sexta-feira, dezembro 31, 2010

Receita de Ano Novo - Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Da amizade

"O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica..." Vinícius de Moraes

Eu estava ali cheia das minhas convicções esotéricas. As cartas já não adiantavam mais, como cantou Roberto. O I Ching me colocava na geladeira e as previsões para áries eram um fiasco. Então, ela me disse: "a vida é muito mais interessante do que isso".

Não foi a primeira vez que a amiga dissera, com a maior elegância, "pare de se vitimizar". Por que há gente de sobra neste mundo para se achar no direito de falar o que quer, sem pensar nas consequências. Eu mesma sou um pouco assim e, honestamente, não acho que seja motivo para me vangloriar. Ao contrário.

E foi desta maneira, doce e firme, que ela entrou definitivamente para a galeria dos pouquíssimos e preciosos amigos do coração que tenho hoje. Porque amigo sabe quando tem que puxar sua orelha, amigo sabe quando precisa te tirar da linha reta e enfadonha da normalidade e te aplicar uma dose de loucura, amigo tem sempre o melhor abraço e a frase certa para sacar em momentos de tristeza ou desilusão.

Minha amiga é a primeira pessoa do dia a me ouvir tagarelar. Só por conta disso, merecia um prêmio, pois eu acordo com a corda toda. Brindamos com vinho o show do Ney Matogrosso, com suco de uva nossa troca de presentes de natal. Ariana e passional - sinônimos? - que sou avisei um dia desses que ela é a irmã mais velha que eu sempre quis ter.

Para minha surpresa, minha amiga não saiu correndo com o "torna-te eternamente responsável por aquilo que cativas". Capricorniana típica, como descreveu Sabino ("nasce velho e morre menino"), retribuiu com carinho. E continuará retribuindo.

Porque ela sempre será a doçura de pessoa que distribuiu bombons para agradecer homenagem que recebeu incerta feita, ela sempre será a maluquinha que agitou o plantão de domingo pós show do Del Rei, ela sempre será a que utiliza tão bem, e como poucos, as palavras.

Para minha amiga Silvana Mascagna, que é um verdadeiro presente na minha vida.

domingo, dezembro 26, 2010

Mudando o perfil

Outro dia quis saber onde - e se - guardei meu velho caderno de "perguntas e respostas". Era um clássico entre as meninas da minha época e tinha duas finalidades: registrar o grude entre as amigas de adolescência e saber se havia alguma chance com aquele menino tímido do lado oposto da sala.

As perguntas tinham todo um conjunto de intenções bem delineado, embora soassem idiotas. Passavam por "qual sua cor favorita?", "Seu estilo musical predileto?", "Para que time de futebol você torce?" e chegavam a "Está namorando?", "O que você diria para/sobre mim?".

Entre nós, garotas, valia a mensagem fofa. Bem clichê e breguinha, diga-se. Eram recadinhos do tipo: "seja pouco, mas seja você. E se esse pouco for pouco para alguém, esse alguém é pouco para você".

Eu passei o tal caderno para os quase 40 alunos da classe responderem. E o último foi o tal mocinho, que só não desconfiava porque...bem, porque alguns caras são assim: os últimos a saber. Mas fazia parte do jogo e, àquela altura da vida, eu costumava fingir não estar nem aí por aquele que me fazia roubar gotinhas de perfumes da mamãe para ir à escola.

Ele gostava de azul, preferia rock e, infelizmente, torcia para o atlético. Não tinha namorada, no entanto me achava apenas legal. Li tantas vezes aquelas respostas lacônicas. Foi a última vez que me apaixonei por um cara da mesma turma. Eu estava na sexta série.

Não cheguei a ficar sem esperanças, pois não havia uma namorada e alguém legal poderia virar alguém especial. Sim, eu já assistia às terríveis comédias românticas e ficava com aquele pulguinha: "por que não o rapaz da vida real não iria preferir a Watts à Amanda Jones?".

Porque eu deveria tomar meu primeiro fora. E foi numa festa, quando ele me chamou para conversar num canto. Na verdade, ele queria fazer um pedido duplo. O primeiro, me pedir uma simples carona, e o segundo, que eu o ajudasse com uma das meninas mais bonitas da escola. Disse sim ao primeiro e não ao segundo. "Mal a conheço", disse. "Vocês fazem aula de educação física juntas", retrucou. Minha tréplica foi verdadeira. Jogávamos em times rivais no volei.

