segunda-feira, dezembro 31, 2007

Ciao 2007

Em geral, foi um bom ano para mim. Tive boa saúde, conheci Buenos Aires, passei a ganhar mais e, o mais importante, me casei com o homem que eu amo. Citando meu amigo Zubreu, "depois da queda do muro de Berlim, a única bandeira que passei a levantar foi a do amor".

Não poderia deixar de postar um texto parecido comigo no último dia de 2007.


Dúvidas sobre o Réveillon.

De Henrique Szklo.


Por que nesta época do ano todo mundo diz pra você ter boas entradas e depois dá uma risadinha nojenta?

Médico também passa o Réveillon de branco?

Por que Réveillon se escreve Réveillon?

Como é que as pessoas fazem para pular as sete ondinhas no Havaí?

A gente deve comemorar no horário normal ou no horário de verão?

Papai Noel comemora o ano novo?

Por que não escrevemos reveiôm?

Por que os australianos estão sempre comemorando o ano novo antes de todo mundo?

Na região francesa de Champagne você pode comemorar o Réveillon com cidra?

Meia-noite em ponto é o final do ano velho ou começo do novo?

Passar o Réveillon fazendo sexo é garantia de boas entradas?

Os canhotos precisam começar o ano com o pé direito ou com o esquerdo?

Bombeiros também soltam fogos?

Os negócios só vão começar a melhorar depois do carnaval ou no segundo semestre?

Por que no dia 2 de janeiro todas as nossas esperanças já foram por água abaixo?

O que Iemanjá faz com tanta flor?

Dá azar pular as ondas no mar morto?

O Réveillon em Hollywood tem fogos de verdade ou são efeitos especiais?

Quem passa o final de ano completamente bêbado entra com o pé direito na jaca?

Se nos anos anteriores os adivinhos erraram quase todas as previsões, por que é que fazem tudo de novo?

Se todo ano é a mesma merda, por que a gente acredita que este agora vai ser legal?

Se a gente não desejar nada na virada do ano não vai acontecer nada com a gente nos 365 dias seguintes?

Quem está dentro de um avião na passagem de ano pode soltar fogos?

Se no Réveillon a pessoa estiver num parque aquático e pular sete ondinhas artificiais, os seus desejos não serão atendidos?

Desejar que uma pessoa que não tem o pé direito começar o ano com o pé direito é um cumprimento ou uma ofensa?

Começar o ano fazendo piadas de mau gosto é um mau agouro?

domingo, dezembro 30, 2007

terça-feira, dezembro 25, 2007

Mensagem para meus amigos

Porque em 2007 desisti de orkut e sms para dizer o que sinto...


Um espirito baixou em mim ou feliz natal


Amigos e amigas queridos:

Ontem quando o Alexandre e eu íamos devolver um DVD, em meio a um temporal, ficamos por alguns minutos observando um cara chorando sentado em meio a um cruzamento movimentado de Belo Horizonte: o da Getúlio Vargas com Cristovão Colombo, na Savassi. Era um rapaz de mais ou menos 20 anos e, nem de longe, parecia um mendigo. Um carro grande parou e um senhor saiu e começou a conversar com ele. Pela primeira vez, os que estavam atrás não iniciaram o irritante buzinaço.

O sinal abriu e segui pensando naquela cena. O Alê resmungou algo como: "o que é o espírito de natal! Em tempos normais, ninguém pararia para ajudar". Talvez ele não estivesse completamente errado, porém sua constatação me incomodou: será que somos todos hipócritas a ponto de dedicar uma única data no ano para sermos mais humanos? Eu me recuso a ver as coisas dessa maneira.

Discutimos o assunto de modo pouco amigável. Depois ficamos em silêncio, cada qual com sua convicção. Na volta, não havia nenhuma pista do rapaz ou do velho. Chegamos em casa e eu fui para o quarto tentar ler. Ao invés disso, fiquei recordando gestos de algumas pessoas que tornaram-se meus amigos leais e imprescindíveis. Acho que tudo partiu mesmo da solidariedade. Lembrei-me do Luiz, que me abrigou por quatro meses em sua casa como se eu fosse da família, da Lili, que me proibiu de ficar isolada com meus pensamentos tristes durante uma crise, da Mari, que num dia em que tudo deu errado na minha vida doméstica, esperou pacientemente para me dar carona até o jornal num sábado de plantão.

Cada um de vocês, que me vinha à mente na madrugada da véspera de natal, trazia consigo a ação necessária para, se não para mudar o mundo, mudar para sempre a vida de alguém. Foi então que o tal espírito de natal baixou em mim. E como em todos os anos, senti a presença da minha adorada vovó Celinha dizendo que o mais importante no dia de hoje é agradecer por tudo que eu tenho. Eu tenho os melhores e mais generosos amigos do mundo. Muito obrigada a vocês, que me fazem crer na delicadeza, no afeto, no respeito e nas boas coisas da vida. Um brinde, como se estivéssemos todos na mesma mesa nos divertindo, como sempre nos divertimos.

Adoro vocês! Feliz Natal!

Beijos,


Ludmila

quarta-feira, dezembro 12, 2007

A Belo Horizonte que eu não amo

Minha cidade completa hoje 110 anos. Nas capas de jornais estamparam cartões postais, como a Avenida Afonso Pena, a Serra do Curral e a Pampulha. Belorizontinos ilustres e os que fazem parte da série "desconhecidos que fazem a diferença" foram personagens de reportagens nos cadernos de Cidades, Cultura, Economia, Esportes, Política. Crônicas exaltaram a qualidade de vida da cidade, a hospitalidade de quem vive aqui...Eu não discordo de nada disso, que fique claro, porém acho que agora consigo enxergar claramente na Belo Horizonte querida aquela que não me faz vontade de sumir e jamais voltar.

Eu não amo a Belo Horizonte que liberou a construção dos prédios horrendos do Belvedere, que impedem a vista das montanhas e a circulação de ar. Não amo a Belo Horizonte que não cuida de suas calçadas, deixando-as como queijos suíços e prejudicando o acesso dos portadores de deficiência, que utilizam as cadeiras de rodas, e até mesmo das madames, que quase perdem o salto e torcem o pé. Eu não amo a Belo Horizonte que demole as casas do início do século 20. Amo menos ainda a Belo Horizonte que permite que aquelas fachadas sejam conservadas meramente para enfeitar edifícios moderninhos. Não amo a Belo Horizonte dos cidadãos que não limpam o cocô de seus cachorros nas ruas, não exigem lixeiras da Prefeitura e lamentam que a capital não seja mais "a Cidade Jardim". Eu não amo a Belo Horizonte que faz questão de ser, no pior sentido, provinciana e achar que isso é motivo de orgulho. Não amo a Belo Horizonte que não tem bons shows, de peso internacional, ou concertos de graça nos parques. Amos menos a Belo Horizonte que não comparece a esses shows quando raramente acontecem. Não amo a Belo Horizonte que cogitou a Lei do Silêncio. Não amo a Belo Horizonte que ainda não possui rodízio para desafogar o trânsito caótico. Não amo a Belo Horizonte que recebe quase todos os produtos culturais- filmes, espetáculos de dança, peças e shows - bem depois do chamado "eixo". Não amo a Belo Horizonte dos maxi e mini guetos: das Patricinhas "ooooi, tá zóia" e dos Mauricinhos marombeiros com corte de cabelo "bunda de pato", dos neo-hippies, dos surfistas de várzea, dos indies que acham que moram em Londres, entre outros. Não amo a Belo Horizonte dos três beijinhos para casar, como se casar fosse a grande meta na vida de alguém. Não amo a Belo Horizonte que não trabalha com cartão de débito no comércio. Não amo a Belo Horizonte que "ama BH radicalmente". Não amo a Belo Horizonte que mal conta com um aeroporto para se fugir para muito longe em caso de emergência. Não amo a Belo Horizonte dos que fecham cruzamento, da falta de sincronia dos sinais, da falta de placas indicativas de ruas, avenidas e bairros. Não amo a Belo Horizonte dos taxistas sem guia de ruas e avenidas, que dão voltas desnecessárias. Não amo a Belo Horizonte que não tem metrôs que atendam a todos. Não amo a Belo Horizonte que suspira com nostalgia pelo Cine Pathé e Café Pérola, sem ter tomado qualquer atitude para torná-los passíveis de funcionamento. Não amo a Belo Horizonte-ovo que impede aquela boa dose de anonimato. Não amo a Belo Horizonte dos que vão há anos no mesmo boteco, na mesma sorveteria e no mesmo clube. Não amo a Belo Horizonte da "tradicional família mineira", do "povo desconfiado" e do "mineiro é tudo pão duro".

Fora isso e mais alguns itens que não constam dessa lista, eu só tenho a desejar a essa "Tubiacanga", "Pequenópolis" e "Belzonte" aniversários mais bacanas (sem show de César Menotti e Fabiano pelo amor de Deus!) porque por mais que eu vá, eu sempre volto. Não consigo ficar sem a Belo Horizonte que eu amo.

domingo, dezembro 09, 2007

Alegría



Eu tinha um certo preconceito contra o Cirque du Soleil. O grande apelo midiático que desde sempre cercou a trupe, somado ao número de celebridades (e pseudo em sua maioria) que batem ponto nas estréias brasileiras, gerando mais fofoca do que notícia no dia seguinte, contribuíram bastante para que eu não movesse uma palha sequer para solicitar cortesias (quando eu trabalhava em jornal) ou checar reservas para comprar um ingresso, nem que fosse por mera curiosidade.

Quando a lona se armou em Belo Horizonte, eu obviamente estava alheia à Alegría, mas não completamente porque as propagandas do Bradesco e American Express não deixaram. Eis que mamãe surgiu com um par de ingressos e sugeriu que eu fosse com minha irmã. Eu já previa que seria um espetáculo de qualidade irretocável, só não contava com o fato de que também seria emocionante.

Durante quase duas horas ficamos hipnotizadas com as acrobacias, saltos mortais e contorcionismos. Palhaços divertidíssimos e criaturas bizarras completaram a performance pontuada por um trilha incrível. Pena eu ter demorado um tempinho para perceber que minha preguiça era uma bobagem. Deixei de assistir ao Saltimbanco. Ces la vie...

Tirando a falta de noção do público (que mesmo sendo proibido, dá um jeito de fotografar e não cala a boca durante uma apresentação artística), foi uma tarde inesquecível. Bem que as superpotências financeiras poderiam viabilizar sessões para os bolsos mirrados. Seria lindo se todos pudessem ter Alegría.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Expediente da Noir

Tarde de ontem. Todos concentrados em seus computadores fazendo textos, planilhas ou pesquisas. Helga quebra o silêncio:

- Gente, vocês sabiam que Frances Bacon morreu de pneumonia após realizar uma experiência com frango congelado?

- Que ótimo, Helga (respondeu mamãe com ironia)!

- Ótimo nada, eu gostava tanto dele (retrucou)...

