domingo, fevereiro 27, 2005

E eu e o Alê fomos ver no Usina hoje



Gostei muito, especialmente dos figurinos e da direção de arte. Mas acho que não deve ganhar Oscar nas categorias indicadas. Falando nisso, o bolão está correndo aqui em casa.

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Um post cheio de reclamação

Calor insuportável, desânimo, pindaíba e esgotamento físico e mental...

Só me resta ouvir Blur

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Só a minha categoria não tem aumento real há 8 anos. Todos os pequenos empresários que conheço estão no sufoco por causa da carga tributária. O assalariado ganha menos de R$300,00, porém muita gente nem consegue pagar isso para um empregado porque seu custo de vida só despenca. Será que estou falando deste mesmo país, que apóia o Severino? E, ainda, como a Velhinha de Taubaté acredita em político honesto?

Para Severino, sociedade apóia aumento de salário para deputados
ROSE ANE SILVEIRA
da Folha Online, em Brasília


O presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), afirmou nesta segunda-feira que "a sociedade não é contra o aumento dos deputados". Severino foi eleito presidente da Casa, na semana passada, tendo como principal promessa de campanha o aumento dos vencimentos dos deputados federais.

Segundo o deputado pernambucano, a sociedade aceita o aumento, "o que ela não aceita é a desonestidade, a roubalheira". Indagado sobre a sua certeza quanto à aceitação da sociedade deste reajuste, que vai elevar os salários dos deputados de R$ 12 mil, para R$ 21 mil, Severino foi enfático:

"Mas é evidente que a sociedade quer. Ela está aceitando. Não tem sido é bem esclarecido. Não existe essa coisa de posição contra. O que a sociedade não aceita é desonestidade, é roubalheira. E se existir isso dentro da Câmara, vou acabar."

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Sobre amigas e bebês

Houve um tempo em que fui convidada para vários casamentos das minhas amigas e já poderia então esperar a temporada dos Chás de Bebês, batizados e festas de um aninho. Estou nessa fase, aliás. Semana passada fui ao aniversário do Gabriel, sobrinho da Marianinha. No sábado foi a vez do Chá de Bebê da Pat Furtado. Tenho amigas com recém-nascidos, amigas grávidas e outras tentando engravidar. Acho lindo, embora o espírito "motherhood" não tenha me fisgado.

Constatei o fato na minha empreitada para comprar o presente para o Otto (neném da Pat). Para mim o universo de bebês se limita a sapatinhos, macaquinhos, babadores, gorros, fraldas e mamadeira. Como não tenho afilhado ou sobrinho, fica ainda mais difícil saber que o glossário é bem maior. Cheguei, então, na Baby. Talvez seja a loja que tem o pior atendimento da cidade. Falei para uma fofa que precisava da lista da Patrícia. Ela quase me deixou surda. "Fulana, você tá com a lista da Patrícia?". "Não, deve estar com a Sicrana", respondeu Fulana. "Comigo não está", retrucou Sicrana. Eis que Beltrana surgiu com desdém: "Eu te atendo".

Como os itens estavam assinalados, quis saber se eram presentes já comprados. "Pode ser que sim. Pode ser o que ela quer ou o que ela não quer", disse cinicamente. "Ah, que ótimo, vamos então dar tiros no escuro?", indaguei no mesmo tom. Beltrana sugeriu que eu desse um pagão para o menino. "O que é isso?", perguntei. Ela riu daquele jeito que dá vontade da gente esbofetear, de forma insana e aparentemente injustificável, um ser humano. Eu fui direta: "Olha, minha filha, eu não preciso de lista para comprar um presente. Posso ir a Traquitana ou a qualquer loja de bebê da Major Lopes e dar uma comissão maior para os vendedores de lá". Em menos de 15 minutos fiz a escolha e paguei.

Quando fui comprar o presente de aniversário da Fernanda, cuja festa de aniversário foi ontem, a coisa mudou de figura. Pessoas atenciosas se preocuparam em mostrar o que combinaria com ela e comigo, inclusive, caso eu quiesse uma calça ou camiseta.

