz, acabou o ano!". Entonces, é nessas e outras que aposto um milhão como você já soltou a dita frase nas últimas semanas. Viu? Eu disse. OK, OK, o que isso tem a ver? Bem, essa introdução meio estranha nada mais é do que uma explicação do por que vou falar sobre o natal hoje, mesmo ainda faltando um mês para essa data.

Sim, é um pouco de ansiedade também, admito. E o mais interessante é que estudo e aplico vários macetes para amenizar a ansiedade. Mas a ansiedade dos outros, pois a minha não sei o que acontece, nunca consigo controlar. Você até pode achar isso engraçado, pois bem, eu perco a carreira, mas não perco a piada. Eu nem era tão ansioso, mas de uns tempos pra cá a coisa começou a piorar, a ganhar níveis altos e incontroláveis, a ponto de já haver comprado alguns presentinhos de natal antes de entrarmos em dezembro. Você pode até achar isso normal, mas o fato é que sempre compro todos os presentes nas últimas 12 horas antes da festa. Agora você começa a perceber meu drama?

Schopenhauer disse certa vez que "viver é sofrer". Filósofo safado esse (sim, Schopenhauer não é marca de cerveja alemã). Depois o Freud viu a bola quicando e pegou de primeira, chute na veia, afirmando (mais ou menos assim) que o sentido de nossa vida é aliviar o sofrimento de procurar alívio. Pegando carona nos geniais batutinhas, vejo que minha ansiedade - cada vez maior - nada mais é que a manifestação desse sofrimento. E o natal só faz tudo piorar! Agora, vejo que minha ansiedade anda se alimentando das decorações natalinas, é um verdadeiro complô contra mim.

Lembro que antigamente as lojas, ruas, shoppings, enfim, todos os lugares começavam a se enfeitar com pinheirinhos, bolinhas, duendes, estrelas e o bom velhinho Noel no início de dezembro. Agora, ai ai ai, mal entra novembro e já está tudo coberto de neve. Um verdadeiro festival de inverno em tudo quanto é canto, como se precisássemos nos preparar psicologicamente para enfrentar o natal. Mas a festa é só daqui dois meses? E daí, já vamos esquentar os motores, vai que o povo esquece e resolve lembrar um dia antes, né? E foi assim que caí na armadilha, vejo aquilo tudo e acabo gastando dinheiro antes da hora, vivendo o natal por antecipação e deixando minha ansiedade mais agitada do que detector de mentiras em Brasília.

Estranho, pois isso é um contraponto com a melancolia que toma conta da maioria das pessoas nessa época do ano. Esse papo de fraternidade e saudosismo cria uma certa letargia na galera, realmente o povo fica estranho. Inconsciente coletivo, que leva o pseudônimo de "espírito natalino". Não que isso seja ruim, muito pelo contrário, sinto que as pessoas ficam mais calmas e caridosas. Eu até sinto aquela coisa no peito, um suspiro diferente, me encanto com as luzes, me sinto realizado em ir até o Bank Boston da Paulista (pelo menos uma vez no ano, pois dinheiro que é bom, nada), etc e tal. Mas no fundo tudo é comércio, tudo é business, tudo é sobrevivência. No money, no game. O espírito natalino morre no dia 26 e vira cada um por si de novo. Basta ver que a próxima festa, reveillon, é uma grande putaria (no bom sentido, sempre).

Se a cada momento de pseudo-união entre as pessoas ficasse sempre uma sementinha do quanto é bom respeitar o outro e ajudar, a coisa toda do natal valeria muito mais a pena. Não estou pregando o "seja bonzinho", é apenas uma constatação de que se viver é sofrer, é preciso amenizar esse sofrimento (principalmente minha ansiedade!), estender a mão com força e vontade, para depois receber a mão do outro também. Assim como o comércio do natal, ajudar e ser ajudado é uma questão de sobrevivência.

Feliz natal e até semana que vem.


Meu amigo Woody - João Pereira Coutinho

Atenção, críticos. Eu tenho três palavras para vocês. Não. Sejam. Ridículos. Será preciso repetir? Falo em defesa de Woody, meu amigo Woody Allen, que há trinta anos --bom, há uns vinte-- vive cá em casa, na melhor estante do meu coração. E se vocês acham que estou sendo piegas ou sentimental ou excessivo, por favor, não tenham dúvidas: estou mesmo. E vou piorar.

