segunda-feira, março 30, 2009

O segredo de Thom Yorke - Por Nina Lemos



"As mulheres piraram, ficavam gritando na frente do palco como se o Thom York fosse lindo", comentou um menino na saída mega tumultuada do show mega lindo do Radiohead. O que o menino não sabe é que nós, moças, achamos o Thom York lindo, sim. Na verdade, temos certeza de que ele é maravilhoso.
Sim, ele tem orelha de abano, um olho mais fechado que o outro, é todo mal-diagramado, como diz o amigo Xico Sá; Mas é por isso também que achamos o Thom lindo. Não nos venham com Fabios Assunções ou outras belezas óbvias. Somos capazes de enxergar maravilhas naqueles olhos (um mais aberto que o outro).
"Mas você só diz que ele é lindo porque ele é o Thom York do Radiohead", diz o meu amigo. "Não, não", eu respondo. "Se eu encontrasse um cara igual a ele que fosse legal, ia achar esquisito, mas lindo." Não sei se convenci o amigo. Mas em um mundo de pessoas botacadas (até homens, socorro) é muito bom ver que existe weirdo assumido nesse mundo. E melhor ainda ver 30 mil pessoas cantando junto com ele.


Eu assino embaixo.

domingo, março 29, 2009

Há uma semana...

Eu estava em completo estado de graça com um dos acontecimentos mais sensacionais a que já assisti até então: os shows da minha banda favorita no Brasil. Hora de recordar.

Indo para o show no Rio com a Carol

Expectativa na Apoteose

Thiago e eu: 15 steps de Thom Yorke

Minha visão do show do Rio

Nas nuvens: indo para Sampa ver o segundo show

Eu e Thiago na Paulista

Turma da Van

Eu e James: in rain_bows

Eu, Bezzi e Marcos

"We are the robots"

Gargalo ou minha visão do show em São Paulo

quinta-feira, março 26, 2009

Pausa para poesia de Drummond

Soneto da Perdida Esperança

Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para a casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.

Vou subir a ladeira lenta
em que os caminhos se fundem.
Todos eles conduzem ao
princípio do drama e da flora.

Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
por que não? na noite escassa

com um insolúvel flautim
Entretanto há muito tempo
nós gritamos: sim! ao eterno.

terça-feira, março 24, 2009

AR/ DR

Simples assim: minha vida se divide entre antes e depois de 20 de março de 2009. Absurdo dizer que eu vi um "show", simplesmente; foi obra de arte. Foi história. Na madrugada de sexta para sábado fiquei tão extasiada que escrevi, a mão, quatro páginas sobre minhas impressões. Foi mesmo um exercício de psicografar. Queria postar na íntegra aqui, mas não sei se seria o caso. Aos amigos que pediram - Thiago e Carol - devo mandar uma cópia assim que digitar o material.

Decidi também não ler o que críticos musicais (mesmo os amigos e os que têm opinião similar à minha na maioria das vezes) publicaram. Sei que há, além da tesoura afiada do editor, a impossibilidade total de traduzir o que foi aquele momento em meia página ou menos (que é sempre o caso). Faltaria também uma visão ampla de arte contemporânea, pois Radiohead não é "banda de rock". Banal ser classificado assim. No entanto, não resisti ao comentário do Isay Weinfeld, que me pegou justamente por ele não viver o cotidiano de redação ou não ter a obrigatoriedade de resenhar, caindo assim em vícios detestáveis. Ele sim chegou mais perto.


Radiohead faz arte essencial, pura, um soco no estômago

Banda inglesa realiza apresentação impecável e inesquecível em São Paulo


ISAY WEINFELD
ESPECIAL PARA A FOLHA

Hoje, quando o tintureiro chegar e perguntar "Tem roupa pra lavar?", vou disfarçar e dizer "Tem não, senhor..." Da última vez que dei minhas roupas para lavar após assistir a um show do Radiohead, vi no dia seguinte o tintureiro voltar com uma certa melancolia estampada na face... A música deles impregna até na roupa.
Não desgruda. Logo após o show, é impossível sequer ligar o rádio do automóvel. Conversar com alguém, nem pensar... Dependendo de quem esteja com você então, é uma ótima desculpa.
Na manhã seguinte você ainda acorda enlevado, perguntando: o que é aquilo que passou ontem por mim com tanta força? Mas erra feio quem reduz estes sentimentos somente à melancolia. Este é só um dos inúmeros calafrios que se sente ao ouvi-los ao vivo.
E, a cada música, a viagem te conduz a lugares distintos. Você fatalmente irá se apaixonar pelo trabalho deles, se os lugares em que a música deles te levar forem os lugares que você eventualmente gostaria de estar, de conhecer... Senão, não vai gostar.
A música é mágica, enigmática, lancinante, ousada. O grupo se apresenta exatamente como eles são fora do palco. Sem afetação, modismos, superficialidades. Não fazem gênero.