Não precisa dizer que caímos na gargalhada

segunda-feira, novembro 26, 2007

Papas na Língua

Pode parecer uma constatação meio besta, mas só alguns velhinhos podem se dar ao luxo de não ter as tais papas na língua. Ainda assim, esse exercício libertário é apontado - por pura incapacidade das pessoas de lidar com determinadas realidades - como esclerose, loucura ou algo do gênero.

Eu, você e até as criaturas mais influentes e poderosas da terra não devem falar o que realmente querem, sob penas que variam de advertência à mais completa exclusão social e profissional. É preciso medir as palavras e controlar o carão desde a visão do inferno da roupa cafona e inadequada de um colega ao gosto azedo da incompetência, falta de visão e ética no trabalho de determinados indivíduos com os quais a relação é obrigatória.

Somos um exército da falsidade cuja maior ilusão é posicionar-se na condição de desertor. Eu parei de acreditar no poder das metáforas, em sutilezas e meias palavras. Prefiro rasgar o verbo, embora quase nunca, nunca mesmo possa fazê-lo. Então, converto quase que silenciosamente, a falta de noção, a folga, a displicência dos batedores de cartões com seus ofícios em humor negro. Ironizo os medíocres e burocratas (na maioria das vezes tão internamente porque nem só de paredes vivem os ouvidos).

À medida que o tempo passa, percebo que há virtudes (ou não) quase impossíveis de alcance. Entre os dois lados da mesma moeda - tolerância ou indiferença - fico com a insanidade que, espero, a idade avançada me reserva.

quinta-feira, novembro 22, 2007

Copy&Paste

Para aquele lugar.

De Tati Bernardi.

Você aumenta o I-pod até quase estourar os tímpanos. Aumenta a carga até quase estourar os joelhos.
Seu prazer em estar viva não basta e você toma aquelas químicas da felicidade prescritas pelo psiquiatra ou por algum amigo que freqüenta raves.
Seu cabelo não basta e você estoura ele até ficar igual ao da menina da novela.
E você aumenta as horas de corrida conforme aumenta a sua idade.
E aumenta os amigos oba-oba porque descobre que quase nunca tem amigos de verdade quando realmente precisa.
E aumenta os casinhos e diminui o amor.
E arregala os olhos para dar conta de ver tudo e saber de tudo mas continua acordando com aquele vazio.
E o mundo te acompanha ou você acompanha o mundo.
E as escadas rolantes e os elevadores fazem de conta que tudo bem você não saber mais como andar com suas próprias pernas.
E os comerciais berram muito na TV porque ninguém escuta mais nada.
E seus amigos, casinhos e até o cabeleireiro só falam de si próprios e você não escuta mais nada porque está louco para chegar a sua hora de falar de si
próprio.
Você está nas alturas, no topo, no seu melhor. Mas se sente devendo ao mundo. Pouco. Preguiçoso. Menos.
Suas funções estão no limite humano. Mas se pudesse, você compraria mais memória pro cérebro e mais bateria pro coração.
O que você não pode ter naturalmente, compra. O que não pode fazer ou falar, usa. O que não pode sentir, imita. O que não pode viver, inventa.
E assim você se renova mecanicamente, a casa fase. Como um computador que vira G3, G4, G200.
Mas um dia, depois de não agüentar mais uma vida de vitrine e pessoas querendo barganhar a sua existência, você descobre que não existe nada
melhor do que mandar tudo isso para aquele lugar.


Porque, afinal, eu não tenho tido tempo e inspiração para os meus próprios escritos

terça-feira, novembro 20, 2007

Saramago

"Se quisermos procurar alguma coisa, teremos de levantar as tampas (ou pedras, ou nuvens, mas vá por hipótese que são tampas) que as escondem. Ora, eu creio que não valeremos muito como artistas (e, obviamente, como homem, como gente, como pessoa) se encontrada por sorte ou trabalho a coisa procurada, não continuarmos a levantar o resto das tampas, arredar as pedras, afastar as nuvens, todas até o fim. Lembremos que a primeira coisa pode ter sido posta apenas para distrair a segunda. Verificar, simples opinião minha, é regra de ouro"

Texto copiado da parede da sala do Corpo Cidadão

sábado, novembro 17, 2007

Sim, estou trabalhando no feriado...

mas achei um texto ótimo durante minha pesquisa.

Comemorar, recordar por Rubem Alves

É preciso preparar a alma com antecedência para o evento. O tempo da "comemoração" se aproxima. Comemorar quer dizer "trazer de novo à memória". Para quê? Para que se cumpra o ditado popular que diz "recordar é viver". Dentre todos os seres vivos os seres humanos são os únicos que se alimentam do passado. Eles comem aquilo que já deixou de existir.

Proust deu o nome de "Em Busca do Tempo Perdido" à sua obra clássica. Se está perdido irremediavelmente no passado, por que se entregar à tarefa inútil de procurá-lo?

Por fora, no mundo cotidiano do trabalho, estamos em busca de coisas novas. Mas a alma, nas penumbras em que mora, vive à procura de coisas velhas. Alma é saudade. Saudade é a inclinação da alma na direção das coisas amadas que se perderam. Foram perdidas e, a despeito disso, continuam presentes como dor: "...Que a saudade dói latejada, é assim como uma fisgada no membro que já perdi..." Saudade é a presença de uma ausência.

Para a saudade não existe cura. Tudo o que podemos dar a ela como consolo é inútil. Por isso, Fernando Pessoa escreveu: "Mas por mais rosas e lírios que me dês, eu nunca acharei que a vida é bastante. Faltar-me-á sempre qualquer coisa, sobrar-me-á sempre de que desejar..." A alma é como um queijo suíço, toda cheia de buracos que doem no seu vazio...

Há um esquecer que é uma felicidade. É como mar que limpa e alisa a areia que os humanos haviam pisado na véspera sem pedir desculpas. Já tive essa estranha sensação bem cedo na praia diante da areia lisa, um sentimento de culpa por machucá-la com meus pés... O esquecimento alisa a areia. Tudo fica puro, como se fosse a primeira vez. Isso, do lado de fora. Mas lá no fundo, onde mora a saudade, não há esquecimento. Porque lá só moram as coisas que foram amadas. E o amor não suporta o esquecimento. "Aquilo que a memória ama fica eterno", escreveu a Adélia.

Há a estória daquele homem dilacerado pela dor da saudade de sua amada que morrera. Em desespero, dirigiu-se aos deuses pedindo que a devolvessem. "A morte é mais forte que nós", responderam os deuses. "Não podemos devolver o que a morte levou. Mas podemos pôr um fim ao seu sofrimento. Podemos fazê-lo esquecer a sua amada. Podemos curá-lo da saudade..." Horrorizado o homem respondeu: "Não, mil vezes não! Pois é o meu sofrimento que a mantém viva junto de mim!"

Palavra boa para dizer isso, parente de "comemorar", é "re-cordar". Pus o hífen de propósito para destacar o "cordar", que vem do latim "cor", que quer dizer "coração". Há memórias que moram na cabeça, muito úteis. Se nos esquecemos delas, cuidado! Pode ser Alzheimer se anunciando! Essas memórias não doem, são informações que levamos no bolso, ferramentas. Mas há outras memórias que moram no coração, são parte da gente. O Chico sabia e escreveu: "Oh pedaço arrancado de mim..."

Já estou preparando a minha alma para o evento. O Natal vai fisgar o membro que já perdi. Perdi a minha infância. Gostaria mesmo era de ir para um mosteiro, longe de comilanças, presentes e risos. Num mosteiro eu poderia experimentar a bem-aventurança na alma que Fernando Pessoa descreveu como a alegria de não precisar de estar alegre... Eu gosto da minha tristeza natalina. Ela é verdadeira. Sou como aquele apaixonado que não queria ser curado da saudade...

segunda-feira, novembro 12, 2007

Da série: Adoro estudos que me beneficiam

Estudo relaciona curvas femininas à inteligência dos filhos

Um estudo publicado pela revista científica Evolution and Human Behaviour afirma que mulheres com curvas são mais inteligentes e têm filhos mais espertos.

A explicação dos pesquisadores é que os ácidos graxos ômega 3, que se acumulam nos quadris e nas coxas das mulheres, servem de alimento para o cérebro e são essenciais para o desenvolvimento neurológico dos bebês durante a gravidez.

Os pesquisadores Stephen Gaulin, da Universidade da Califórnia, e William Lassek, da Universidade de Pittsburgh, usaram dados do Centro Nacional de Estatísticas de Saúde, nos Estados Unidos, para fazer o estudo e descobriram que a relação cintura-quadril das mães estava diretamente relacionada ao desempenho delas e dos filhos em testes de cognição.

Quanto mais gordura acumulada na parte inferior do corpo das mães, e não na cintura, melhor eram as notas nas provas. "Coxas e quadris fartos guardam nutrientes essenciais que alimentam o cérebro e podem produzir crianças inteligentes também", disse Gaulin ao jornal The Daily Telegraph.

Os cientistas acreditam que é essa é mais uma razão pela qual os homens se sentiriam mais atraídos pelas mulheres "com curvas". "Os homens reagem a isso porque é importante para a reprodução (da espécie)", afirmou Lassek ao jornal.

O estudo também concluiu que mães adolescentes têm filhos com problemas cognitivos porque não têm uma reserva suficiente de ácidos graxos, mas os pesquisadores afirmam que as que têm quadris largos acabam sendo menos afetadas pelo problema.

terça-feira, novembro 06, 2007

domingo, novembro 04, 2007

Coisas que passei a fazer só de olhar para ele

- Tirar um bom cochilo depois do almoço
- Inventar receitas gostosas e testar aquelas que considerava difíceis
- Tomar sorvete de côco (com salada de frutas)
- Enrolar mais uns minutinhos na cama - e de vez em quando perder a ginástica - para namorar um tiquinho
- Massagem nas costas dele, que parecem viver doloridas (mas no fundo, isso é dengo)
- Passar um findi inteiro em casa e achar bom

sexta-feira, outubro 26, 2007

sexta-feira, outubro 19, 2007

Do fundo do baú

De ressaca monstra - como toda equipe da Noir -, não consegui trabalhar durante a manhã (agora menos ainda). Fuçando nos backups, achei minha monografia sobre a loja/selo Cogumelo (escrita há quase 10 anos e a seis mãos) e fiquei lendo trechos para as meninas. Como eu, Metal e Leozinho escrevemos trechos abaixo copiados é um completo mistério...

