quarta-feira, novembro 30, 2011

PS do PS (Novembro não acabou)

E só porque adoro escrever cartas...



Querida Tristeza,

Esta é (mais) uma carta de despedida. Desculpe, não consigo ficar ao seu lado por muito tempo. Minhas prioridades são outras, "meu destino é agora, feito caldo de cana".

Eu sei que você tentou me manter ali, fiel e apegada. Você chegou até a convidar a Saudade, a Nostalgia e tantas outras para uma festinha particular. E não me surpreendeu.

Tristeza, Vinícius errou: você tem fim. Eu fui penetra nessa celebração. Eu não caibo mais nesse lugar.

Tristeza, eu hoje chorei de Alegria. Acho que, enfim, encontrei o meu lar. Chave emperrada na porta velha; eu quando abri logo pensei, "eu posso ser feliz aqui".

Não é apenas um cantinho alugado, emprestado, provisório. Vou desembrulhar minhas xícaras antigas, meus posters de cinema, tirar a cristaleira da garagem da amiga.

Quero pintar as paredes de lilás e amarelo. Quero deixar aquele ambiente com cheiro de bolo de maçã com canela, quero ver Alice dormindo na janela.

No fundo, Tristeza, eu também chorei um pouco por você. A gente ainda vai se ver, mas eu não vou te procurar. Estou nesse flerte com a Serenidade, me deliciando com o exercício de manter "a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo".

Não me queira mal. De algum modo, às vezes brusco, cuel e avassalador, você me ensinou. Com você ao meu lado, pude olhar para aquelas sombras, pude espantá-las.

Eu gosto de dançar, de tomar uma taça generosa de vinho, de morrer de rir, de marcar frases em livros, de encontrar amigos, de fazer novos, de cantar no trânsito, de ficar cheirosa, de ser essa manteiga derretida que não esconde as lágrimas por você, pela Felicidade e por tantos sentimentos que me vão servindo.

Obrigada, Tristeza, por me fazer melhor. "Deixe-me ir, preciso andar". O dia de folga nem é tão longo, porém eu irei marquei salão, pretendo ir ao cinema e depois tomar um café.

Espero que me entenda e aceite esse meu pedido.

Cordialmente,

Ludmila

terça-feira, novembro 29, 2011

Para encerrar novembro

...engraçado é que quando eu não escrevo, vem alguém e o faz por mim: aquilo que eu queria ter o talento para redigir ou simplesmente a mais completa tradução do que sou/ estou.

"Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite:"Sou mesmo forçado a escrever?" Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, a dizer o que vê, vive, ama e perde. (...)"

Rainer Maria Rilke


domingo, novembro 27, 2011

Dance with me

Venho sorrateiramente quebrando minhas regras.
E isso é muito bom.
Sou do tipo que quando discoteca, não aceita pedidos (aliás, esse blog chama-se Ludj porque adotei o "nome artístico" nos idos de 2001, quando fazia as chamadas "festinhas descontrol": ler no passado ou nas entrelinhas, whatever).
Sexta-feira, acatei um pedido.
Era um moço que não parava de dançar minha playlist de rock.
Ele sorria para mim e eu franzia a testa olhando para o iTunes.
No fim da noite, ele perguntou o que eu tinha de soul.
"Muita coisa", respondi.
Entrei na pasta da Aretha Franklin. Será que eu daria esse gostinho para ele?
Ele veio todo atrevidinho dizendo que ia me passar uma canção por bluetooth.
"Use o meu pendrive", eu disse.
Não fiquei "facinha". Acho que foi mais para "easy going" - ou seria "easy like sunday morning"?.
Quando coloquei o dispositivo no computador, fiquei surpresa com o bom gosto do rapaz.
"Só deixo você usar alguma dessas faixas, se dançar comigo". Ele foi categórico (e irresistível).
Outra regrinha quebrada.
Dançamos.
Os amigos o arrastaram na terceira música. E eu tinha que ir, pois acordaria cedo no dia seguinte.
Da varanda, acenei. E me diverti com a performance "quero voltar" dele.
Não trocamos nomes, números ou beijos.
Ele era um rapaz "cheek to cheek". Ainda que disfarçado de hipster.
E eu? Bem, eu venho tendo encontros maravilhosos e inesperados com o romance.