Vocês conhecem a tese: Woody Allen começou o seu naufrágio em 2000, com "Small Time Crooks" (Trapaceiros). Continuou com "The Curse of the Jade Scorpian" (O Escorpião de Jade), "Hollywood Ending" (Dirigindo no Escuro), "Anything Else" (Igual a Tudo na Vida) e "Melinda e Melinda". Cinco filmes, cinco desastres de bilheteria. E os sábios deste mundo declarando a certidão de óbito. Woody está morto. Woody repete-se. Woody perdeu a graça. Woody perdeu a criatividade. Woody cansa. Ah, Deus, como eu gostava de aparecer na casa destes críticos e, com um bastão de beisebol, tratar do assunto com os meus vagares. Mas depois imagino que os críticos têm filmes de Cameron Crowe na sala --"Vanilla Sky", "Elizabethtown"-- e uma compaixão súbita apodera-se de mim. Tudo bem. Se eles querem lixo, eles que comam lixo.

O pior é que Woody acredita nos críticos. Ele diz que não lê --mas, acreditem, ele lê. Aparece aqui em casa, uma lágrima rolando por detrás dos óculos grossos, o tweed encharcado pela chuva que cai. "Eu não presto, Coutinho. Nunca serei um Fellini, um Bergman." Pobrezinho. Encomendo o jantar no chinês aqui do bairro e depois, ao som de Harry James, inicio o tratamento. Woody, senta aí.

O tratamento começa com uma revisão da matéria dada. Em quarenta anos de filmes, não existe um único --eu vou repetir, para vocês aí atrás: em quarenta anos de filmes, não existe um único que seja realmente mau. No próximo número de dezembro da revista "Vanity Fair", Peter Biskind, provavelmente um dos poucos críticos que respeito depois da morte de Pauline Kael, concorda comigo --ou, tudo bem, eu concordo com ele, não vou discutir quem é ovo ou galinha (mas eu pensei primeiro, Peter). Podemos não gostar de "Melinda e Melinda", um dos mais fracos da colheita. Mas "Melinda e Melinda", história contada em duas versões, como comédia ou como farsa, por grupo de amigos numa mesa de restaurante, revela um virtuosismo narrativo e cinematográfico que não se encontra na esmagadora maioria dos vagabundos que fazem filmes em Hollywood. Eu, pelo menos, não encontro --e confesso que só David Lynch e Clint Eastwood me obrigam a sair de casa com uma regularidade sazonal. (Scorsese? Depende. Muito.)

E os outros? "Igual a Tudo na Vida" dá para os gastos, sim. "Dirigindo no Escuro", história do diretor que fica cego e disfarça o problema para não ser despedido, é Howard Hawks vintage, sim. E com bónus: o filme do diretor cego acaba por ser um desastre, claro, mas os franceses elogiam. Touché. É o melhor comentário à cultura francesa atual. Sem falar dos diálogos. Os diálogos destes cinco --de todos os cinco, sem exceção-- são um prazer intelectual para mentes civilizadas: um sarcasmo blasé temperado pelo espírito de Nova York que Woody Allen criou e recriou.

(Esclarecimento: a Nova York que vocês imaginam que existe, na verdade, não existe. Só nos filmes de Woody, que praticamente sublimou a cidade --uma cidade invulgarmente desumana e agressiva-- a golpes de ternura.)

Mas o tratamento não acaba aqui. Peter Biskind escreve, e com razão, que os grandes diretores da história deixaram dois ou três filmes que fizeram o nome e a fama. Bognadovich dirigiu "A Última Sessão de Cinema" e "Lua de Papel" (pessoalmente, mais o primeiro que o segundo). Aconteceu na década de 70 e não voltou a acontecer mais. Mesmo Truffaut, um dos raros "nouvelle vague" que sobreviveu ao tempo, deixou "Os Incompreendidos", "Jules et Jim" e "Tirez sur le Pianiste" --na década de 60. Incluir "A Noite Americana", eu entendo, mas só por nostalgia. Truffaut deixou três filmes e, depois dos três, partiu para parte incerta. O mesmo para Orson Welles, que deixou quatro. Ou Coppola, que deixou três. Ou Cimino, que deixou um. Bertolucci, exatamente, nenhum.