"A problematização deste projeto originou-se da importância da Cogumelo no surgimento de novas bandas de Belo Horizonte. Com a bem-sucedida carreira internacional do Sepultura, somada à incessante gravação de bandas por parte do selo, inúmeras outras foram se formando na cidade. O interesse pela pesquisa surgiu, justamente, pela escassez de bandas do estilo heavy metal na atualidade, bem como o atual estágio da gravadora no mercado fonográfico nacional. Além disso, nós participamos da cena heavy metal"

"O heavy metal no Brasil sempre sofreu de muito preconceito, não só dos meios de comunicação mas, principalmente, da sociedade. Por isso a grande demora para que o gênero se estabelecesse de vez no país, em relação aos EUA e Europa"

"Em outras partes do país o heavy metal não era tão forte quanto em Belo Horizonte e São Paulo, mas a cena existia. No Rio de Janeiro por exemplo, havia alguns lugares para shows - era o caso do Garage e do Caverna - e uma gravadora especializada, a Heavy, que lançou varias bandas, entre elas X-Rated e Dorsal Atlântica, esta última uma das mais importantes bandas de metal do País por ter iniciado suas atividades por volta de 82"

GLOSSÁRIO

DICIONÁRIO DE TERMOS MUSICAIS:

BLACK METAL: “Metal negro”. É o heavy cru, com pitadas de satanismo. O termo foi retirado do segundo LP do Venon ( Black Metal, 1982). No início de carreira, o Sepultura era um de seus adeptos
.

As definições do glossários são hilárias porque a gente se meteu a "aportuguesar" tudo!

sexta-feira, outubro 05, 2007

Sex and the City à mineira

Desempenho sexual em BH fica acima da média nacional

Ibope Mídia diz que 97% dos homens de BH estão satisfeitos com sua performance. Apesar de participar mais de tarefas domésticas, eles ainda são conservadores, em todo o país
Déa Januzzi - Estado de Minas

Belo Horizonte está acima da média nacional, quando o assunto é satisfação sexual masculina. De acordo com a pesquisa Novo homem – comportamento e escolhas, do Ibope Mídia, divulgada na quinta-feira, 97% dos moradores da capital estão felizes com seu desempenho na cama. Esse resultado está três pontos acima dos demais brasileiros (94%). O estudo mostra ainda que o homem contemporâneo, apesar de ser mais companheiro em casa, participando das tarefas domésticas e da criação dos filhos, continua conservador, em todo o país: 61% dos entrevistados são contra a adoção de crianças por casais homossexuais e 63% discordam de que o aborto é um direito da mulher.

“Mineiro esconde o jogo na hora de falar sobre sexo”, afirma o sexólogo Marco Antônio Martins de Carvalho ao comentar os resultados da pesquisa em Belo Horizonte. “ Eles parecem desconhecer a venda expressiva em Minas de medicamentos que promovem a ereção. Os pernambucanos pelo menos foram mais honestos, pois 12% confessaram que usam remédios contra a impotência.”

Nesse novo retrato do homem brasileiro, com certeza, há retoques: “Nunca se mentiu tanto nessa área. Se antes só os homens não contavam a verdade, hoje, as mulheres e os jovens estão no mesmo caminho. Nas conversas com os amigos, exageram nos detalhes e nas vantagens, cada um enaltecendo mais suas proezas na cama, como se o encontro amoroso se restringisse a um simples orgasmo e não passasse pelas três fases do prazer”, explica o médico.

A primeira e mais importante, segundo ele, é o desejo. “Ele chega no momento em que você se sente estimulado pela postura, pela forma de vestir, pelo toque, pelo cheiro, pelas carícias verbais do outro. O desejo não tem nada a ver com excitação, que é a segunda fase da resposta sexual e puramente orgânica. O terceiro ponto é o orgasmo. Portanto, não adianta tomar um caminhão de Viagra, de Ciallis e de Levitra se não houver desejo.”

Os homens de Belo Horizonte, por sua vez, entraram em êxtase com os resultados da pesquisa. Nas ruas e nas praças, eram só sorrisos. Nenhum deles confessou qualquer falha na cama. A vida sexual está perfeita, do início ao fim. “Minha vida sexual é exuberante”, resumiu Flávio Costa, de 36 anos, casado há dois. Além da satisfação sexual, ele se encaixa em outro item da pesquisa que revela a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Flávio gosta de ver o crescimento pessoal e profissional da sua mulher. “Não foi à toa que demorei tanto tempo para casar, pois esperava por essa companheira especial. Detesto mulher dependente”, afirmou.

O professor de educação física Fabrício Pereira Mourão, de 28, recebeu inteira aprovação da namorada, Lisiane, de 23, ao dizer que os belo-horizontinos são bons de cama. Ana Paula, amiga da namorada, observou que o companheiro iria “levar uma surra” em casa se respondesse que não estava satisfeito sexualmente. Ela considera o perfil do novo homem falho, pois “está faltando respeito entre homens e mulheres. O homem tem que cozinhar, lavar, ajudar e enxergar que a gente quer direitos iguais, mas que também não abre mão do cavalheirismo”. Ela, por exemplo, divide todas as contas. “Só não pago conta de motel.”

"Lavo tudo"

Já Maurício Pádua, consultor, de 63, confirmou que é mestre na cozinha, como revelou a pesquisa sobre o comportamento do novo homem. “Faço um estrogonofe de bacalhau como ninguém, sem precisar de ajuda para arrumar a cozinha, pois lavo tudo.” Casado pela segunda vez, ele nem hesita em dizer que é muito feliz sexualmente.

Marcelo Ribeiro, de 24, nem se levantou do banco na Praça da Liberdade, onde namorava Raquel Fernandes, de 22, ambos estudantes de Direito. Eles riram muito da pesquisa, mas Marcelo confirmou o desempenho sexual do mineiro. “Somos bons mesmo”, disse ele, com a aprovação da namorada. Quanto ao perfil do homem contemporâneo que ajuda em casa, ele também aprova. Morando com a mãe e mais dois irmãos, sempre que pode e tem tempo, Marcelo dá uma força. Não vê nenhum problema em dividir tarefas, arrumar a casa, lavar pratos ou, no futuro, cuidar de uma criança.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Pessoas Difíceis

Eu escrevi esse texto há algum tempo. Não é para alguém específico, mas para vários "alguéns", incluindo eu mesma. Os aspectos tensos astrológicos e determinadas escolhas tornaram as linhas públicas.

Impressionante a capacidade que toda pessoa “difícil” tem de associar essa característica à de uma “personalidade forte”. É como se intransigência fosse sinônimo de firmeza e as mudanças bruscas de humor devessem ser passíveis da compreensão irrestrita de todos que estão ao redor. Afinal, já que criatura é assim mesmo, o mínimo a se fazer é aceitar. Certo?

Sem querer achar que o meu teto é de amianto (muito pelo contrário), o mínimo de maleabilidade não faria mal algum aos seres humanos. Tento - quase que como num mantra – deixar que problemas pessoais não interfiram na qualidade do meu trabalho. Quando a coisa está insustentável, aviso que não estou no meu melhor dia e sei que minha expressão fechada me entrega. Mas nem sempre foi assim. Acho que a ficha caiu depois que ouvi uma das críticas mais duras e certeiras de um ex-chefe/amigo. De lá para cá, venho brigando com meu lado (predominante) “marrento” para não azedar ambientes (não só o de trabalho)com problemas que dizem respeito a mim mesma e minha visão crítica (às vezes no pior sentido) do universo.

O primeiro passo é dar bom dia até para cavalo. “Bom dia porteiro do prédio”, “bom dia atendente da padaria”. Praticar no elevador, com aquele sujeito que jamais olharia sua cara (mesmo que no fundo o objetivo seja deixa-lo sem graça com a sua finesse forçada). A partir daí, é mais fácil não xingar, com palavras de baixo calão, o motorista que fez questão de passar com o carro em cima de uma poça d´água, que respingou na sua roupa limpinha. Idiota soa menos agressivo que filho da puta desgraçado, não é mesmo?

Quem não tem fé em nada devia fazer ioga. Se isso parece muito zen, que tal uma fluoxetina? São atitudes simples cortar o café se os nervos estão à flor da pele, suspender o álcool se ele te torna mais agressivo, fazer uma psicoterapia se tiver um dinheirinho sobrando. Pois um hábito super comum entre pessoas difíceis é não se libertar de muletas que potencializam suas piores características.

Disparar a metralhadora da reclamação, dizer que ninguém é competente, que - para variar - tudo sobra para ela, a sábia, magnânima e problemática criatura . Pois pessoas difíceis fazem a linha “emburra, mas faz”, ficam remoendo, resmungando e sempre estouram. Onde está o por favor? Cadê o muito obrigado? Tais formas de tratamento desaparecem do vocabulário quando a bombinha relógio humana está num dia daqueles.

“Não dá”, “não posso”. Não, não, não e não. Ser “Poliana”, acredito, é o fim da picada. No entanto para a pessoa difícil a prerrogativa é não poder, não querer e não fazer. Tudo sai conforme sua conveniência, estado de espírito e obrigação. É para se ficar cheio de dedos com a pessoa difícil que traz o tom da alerta e ameaça consigo.

Como eu não me suporto na condição de pessoa difícil nos últimos tempos, percebi que minha tolerância diminuiu drasticamente com as pessoas difíceis do meu círculo de convivência. Tenho com elas a mesma atitude que alguém sábio teve comigo um dia: isolo, deixo que ela fique em sua caverna imaginária posando de vítima das circunstâncias. Até que o bom senso e a racionalidade a tragam para a luz, embora os dias nublados não tardem.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Cozinha Maravilhosa da Ludmila

Ontem eu inventei um fraguinho leve e super bom. O preparo é facílimo:

Frango Pôr do Sol

- 4 cortes de frango (eu usei peito, mas deve ficar ótimo com coxa ou sobre)
- Suco de laranja espremido na hora
- alho e sal
- Tomilho
- Damascos secos

Tempere o frango com alho e sal. fure-o e deixe-o descansar no suco. Coloque-o num refratário com azeite de oliva e cobra com tomilho e finalize com os damascos. Leve ao forno baixo para assar por 40 minutos em papel alumínio. Depois, retire a proteção e deixe dourar por 15 minutos.

Eu servi com arroz branco, creme de espinafre, aspargos passados no azeite e salada de folhas. Ficou uma delícia.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Love and marriage

A vida de casada tem coisas ótimas e outras nem tanto. No meu caso - bastante recente - as primeiras prevalecem. É uma delícia acordar do lado do Alê, preparar comidinhas juntos e surpresas um para o outro (como velas cheirosas para deixar o jantar a dois mais inspirador)...Às vezes não me acho uma "noiva" tão empolgada porque o trabalho e as discordâncias entre os envolvidos no processo não deixam. Porém, não há um único dia em eu que deixe de dar uma olhadinha no croqui do vestido de noiva(presente do padrinho Ronaldo Fraga). É o mais lindo que eu já vi e lembra inclusive as ilustrações de um dos livros da minha vida - "Ou Isto Ou Aquilo", da Cecília Meireles - que eu li ainda menina. Só não mostro no blog para preservar o suspense...

domingo, setembro 23, 2007

O crítico monocórdico

Quem tem Net em casa já teve ter visto no Telecine Cult os comentários do Marcelo Janot antes de cada filme, mas eu e Ale sempre nos perguntamos: "o que é isso?". O sujeito é inexpressivo, duro e emite vários clichês por segundo. Até nos canais que se pretendem "alternativos", a TV fica melhor se desligada.

quinta-feira, setembro 13, 2007

Adiós Pedro de Lara




Morreu nesta quinta-feira (13), aos 82 anos, o comediante, ator e radialista Pedro de Lara. A informação foi confirmada pela clínica Climed, no bairro de Irajá, subúrbio do Rio de Janeiro. Lara teria chegado ao local às 12h, mas já estava morto. A cunhada Luiza de Marilac afirmou ao G1 que o radialista estava com câncer de próstata.