No Chá de Bebê me diverti, com uma ponta de sensação de "peixe fora d´água". Por que toda mulher da minha idade, que não tem a menor relação com bebês, parece fazer perguntas que soam estúpidas a grávidas e mães de primeira viagem? Em seguida, fui para um aniversário de um ano do filho de um amigo do Alê. Sim, foi uma overdose de pequenos seres nascidos depois de 2000.

O domingo chegou com a constatação de que solteiros e casais sem filhos fazem parte de universos diferentes dos grávidos e pais. A escolha da mesa, os assuntos, o cigarro, a bebida e a falta de compromisso com horários rígidos. Não sei se é melhor ou pior ou se dá para viver num "universo paralelo". Eu ainda não cheguei lá e por algum tempo vou continuar gostando mais de ir a livrarias, lojas de disco e roupas do que em lojas de brinquedo e de artigos infantis.

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Menina de Ouro comprova o que eu sempre achei do Clint Eastwood: um excelente contador de histórias. Com ele não tem furo no roteiro ou apelo para a pieguiçe. O diretor extrai o que um ator tem de melhor (inclusive de si mesmo) e suas narrativas são ágeis, cruas. O filme é ótimo. Mas não sei se é do tipo que agrada a turma do Oscar.

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Ouvindo a quase auto-biográfica. Só não é porque eu não tenho meu apartamento para me esquecer de tudo...

Princesa

Sei que há contas a pagar
e há razões pra terminar
A semana toda ficou para trás
Ela tem trabalhado demais

Como seria melhor
Se não houvesse refrão nenhum
mas aaaah

E no seu apartamento
Ela se esquecia de tudo
parecia uma princesa
Não se importava com o resto do mundo
E largava os pés em cima da mesa

Como seria melhor
Se não houvesse refrão nenhum
mas há

E no seu apartamento
Ela se esquecia de tudo
Não havia contratempo
Ela segurava o teu coração
e largava as roupas pelo chão


quarta-feira, fevereiro 09, 2005

E para encerrar muito bem o Carnaval, assisti ao belíssimo Em Busca da Terra do Nunca. Como sempre adorei a história de Peter Pan, o filme acaba por emocionar ainda mais. Johnny Deep e Kate Winslet arrasam e é uma pena não existir um Oscar infantil para premiar o Freddie Highmore!



E como cultura inútil também faz parte do meu show, adorei a eliminação daquele médico babaca do Big Brother. 92% é muita coisa!

terça-feira, fevereiro 08, 2005

Comer, beber, viver

Foi basicamente isso que eu fiz no feriado. Vi filmes também. No domingo assisti ao Código 46. Aquele tipo de cinema que você diz no final: "ah, tá!". Ontem almoço de dia inteiro na casa de Ricardo Koctus, com a presença do Arnaldo Baptista (sim, ele mesmo). Foi surreal. Não consegui fazer nada a noite depois de tanta cereveja, coquetel, belisquete, tropeiro. Como se a pança não estivesse de mamute, hoje fomos almoçar uma deliciosa Picanha na casa de Liliu, pai de Fernandinha. Rimos à beça, já que ele é uma figura. Só conhecendo pessoalmente para entender.

domingo, fevereiro 06, 2005

Meu ritmo de Carnaval está super tranqüilo...

Na sexta fui com a Fê no aniversário de Sandra Gomes, que estava total clima de marchinha, fantasia, etc. Foi divertido. Ontem, eu e mamãe passeamos pela Savassi quase deserta. Almoçamos na Cafeteria, na companhia de Ângelo, o louco particular da família. Vimos o emocionante Terra de Sonhos.



À noite eu e Alê fomos ao cinema. Assistimos ao ótimo Sideways - Entre Umas e Outras, que tem que levar algum Oscar para casa. Ri demais da dupla, principalmente do Thomas Haden Church, o Jack. Dá a maior vontade de tomar um bom vinho tinto depois! E foi justamente o que fizemos ao jantar no Mi Luccia.