sexta-feira, novembro 25, 2011

Do amor, da dor, da morte e dos meus pensamentos desconexos

Mais de duas da manhã.
Estou exausta.
Queria dormir, queria ter sono. Mas tenho a urgência de escrever. Tomei algumas taças de vinho; eram para relaxar, anestesiar, sei lá o quê.
Mais um dia lidando com a morte. Pensando muito no meu estar aqui, naquela impossibilidade do "how to disappear completely".
Queria voltar apenas quando o jardim já estivesse florindo.
Então, amor e morte podem ser siameses, indissociáveis...é isso?
Eu preciso matar, de vez em quando, essa coisa insana, irracional e aderente para seguir adiante?
Minha dor não é minha. Eu já tive similar. Eu sei o que é me deparar com o inacreditável, embora (em alguma esfera) previsível.
Dia ordinário, dia de cão. De comer mal, de não saber o que dizer, de como agir...dia aéreo. E eu só pude dizer a verdade: "eu te adoro, conta comigo, sempre estarei aqui".
Aquela dor aguda, diferente da dor de outro tipo... eu senti.
Eu também sei o que se sente após dizer/ouvir "acabou". No entanto, nem imagine a intensidade dessa mistura.
Superei as duas. Ao menos penso que sim.
Alguma marquinha ali, acolá fica. Como as manchas roxas inexplicáveis que, minha avó já dizia, são "nada mais, minha filha, que melancolia".
Eu só puder abraçar forte, eu só pude repetir aquelas verdades. Porque o amor acaba, a dor acaba, os pensamentos desconexos também.
Com a outra, não há barganha. E alguém bem mais esperto, menos cansado e mais sóbrio que eu assim falou.
O amor vira outro amor, não sem antes passar por uma incrível e transformadora experiência. A dor se esvai e o pensamento, como cantou Caetano, "parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar"...
A morte vai esperar e sentada. Praga mesmo. E as minhas pegam!
Toda vez que ela me olha com esse jeito soberbo e multifacetado, respondo que permancerei resistindo, porque tenho um zilhão de coisas a fazer. Eu tenho que ter a generosidade, o lenço, o abraço, a força, a sanidade, a doçura, a firmeza e até o sono que me vença mais de duas da manhã.
Foi mais um dia para riscar, esquecer, apagar. Foi como a página do calendário-imã de geladeira recém rasgado: esse ano tem que acabar.
Que sigam amores e pensamentos - não necessariamente desconexos - por madrugadas, dias, semanas, meses. Da dor e da morte eu não faço questão alguma. Já gastei minha cota.

quarta-feira, novembro 23, 2011

Eu não tenho um moleskine...

...Mas deveria.
Inspirações repentinamente me perseguem. No estacionamento do shopping, no vagão do metrô, na sala de espera do médico. Falando nisso, meu terapeuta pediu que eu listasse um kit básico de sensações para ele analisar. Eu o faço descoordenadamente, em guardanapos de papel, na agenda que de vez em quando fica na bolsa e, agora, em sacolas de papelão. Aquele recipiente reutilizável onde guardo minhas frutas, barrinhas, iogurtes e queijinhos. Foi num desses, bem amassadinho, do Boticário (prestes a ir para o lixo) que identifiquei meu garranchinho no hai-kai:

"pague pelo ponto,
peça pelo número,
valha o quanto pesa".

segunda-feira, novembro 21, 2011

Do fazer tudo sempre igual

Não havia rede social e as pessoas já espalhavam por correntes de e-mail um certo texto intitulado "Mude". Ele foi atribuído a uma série de autores: Clarice Lispector, Marina Colasanti, Luis Fernando Verissimo. O mundinho de muitos amigos em cópia (o remetente tinha necessariamente certa dificuldade em usar o CCO. Daí, os milhões de vírus inbox) parecia o do Pequeno Príncipe, cuidando de seu baobá. E ficava eternamente cativado por aqueles mandamentos.

E não é que o mundinho mudou? Rápido e raspteiro. Os textos como "Mude" e outros devidamente créditados ou não são agora um turbilhão de informações. Sobre o fazer tudo sempre igual, esse continua condenável. A não ser na letra de "Cotidiano" do Chico, que é linda e uma delícia (pois há uma sensação de que não se beija mais com a boca de maçã).