Equilíbrio entre som e luz
Vão lá, dão o seu recado e, infelizmente, vão embora. E são generosos. Mais de duas horas disso tudo, com uma mistura na medida certa entre som, luz e imagem. Uma completando a outra. Luz e imagem a serviço da música. Nada está lá à toa, para chamar atenção. Tudo na medida certa, elegante. Um show impecável, inesquecível.
Difícil destacar alguma música (apesar de minha paixão por "Videotape"). Nem as mais antigas parecem deslocadas no contexto geral do show. Thom Yorke, gênio encantado, cantor excelente e absurdamente carismático, te conduz com segurança e uma pontinha de satisfação a uma outra dimensão. Depois, fica muito difícil voltar... Nosso mundo aqui é bem mais chatinho.

Muito além do rock
Só fico um pouco incomodado quando leio que Radiohead é uma banda de rock. Ser só uma banda de rock certamente não é pouca coisa, mas eles vão muito além. Muito além... Evidentemente que estas são sensações muito particulares.
Mexe com um, não mexe com outro. Só estou querendo dizer que este grupo de cinco rapazes, amigos de colégio, se juntou e misturou letra, música, técnica, performance, luz e imagem de uma maneira que me inquieta, me transtorna.
É arte. Pura, essencial. Um soco no estômago. Ed, Colin, Jonny, Phil e Thom, quero acreditar, conspiraram com a intenção de me fazer levitar com sua música. E eu, daqui de cima, vejo uma galera saindo do show tarde da noite...tranquila. Feliz.

ISAY WEINFELD, 56, é arquiteto

quinta-feira, março 19, 2009

Macaca de auditório

Quando eu era criança, meu pai dizia que aquelas barangas que invadiam o palco do programa do Chacrinha para agarrar os Silvinhos da Vida ("Ursinho Blau Blau"), eram as Macacas de Auditório. Não tem nome melhor para esse tipo de fã, vamos combinar. Pois conversando com meu amigo Igor no MSN, falei que queria pagar de Macaca de Auditório amanhã e domingo. Ele falou que ficaria até o último acorde do Radiohead só para ver a cena. Seria ridículo mesmo.

Mas eu estou tão eufórica que nem dormi na noite passada. Sugeri a minha irmã que ela me ajudasse a fazer uma faixa e ela respondeu que me "deserdaria", que isso seria um mico tremendo. Além do mais, o Thom Yorke nem ia enxergar. James e Mari poderiam me auxiliar não? Nenhum dois dois levou à sério. Ok, eu também acho brega, porém perder um pouquinho a noção de vez em quando - mesmo que na imaginação - não faz mal a ninguém, vai.

A única coisa que fiz foi colocar uma música do Radiohead como toque de celular (e deletar todas as minhas fotos, já que meu aparelho é um Nokia Disconnecting People), com a ajuda valiosa de Marcos, meu irmão higiênico.

Agora nada impede de eu aproveitar minha performance na corrida para treinar um pouquinho em Ipanema. Olha quem teve lá hoje.


quarta-feira, março 18, 2009

Ansiedade

Sim, eu tenho certeza de que vai ser o show da minha vida. Ainda mais se eles fizerem esse esquema de variar o set list. Dois dias! Faltam dois dias!