O velório está previsto para as 20h, na Câmara de Vereadores do Rio, na Cinelândia. O enterro deve acontecer no Cemitério São Francisco Xavier, também conhecido como Cemitério do Caju.

Lara ficou conhecido como jurado do programa "Show de calouros", apresentado por Silvio Santos no SBT nos anos 70 e 80. Também participou do programa do palhaço Bozo, como o personagem Salsi Fufu, e mais recentemente do "Programa do Ratinho" e de "Gente que brilha", espécie de ''Show de Calouros" do século XXI.

A colega de trabalho Elke Maravilha define o humorista como "um sábio". "Conhecia Pedro desde 1972 e tive a honra de me tornar sua amiga. Ele tinha mania de nos presentear com gotas de sua sabedoria nos momentos em que menos esperávamos", diz. Um desses momentos se deu após uma discussão com o ex-patrão Silvio Santos. "Lembro que estava triste após levar uma bronca e o Pedro me disse: 'Ah, Elke, tem gente que é tão pobre, mas tão pobre, que só tem dinheiro", relembra.

Lírios eram símbolo de 'pureza de alma', disse a amiga Elke Maravilha

Emocionada, Elke conta que os famosos lírios que o humorista carregava simbolizavam sua "pureza de alma". "O que vale na vida é nascer e morrer. O resto é encher lingüiça, e tentar fazer com que ela não seja indigesta. O Pedro encheu uma bela lingüiça!", conclui.

O G1 também entrou em contato com a atriz e ex-jurada do "Show de calouros", Sônia Lima, que durante anos trabalhou ao lado de Pedro de Lara no programa.“Eu acabei de saber e ainda estou digerindo a notícia. Estou muito triste. Preciso de um tempinho”, respondeu, aparentemente bastante abalada.

Nascido Pedro Ferreira dos Santos, na cidade pernambucana de Bom Conselho, Pedro de Lara começou a carreira artística na década de 1960 na Rádio Rio de Janeiro. Em 1964, foi chamado para ser jurado do programa do Chacrinha, na TV Tupi, onde conheceu Silvio Santos, que o levaria para o SBT anos mais tarde.

Como jurado de auditório, Lara era conhecido por sua postura conservadora e moralista. "Nunca aceitei que ninguém cantasse sem sutiã, nem com minissaia, que se tornou coqueluche anos atrás. Sempre tomei medidas enérgicas contra isso, até ameaçando me retirar quando o candidato era muito acintoso", declarou em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo" em dezembro de 1999.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Na mosca

Data de nascimento ........... 05/04/1977
Hora de nascimento ........... 12h
Signo .................................. áries
Ascendente ........................ Câncer


Mercúrio na casa 4

No período que vai de 12/09 (hoje) às 20h54 até 13/10 às 10h03, Mercúrio atingirá o ponto mais baixo do seu mapa de nascimento, Ludmila. Esta é uma fase de recolhimento e de silêncio, e você sentirá esta necessidade em sua alma, portanto convém respeitá-la. Tentar forçar-se a movimentos de conversas demais ou de excessiva interação e comunicação com o ambiente pode lhe levar a uma exaustão psíquica e física muito alta
. Todos temos um momento que é mais favorável para o recolhimento, e no seu caso - pelo menos no que diz respeito à fala e à comunicação, este momento é agora!

Como a Casa 4 rege o lar, este é um bom período para leituras dentro de casa. Que tal organizar uma biblioteca? Também é uma fase interessante para conversas úteis e elucidativas com pessoas da família e para organizar melhor a sua vida doméstica: que coisas poderiam ou deveriam ser mudadas dentro de casa? E o que dizer do orçamento doméstico?

Caso você deseje, esta é uma fase propícia para movimentos de mudança doméstica, ou mesmo para fazer pequenas reformas no lar.

terça-feira, setembro 04, 2007

Transferência de Culpa

por Eugenio Mussak

No começo do século 17, os habitantes da região italiana da Toscana já estavam se acostumando com as esquisitices de um sujeito chamado Galileu Galilei. Ele era bamba em matemática e física e andava obcecado por entender os mistérios do Universo. Uma passagem curiosa a seu respeito é aquela em que ele subia a torre inclinada de sua cidade natal, Pisa, e ficava jogando coisas de tamanhos e formas diferentes, tentando entender por que e como caíam. Diz a lenda que, após uma dessas experiências, Galileu observava pensativo os restos de um ovo estatelado na calçada da praça dos Milagres quando foi interpelado por uma velhinha que lhe perguntou o que estava fazendo. “Estou tentando entender por que este ovo caiu da torre”, disse ele. “Eu sei por que ele caiu”, emendou a mulher. “Porque você o soltou.”

Essa história engraçada coloca juntas as duas causas que costumam desencadear os fatos da natureza e também da vida humana: a causa que determina e a causa que predispõe. O que determinou a queda do ovo foi a ação da gravidade; o que permitiu que isso acontecesse foi o fato de Galileu ter aberto a mão e soltado o ovo. Da mesma maneira, sempre há uma causa externa e uma causa interna para os fenômenos que acompanham a vida humana. O correto é dar crédito merecido a ambos os fatores, mas nós temos uma imensa tendência a valorizar um e minimizar o outro, de acordo com nossas conveniências. Nossas conquistas costumamos atribuir às nossas virtudes; já nossos fracassos não têm nada a ver com nossos defeitos, e sim com fatos alheios a nós, verdadeiras traições do destino.

Na semana em que escrevi este artigo, pude observar pelo menos três fatos que ilustram bem essa tendência de autopreservação: um querido amigo chegou com uma hora de atraso a um compromisso que tinha comigo e, após cumprimentar-me, passou a culpar o trânsito por seu atraso, e não sua já conhecida e folclórica despreocupação com os horários e com o tempo dos demais. Outro, investidor da Bolsa da Valores, perdeu dinheiro com a dança dos números e imediatamente atribuiu o prejuizo à “mão invisível do mercado” e não a sua análise incorreta das tendências. Nesses acontecimentos, eu fui o espectador, mas há pelo menos um em que fui o grande protagonista. Estou entregando este artigo com atraso e, quando a equipe de VIDA SIMPLES me ligou, suavemente, cobrando, eu comecei logo a dizer que ainda não tinha entregue porque estava viajando, os aviões andam atrasados, o excesso de trabalho estava me matando etc. etc. É o mesmo que dizer: “A culpa não é minha. A culpa é de minha vida, e eu não tenho controle sobre ela”. Pode?
Você é meu inferno

Cada pessoa tem seus próprios planos na vida. Para realizá-los, vai executando ações que modificam o mundo a seu favor. Até aí, tudo bem. O problema é que todos fazemos isso e, claro, sempre haverá a possibilidade de que aquilo que alguém faça para atingir seus objetivos entre em conflito com o projeto de outra pessoa. É por isso que o filósofo Sartre dizia que “o inferno são os outros”. Mesmo levando em consideração o mau humor do existencialista francês, temos que aceitar que ele tinha lá alguma razão, mas também não podemos deixar de atribuir a esse pensamento uma carga de transferência de responsabilidade. Às vezes as pessoas criam seus infernos particulares e atribuem a autoria a outrem.

Todos já vivemos situações em que foram as atitudes de alguém ­ o namorado, o chefe ou o presidente da República ­ que acenderam o fogo da panela de pressão de nossa paciência. Ok, concordo! Mas muitas vezes fomos nós mesmos que riscamos o fósforo, e os outros apenas entraram com a palha seca. Ou vice-versa.

Ninguém está livre de ter esse comportamento transferidor de responsabilidade. O problema é que ele pode se transformar em um padrão. Quem jamais, ou quase nunca, admite ter construído seus insucessos, carrega consigo os sentimentos de frustração, de impotência e de injustiça. Frustração porque vê seus planos falharem. Impotência porque, como não se atribui a culpa, sente-se incapaz de agir sobre seu próprio destino. Injustiça porque não se considera merecedor do infortúnio, uma vez que, em sua opinião, não é ele o autor do mesmo.

A psicologia, que está sempre buscando explicar o comportamento humano, cunhou a expressão “projeção” para explicar essa tendência de transferir responsabilidades que todos temos, em graus variados. E colocou a projeção em um grupo de comportamentos chamados “mecanismos de defesa”. A parte da estrutura psicológica chamada ego muitas vezes recusa-se a reconhecer impulsos de seu vizinho, o id. Essa é a parte da mente humana mais primitiva, regida pelo impulso do prazer, e que busca a satisfação imediata das necessidades e o apaziguamento das tensões. Obedecendo a esses impulsos primitivos, muitas vezes fazemos coisas, ou deixamos de fazer, que nossa própria moral reprovaria. É quando entra o ego, que é regido pelo princípio da realidade.

Quando adultos, não podemos mais simplesmente cair no choro e sapatear quando somos contrariados ou repreendidos. As crianças fazem isso porque são comandadas pelo id. Nos adultos, o ego assume o comando e a responsabilidade. Entretanto, às vezes o golpe é muito forte para um ego ainda não totalmente estruturado. Nesse caso, ele projeta a culpa para fora de si, isentando-se e, claro, incriminando alguém. Freud explicou!
Inocente ou impotente?

Dizem que essa tendência de transferir responsabilidades é maior entre nós, latinos. O economista argentino Fredy Kofman, que é professor nos Estados Unidos, observou isso, e comenta que se interessou pelo assunto quando seu filho de 5 anos um dia dirigiu-se a ele dando origem a um diálogo bizarro, mas pra lá de esclarecedor:

— Pai, sabe aquele carrinho que você me deu ontem?
— Sim, o que tem ele?
— Pois é, pai. Ele quebrou.
— Como assim? Ele se quebrou sozinho? Então ele cometeu suicídio?
— Foi, pai. Bem diante de meus olhos. Foi horrível!

Pense em quantas vezes você mesmo, como o pequeno protagonista da história, transferiu a responsabilidade até para objetos inanimados. Eu, pessoalmente, tenho vários episódios, confesso. Quando estudei nos Estados Unidos, ainda muito jovem, consegui comprar um carro, um pequeno e econômico Ford Pinto. Certa vez, em uma das muitas freeways californianas, o valente carrinho de repente começou a tossir, sacudir-se todo, até que acabou parando. Motivo? Falta de gasolina. Maldição!, disse eu, sem saber exatamente a quem estava dirigindo o impropério.

Em menos de dois minutos um carro da polícia encostava ao meu lado, e quando o policial perguntou o motivo de estar parado em lugar proibido, eu disse algo como: “Eu não tive culpa. A gasolina acabou”. “Então de quem é a culpa?”, respondeu o agente da lei por trás de seus óculos escuros. Ele fez três coisas. A primeira deu-me alívio, a segunda vergonha e a terceira, prejuízo: levou-me até um posto de serviços para que eu providenciasse o combustível, passou-me uma descompostura por meu ato imprevidente de entrar numa freeway sem verificar o combustível e aplicou-me uma imensa multa.