Fui adepta do "Mude" por anos a fio. Ainda gosto dele, mas joguei fora bússolas. Não tenho GPS e, por mais que tente me fazer valer de um argumento mais "filsófico", me pego lembrando de "Igual a Tudo na Vida". A cena é Woody Allen dizendo a Jason Biggs algo como: "se alguém lhe der um conselho, não retruque. Diga 'ah, que ótima ideia'. E depois faça o que quer fazer".

Tem coisas que eu não vou, não quero e não necessito mudar. Isso não tem nada a ver com resistência ao novo, ser metódito, irrascível ou algo do gênero. Eu não mudo, por exemplo, do lado que viajo no metrô. Vou sempre sentada na janela direita vendo as árvores. Observo ali os raios de sol, algumas flores e linhas de trem. Os prédios surgem de vez em quando. No entanto, eles predominam no lado oposto.

Eu sempre como pão com manteiga e se for para usar margarina, prefiro a seco. Eu nunca deixo de ouvir uma música bonita quando estou muito triste: tenho playlists de dias cinzas e pouco inspirados. Em toda e qualquer gripe, como na que estou no momento, desejo canja de galinha que a mamãe faz. Posso estar a quilômetros de distância, casada ou morando em outro lugar como estive...não muda esse pedido de afago numa tigela com legumes picados em cubinhos.

Não mudo meu jeito de sorrir para o mundo quando estou apaixonada. Talvez, no fundo, eu devesse mudar a assustadora mania de acompanhar em francês (que eu não falo) ou italiano (menos ainda) canções na linha "que você fez para mim" escutadas em volume máximo no iPod. Não deixo de citar meus autores favoritos em momento "keep walking". De modo que vou juntando Pessoa, Drummond, Clarice, Leminski, Caio F, Manoel de Barros, Xico Sá, Martha Medeiros, Tati Bernardi. Desde que eu me entendo por mim, piso em sementes secas (aliás, faço uma competição com minha mãe e minha irmã) espalhadas pelas calçadas pelo prazer de ouvir "crec, crec, crec".

Quando eu era criança, pedia para meus pais repetirem incontáveis vezes o disco "Revólver" do Walter Franco. Aos sábados, comia espaguete ao sugo com meu avô Nunzio e, sorrateiramente, passava pãozinho francês para limpar o prato. E essa coisa de mudar atrapalha muito, pois me coço numa cantina para não fazer exatamente daquela maneira que fazia: ainda mais com o redor da boca todo vermelho e feliz.

Não mudar também é uma experiência maravilhosa, que traz lá sua mágica. Domingo fui ao Mercado Central tomar limonada na banquinha que existe desde 1938. Eu poderia tomar um açaí (que passo), o novo suco exótico daquela fruta asiática da qual não me lembro o nome. Nenhum deles me traria de volta lembranças tão instantâneas do meu avô Azevedo ou do meu pai. Nenhum deles seria capaz de convencer o amigo de São Paulo de que aquela limonada por demais adoçada era algo único.

Não mudar, enfim, é o lugar da memória, do conforto, do calar-se com a boca de maçã. Eu gosto disso.

sexta-feira, novembro 18, 2011

All by myself

E chega o dia em que você tem que lidar sozinha com coisas que costumava compartilhar. Olhar, sem a ajuda do outro, se o apartamento vazio para alugar tem alguma infiltração no teto do banheiro, pias com água vazando na cozinha e portas rangendo. Você tem que decidir se segue procurando ou se resolve logo a questão.

"Por que vai morar sozinha?", todos me perguntam.

Dividir é subtrair despesas e solidões. Temporariamente, moro com uma amiga maravilhosa, que foi das poucas alegrias nesse ano ordinário, essa sequência baixo-astral de 2010.

E por que abrir mão dessa pequena dose de felicidade? Por que ficar ouvindo o som da própria voz num domingo à tarde? Numa noite fria? Numa rua desconhecida?

Eu simplesmente preciso, fui levada (por mim mesma) a lidar sozinha com coisas que costumava compartilhar. Com o novo e provisório lar, com a eterna vontade de voltar para aquele lugar que me fez feliz (e também triste e também sozinha), com os projetos adiados que podem estar suspensos para todo sempre (uma viagem longa? Um filho? Um livro?).