Set list segunda noite do Mexico

01– 15 Step
02– There There
03– The National Anthem
04– All I Need
05– Kid A
06– Karma Police
07– Nude
08– Weird Fishes/Arpeggi
09– The Gloaming
10– Talk Show Host
11– Videotape
12– You and Whose Army?
13– Jigsaw Falling Into Place
14– Idioteque
15– Climbing Up The Walls
16– Exit Music (For a Film)
17– Bodysnatchers

First Encore
18– How to Disappear Completely
19– Paranoid Android
20– Dollars and Cents
21– The Bends
22– Everything In Its Right Place

Second Encore
23– Like Spinning Plates
24– Reckoner
25– Creep

segunda-feira, março 16, 2009

Set list do Radiohead no México (ontem)

"15 Step"
"Airbag"
"There, There"
"All I Need"
"Nude"
"Weird Fishes"
"The Gloaming"
"The National Anthem"
"Faust Arp"
"No Surprises"
"Jigsaw Falling Into Place"
"Lucky"
"Reckoner"
"Optimistic"
"Idioteque"
"Fake Plastic Trees"
"Bodysnatchers"

(bis)
"Videotape"
"Paranoid Android"
"House of Cards"
"My Iron Lung"
"Street Spirit (Fade Out)"

(bis)
"Pyramid Song"
"Just"
"The One I Love" (R.E.M.)/"Everything In Its Right Place"

Faltam quatro dias



Tem hora que eu não acredito que assistirei ao show do Radiohead! Parece bobagem uma mulher de quase 32 anos nas costas pensar assim, mas acho que não é. Outro dia estava numa auto-avaliação sobre aquilo que é capaz de me fazer abrir um largo sorriso. Quando eu era criança a lista era enorme. Ia de um ploc de morango ultra açucarado a um domingo no Parque Guanabara. Entre o chicletes e o ápice de minha diversão tinha revista da Luluzinha, desenhar, ver um filme na sessão da tarde, passar um dia com minha avó Celinha, fazer brinquedos que eu aprendia com o Daniel Azulay e a turma do Lambe-Lambe. Então eu cresço e viro uma chata de galocha, que nem é bublegummers? Não, não mesmo. A vida não te dá motivos para estar alegre só quando é brindada com champanhe, viagens caras e manequim 36. De modo que tenho ficado feliz com muita coisa que muita gente acha banal. E que venha logo a sexta-feira!

sexta-feira, março 06, 2009

Something

Não sei se sobra espaço para postar em pílulas após o advento do Twitter na minha vida. Mas se eu soar redundante para quem me acompanha por lá, peço desculpas. Sei que entre meus poucos leitores há os que não querem saber de (mais) apetrechos do universo paralelo. Porque existem trocentas formas de se relacionar virtualmente e, ainda bem, muitas delas começam a dar preguiça na gente.

Hoje mesmo eu conversei no msn com um amigo de quem sentia muita saudade. Ele sumiu, não respondia quando estava online. Cheguei a pensar que estivesse chateado comigo por algum motivo. Haveria motivo? Não. No nosso último encontro, mesmo que breve, levei um presente para o bebê dele. Porém é comum achar que há alguma coisa, uma fofoca ou maledicência. E se alguém inventou uma mentira sobre mim para ele? Engraçado como paranóias nos pegam às vezes. Mais do que isso: é muito difícil acreditar na bondade das pessoas.

Antes que alguém ache que eu reergui o muro de lamentações, explico: estou tentando diariamente vencer a tendência em pensar amarga ou negativamente. Gentileza gera gentileza, já diria o Profeta de mesmo nome, não é mesmo? Lembrei-me agora do manifesto da amiga Carol por um mundo mais delicado. Ela está certíssima. Afinal, precisamos de mais tolerância, de mais sorriso, de mais "obrigada" e "por favor".

Voltando ao meu amigo, tudo o que eu queria hoje era tomar uma cerveja com ele na Mercearia São Pedro, como nos velhos tempos. Esse excesso de virtualidade nas relações vem fazendo com que eu não abrace, não brinde e nem telefone no dia do aniversário. Então ficamos nessa de scrap e SMS até que não nos reconheçamos mais? Comigo não!

Hoje na sessão de acupuntura cheguei à uma conclusão curiosa: se eu acabar com este blog, muita gente terá notícias minhas. Não que eu seja "noticiável", veja bem. Mas na ante-sala do consultório costumo conversar com a Luciana, recepcionista. Na minha última ida lá falamos de superação. Citei uma amiga, minha melhor amiga, como um exemplo de pessoa batalhadora. Pela manhã, a Luciana me mandou por e-mail um texto muito comovente sobre uma senhora que tinha como sonho cursar faculdade. Ela entrou aos 87 anos e foi, ao longo do tempo do curso, uma inspiração para a turma. Após graduar-se, morreu dormindo.