Durante muito tempo eu me envergonhei do acontecido. Hoje o encaro como um imenso aprendizado. Naquele momento eu me achava inocente. Na verdade eu estava impotente. Aliás, esse é o preço da inocência ­ a impotência. Se você deseja ter sua vida sob controle, o preço é outro ­ a responsabilidade.

Transferir a responsabilidade aos outros traz um falso conforto momentâneo. Uma análise mais cuidadosa de qualquer acontecimento negativo em nossa vida sempre vai salientar nossa participação ativa no episódio. Muito mais do que gostaríamos de admitir. Seu namorado a deixou porque ele é um crápula ou porque você não investiu na relação nem em você mesma? O emprego não aparece porque o mercado de trabalho está ruim ou porque seu currículo não ajuda? Você não passou no vestibular porque a concorrência era muito grande ou porque você não estudou o suficiente?

É claro que sempre há, lembre-se, os fatores determinantes e os predisponentes a qualquer acontecimento. Pode ser que um fator determinante esteja fora de você, mas que você ajudou com um ou mais fatores predisponentes, isso lá você ajudou. Confesse! É verdade que o mercado está ruim, mas também é verdade que seu currículo não está ajudando. É real que o vestibular é difícil e concorrido, mas é ainda mais real que você não se preparou o suficiente. Todos sabem que os rapazes são inconstantes, mas todos sabem também que ele não foi estimulado a permanecer na relação com você, pela maneira como você se cuida e pela maneira como você o tratava. Só que ninguém diz nada.
Confessando as culpas

Em Québec, no Canadá, o jovem Otto cometeu um assassinato. Escondeu de todos, mas confessou o crime ao padre Michael Logan. Este guarda o segredo. Só que o inspetor Larrue, no decorrer das investigações, encontra indícios que incriminam o próprio padre, que é preso e encaminhado a julgamento.

Esse é o enredo de I Confess, um dos filmes menos conhecidos de Alfred Hitchcock. Bem ao gosto do velho cineasta, o filme mistura suspense com drama psicológico. Durante uma entrevista, em 1954, Hitchcock dizia que não havia gostado do resultado do filme, quando então foi interrompido pelo crítico André Bazin, que lhe disse ter percebido no filme essa forte característica humana de transferir a culpa para evitar a dor. O cineasta então se desconcertou e se surpreendeu com essa marca psicológica que ele mesmo não havia percebido em sua obra, a ponto de passar a usá-la outras vezes, como nos filmes Cortina Rasgada e Janela Indiscreta, outras de suas produções geniais.

No fim do filme, Otto confessa seu crime. É o que acontece com todos nós que, mais cedo ou mais tarde, acabamos confessando nossas culpas, culpinhas ou culponas. E não as confessamos, necessariamente, para os outros, e sim para nós mesmos, que é o que mais interessa ao nosso crescimento pessoal.


Fonte: Revista Vida Simples

quinta-feira, agosto 30, 2007

Na pausa para o café

Sentada sozinha à mesa de um café no Palácio das Artes calculo mentalmente: "há quanto tempo não visito o Parque Muncipal?". Talvez eu nem o reconheça. Ao observar os passantes constato que deixo minhas contas vencerem por puro esquecimento. Não sei que dia do mês é hoje. Respondo um e-mail que deveria, em tese, ter sido escrito dias atrás. Não sou pontual, embora escrava do relógio. Aquele que nem tenho em meu pulso. Uma maratonista involuntária correndo sem saber para onde agora está deixando a bebida quente esfriar. Chega o momento da reunião. Hora de me desligar do universo paralelo.

quinta-feira, agosto 23, 2007

Para José

E agora José?
Você quer ir embora e a festa não acabou.
Mas, por que José?
A luz ainda não se apagou
Você a deixou acesa, José
Para que ela iluminasse nossas cabeças;
Para que nos lembrássemos com sorrisos
Da sua vivacidade, do seu desfilar elegante na passarela
e da sabedora que vem de uma simplicidade que as pessoas estão esquecendo
E você, José, que dizia ser meu "fã"
Acabou se transformando em inspiração para mim
Agora, de uma singela homenagem, mal traçada poesia
Eu ainda tenho muito o que aprender com você José
Entretanto, com aperto no coração, te deixo seguir viagem
E sua vez de dizer "fui".


Que o meu amado vovô Azevedo seja uma ótima companhia no céu para o querido José Mendes Ribeiro, o avô da amiga Fernandinha.

domingo, agosto 19, 2007

Post preguiçoso

Nem precisa dizer que a inspiração para escrever está na UTI...Mas para isso servem a fotografia e o You Tube...





sexta-feira, agosto 03, 2007

Quando a depilação vira uma vitória pessoal

Se eu contar quantas vezes por semana eu marco e desmarco itens básicos no salão de beleza, pouca gente acreditaria. Há dias não faço as unhas, precisava pintar o cabelo e a cera quente estava passando longe da minha pelagem. Mesmo nem tão farta, ela me incomoda demais... Hoje após o almoço resolvi arriscar. Quando vi a Bida lendo o jornal tranquilamente, quase chorei. Metade de meus problemas estéticos foram resolvidos sem telefonemas, agendamentos e lembretes inúteis na tela do computador.

O chato é que eu e o Alê mal curtimos nossa casinha por conta das idas e vindas na Leroy Merlin, Tok&Stok e supermercado. Fora isso, tem instalador de rede, faz-tudo, faxineira...E também existe o trabalho pegando para os dois, o que é ótimo, embora estafante.

Amanhã tentarei de todas as formas fazer as unhas, outro ponto para a seleção. É dia do Chá de Panela, que eu fui resolvendo entre as brechas de hora do almoço e à noite. Outro dia vi um documentário sobre como as noivas são estressadas. Mesmo não fazendo a linha convencional, estou ficando um pouco mais freak do que sou.

quarta-feira, julho 18, 2007

Podia ter sido comigo?



Fiquei horrorizada e muito triste com o acidente da TAM. Passei um ano e meio em trânsito naquela bomba-relógio (sempre com o estranho receio de que, a qualquer momento, o caos seria total). Já desci em pista derrapando com o comandante do avião estressado com os controladores. Quase fui para Guarulhos e Campinas dadas as péssimas condições. Para mim, Congonhas devia ser desativado. Por mais que isso traga mais confusão para São Paulo. O governo agora vai ter que sair daquela postura passiva, do "relaxa e goza". Sinceramente, ninguém pode estar sujeito a tanta impunidade como o cidadão brasileiro.

Ainda sobre a tragédia, o lado "jornalista" ficou impressionado com a cobertura do Jornal da Globo (não vi o JN, embora ouvi dizer que ele seguiu a mesma linha). Tudo foi mudado em função da notícia mais importante da semana. Deu uma certa saudade daquela correria de redação, da adrenalina mesmo que a profissão exige. Contraditoriamente, não gostaria de estar no lugar dos repórteres que faziam plantão naquele momento. Ver aquela mãe desperada, que perdeu os dois filhos, de perto acabaria comigo.

"Quando vai ser o próximo?"
Eliane Cantanhêde da Folha Online

A cada nova crise nos aeroportos, a cada novo movimento dos controladores, a cada derrapada de avião, a cada pane no sistema de rádio ou nos radares, uns sempre diziam e outros sempre pensavam: "Quando vai ser o próximo acidente?"

Foi nesta terça-feira, menos de dez meses depois da queda do Boeing da Gol que se chocou com o jato Legacy nos céus de Mato Grosso, matando 154 pessoas e implodindo a credibilidade do sistema aéreo no Brasil. Até hoje, era o maior acidente da história da aviação brasileira. Não é mais.

No Airbus da TAM que explodiu no coração de São Paulo, havia quase 180 pessoas. Além delas, morreram também ainda incontáveis pessoas em solo, com as vítimas sendo recolhidas uma a uma em meio a um inferno de chamas.

O controle de aproximação autorizou o pouso, o avião tocou o solo e não parou. Ultrapassou a pista e se lançou sobre uma avenida até explodir no choque com um depósito da própria TAM, deixando a impressão nos experts de que o pouso foi além do "ponto de toque" e não houve pista suficiente para parar. O piloto teria, então, tentado arremeter (subir novamente), sem sucesso.

As circunstâncias eram todas desfavoráveis: chovia, a pista estava escorregadia, a reforma mal (em duplo sentido) terminou e, afinal das contas, não pode ser pura coincidência que o maior acidente da história acontecer exatamente em Congonhas, no dia seguinte à derrapagem de um pequeno avião da Pantanal. É o aeroporto mais congestionado do país, há décadas se sabe que é inviável e os relatórios oficiais já acendiam o sinal amarelo havia meses. Qualquer um sabe disso, no governo civil, na Aeronáutica, na Infraero, na Anac, nas companhias. Mas ficaram todos esperando ocorrer o pior. Ocorreu.

Resultado: em Brasília, o clima é de total empurra-empurra. O ministro da Defesa, Waldir Pires, estava justamente numa audiência com Lula para discutir o orçamento da Força Aérea, mas, como sempre, foi o último a saber do acidente. Já em casa, teve de voltar ao Planalto. A Aeronáutica diz que não tem nada a ver, porque desta vez o controle de tráfego aéreo não tem nenhuma responsabilidade. E joga a culpa na Infraero, que cuida da infra-estrutura dos aeroportos, e na Anac, a agência civil que substituiu o antigo DAC e que não tem força --talvez nem vontade-- de enfrentar as companhias para de fato regulamentar o setor e definir a malha aérea brasileira.

Como ficam sob o foco também as próprias companhias, por não aceitarem abrir mão da concentração de vôos em Congonhas, que consegue ser ao mesmo tempo um aeroporto condenado e o aeroporto mais congestionado do país. É o típico caso em que o dinheiro fala mais alto do que a segurança.

O que explodiu hoje não foi só o Airbus da TAM. Foi também o resquício de credibilidade que ainda sobrava do sistema de vôo no país e a capacidade de o governo, no seu conjunto de órgãos responsáveis, gerir a situação. O que há é o caos. Junto com a dor, a perplexidade e a sensação de que não tem mais conserto.

Desculpe, mas o que todo mundo agora se pergunta é: "Quando vai ser o próximo?"

terça-feira, julho 17, 2007

Ninho

Desde domingo eu e o Alê dividimos o mesmo endereço. Mesmo com as caixas e a estética "Dogville", está tudo lindo!