Woody Allen não deixou dois. Não deixou três. Biskind arrisca 10: "Annie Hall", "Manhattan", "A Rosa Púrpura do Cairo", "Broadway Danny Rose", "Zelig", "Hannah e Suas Irmãs", "Crimes e Pecados", "Maridos e Esposas", "Tiros na Broadway" e "Desconstruindo Harry". Eu arrisco 12: todos esses dez e ainda "Love and Death" (A Última Noite de Boris Grushenko) e "Another Woman" (A Outra0, o filme que Cassavetes gostaria de ter feito com a mesma mulher (que, por acaso, até era a dele: Gena Rowlands, meu amor). E se falamos de obras-primas --definição de obra-prima, por J.P. Coutinho: objeto artístico que Deus, no Dia do Apocalipse, irá poupar na sua infinita misericórida para que os novos hominídeos não se sintam sozinhos na Terra (lembrar início de "2001", de Kubrick) --se falamos de obras-primas, dizia eu, bastariam três. "Hannah e Suas Irmãs", "Crimes e Pecados" e "Desconstruindo Harry".

"Hannah" é o mais solar dos filmes de Allen e mesmo nos meus piores dias --uns vinte e cinco todos os meses-- a história de Mickey, o hipocondríaco que recupera a fé com um filme dos irmãos Marx, é a única ressurreição laica que me comove. Mas não é apenas uma ressurreição. É uma resposta: a mais simples e bela resposta do cinema moderno. Podemos não encontrar um sentido de vida, um sentido para a vida, o caminho célere para a felicidade ideal, como as teologias descartáveis prometem de porta em porta. Mas existem pequenas ilhas de felicidade, por onde vamos saltitando como náufragos perdidos. São estas ilhas que dão alento no caos que nos consome. O rosto de Mariel Hemingway em "Manhattan" --ou o rosto da pessoa que amamos, tanto faz. Os discos de Django Reinhardt em "Poucas e Boas" --ou os discos que fazem a trilha sonora das nossas vidas, tanto faz. E, como nesse "Hannah" que me deixa num estado de felicidade irreal, os poemas de e.e. cummings que descobri devido ao filme. Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão generosas como Woody.

Generosas e sublimes, se por sublime entendermos tudo aquilo que aterroriza o fundo mais fundo das nossas certezas. E se Dostoievski estiver errado? E se o crime não implica necessariamente um castigo? E se a "consciência", como Nietzsche afirmava, é um anacronismo da civilização judaico-cristã para aprisionar os homens num mundo sem Deus? "Crimes e Pecados" é um anti-Dostoievski por excelência. Imagino título de primeira página: "Amante mata amante". E o lead: "Mas descobre que o ato não pesa na consciência". Assustados? Eu fiquei. Quando assisti pela primeira vez a "Crimes e Pecados", senti todas as certezas a ruir com o passar do filme. A minha alma é como o rosto de Martin Landau: consumida pela culpa, no início; liberta de qualquer culpa, no final. Ou quase. A natureza subversiva do filme é a única culpa a que não podemos escapar.

E "Descontruindo Harry"? É um afago na minha consciência e, suspeito, na consciência de todos aqueles que vivem das suas criações. Harry Block, belo nome, tem bloqueio criativo. Tragédia inevitável, quando sacrificamos tudo em volta pelo amor à arte --neste caso, à nossa. Mas Woody apresenta um paradoxal otimismo: se a arte nos alienou da vida, é a própria arte que nos devolve à vida. Sobretudo quando todos os personagens do escritor aparecem em homenagem final. Aplausos --deles e nossos. Quem diria, camarada. Quem diria que as nossas ficções, às vezes, são formas perfeitas de salvar a realidade.

