segunda-feira, novembro 07, 2011

Um post sobre sexo

Toda vez que vejo uma revista masculina descolê, dessas que não mostram as moças peladas mas se "insinuando" e fazendo "revelações picantes", penso na hipocrisia do "mondo macho". Nada contra a Fernanda Lima (que eu acho linda e talentosa), em absoluto: isso seria recalque. E posso ter todos os defeitos do mundo. Esse, graças a Buda, não me pertence... Mas quando a Fernanda Lima diz que adora sexo oral, que tem uma vida ativa, saudável, incendiária e tudo mais, os rapazes batem palmas, compram a publicação e sonham com ela.

Seja mais uma na multidão a assumir que gosta da coisa e que os moços precisam dominar certas técnicas (a Fernanda Lima disse isso) e pronto: o que os caras realmente pensam vêm à tona. Na mais gentil das possibilidades há uma distinção entre a facinha (que curte horizontalizar) e a moça fofa "para casar" (que amarra minimamente até o quinto encontro, como algumas norte-americanas fazem no "five date"). A primeira tem muito mais chances de ser descartada, mesmo que seja linda e bem resolvida como a Fernanda Lima. Ela vai seguir achando que quem a rotula é imbecil, embora, no fundo, fique um pouco decepcionada, pois já está no século 21 e blábláblá. Azar o seu querido? Azar mesmo!

Não falo aqui de amor, de pensar no futuro com dois filhos, casa de campo e afins. Falo apenas de desejo, puro e simples que devia ser respeitado parta de onde partir. Os homens héteros, que compram a revista com a Fernanda Lima na capa, morrem de inveja do Rodrigo Hilbert. No entanto, ignoram a realidade, pulam para a próxima sem aproveitar o supra-sumo do novo encontro, com novas posições. E olha que éramos nós as viciadas nas aventuras de Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha. Nós aprendemos e ensinamos as desventuras do quarteto apimentado.

Eu tenho todos os DVDs de "Sex and the City" e acho a série genial. Ela traduz aquilo que nós, que não estampamos capas de revistas - com nosso corpinho desenhado pela ioga - pensamos sobre o sexo casual, por exemplo. Queremos tirar o melhor proveito dele. Só isso. E se na primera vez não foi grandes coisas, estamos abertas ao segundo encontro. Isso tem mais a ver com generosidade ou otimismo (vai saber) do que com o querer um namorado ou marido, como pressupõem os moços. Mas de uns tempos para cá, eles acham que a gente beija e, necessariamente, se apaixona (honestamente: eu queria ter uma auto-estima assim tão elevada).

Os caras somem e ficam nossas lingeries rendadas e intenções picantes para trás. Porque se não somos Fernandas Limas, divas globais, somos minimamente biscates, carentes, desesperadas e outros adjetivos misóginos. Uma pena. Eu esperava mais da minha era. Eu achava que a briga dos meus pais por igualdade, em todos os níveis, devia ser validada.

Eu não vivo em Nova York e só bebo Cosmopolitan perto do quinto dia útil. Todavia, no cafezinho, boteco e similares ouço (e faço) reclamações sobre o assunto. Chego à conclusão feliz de que por mais que tenhamos passado por séculos de repressão - e que se estendem em muitas culturas - nós mulheres, na maioria das vezes, temos um desejo sexual enorme; somos criativas. O fato de só chegarmos ao orgasmo com preliminares dignas já diz muito. Valorizamos a intimidade, seja ela conquistada em algumas horas, seja ela resultado de dias ou meses.

Não somos a Fernanda Lima. Não temos aquele marido gostoso, que supre todas as vontades dela na cama. Estamos, aliás, alguns quilômetros de distância dela: desde a conta bancária à pele perfeita. E quer saber? Sempre teremos nossa criatividade, brinquedinhos e cosmopolitans. Um dia aparece um Mr. Big, um Steve, um Harry e alguns peguetes bem bons para todas nós. O importante é acreditar no "happy end". E isso, rapazes e raparigas, é um departamento muito nosso.

8 comentários:

  1. Rafael Caus1:00 AM

    Olha, não gosto do Sex and the City. A diversidade feminina vai(ainda bem) além dos 4 esteriótipos, que me incomodam profundamente(todos os 4), diga-se de passagem. Eu sei, eu sei, é uma série, não é o mundo completo, etc. Sim, eu sei. Mas ela, e várias outras, inclusive com temáticas opostas à SATC, esvaziam e simplificam a discussão ao invés de estimularem essa discussão. Vira uma briga de torcida. Uniformizados e homogeneizados, os dois lados cada vez menos apostam em tentar descobrir que temos similaridades viscerais. Aí, nem jogar em campo neutro resolve...