Hoje fiz meu clássico Risoto de Camarão e até o momento eu e mamãe vimos um filme em DVD: Do Outro Lado da Rua, com a Fernanda Montenegro e o Raul Cortez. Achei meio lento e enfadonho!

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Quanto mais eu convivo com a falta de sensibilidade e delicadeza dos homens comuns, mais eu preciso ler Vinícius para saber que devem existir outros que valem a pena neste mundo...

A minha preferida:

Para uma Menina como uma Flor

Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.

E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras.

E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.

E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.

E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Hoje faz 6 anos

Impressionante como o tempo passa rápido! Há exatos 6 anos eu comecei a trabalhar na Rede Minas. O lugar não era completamente estranho para mim, já que entre 1996 e 1997 ralei um ano por lá como estagiária. A Redação era bastante diferente e as pessoas eram outras. Eu produzia o 2ª Edição. Levantava às seis da manhã. Lia os jornais, separava as notas que chegavam via fax. Computador eu só usava mesmo para a pauta, pois em 1999 não eram todos conectados à internet como são hoje. O pessoal da Apuração passava para gente os acidentes e situações "mundo cão". Fazíamos uma reunião com a Chefe de Reportagem. O Chefe de Redação ligava da Globo (onde ele trabalhava de manhã) para passar outras instruções. A partir de então era cada um por si. Um pautava mais política, a outra geral e eu economia. Mas os papéis se invertiam. Não demorou e eu entrei na maior crise profissional, achando que tinha feito a coisa errada. Ali não era minha praia. Chegar às sete, ficar sem almoço quase todo dia e sair umas quatro, cinco da tarde não só era cansativo como nada promissor. Isso sem contar os plantões de final de semana. O de sábado dava para engolir, no entanto, domingo era depressivo demais!

A luz no fim do túnel chegou quando a Sandrinha foi me procurar oferecendo a vaga de produtora no Agenda! Imediatamente, arrumei uma pessoa para o meu lugar e tentei trocar. Fiquei uma semana no Programa até que a Chefe de Reportagem da tarde disse que abriria mão de qualquer um lá, menos de mim. Foi um momento contraditório, de desespero e coragem. Cheguei no Diretor de Jornalismo e falei que ele podia me mandar embora porque naquele esquema eu não queria mais ficar. Fui cozinhada em banho-maria por um mês. Como "castigo" tive que conciliar a produção do Agenda com Jornal Visual. Eis que o Geraldão, um verdadeiro anjo, me salvou do limbo.

Final feliz por um bom tempo. Conheci uma turma bacana, fiz amigos e comecei a trabalhar com prazer. Um dia meu chefe me colocou na rua para fazer matéria e não me tirou mais. De lá para cá são 5 anos com entrevistados maravilhosos, outros nem tanto. Gente que te trata como ídolo e gente que te trata como uma ameaça à moral e aos bons costumes da TV brasileira. Tem de tudo. Já teve de tudo. E assim continuará. Ver amigos saindo e outros sendo saídos. Chorar, rir, tirar fotos, criar um mural com pérolas, fita com pérolas. Ganhar passaporte de cinema, convite para show. Ter cortesias e presentes confiscados. Sair do 5º andar. Ir para o 4º andar. Viajar. Deixar de viajar. Receber elogios dos entrevistados que mais admira, sem deixar de lado a auto-crítica. Dar o sangue e em algumas circunstâncias ter vontade de dar uma banana.

Tenho certeza de que o dia da minha partida será sofrido, não apenas por causa das pessoas tão queridas que conheci dentro da TV e principalmente do Agenda, assim como pelos meus entrevistados preferidos - alguns dos quais mais do que fontes, "sócios" do programa -, telespectadores assíduos e assim por diante. Por isso, de certa forma, venho me preparando a cada dia, como quem se prepara para ver partir uma pessoa adorada que está nas últimas. Meu ciclo está se encerrando por motivos bem maiores dos que os óbvios. "Cada um sabe o peso que carrega", já disse Dra. Cláudia, minha terapeuta. Quero aliviar meus ombros, minhas costas e minha cabeça.