Nem mais. Todos os anos, com a regularidade das aves, Woody regressa. Nós devemos regressar a ele com um sorriso grato e íntimo. Porque os filmes de Woody Allen são gratos e íntimos: nós entramos na sala, sentamos na mesa e ele vai servindo o jantar. Conhecemos todos os comensais. Sabemos que a comida não se altera com os anos: sal a menos, sal a mais --o cozinheiro é o mesmo. Os filmes de Woody Allen são uma família a que se pertence: ninguém deseja mudanças radicais ou desaparecimentos radicais. Desejamos apenas que seja outono lá fora e que as histórias, conhecidas e até repetidas, sejam embaladas por um fio de jazz
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segunda-feira, novembro 28, 2005

sexta-feira, novembro 25, 2005

Sonho em tecla SAP

Eu já sonhei altas vezes que conversava com o David Bowie ou que estava em Tókio batendo papo animadamente com passantes. Tudo isso em bom português. Essa noite foi a vez do Orlando Bloom entrar na roda.

quinta-feira, novembro 24, 2005

36 coisas cretinas que você pode fazer em São Paulo
De Castelo



1. Andar de pedalinho no rio Tietê.
2. Tentar o suicídio comendo um churrasquinho grego no Centrão.
3. Colocar roupa preta, pintar a bicicleta de preto e sair pedalando pela Marginal à noite.
4. Entrar na favela do Buraco Quente usando uma camiseta com a inscrição: SEGURANÇA.
5. Dar uma nadada no Lago do Ibirapuera e ser eletrocutado na "Fonte das Águas Cantantes".
6. Fingir-se de cego e atravessar a avenida São João na faixa de pedestres.
7. Ir à uma pizzaria do Brás, chamar uma redonda de aliche e, com sotaque carioca, pedir catchup ao garçom italiano.
8. Ficar moscando na pista do aeroporto de Congonhas vendo os aviões.
9. Entupir-se de churro e caldo de cana.
10. Vestir-se de Yoda e acompanhar a missa com canto gregoriano do Mosteiro São Bento.
11. Chegar num ensaio da Vai-Vai e dizer, em alto e bom som, que carnaval é o carioca.
12. Pedir fogo a um policial da Rota.
13. Ir a um sarau na casa do Arnaldo Antunes e defender que poesia concreta é uma merda.
14. Se o dia estiver garoento, levar seu (sua) filhinho(a) num parque de diversões de shopping.
15. Dar uma força ao colesterol ruim almoçando dois “pastel” sabor lingüiça e um “chopps” na feira mais próxima.
16. Passar no Mercado Central e chamar um carregador de baitola.
17. Dar um pulinho na avenida do Jóquei à noite e perguntar qual das "garotas" ali se chama Waldemar.
18. Promover uma blitz na Vila Madalena e entornar uma dose de Fogo Paulista por bar visitado.
19. Baixar numa padaria, pedir um pingado e xingar o Corinthians.
20. No ristorante Il Sogno di Anarello insistir em comer um hambúrguer mal passado e uma Coca.
21. Numa roda de bambas do Bexiga citar a famosa frase: "São Paulo é o túmulo do samba".
22. Perguntar a um sushi-man da Liberdade se é verdade que japonês tem pinto pequeno.
23. Fantasiar-se de mulher e dar uma esticada num forró do Brás.
24. Entrar numa loja de lustres da Consolação e pedir uma vela emprestada.
25. Sair um pouco de São Paulo e passar o dia num lugar mais astral: Cubatão.
26. Vestir uma batina e entrar numa sessão de cinema da rua Aurora.
27. Bancar o penetra numa festa de calouros uspiana, amarrar um fogo e se deixar jogar na piscina do CEPEUSP.
28. Assistir um vídeo do novo trabalho do Supla.
29. Subir pelado em cima do cavalo da estátua do Empurra-Empurra e ficar dando tchauzinho pra galera do Ibira.
30. Entrar na Galeria Pagé, gritando: "olha o rapa!"
31. Fazer bungee-jump no Viaduto do Chá.
32. Alugar o dirigível da Goodyear e fazer um pouso forçado na Ipiranga com a São João.
33. Entrar de bombacha num Centro de Tradições Nordestinas.
34. Entrar vestido de cangaceiro num Centro de Tradições Gaúchas.
35. Oferecer um acarajé a um skinhead.
36. Chamar um integrante da máfia coreana de "china".

quarta-feira, novembro 23, 2005

Ando muito sem paciência com a humanidade. Não tenho dormido direito também e, para me inspirar, ainda fico revendo horrorshow. Right, right, right.

quarta-feira, novembro 16, 2005

Então, 15 de novembro foi o último feriado semanal de 2005. Antes disso, na segunda, "o cão foi quem botou pra nóis beber" parafraseando Jeremias Muito Louco. Estresse desnecessário no trabalho, na reta final, não dá. Ontem apaguei e só acordei para ver esse filme aqui, que por sinal é muito bom.