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  2. Rafa, a maioria dos homens não gosta. Mas minha abordagem aqui nem é o desenrolar dos personagens ou esses estereótipos. Foi a ousadia de colocar nos idos de 1998 essas discussões: as mulheres podem gostar de sexo, dormir com um cara na primeira noite, beijar outras, discutir sobre qual vibrador é melhor, assim por diante. Isso vindo de uma sociedade tida como mais conservadora que a nossa. A TV brasileira até hoje não achou forma nenhuma de explorar o tema. Prova disso é o retrocesso quanto a abordagem da homossexualidade, por exemplo. Sex and the City rompeu muita coisa e o argumento dos roteiristas, baseado no livro é importante. Tanto que as pessoas não se dividiriam entre as que gostam e que não gostam. Não se passa batido por Sex and the City.

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  3. Lud, querida. Acho que aquele meu post do outro dia que comentei o seu post no face diz um pouquinho da minha opinião anti-machistas no século em que vivemos, ahm? veja aí...

    "Elas não estão nem aí. O meu nariz é meu, o umbigo é meu, eu dou pra quem eu quiser. Amélia? É uma velha. Botar água no feijão, nem morta. Estão mais lindas, leves, soltas e querem (e se querem!). Querem também largar da gente, viver, transar, se posicionar... fazem até marcha as vagabundas! E podem, como podem.

    Tentar lê-las, impossível. Entendê-las, jamais. Negociação, não há. O jeito? Aceitar. E nessa toada de “finas, elegantes e sinceras”, a gente endoida. Aparecem, a gente quer. Olham, a gente pisca. Querem, a gente desconfia. Ligam, a gente sorri. Não ligam, a gente... é, a gente não entende e fica doido também. Aparecem, a gente treme. Ficam, a gente goza. Nos deixam, a gente sofre...

    Afinal, de quem é a culpa se elas são macias, cheirosas, bonitas, inteligentes e (também) boas de cama? E ai de quem questionar o direito de ainda assim serem sensíveis, terem TPM, medo de barata, de escuro, de sombra, de quererem que a gente busque, leve, traga, espere...".

    Eu, eternamente, fico com a sua primeira opção.
    ;)

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  4. Leo querido, esse seu post é sensacional. Queria muito que pelo menos uns 3% dos caras tivessem sua visão de mundo. Seria melhor para todo mundo. Sexo é carnaval, já cantou Rita Lee. Tínhamos que ser mais livres e felizes ao invés de ficarmos julgando. Se a moça gosta, deveria ser bom né? Sempre achei isso. Mas acho que esses posts são um reflexo e uma reflexão a partir de um mundo que eu não estava familiarizada. Fui de um namoro a outro até casar e a turma solteira precisa ser menos careta. Pegar mais de um ao mesmo tempo na balada não mascara certas hipocrisias. Beijos

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  5. Rafael Caus8:06 PM

    Eu só acho que esse "glamour" não ajuda nada. Não dá pra entender as mulheres? Não, não dá. Mas não dá é pra entender 1 ser humano sequer sobre a face da terra. Não é a questão de ser mulher. Enquanto a gente achar que uma arbitrariedade(pra mim nascer homem ou mulher é uma mera arbitrariedade, é aleatório) tem valor, não vamos nos entender. Agora, se nos é conveniente não querermos nos entender, aí já é outra história...

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  6. Rafa, o seriado no post é meramente ilustrativo. Não há glamour algum em ser mulher: basta ler meu post abaixo falando sobre violência. Nem as hollywoodianas ou retratadas na ficção passam essa imagem o tempo todo. E a questão é ser sim ser julgada por uma sociedade castradora e machista simplesmente por gostar de sexo. No Facebook, outro dia tinha, uma tirinha de como reconhecer uma biscate bombou. Ninguém faz uma de como reconhecer um canalha. E tem mais: se formos levar para o campo sentimental, o homem que quer um namoro é fofo. A mulher é desesperada. Também não entendo os homens. E se não fosse aleatório, nem sei se nasceria mulher de novo. Mas como diria o Caê, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. #ficaadica

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  7. Rafael Caus11:30 PM

    Lud, eu entendi e não usei o termo "glamour" porque o seriado remete ou não a isso. Foi mais no sentido de que não há "glamour" em ser nem um nem outro. E aí amplio o termo além da aura positiva. Também tem "glamour" no "mondo macho" e não é bonito. Não serve pra nada. Só como cabresto para gerações futuras. Essa tirinha aí eu nem ví, então não deve ter bombado tanto assim. E tirinha detonando crápulas também tem. Mas, enfim, ser a voz destoante não é fácil em nenhum dos dois lados. Digo a você, do lado de cá dessa trincheira. Com toda a sinceridade.

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  8. Não é fácil mesmo. Te entendo.

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