Casa Pré-Fabricada

Abre os teus armários eu estou a te esperar,
Para ver deitar o sol sobre os teus braços, castos
Cobre a culpa vã, até amanhã eu vou ficar,
E fazer do teu sorriso um abrigo

Canta que é no canto que eu vou chegar
Canta o teu encanto que é pra me encantar
Canta para mim, qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz, tristeza nunca

Mais vale o meu pranto que este canto em solidão,
Nesta espera o mundo gira em linhas tortas
Abre essa janela a Primavera quer entrar
Pra fazer da nossa voz uma só nota

Canto que é de canto que eu vou chegar,
Canto e toco um tanto que é pra te encantar
Canto para mim, qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz, tristeza nunca mais.

sexta-feira, julho 06, 2007

Porque todo mundo precisa de amor

Love is real, real is love,
Love is feeling, feeling love,
Love is wanting to be loved.
Love is touch, touch is love,
Love is reaching, reaching love,
Love is asking to be loved.
Love is you,
You and me,
Love is knowing,
We can be.
Love is free, free is love,
Love is living, living love,
Love is needing to be loved.

Love, by John Lennon

segunda-feira, junho 25, 2007

Depois de um longo e tenebroso inverno...

Estou de volta! Tive no intervalo uma certa preguiça de escrever. Depois, fiquei um período literalmente offline. Do último post para cá muita coisa aconteceu. Eu não diria obviamente, pois há pessoas que passam vidas inteiras sem qualquer novidade. Pedi demissão do jornal, decidi voltar para Belo Horizonte em definitivo (graças a duas propostas: de trabalhar com a mamãe e de juntar o trapinhos com o Alê). O único bem valioso que eu trouxe de São Paulo foi meu gatinho Téti. No mais, tenho muito o que organizar e ainda achar um apê bacana nas horas vagas. A grande diferença é que as tarefas que um dia eu classifiquei como chatas ganharam outro contexto. Encaixotar, livrar-se daquilo que não serve mais e pensar no novo velho lar têm gostinho de brigadeiro de colher, de beijo roubado no cinema e de friozinho na barriga ao descer no tobogã da Contorno. Estou muito feliz.

terça-feira, maio 29, 2007

Make my Day

Há alguns meses, eu e o Rodrigo, meu roomate, descobrimos um programa sensacional na TV. Trash até o osso, o Alto Astral é apresentado pela criatura mais sem noção da face da terra. A atração só passa em São Paulo, em canais a cabo. Mas hoje o Rô descobriu o site do mito Regina Cury e eu um trecho do Alto Astral no You Tube. Impagáveis!

quarta-feira, maio 23, 2007

Magri

Todo mundo caiu de pau quando aquele ex-ministro do Collor disse que "cachorro também é gente", mas hoje eu constatei que ele estava certo. Téti, meu gatinho, acordou sem fome, evacuou sangue e vomitou. Estava com febre ainda por cima. Na clínica me olhava com os olhinhos mais tristes do mundo enquanto tomava soro na veia, que como a minha é bailarina. A despeito do que muitos podem achar absurdo, ele é como um filho para mim. Hoje não consegui almoçar, nem me concentrar no trabalho porque eu não sei o que ele tem. Nesse dia cinza e frio, tudo o que eu queria era ver meu caramelinho brincando saudável. Ele, no entanto, passará a noite numa gaiola gelada em observação.

quarta-feira, maio 16, 2007

Abandono

Pois é. Ando sem tempo para postar e talvez sem muitas novidades e inspirações. De qualquer maneira, vai um vídeo para alegrar o dia.

quarta-feira, maio 09, 2007

Só por causa de Fernando e Clarice...

Eu decidi postar por conta das Cartas Perto Do Coração. Clarice Lispector pedia a Fernando Sabino que escrevesse, mesmo que não tivesse novidades. Faz uns 15ºC lá fora. Segunda-feira estava quente. A combinação de temperaturas díspares me trouxe uma daquelas gripes que a gente nem consegue abrir os olhos direito. Tudo dói. "Aqueles dias" também chegaram. Nem tive tempo de curtir minha TPM porque o Alê veio no final de semana. Toda minha irritação com o trabalho, a falta de dinheiro, os espirros e a impossibilidade de passar o dia das mães em BH veio como um vulcão. Estou intratável hoje. De modo que deixarei para escrever a entrevista com o Reinaldo do Casseta & Planeta e as críticas sobre os filmes da família Cassavetes para amanhã ou sexta. Gostaria de ter um amigo para trocar cartas, de ganhar na loteria. Nem precisava de muito dinheiro para ser sincera. Só o suficiente para sumir por uns dias e na volta levar uma vida confortável.

quinta-feira, maio 03, 2007

Ao som de Juliette and the Licks...

Hoje minha manhã foi ótima. Tive uma consulta dermatológica que introduziu para todo sempre o ácido retinóico em minha vida. Trocando em miúdos, o elixir da juventude em forma de anti-rugas. Como descabelar é comum nos últimos meses, a Dra. Tatiana achou razões que vão além das explicações óbvias como estresse, poluição, etc. Farei um exame detalhado para entender a fraqueza dos fios e das minhas garrrinhas. Minha língua, apenas ela, continua afiada. Com um coquetel (não orçado, mas deve ser caríssimo) de beleza na bolsa saí feliz pela Paulista para pegar o ônibus para o jornal. É quando começa a parte mais ou menos do meu dia (que tende a ser menos cada vez mais) entra em vigor. Não gosto de improvisar (como relatar "com propriedade" uma exposição que não vi), muito menos das sugestões de pauta que surgem a cada ligação. As férias serviram somente para atenuar minha crise com a profissão. Nunca estarei satisfeita, essa é a verdade. Mesmo que no futuro (não muito distante, espero) eu passe a ser bem remunerada. Lendo as cartas de Fernando Sabino para Clarice Lispector e vice-versa marquei a frase: "o problema de quem escreve é um problema literário". O curioso é que os dois, cujas letras eram tão incrivelmente fluidas, sofriam bastante no processo de criação. Pode parecer pretensão minha a comparação, uma vez que o melhor texto meu é pior do que os que eles jogariam no lixo, no entanto essa sensação de peso seja para produzir matéria boba para a página quatro ou um mesmo para realizar um grande projeto me persegue. Divagações à parte, estou adorando a Juliette Lewis cantando. Tive um final de semana ótimo, com a Uiara e a Marianinha me visitando. Com minha irmã fui ao cinema (vimos o ótimo Ventos da Liberdade) e fiz programinhas ligths. Nós três tomamos algumas no Exquisito (dessa vez, sem Perda Total da minha parte) e rimos bastante, pois encontramos o Landau. Estranho como os momentos de diversão podem ser resumidos com tanta precisão... Estou trabalhando direto desde 20 de abril. Deve ser isso. Também.

sexta-feira, abril 27, 2007

Semana de oitos e oitentas

Voltar à rotina. No último final de semana (e nesse também), plantão. Segunda: novos direcionamentos no jornal e sessão no Reserva Cultural do belo Vermelho como o Céu. Terça: com fuso horário trocado e mais cinema, em companhia da Giovana. Foi a vez do fraquinho Cartola, um documentário que não acrescenta nada para os que amam o sambista e muito menos converte os leigos. Quarta: trabalho além da conta, com reunião até tarde da noite. Quinta: trabalho se acumulando por conta do feriadão e uma esbórnia daquelas. Reuni a turma no Empanadas (com presenças ilustres daquels que só bebem Coca Light, como a finíssima Deborah Bresser). Faltou lugar na mesa, foi divertidíssimo ainda mais porque um amigo da editoria foi flagrado no Orkut em sessões de fotos hilárias. Estava para lá de Bagdá num churrasco e resolveu encenar a Paixão de Cristo (como ele não quis liberar a foto, fica meio sem graça só contar). Sexta: Enxaqueca por conta de aspirar a nicotina alheia e pescoção dos infernos. A boa notícia é que a tão esperada frente fria chegou. Amanhã, Uiara está em São Paulo com meu doce gatinho Téti, de quem estou morrendo de saudades.

domingo, abril 22, 2007

As canções que você fez para mim

Hoje me deu uma vontade de ouvir meus discos do Robertão! Pena que eles estão em BH e eu, de plantão. Mas graças ao You Tube achei umas pérolas como esse dueto com o Caetano...



E eu adoro esse cenário de neve com isopor. Eu sempre digo que a turma que trabalhava na TV naquela época era infinitamente melhor, uma brasa!



Participação especial: Reginaldo Farias. Show de atuação!

sexta-feira, abril 20, 2007

500 posts and so much to say

Acabou-se o que era doce. Depois das férias, de volta ao Limão. A rotina chega com direito a um plantãozinho básico de final de semana. E que plantão, uma vez que serei obrigada (graças ao meu amigo Bezzi) a suportar um show do Evanescence. Praticamente uma piada pronta. Só não é maior que a palhaçada da TAM (aos quarenta e cinco do segundo tempo de hoje). Tudo bem que o delay foi um pouco providencial, sobretudo para quem retoma o trabalho numa sexta-feira...

De resto - e do meu último escrito aqui - fiquei mais velha numa festa quase ótima (não foi perfeita pelo estresse que o lugar causou em mim e nos meus convidados), viajei para Ouro Preto na Semana Santa na companhia dos amigos paulistas Alex, Cinthia, Mari e Marcelo. Levamos a turma para um passeio básico por BH.





Depois, o Alê e eu nos dedicamos ao turismo a dois (que nunca é demais). Uns dias na Estalagem do Mirante, com vista para Serra da Moeda. Vinho, frio, cobertor e muitos DVDs.



Após os dias na montanha, fizemos uma breve parada em São Paulo. A ocasião foi especialíssima: o casamento do Luiz e da Telma. Uma linda cerimônia num templo budista e uma festa de arromba no Hotel Cambridge. Fiquei inutilizada no dia seguinte, mas valeu a pena. Mais uma vez, não peguei o buquê da noiva. A imagem roubada de um flog que o James me passou revela a empolgação dos convidados. Com destaque para as performances sempre hilárias de Daniels.



Pé na estrada mais uma vez. Sorteamos entre as opções, a mais próxima: Monte Verde ou Grinberg ou ainda "a Suíça mineira". A cidadezinha serrana é muito fofa, lembra Gramado, porém é o paraíso dos casais em lua-de-mel. Aqueles meio baranguinhos que curtem hits acústicos e pop internacional no estilo Roxette. Isso existe? Sim, em Monte Verde há toda uma trilha sonora "Good Times" aonde quer que você vá. Na minha opinião, essa segmentação "benhê" não é nada agradável. E como eu e o Alê costumamos ser sarcásticos não apenas nas horas vagas, preferíamos locais mais isolados para não destilar nossos risinhos e comentários sobre os pobres pombinhos.

Nesse post 500 eu queria contar uma novidade, no entanto, vou esperar um pouco ainda e contrariar meu condicionamento um tanto quanto boca grande. Talvez sejam as três décadas me ensinado a esperar as coisas acontecerem primeiro...

segunda-feira, abril 02, 2007

Um pouco de tudo

Assim seguem as férias: um misto de diversão, tédio, desleixo, filmes, encontros, discussões, sonos pesados, calor, reconciliação, dúvidas e esperanças. Encontrei-me com Mari Gazela e Marianinha. Há muito não pagava para entrar numa sessão de cinema, mas valeram os níqueis para Maria Antonieta e 300. No mais, as previsões astrológicas para o meu signo neste mês vão bem, obrigada.



quarta-feira, março 28, 2007

Tecla Sap

Alguém que já esteve em algum país de língua hispânica demorou um pouquinho para voltar ao português? Está difícil não soltar alguma expressão da língua hermana em cada frase...