segunda-feira, novembro 14, 2005

Adorei



***

E lá se foi um fim de semana tranqüilo, tanto que de ontem para hoje sonhei que estava sendo assaltada, que levaram todo o dinheiro do meu mês (que no caso, já acabou até) e me renderam com uma tesoura na jugular. Bom, pelo menos eu acordei sã, salva e assustada. Enfim, não acredito em premonições, se bem que vou ao banco agora e lá eles me assaltam mais do que o suficiente.

***

Muito bom!

Breve guia para salvar a pele das mulheres

De Xico Sá.


Tudo bem, bravas fêmeas, os homens são todos iguais, já sabemos.
Alguns, no entanto, são bem mais perigosos que os outros. Em mais um serviço de utilidade pública, este cronista de costumes expõe aqui sua vitrine de carapuças. Um mostruário que vai além, muito além, do apenas moderno, como diria minha mucama branca que ganhei de um velho e bom gilbertofreyriano arrependido. Eis alguns tipos, noves fora a categoria metrossexual (já devidamente tratada nesta página) que merecem cuidados especiais:

Homem-bouquet - aquele macho que entende de vinhos finos, abre a garrafa, cheira a rolha, balança na taça, sente o "bouquet" da bebida... O tipinho não perde um programa do Renato Machado no GNT, entra em sites franceses do gênero, reúne os amigos para aporrinhá-los com o tal "bouquet"... Mais uma advertência: o mesmo elemento costuma apreciar também o que ele chama de "um bom jazz", uma "música de qualidade"... Corra, Lola, corra de criaturas desse naipe.

Homem-hortinha _ Aquele mancebo que, ao receber as moças elegantemente para um jantar, usa o manjericão cultivado na própria hortinha que mantém no quintal ou na área de serviço. Cultivar o próprio manjericão não é exatamente o defeito do rapaz. O problema é que ele passa duas horas a discorrer sobre o cultivo da hortinha, os cuidados, o zelo, uma chatice só, para não dizer outra coisa. Uma amiga, coitada, conheceu um destes exemplares que cultivava até a própria minhoca usado como "fator adubante" da própria hortinha. Corra, Lola, corra, corra mesmo, corra enquanto é tempo!

Homem-do-predinho-antigo _ Aquele sujeito que ou é gay ou é um metrossexual enrustido. E o pior não é habitar um predinho antigo. O que mais dói é quando ele pronuncia, como toda a afetação desse mundo, que mora num "predinho antigo, charmoso". Você entra lá, leitora do meu coração, e avista logo umas revistas chiques estrangeiras espalhadas pela sala, tipo "ID", "Wallpaper" e quetais. O cara entende de iluminação indireta, tem cada abajur que só vendo. É um tipo sobretudo do Sudeste, mas também já começa a se espalhar pelo Sul e Nordeste. Fuja Lola, fuja.

Homem-Ômega 3 - Trata-se do camarada-saúde, preocupado em combater os radicais livres e encher o saco da humanidade com as suas receitas, dietas e bulas. Adora um salmãozinho, que ele pronuncia "salmon", claro, como os mais frescos exemplares da raça. Jamais vai enfrentar um bom chambaril pernambucano ou barreado paranaense. Buchada de bode que é bom, vixe, passa longe. Até se benze, assustado, diante de um belo cozido de domingo. Adora um frango. Noooossa! Voa Lola e não se fala mais disso.

Homem-ONG - O sujeito onegê é o que há. Todo politicamente correto, benza-te Deus. Adora um abaixo-assinado, uma passeata, e está sempre morto de decepcionado com o governo, qualquer governo. Sim, ele acredita na humanidade, na responsabilidade social, no terceiro setor, na arte como redenção dos pobres... Se você reparar, leitora do meu coração, ele quase levita, de tão puro, de tão bom. Dá um "ninja" nele e some, Lola, some que é roubada-mor.