A Bida, minha depiladora, que é das poucas pessoas que me conhecem intimamente (com o perdão da infâmia) é outra com quem adoro conversar. Futilidades da revista, assuntos profundos com a interferência da Igreja Cristã no Estado (que deveria ser laico). Também converso com o Carlinhos, zelador do meu prédio, que sabe que prefiro frio, cuido da Georginha quando minha mãe está fora e adoro fazer almoço no domingo. Tem a caixa da padaria que me pergunta sempre como está o Téti, o colega da academia que pede dicas culturais e quer saber minha opinião sobre jornalismo nos dias de hoje.

O triste é que muitos amigos que eu amo nem sempre sabem como eu estou e vice-versa. Não sei como e nem por que. Não há tempo de encontrar. Para encontrar tem que ter dia e hora marcados. Sinto falta de saber para quem posso ligar nesse exato momento e chamar para tomar um café ou ver um filme. Tem o marido, a namorada, o bebê, uma festa já programada, precisa acordar cedo no dia seguinte, vai trabalhar até mais tarde...

Eu queria ter escrito em pílulas também para contar que vou correr na minha primeira maratona. Será no dia do meu aniversário, cedo, domingo. Não é um absurdo: cinco quilômetros. Depois que me inscrevi, deu frio na barriga. Bateu um arrependimento. Brinquei que seria Kung Fu Panda no meio dos Ninjas. Estou fazendo dieta e cortei álcool até lá, com exceção do brinde ao aniversário de namoro com o marido e os "cumpleanos" dele neste mês. Resolvi encarar muitos medos de uma vez. Eu sei que depois vou achar tudo isso bom/proveitoso.

Pelo jeito, os comprimidos viraram uma cartela e nem mencionei o quanto conto as horas para assistir ao show do Radiohead. O Oasis já cantou "please don't put your life in the hands of Rock' and Roll band". Eu sempre contrariei essa máxima. Foram anos tendo uma educação musical e sentimental embalada por Beatles, Stones, Doors, Led Zepplin e toda uma adolescência achando que só me entendiam de verdade os Titãs, o Faith no More, o Nirvana, o Pearl Jam...A pirralha que existe em mim não vai dormir direito dia 19 de março. Espero continuar assim por muitos e muitos anos.

Faltou falar da festa dos 80 anos do tio Walter, que entrou para o topo da lista como a melhor do ano. Foi uma homenagem linda e comovente que minha prima Vanise preparou para ele. Serviu não só para unir, como reconciliar parte da minha família, que é briguenta, insana, passional, sensível e de bom coração. Eu fui a DJ da noite regada a Frank Sinatra, Julio Iglesias e os hits dos tempos do tio Walter e da vovó Celinha. Não houve como não cair em prantos com a homenagem do meu tio Fábio, que não pode sair de Vitória. Ele lembrou que, ano após ano, a grande ansiedade do aniversário dele era a chegada do tio Walter às festinhas. E ele nunca faltou, sempre levando balinhas e presentes. O tio Walter é um exemplo raro de ser humano maravilhoso, que me faz apagar a falta de fé nas pessoas descrita acima.

Saio agora do trabalho com um presente delicado: minha prima esteve na Noir para deixar um lindo cartão de agradecimento, bombons e o CD novo do U2. O famoso mimo à la Santos. Aquela coisa da linhagem portuguesa que recebe bem, acolhe, prepara o prato predileto no aniversário e tem particularidades como nenhuma outra. O irônico é que precisei de alguma terapia, discos de rock e de muitos amigos até agora para admitir o tamanho do meu amor pela minha louca e adorável família.

terça-feira, março 03, 2009

Téti e o Calor

Ele agora deu para nos seguir até o banheiro todas as vezes. Lá, fica posicionado perto da pia, aguardando a torneira ser aberta para dar tapinhas na água. Sobe mais na janela do que nunca, à espera de uma brisa. Deita de barriguinha para cima e pernas abertas com um jeitinho de exausto. Mergulha a carinha amassada na vasilha de água para se refrescar. Meu gatinho é como eu: não está suportando essa fornalha!