Bom, seguem abaixo algumas fotos. Nossa câmera xexelenta perdeu as mais legais (deu um erro inexplicável) e deixou tantas outras com cara de conceito. Eu sou mais o tempo do bom e velho filme que a gente mandava revelar (pelo menos dava para desconfiar quais iriam queimar). Tecnologia demais sempre me dá um olé!

Almoço em Puerto Madero


Pelas ruas de Caminito


Vista do Hotel


No Café Tortoni


Madresita não largava a Quilmes

terça-feira, março 27, 2007

Te quiero Buenos Aires!

A capital argentina é mais bonita do que eu imaginava, embora precise de uma boa revitalização no centro. O portenho é lindo, não é do tipo "salve salve simpatia" à primeira vista, mas há que se encantar com suas conversas sobre política, arte e latinidade. Vinhos deliciosos, quilmes gelada, empanadas quentinhas, alfajores incríveis, media lunas com cortados todos os dias...Essa é a vida que eu quis, como no refrão do Barão Vermelho. Em breve, fotitas da viagem.

sexta-feira, março 16, 2007

Eu vou tirar do vocabulário de quem me conhece...

...os adjetivos nada agradáveis que venho escutando sobre a minha pessoa exausta. Dizem por aí que eu ando mal humorada, tensa, ansiosa, estressada, brava, irritada, antipática, rebelde, impaciente e agressiva. Bom, é quase tudo verdade. Afinal, são sete anos sem fazer uma viagem que dure mais do que uma semana. Sete anos sem receber "férias". Tive tanta dificuldade com isso que não me lembrava se o valor que eu receberia correspondia a 1/2 ou 1/3 do meu salário. Até os "quarenta e cinco" do segundo tempo, a dúvida se manteve, pois a empresa em que trabalho passou a ordem de pagamento em cima da hora para o banco ontem. Não recebi ainda, mas o RH disse que hoje sai. Daqui a pouco, eu desço quatro andares passando - por meio da testa franzida e da "ginástica facial" - um conjunto de expressões que resulta em impressões pouco positivas sobre mim. Sinceramente, eu nem condeno a atitude. Creio naquela máxima do Oscar Wilde, "só os tolos não julgam pela aparência". O que não me impede de depois mudar de idéia. Mas a partir do momento em que eu fizer as malas e embarcar para Buenos Aires, tenho certeza de que tudo vai ser diferente. Até os portenhos boludos vão me amar. Devo abandonar o blog por uns dias. Meu celular também estará desligado e fora da área de cobertura. Hasta las vista baby!

quinta-feira, março 15, 2007

4 anos de namoro...



Ele não lê meu blog, nunca mandou (e já avisou que não mandará) flores para mim. Ele não se liga nessas datas comemorativas (tem preguiça, inclusive, de comemorar) e possui uma lista de defeitinhos e defeitões que eu poderia enumerar facilmente. Mas ele é simplesmente o amor da minha vida, a pessoa que me entende com o olhar. Ele é lindo, engraçado, gostoso e tem um coração enorme. Se eu fosse tentar apontar suas qualidades, seria por demais açucarada e... injusta. Porque as virtudes dele não cabem aqui. Eu ainda descubro muitas delas a cada dia. Para ele, que com certeza quase absoluta não entrará nessa página (é até melhor para não ficar muito convencido), eu ofereço essa música da minha amiga Norah Jones, que eu chamei para um showzinho particular.

E com licença que agora vou sufocá-lo com meus beijos.

terça-feira, março 13, 2007

Não há mesmo sentido para mim ler o horóscopo diário nos meses de março. Os astrólogos confiáveis e os que fazem previsões duvidosas parecem ter feito uma espécie de acordo para me deixar assolada no bode do inferno astral. Há três dias das férias, só posso dizer que a imagem venho que passando é a de um dos melhores clipes na minha opinião. Estou muito Richard Ashcroft nos últimos dias. E nada me detém.

domingo, março 11, 2007

Eu não vou chorar pitangas por aqui, por mais que eu tenha meus motivos. Tudo porque no plantão, que vai durar até meia-noite, eu encontrei Goethe.

Pensamentos - Johann Wofgang von Goethe

Todos os dias deveríamos ler um
bom poema, ouvir uma linda canção,
contemplar um belo quadro
e dizer algumas bonitas palavras.

Pensar é mais interessante
que saber, mas é menos
interessante que olhar.

quinta-feira, março 08, 2007

O dia da mulher é uma chatice!

Sim, é chato. Passamos o dia recebendo correntes sobre o tema, que falam coisas "bonitas" sobre o fato de ser mulher. Também ganhamos flores (uma rosa vermelha, em geral) em restaurantes e firmas. Da onde tiraram essa idéia de que a gente gosta de ganhar UMA FLOR dada sem amor, heim? E ainda temos que ouvir, de passantes, coisas como "feliz dia da mulher!". Sono.

Ok. O 02 Neuronio não tem nada contra discussões feministas sérias. Muito pelo contrário. Achamos que muitas delas são realmente importantes. A gente ver mulheres gostosas anunciando cerveja em "bares da boa" da vida é indigente! Ver um monte de garota se matando pra ficar magra também é. E pensar que, muitas vezes, a gente cai no jogo (e se acha feia, gorda etc só porque um idiota _que não se acha gordo nem feio_ nos rejeitou é o fim da picada).

Poderíamos ficar horas aqui falando sobre absurdos que encaramos todos os dias. A lista é gigante. Outro dia um amigo (gay) veio me falar que mulher não é amiga de mulher. Esses mitos ainda existem. E isso é péssimo. Também achamos que o aborto precisa ser legalizado etc etc etc.

Mas não precisamos das suas flores falsas nem das correntes sobre "a beleza interior" feminina. Isso só irrita. É sério. E se mulher precisa de "dia" é porque tudo ainda está errado. E lembrar disso nos deixa ainda mais.... tristes. E de mau-humor.

(Por Nina Lemos)

segunda-feira, março 05, 2007

Falta um mês para o meu aniversário e os astrólogos avisam que será um inferno astral daqueles! Devo sumir daqui uns dias.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

"Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer".
Honoré de Balzac

Nunca li Balzac, mas chorei vendo a Costureirinha Chinesa mudando sua vida por conta dos livros dele. Um livro nunca mudou minha vida. Minha vida não daria um filme...Estou chegando na casa dos 30 querendo mais Prozac do que romances. Se bem que um pouquinho na vida real não me faria mal algum. Sigo com minhas rimas pobres e causas nada nobres. Hoje é terça. Não tem jeito.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

E o Oscar vai para...

Sim, a festa é cafona. As piadas são, na maioria das vezes, para americano rir. Quase sempre discordo dos premiados, mas...adoro o Oscar. Pronto, falei. Todos os anos corro para ver os filmes em cartaz antes do evento. Entre sábado e domingo assisti a cinco (apenas um não estava no páreo) em sessões lotadas. Chorei, ri, fiquei irritada com filas e pessoas que falam na sala, comi mais pipoca do que devia, enfim.

Nove da noite de ontem: lá estava eu na frente da TV comentando o vestido exagerado da Nicole Kidman, o visual simplório da Meryl Streep, a elegância da Kate Winslet e o charme da Gwyneth Paltrow. Mais tarde, reclamei dos surtos do Rubens Ewald Filho, dos erros da Maria Beltrão (eu vou alternando os canais), dei uma cochilada durante as músicas sempre chatérrimas, comi mais bobagens, praguejei contra meu televisor sem tecla sap, torci para os latinos e lamentei não ter entrado num bolão pela primeira vez. Eu perderia, claro, porque não apostaria nos Infiltrados, nem na trilha de Uma Verdade Inconveniente. De resto, eu acertei na mosca.

E sabe o que vem depois? Eu invariavelmente perco a hora, não encontro nenhuma roupa digna no armário e chego atrasada no trabalho. No caso, foi um percurso nada agradável. A van do meio-dia é sempre lotada. Gente com todo tipo de visual, cheiro e reclamação. Nada de glamour na chegada até a Marginal Tietê. Almoço sem tempero, vida sem novidade e caixa de mensagens com emails que eu só devo responder amanhã. São poucas as vezes no ano que eu me permito adentrar no universo fútil (não vejo BBB, novela e odeio notícias sobre "celebridades", sobretudo noticiá-las) e, por alguns instantes, como agora, chego a pensar que ele tem seu encanto.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Não há muito o que contar para não haver lamúrias. Vi e revi alguns filmes, li a Décima Segunda Noite numa sentada (esperando o avião), fui ao aniversário da Fernandinha, tive que ouvir papos de pais empolgados com seus rebentos, namorei um tiquinho e pum, lá se foi mais um carnaval. Contagem regressiva para as férias. Dia de pescoção. Fim de semana sem nenhuma programação e um The Cure para animar esse dia quente.

domingo, fevereiro 18, 2007

O Blogger mudou e eu nem vi...

Alguns dias sem postar por falta de tempo, de paciência e de criatividade. Minha constante irritação está gritando, mas por hora em Belo Horizonte, acredito que os nervos à flor da pele se amenizem. São as benécies do ócio de que tanto preciso. Vários DVDs para assistir. Alguns clássicos como Noites de Cabíria, do Fellini. Não pretendo programação intensa. Aliás, vim para o lugar certo. Um quase deserto.

Semana passada tive um único momento de felicidade, que foi conhecer a Monja Coen. De resto, nada foi digno de relato por aqui. Meu vôo de sábado felizmente não atrasou como eu previa. No entanto, consegui ler a TPM de fevereiro inteira na sala de embarque. Quando o avião decolou, comecei a chorar. Foi o texto da Mara Gabrilli e meus hormônios juntos. Ainda bem que sempre haverá óculos escuros para evitar olhares curiosos.