Homem-chorinho - Ele odeia tudo que é do estrangeiro, mesmo que seja um velho e bom rock´n´roll do Lou Reed ou do Elvis _tanto o rei como o Costello. Mas é capaz de passar horas, dias, quinzenas, como se estivesse numa festa igual à do filme "Anjo Exterminador" (de Buñuel), só ouvindo uma "MPB de qualidade" ou "zum de besouro ímã" do gênero. Finja que vai no banheiro, Lola, e dê área.

sexta-feira, novembro 11, 2005

quinta-feira, novembro 10, 2005

Emocionante

Assisti ontem - finalmente - a Por Elise, da Espanca! que traz no elenco Paulinho Azevedo e Sassá Ávila, apresentadores do Agenda. Lindo, tocante e com atuações de tirar o fôlego. Esses meninos vão longe mesmo e todos os elogios que eles vem recebendo da crítica são mais que merecidos.

segunda-feira, novembro 07, 2005

E para encerrar bem o final de semana, mais dois filmes:





E eu ontem escrevi esta crônica:

36 meses - Ludmila Azevedo

Foi Martha Medeiros em sua certeira crônica “A impontualidade do amor” quem escreveu as palavras mais sábias: “jamais espere ouvir ‘eu te amo’ num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após o primeiro encontro. O amor odeia clichês. Você vai ouvir ‘eu te amo’ numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, ou quando você menos esperar”.

Depois de quase três anos, chorei de soluçar não ao ouvir, mas ao ler o melhor – se que é possível qualificar - “eu te amo” de um namorado. Foi num bate-papo de messenger, o que entre nós sempre foi uma ferramenta para exercitar a capacidade de ser monossilábico ou objetivo. E com todas as abreviações possíveis da frase quanto à agilidade do meio, nunca uma mensagem me atingiu tão em cheio.

Vivemos uma história nada linear. Com o primeiro beijo, veio a primeira noite. A urgência deu lugar a um período de teste. Ficamos juntos definitivamente, na minha opinião, após uma sintonia de pensamento na madrugada de 15 para 16 de março de 2003. Porém, a data é até hoje contestada pela outra parte. Ainda bem. De lá para cá foram muitas sessões de cinema, shows, festas, beijos, pisadas na bola, viagens, brigas, planos, ciúmes, implicâncias, fotos, risos, tristezas, sobremesas divididas, compromissos, bolos, cócegas, desenhos animados, camisinhas, portas batidas com força, abraços mais apertados ainda, tempo, reconciliação, noites, madrugadas, manhãs inspiradas, cochilos em tardes de domingo, apelidos típicos e atípicos.

Um belo dia, ao olhar para trás, invariavelmente todo mundo decide se vai pedir para “parar o carro” ou “seguir viagem”. Escolhi uma estrada, mas não aquela com atalho. Mais uma vez, a impontualidade se mostra implacável: decido me mudar de cidade e arriscar, mesmo com o coração retalhado e o medo absurdo de perder aquela pintinha do queixo feita para ser beijada por mim, a sobrancelha grossa feita para emoldurar olhares tão expressivos capazes de derreter ou censurar e as mãos, que parecem ter sido feitas sobe medida para acariciar meus cabelos.

Por mais estranho ou contraditório que pareça, sempre penso em trilhas para pontuar momentos cruciais da minha efêmera existência. Tenho ouvido muito “Ruby Tuesday”, dos Rolling Stones. Uma estrofe em especial diz: “Não há nenhum tempo para perder... Pegue seus sonhos antes deles escapulirem... Perca seus sonhos. E você perderá sua cabeça. A vida não é indelicada?”. No entanto, a armadura que vesti para desbravar o novo parece bonita e forte aos olhos do mundo. Só não era tão perfeita aos nossos olhos.

Ao perceber isso, ele escreveu não em um cartão que acompanhasse tulipas em datas comemorativas, o “eu te amo” da forma mais direta, delicada, inesperada, desapegada e, ao mesmo tempo, mais segura do que dormir abraçado numa noite fria. Eu enxerguei meu amor como nunca havia antes e toda fragilidade circunstancial ficou pequena para a imensidão do que somos e seremos um para o outro.

sábado, novembro 05, 2005

Hoje foi minha última reunião de trabalho aos sábados com a equipe do Agenda. Como em todas as outras nesses anos, os editores não deram as caras e maioria das pessoas chegou atrasada. Longe de ser divertida, não chegou a ser das piores e definimos a pauta de comemoração dos 18 anos do programa. Bom, não vou me antecipar na despedida, e, mudando de assunto vi esse filme agora à tarde.

quinta-feira, novembro 03, 2005

Eu não sei ainda colocar links permanentes no blog por causa desse meu template. Mas vai a dica de um blog que eu ando lendo basatnte, o Blônicas, que traz ótimos textos como o que segue abaixo.