Eu preciso entender sem o conselho amigo, o divã, a tarja preta, o floral o que eu venho fazendo da minha vida. Por que eu não economizei dinheiro? Por que, a essa altura, não estou olhando um imóvel para comprar?

Por que não soube lidar com o casamento? Por que não sei lidar com certas ausências, tristezas, falta de gentilezas, pisos sem sinteko, buscas em classificados?

E chega o dia que você tem que lidar sozinha com esse contrasenso de querer compartilhar algum sentimento e, por hora, não dividir isso que é incerto faz cinco anos: um lar.

Essa coisa difícil (e que dói) de querer ser você mesma e de não poder ser você mesma a todo momento. Estar por sua conta. O desconforto do ser demais intensa, nada organizada. A sensação de "minha vida sem mim".

Eu desperdiço horas com o inútil, eu quero ler mais livros, ver mais filmes, rir com minhas amigas, emagrecer quatro quilos, achar um apartamento, encontrar quem me ame assim sem tantos poréns, viver em outra cidade.

E chega o dia que você tem que lidar sozinha. Segurar o choro na marra. A roupa amassada não é o fim do mundo, os sapos que se engole no trabalho alguma hora vão coaxar em outro brejo. Tudo se ajeita, até com a pouca perspectiva de céu azul na maior parte de temporada de chuva.

Não dá mais para cair na tentação de culpar o retorno de Saturno, as escolhas da carreira, o relaciomento que ruiu, os pais por qualquer complexo mal resolvido e a si própria. Há muito com o que lidar.

E sozinha.

quarta-feira, novembro 16, 2011

Do amor inventado

Eu me acostumei há muito com o café sem açúcar e não me importo com a dança sem par, mas que você podia ter ao menos me contado uma estória romântica, ah podia. Logo você que tem tanto talento no trato com as palavras: não foi por acaso a mentira que a minha vaidade quis.

Tenho dificuldade em continuar parafraseando porque travo na hora do "nosso amor a gente inventa". Talvez seja "mudança de comportamento". Quase um mash-up, troca de playlist, só que tem a ver. Não é você, sou eu...essa vontade louca de mim mesma. A solidão tem mesmo me deixado forte. Mais fácil falar dela do que desse corte lento e nenhum pouco profundo entre você e eu.

E, de fato, te ver não é mais tão bacana quanto a semana passada...e olha que faz tanto tempo que nem cabe a licença poética. Nos vimos em 2010 ou 2009? Nem me lembro. Houve uma época em que eu memorizava datas do calendário com uma precisão invejável. Eu agora quero que os dias passem.

Você não pode ver que no meu mundo um troço qualquer morreu. E eu tenho que parar de inventar amores, que nunca existiram, para me distrair. No entanto, logo logo eu roubo mil rosas de novo. Sou exagerada, não tem jeito.

Imagem do tumblr Observando

sexta-feira, novembro 11, 2011

Hopes & Fears

Porque de vez em quando é preciso dar uma "pollyannada" diante das desventuras em série.

"Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais solicitada que eu já escrevi". Por Regina Brett, 90 anos de idade, que assina uma coluna no The Plain Dealer, Cleveland, Ohio

1. A vida não é justa, mas ainda é boa.

2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo, pequeno.

3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.

4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.

5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.

6. Você não tem que ganhar todas as vezes Concorde em discordar.

7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.

8. É bom ficar bravo com Deus, pois Ele pode suportar isso.

9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.

10 Quanto ao chocolate, é inútil resistir.

11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.

12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.

13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.

14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.

15. Tudo pode mudar num piscar de olhos Mas não se preocupe; Deus nunca pisca.

16. Respire fundo. Isso acalma a mente.

17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.

18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.

19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.

20 Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.

21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use roupa chique. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.

2. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.

23. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.

24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.

25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você.

26. Enquadre todos os assim chamados "desastres" com estas palavras: em cinco anos, isto importará?

27. Sempre escolha a vida.

28. Perdoe tudo de todo mundo.

29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.

30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo...

31 Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.

32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.

33. Acredite em milagres.

34. Deus ama você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez.

35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.

