segunda-feira, novembro 26, 2007

Papas na Língua

Pode parecer uma constatação meio besta, mas só alguns velhinhos podem se dar ao luxo de não ter as tais papas na língua. Ainda assim, esse exercício libertário é apontado - por pura incapacidade das pessoas de lidar com determinadas realidades - como esclerose, loucura ou algo do gênero.

Eu, você e até as criaturas mais influentes e poderosas da terra não devem falar o que realmente querem, sob penas que variam de advertência à mais completa exclusão social e profissional. É preciso medir as palavras e controlar o carão desde a visão do inferno da roupa cafona e inadequada de um colega ao gosto azedo da incompetência, falta de visão e ética no trabalho de determinados indivíduos com os quais a relação é obrigatória.

Somos um exército da falsidade cuja maior ilusão é posicionar-se na condição de desertor. Eu parei de acreditar no poder das metáforas, em sutilezas e meias palavras. Prefiro rasgar o verbo, embora quase nunca, nunca mesmo possa fazê-lo. Então, converto quase que silenciosamente, a falta de noção, a folga, a displicência dos batedores de cartões com seus ofícios em humor negro. Ironizo os medíocres e burocratas (na maioria das vezes tão internamente porque nem só de paredes vivem os ouvidos).

À medida que o tempo passa, percebo que há virtudes (ou não) quase impossíveis de alcance. Entre os dois lados da mesma moeda - tolerância ou indiferença - fico com a insanidade que, espero, a idade avançada me reserva.

2 comentários:

  1. Anônimo10:02 AM

    Definitivamente, você precisa escrever o tão sonhado livro, vou mandar este texto para Martha Medeiros apreciar, e gostaria de encaminha-lo para outra pessoas por outras razões. mas não o farei, só Martha entenderia.
    Love you Angela Arvore espinhenta!

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  2. Só vc mesmo madresita! I love you! Besos

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