Por Rosana Hermann

Ontem eu não tomei café da manhã. Saí em jejum e fui para uma reunião.
Na hora do almoço, fiquei conversando e praticamente não comi. A comida esfriou e enrijeceu a tal ponto que eu não consegui cortar o alimento com a faca.
(É, é papo de blog, mas blog é o tema. O link já vem.)

Assim, depois de um dia de muito trabalho e poucas calorias, atingi o avançado horário das nove da noite com o estômago liderando um motim em protesto à greve de fome da turma da boca fechada.

A hipoglicemia embaçava a tela do laptop e o cérebro deu um reboot na memória. Abandonei o recinto, guardei metade do meu escritório-móvel na mochila, metade numa pasta de mão e saí do prédio em busca de víveres. A única coisa aberta era uma sub padoca bem nojenta onde uma atendente idem rescaldou um enroladinho queimado e gelado cobrando três reais. Morto por morto, pedi um cadáver mais jovem. Peguei, paguei e saí mastigando o finado pela Avenida Paulista. Um homem alto me parou dizendo que era aidético e estava com fome. Imediatamente ofereci meu lanche e fiquei bastante surpresa quando ele o recusou com cara de asco dizendo que preferia dinheiro. Segui.

Fazia muito frio, ventava e, com a boca cheia de pão, o saquinho numa mão e o laptop na outra, tentei raciocinar com que membro inferior eu faria sinal para parar um táxi. Exatamente neste momento tão frágil da minha existência, um simpático casal me abordou sorrindo. Ele me chamou pelo nome e logo se identificou como leitor do Blônicas e do meu blog e começou a conversar alegremente. Sem conseguir mastigar e falar, cobri a boca com o saquinho de pão enquanto a garota ria do meu ridículo. Finalmente engoli a mordida, pedi um segundo, virei de costas, limpei os fragmentos do pão da cara, deixando os da roupa e novamente, de frente, cumprimentei-os com beijos. Fiquei verdadeiramente feliz. Encontrar leitores de blog é uma experiência enternecedora, estimulante, entusiasmante, edificante e outros termos começados por e.

Encontrar pessoas que conhecem o autor pela televisão é diferente, porque no caso do leitor do blog, o texto precede a imagem, a relação é com a escrita. Escrita online, que também difere do leitor de um livro. O leitor online é freqüente, acompanha, volta sempre, desenvolve uma relação de mão dupla. Já conheci muitos leitores de blog, em encontros marcados, fortuitos, inesperados. Uma vez, encontrei uma leitora do blog em Buenos Aires, um momento marcante, justamente por ter ultrapassado as fronteiras nacionais. Nesta hora a gente sente que a rede é mesmo mundial. Recentemente, em Londres, fui ciceroneada por dois leitores do blog que eu só conhecia no mundo virtual, em passeios inesquecíveis e evidentemente registrados em foto e vídeo.

Na confusão das mãos, malas, migalhas, beijos, pressa e ventania, esqueci de perguntar o nome dele. Pena. Eu queria saber seu nome. Pronunciá-lo em voz alta, repeti-lo, emanar a vibração de seu nome para o universo. Não deu, esqueci mesmo. Foi a pressa. Ou a emoção. Mas fica aqui meu muito obrigada, a você, leitor na calçada. Hoje, escrevi para você.


Eu vi ontem e achei do caralho.

terça-feira, novembro 01, 2005

Quiroga rocks

Previsão para Áries - novembro 2005

Sua natureza ariana nunca combinou bem com o estado de suspense e, ante esse, normalmente você assumiria a função de quebrá-lo, ou de evitá-lo, mas isso não deu, nos últimos meses, os mesmos bons resultados de outrora. Porém, agora a coisa está mudando, e você perceberá que os ventos soprarão favoráveis novamente, com lentidão, isso sim, mas tenha certeza que, tudo o que, antes, não conseguia ser resolvido será, em poucas semanas, superado. Nada é para sempre.