36. Envelhecer ganha da alternativa morrer jovem.

37. Suas crianças têm apenas uma infância.

38. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.

39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.

40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.

41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.

42. O melhor ainda está por vir.

43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.

44. Produza!

45. A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente.


segunda-feira, novembro 07, 2011

Um post sobre sexo

Toda vez que vejo uma revista masculina descolê, dessas que não mostram as moças peladas mas se "insinuando" e fazendo "revelações picantes", penso na hipocrisia do "mondo macho". Nada contra a Fernanda Lima (que eu acho linda e talentosa), em absoluto: isso seria recalque. E posso ter todos os defeitos do mundo. Esse, graças a Buda, não me pertence... Mas quando a Fernanda Lima diz que adora sexo oral, que tem uma vida ativa, saudável, incendiária e tudo mais, os rapazes batem palmas, compram a publicação e sonham com ela.

Seja mais uma na multidão a assumir que gosta da coisa e que os moços precisam dominar certas técnicas (a Fernanda Lima disse isso) e pronto: o que os caras realmente pensam vêm à tona. Na mais gentil das possibilidades há uma distinção entre a facinha (que curte horizontalizar) e a moça fofa "para casar" (que amarra minimamente até o quinto encontro, como algumas norte-americanas fazem no "five date"). A primeira tem muito mais chances de ser descartada, mesmo que seja linda e bem resolvida como a Fernanda Lima. Ela vai seguir achando que quem a rotula é imbecil, embora, no fundo, fique um pouco decepcionada, pois já está no século 21 e blábláblá. Azar o seu querido? Azar mesmo!

Não falo aqui de amor, de pensar no futuro com dois filhos, casa de campo e afins. Falo apenas de desejo, puro e simples que devia ser respeitado parta de onde partir. Os homens héteros, que compram a revista com a Fernanda Lima na capa, morrem de inveja do Rodrigo Hilbert. No entanto, ignoram a realidade, pulam para a próxima sem aproveitar o supra-sumo do novo encontro, com novas posições. E olha que éramos nós as viciadas nas aventuras de Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha. Nós aprendemos e ensinamos as desventuras do quarteto apimentado.

Eu tenho todos os DVDs de "Sex and the City" e acho a série genial. Ela traduz aquilo que nós, que não estampamos capas de revistas - com nosso corpinho desenhado pela ioga - pensamos sobre o sexo casual, por exemplo. Queremos tirar o melhor proveito dele. Só isso. E se na primera vez não foi grandes coisas, estamos abertas ao segundo encontro. Isso tem mais a ver com generosidade ou otimismo (vai saber) do que com o querer um namorado ou marido, como pressupõem os moços. Mas de uns tempos para cá, eles acham que a gente beija e, necessariamente, se apaixona (honestamente: eu queria ter uma auto-estima assim tão elevada).

Os caras somem e ficam nossas lingeries rendadas e intenções picantes para trás. Porque se não somos Fernandas Limas, divas globais, somos minimamente biscates, carentes, desesperadas e outros adjetivos misóginos. Uma pena. Eu esperava mais da minha era. Eu achava que a briga dos meus pais por igualdade, em todos os níveis, devia ser validada.

Eu não vivo em Nova York e só bebo Cosmopolitan perto do quinto dia útil. Todavia, no cafezinho, boteco e similares ouço (e faço) reclamações sobre o assunto. Chego à conclusão feliz de que por mais que tenhamos passado por séculos de repressão - e que se estendem em muitas culturas - nós mulheres, na maioria das vezes, temos um desejo sexual enorme; somos criativas. O fato de só chegarmos ao orgasmo com preliminares dignas já diz muito. Valorizamos a intimidade, seja ela conquistada em algumas horas, seja ela resultado de dias ou meses.

Não somos a Fernanda Lima. Não temos aquele marido gostoso, que supre todas as vontades dela na cama. Estamos, aliás, alguns quilômetros de distância dela: desde a conta bancária à pele perfeita. E quer saber? Sempre teremos nossa criatividade, brinquedinhos e cosmopolitans. Um dia aparece um Mr. Big, um Steve, um Harry e alguns peguetes bem bons para todas nós. O importante é acreditar no "happy end". E isso, rapazes e raparigas, é um departamento muito nosso.