sábado, julho 28, 2012

You can close your eyes and never be alone

Me acho meio Caio F - apesar de as recorrentes referências a ele no mundo virtual sugerirem uma banalização - quando misturo minhas palavras, sentimentos e percepcões astrológicas...enfim.

Venho sentindo o caranguejo, a profundeza canceriana de maneira meio aguda nos últimos dias. O batidão por vezes é tanto, que transformo a música da Bebel Gilberto em mantra, fecho os olhos e me transporto para lugares do passado pontuados por um tipo de afeto que agora falta.

Essa semana foi aniversário da minha avó amada, que não está mais aqui. Mas eu voltei a dormir naquela cama ao lado dela e, em meio a madrugada insone, ouvi: "vira para o cantinho que você dorme". Respondi: "Vó, me conta uma história?". E fez-se o silêncio.

Também me peguei lendo sobre capitanias hereditárias e repassando o que aprendi para minha mãe, que chegava em casa exausta do trabalho, no entanto, em épocas de provas, fazia uma espécie de arguicão para eu tirar boas notas.

Das maiores lembranças foram os finais de semana no Miguelão, rindo com a Marianinha, a Manu e uma turma enorme, rodopiando na sala ao som de "Dancing Queen". Saudade dessa coisa telepática de amiga do peito. Estranho porque a gente já trabalhava e, de quebra, estudava. Contudo havia um tempo que não sei onde foi parar.

Acordo, leio o jornal, a internet, respondo os emails e quando me dou conta, estou atrasada. Almoço correndo, gasto dinheiro com táxi para ganhar minutos e diminuir o estresse. Recordo-me da Zélia Duncan, em seu último show, dizendo que só fazia sentido correr tanto se na chegada houvesse alguém te esperando.

Talvez eu ainda esteja no meio do percurso, talvez a minha chegada tenha eu, eu mesma e Irene. Ando sem a esperança desse alguém faz tempo, o que não me entristece profundamente: eu fecho os olhos e não estou sozinha. E, contrariando o resto da cancão com a parte do "eu vou rodar o mundo, mas aqui é o meu lugar". Eu sou sem-lugar, a exemplo do Caio F. Só não morei em tantas outras cidades ou países. Esse aí é outro capítulo.

segunda-feira, julho 23, 2012

Croniquetas

Da roda "Young Folks" (regada a vinho)

- Eu tenho resoluções de final de ano por semestre.
- Como assim?
- Ah, como eu não as cumpro nos primeiros meses do ano, jogo para julho em diante.
- E qual é sua resolução de segundo semestre?
- Não ficar com nenhum amigo meu.
- Imagina! Eu não tenho problema com isso, mas acho que tem um limite sabe? Suruba com amigo não dá.
- Nó...tenso.

Silêncio

- Ah, mas e se vocês tiverem amigos "surubentos" que não se importem com isso?
- Surubentos? Essa foi boa...bem, eu pulo.
- Hummm...eu também.

Após a sessão

Assisti ao "On the Road" e um lado meu saiu do cinema achando a própria vida completamente sem graça. Onde estavam as viagens sem destino, os amigos insanos, a busca incansável por poesia, o amor de tirar o fôlego??? Tomei um café, sem benzedrina, e pensei que não estou entre os loucos e os desajustados. Quem sabe rebelde, criadora de caso e aquela que vê as coisas de forma diferentes? Se eu vou mudar algo, nem sei. O mundo, certamente não.



No táxi

- Quero uma coroa bem bonita...ah moça, escreve uma homenagem legal dos amigos do ponto de táxi da Serra...não consigo pensar em nada. Sim, obrigado. Tchau.
- Bom dia. Eu vou para a Savassi.
- Desculpa a demora... é que um amigo nosso morreu, o Paulão, dono da bar. Você conheceu?
- Ah, sim. Morreu de quê?

Pausa para olhar para a câmera imaginária
Na verdade não conhecia, mas não queria ser antipática ainda mais num momento difícil.

- Ele estava numa festa, tomou uns goles a mais, sabe como é... Aí alguém o deixou em casa e ele caiu ao subir as escadas. Teve traumatismo craniano.
- Puxa, que triste.

E pensei: ainda bem que tenho elevador...
E me lembrei: claro que eu conheço o bar do Paulão! O clássico copo sujo que não tem um tira-gosto sequer e desde cedo reúne uns habituês meio estranhos.
E me repreendi: outro dia até quis tirar uma foto de um cartaz que havia ali para o Instagram. Bem intencionado era o Paulão, dono do buteco, que proibia "homens sem camisa" (considerando os tipos, ainda bem) no recinto.

sábado, julho 07, 2012

De uma saudade que sempre vem...

Eu também estou sentindo falta de mim...
Numa sessão de cinema, na mesa animada de bar com amigos que há muito não vejo, diante da manicure escolhendo um tom de vermelho para passar nas unhas.
Eu também acho que devia escrever mais, inventar uma nova receita para o almoço de domingo, cumprir certas promessas e não desistir daquele moço tão facilmente.
Não vi o novo do Woody Allen, abri uma cerveja para beber sozinha, preciso parar de adiar a ida ao salão.
Eu ando ocupada resolvendo miudezas, entraves: um pequeno desastre doméstico cá, uma burocracia de banco lá e...voilá! Acabou-se o tempo.
O tempo de ser aquela que acorda cedo, come maçã e vai correr. Aquela que grifa livros e suspira ao pensar em seu mundo imaginário, infinito particular. Aquela que lembra de regar as plantas, de comprar o catnip para a gatinha estressada, de retornar a ligação...e faz tanto tempo.
Faz tempo que não descubro uma banda nova, ganho um beijo bem dado, brinco com uma criança na praça, viajo, bato claras em neve, choro.
Sempre sinto saudade daquela que deixo de ser: quando sensível, durona. Quando disciplinada, pisando na areia. Quando workaholic, delirante.
Eterno ou isto ou aquilo.
Até quando, até sempre.