A antítese das mães - Mara Gabrilli

No dia-a-dia com vovó Semi, aprendi a assistir à TV com a tela trêmula e a acreditar que podem existir mais coisas entre o céu e a Terra

Numa tarde de sábado estacionei o carro ali na rua Avanhandava, no centro de São Paulo, esperando o Walter Mancini sair de seu restaurante. Fiquei admirando aquela rua que agora transformamos num boulevard acessível a todas as pessoas. Como nos centros históricos europeus, que se inspiram no conceito de “traffic calming”, deixando a rua no mesmo nível da calçada para integrar veículos e pedestres. O Walter chegou curtindo um som no seu iPod. Colocou um dos fones na minha orelha: “Anos de Solidão”, do Piazzola. Em seguida, declamou um poema que, por profunda coincidência, minha avó recitava para mim. Me emocionei com lágrimas... Morei com ela no seu apartamento na avenida Brigadeiro Luís Antônio bem naquela região central. Por mais que reclamasse da dor no fígado, das freqüentes mudanças que eu fazia no apartamento, da velocidade com que eu a ultrapassava no corredor, quase a derrubando no chão, tinha entusiasmo e falava naturalmente a linguagem do amor. Eu adorava sair para dançar e, quando chegava muito tarde, decidindo não ir à faculdade logo cedo, ela crescia de felicidade e triplicava os quitutes do café-da-manhã. Gostava de demonstrar que era melhor comigo em casa. A maioria das avós vira antítese das mães, já foram duras com seus filhos e preferem ser doces com seus netos. Muitas vezes enquanto eu estudava, entrava no meu quarto, subia num pequeno divã e declamava poemas encenando gestos e expressões numa entonação que fazia ela própria chorar. Sentava ao lado dela para assistir à sua televisão, com uma imagem repleta de chuviscos e rabiscos que eu mal conseguia reconhecer pessoas... Mas ela entendia! Depois de um tempo sem decifrar aquilo eu começava a folhear revistas até que minha avó pedia que eu parasse de fazer vento nela. Eu achava aquilo um absurdo, mas hoje, depois do meu acidente, fiquei muito sensível a oscilações de temperatura. Não posso com alguém folheando revista ao meu lado. Conhecida na feira da Major Diogo, que freqüentava há 30 anos, era chamada pelos vendedores, que gritavam o nome do produto junto ao dela: – Olha as berinjelas, dona Semíramis! (Aliás, refogadas, eram uma de suas especialidades.) Quando fui morar com ela, tinha 80 anos e confundia um pouco as cédulas. Quando dava 50 reais para pagar uma compra de 4 reais e mandava o feirante ficar com o troco, alguns devolviam, outros não. Vovó Semi tinha graça e encanto. Usava conjuntinhos, tudo combinando. Seu banheiro tinha toalhas, tapetinhos, cortinas, enfeites de mármore, pia, bidê, vaso, acessórios para toalete e flores artificiais, tudo cor-de-rosa. Coisas que só uma avó faz Ela via personagens, que chamava de espíritos, na sala. Eles chegavam ao cair da noite. Era o orelhudo, o de cabeça azul e o peludo de olhos amarelos. Ela me chamava para vê-los, ficava mostrando onde estavam, mas eu não conseguia enxergá-los. Um dia cheguei para almoçar e senti um cheiro forte de rosas na sala. Minha avó veio da cozinha contando que viu o espírito de uma mulher de branco jogando pétalas de rosas pela sala. Fiquei em pânico e, mesmo sabendo que de nada adiantaria, tranquei as portas pra dormir. Fui morar num flat e, um ano depois, ela morreu. Meu irmão morava fora do Brasil e estava viajando com meus pais. Vesti e maquiei minha avó! Com minha tia, primos e minha amiga Selma fizemos o enterro. Foi a única pessoa da família muito próxima que perdi. Na correria burocrática, não deu para sofrer. Adormeci e no dia seguinte, quando acordei, chorei de emoção e felicidade!

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Hoje eu esqueci de tomar o remedinho. Também deixei meu celular em casa. Fiquei o dobro do tempo no trajeto para o trabalho e apaguei na van. Fui acordada na Barra Funda pelo motorista, com cara de pena. Mal sabia ele que eu também ficaria um bom tempo esperando o transporte do jornal.

Pior é que com medo de me atrasar demais em dia de pescoção, acabei colocando a primeira roupa que vi pela frente: uma calça jeans, que como quase todas as outras, está apertadíssima. Levantei cedo para ir à academia e fiquei pensando naquela frase do Woddy Allen: "se a decadência física é inevitável, para quê tanto execício?". Eu até gostava de malhar até bem pouco tempo atrás. Agora, devo admitir, que só tenho paciência para yoga, a qual sou super irregular em freqüência.

Uma vez no jornal, tudo que eu estava fazendo caiu. Ou foi substituído. Normal, pensei. Se o gravador digital não fosse um lixo e a expectativa de plantão das menos animadoras. Por um pedido lá de cima, serei obrigada a cobrir um maldito festival de karaokê no ABC, fora as matérias de cidades que eu detesto fazer.

Parece TPM, mas é só um péssimo humor mesmo. Minha tolerância é zero, meu saldo de três dígitos não cobre o montante de contas de quatro dígitos. Por razões óbvias, não pegarei nenhum cineminha para não morder a pessoa que sentar ao meu lado na sala porque ela resolveu respirar. O único número satisfatório em minhas contas essenciais é o das férias: faltam 38 dias para eu sair desse mal humor que até pode me pertencer em parte, no entanto, está agudo demais para suportar.

Escrito para mim...
Desabafo de um blogueiro.
De Rosana Hermann.


Quando você compra um filhote de cachorro você sabe que além de fazer gracinhas e alegrar a casa ele também vai fazer xixi e cocô no tapete, roer os móveis, puxar a cortina e mastigar seus sapatos. Só um ser humano totalmente inconsciente adquire um animal de estimação acreditando que ele é um bicho de pelúcia que se mexe.

Algo semelhante acontece quando você decide ter um blog. A diferença é que neste caso não é o blog que faz xixi e cocô pela rede mas um ou outro internauta anônimo que eventualmente entra nos comentários para deixar seus dejetos.

Ao longo desses anos todos de contato direto com o público através de sites e blogs aprendi algumas coisas básicas. A primeira delas e, talvez a mais importante, é que todo ofensor, além de ser um solene filho da puta, é uma pessoa carente. Carente, infeliz e, em última instância, doente. Digo isto com a experiência de quem involuntariamente coleciona alguns desses poucos pervertidos, entre milhares de pessoas bacanas e gentis.

Uma dessas criaturas, que gosto de pensar como sendo mulher, é uma chata de galochas que praticamente mora na porta do meu blog. Ela entra todos os dias, várias vezes, o que em tese, seria motivo de gratidão e orgulho. Pelo menos eu me sentiria assim se a freguesa viesse três vezes ao dia na minha padaria para comprar pãozinho quente. No entanto, o que a leva ao blog não é a convivência com outros leitores ou a busca de informação mas o garimpo por acentos em sílabas terminadas em ú. Não é piada, juro. E não adiantaria mandá-la para nenhum lugar adequado ao tema. Ela tem orgasmos, múltiplos, quando encontra um acento errado num ‘u’ ou num ‘i’. E quando não cometo este erro, ela tece comentários de posts anteriores onde a falha ocorreu. E, se não encontra nenhum problema com os acentos, ela sai alucinadamente buscando por vírgulas mal colocadas. Agora, sério, me diz se isso não é uma espécie de transtorno ortográfico compulsivo?

Uma outra pessoa, muito mais comprometida e nefasta, está arquivada na minha memória como um homem de pinto pequeno. Extremamente indeciso sobre sua sexualidade, ele assina ora com nomes femininos ora com masculinos, sempre com aquele ódio venenoso de quem desistiu de ser feliz. O tema recorrente para me ofender são assuntos antigos, sempre ligados a trabalhos em tv, que não têm o menor fundamento. Ao que tudo indica, deve ser algum funcionário ou funcionária que demiti ou nem contratei quando tive um cargo que permitia esse tipo de decisão. Os anos passam, a fila anda, gente nasce, gente morre e ele, sempre lá, batendo na mesma tecla. Imagino que o sofrimento dele deva ser imenso. Não consigo pensar em nenhum sofredor maior do que o vingativo amargo. Conheço uma outra pessoa assim, que não consegue ser feliz um único dia na vida, porque arrasta esqueletos produzidos durante décadas, todos amarrados em seu próprio corpo. É muito karma pra uma pessoa só.

A terceira e última criatura que vale ser mencionada, porque talvez represente um avatar que você já conheça, é a invejosa profissional. Aquela que sofre com qualquer alegria alheia. Que anda com um alfinete na bolsa para estourar balões de gás das criancinhas. A invejosa é surpreendemente ardilosa e é capaz de fazer pesquisas e contas só para saber quando você gastou no jantar que você descreveu ou a viagem que você fez. Tudo isto, claro, para tentar calcular quanto você ganha, com o único objetivo de invejar seu estilo de vida. A invejosa vibra com seus fracassos, tem frouxos de riso com suas derrotas e ataca assim que fareja um pequeno sucesso conquistado. Ela nunca escreve de forma direta, falando com o blogueiro: ela fala sobre o blogueiro com os outros leitores que, em geral, tenta cooptar para seu covil. Ela bate o pé e diz ‘bem feito’ quando você se dá mal e torce para que você se exploda. Torce apenas, não, ela está sempre pronta para ser a primeira voluntária a apertar o detonador. E se sobrar um dinheirinho, ela doa para financiar a dinamite.

Diante desses exemplos a pergunta natural seria, por que manter um blog, então? Para sofrer? Para apanhar calado sem poder saber a identidade dos agressores? A resposta é simples: porque compensa. Porque as alegrias prevalecem. Porque é meu jeito. Porque eu preciso escrever. Porque tenho muitos leitores amigos e amigos leitores. E porque assim como as bactérias têm função vital no equilíbrio de todo organismo, também esses ofensores têm um papel na blogosfera. Eles servem para nos lembrar que o mal existe, que a qualquer momento podemos ser apunhalados. Servem de contra-exemplo para que a gente não caia nessa mesma armadilha e não faça o mesmo com outros. Os infelizes mostram que a infelicidade é um fardo insuportável que devemos evitar durante a vida, perdoando, compreendendo e deixando pra lá sempre que possível. No Fashion Week da Vida eles são aqueles modelos que a gente deve ver para jamais copiar.

A única coisa que lamento mesmo é que, também ao contrário dos cães, não seja possível aplacar essas dores, iras e males desses leitores para que eles se libertem das amarras da infelicidade. Acredito que não seja possível ensinar essas pessoas a fazer cocô no lugar certo, como se faz com os bichinhos. Porque enquanto o cachorro, o gato, querem distância dos seus excrementos, essas pessoas fazem questão de deixá-los perto de si mesmas. Fazer o quê. Dizem que cada um dá o que tem de melhor. Vai ver elas só tem isso para oferecer ao universo.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Férias de Mammy e Uiara em SP - Parte 2: as estrelas da festa

Lavanderia do Téti


Vale invade a lavanderia


Filó e Valentin


Os irmãos caramelo


O gatinho mais lindo e carinhoso do mundo


Reecontro:

Ontem fui ao Veloso (um bar ótimo que fica próximo à estação Ana Rosa) com meu querido amigo Thiago Guimarães. Há algum tempo eu não o via. Ele foi estagiário do Agenda e um dos melhores produtores que o programa já teve. Além disso, seu texto é excelente e pelo que sempre notei, um profissional ético como poucos. Ainda por cima ele é bonito. Por dentro e por fora. Tivemos ótimos momentos, lembramos dos amigos e do passado. Ele agora é chefe na Agência Folha e tenho certeza (e torço) de que ele irá muito mais longe ainda.

Mera Coicidência?

Como o Lúcio Ribeiro mostrou em sua coluna, as duas maiores revistas de música do País tiveram a mesma idéia genial de colocar o Chris Martin, do Coldplay na capa. É a criatividade dos jornalistas musicais brasileiros gritando.