Sem o meu apoio e com toda aquela timidez, ele conseguiu mesmo assim.

E, estranhamente, a lembrança daquele garoto se despedaçou na sétima e na oitava série, quando ainda estudamos juntos.

Foi o que hoje seria um perfil amigo que oculto no Facebook (algo que faço por diversas razões).

Até hoje acho que caderno de "perguntas e respostas" era bem mais direto. Ainda que às vezes impreciso.

Mais fácil que tentar interpretrar os murais e, principalmente, as informações não reveladas.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Fechando para balanço

Para isso servem os poucos instantes em que paramos - ou somos, no meu caso, por conta da gripe, forçados a parar - no último mês. Inevitáveis retrospectivas sobre os meses que foram arrancados da folhinha. Um ano do tigre que quase me engoliu com tantas mudanças. Nem todas para melhor, embora eu não seja propriamente resistente a elas. Quem lê este blog já sabe tudo: perdi minha melhor amiga, me separei e voltei a morar com minha mãe. Mas também fiz outros amigos do peito e recebi uma ótima proposta de trabalho.

Disse outro dia para minha terapeuta que queria parar de sofrer pelo que não tenho. Mais do que isso, estou fazendo desse desejo um exercício. E daí que não vivo um grande amor? E daí que não tenho grana sobrando na minha conta corrente? E daí que já não uso mais manequim 38?

E daí mesmo.

Nada disso é inatingível para quem tem coragem de tentar. Encontrar um par, economizar, me equilibrar...Não falo de metas que me farão sofrer ao longo de 2011. Eu comecei desde já. Eu paro. Eu recomeço. Eu sou assim.

Que o ano do coelho seja mais suave.

domingo, dezembro 19, 2010

Eu nunca...

Há coisas na vida que a gente precisa experimentar. Quem nunca comeu geleia de rosas, por exemplo, não sabe o que está perdendo. Até ontem eu não tinha dançado gafieira na vida. Mas a vontade de um "dois pra lá, dois pra cá" sempre existe quando a gente fica no nosso cantinho observando os casais rodopiando. E tem essa coisa bacana de todo mundo arrumadinho, as moças de vestidos esvoaçantes no salão.

Pois estava eu sentada com amigas até que fui tirada para dançar. Coisa que não me acontecia desde as festinhas de aniversário da pré-adolescência. Recusei porque o medo de pisar no pé do cavalheiro é uma constante. Por isso que fui, de certa forma, para inferninhos dançar sozinha de lá para cá. Perdi um tempão com essa bobagem.

Resolvi brincar de "eu nunca" e a partir de agora fazer o que não tenho coragem, porém que morro de vontade. Aceitei o pedido seguinte do simpático Robinho, professor de dança de salão, que me ensinou que como dama posso conduzir tudo, exceto a dança. Claro que me achei dura e desengonçada. Na terceira tentativa, eu estava soltinha. Ao meu redor, as meninas também se mostravam "pés de valsa".

Do cantinho fui para o meiodo salão. Dancei com mais dois cavalheiros e me senti incrivelmente leve. Como a madrugada prometia seguir surpreendente, esticamos do Centro e Quatro para o Nelson Bordello para que pudéssemo participar do "show de calouros", que, naturalmente pela hora, deveria ter chegado ao fim.

Parece que quando estamos dispostos ao sim, as perspectivas são melhores. Entramos dançando na pista vazia um ótimo set list de rock clássico. Havia diante de nós, um palco. E por que não criar uma one hit band? Foi quando Nati pegou o microfone e deitou-se no sofá, eu toquei um baixo e fiz backing e Tuza dançou na frente do nosso ilustre desconhecido baterista.

Não sei se foi a cerveja, a empolgação ou algum tipo de delírio coletivo. Eu e as meninas juramos que naquele amanhecer de domingo, a pista se encheu para nos ver cantando Beatles e The Stooges. Tivemos até fãs pedindo bis. Mas o show teve que acabar e fomos comer uma massinha no meio do caminho para dormirmos acarinhadas pelos momentos felizes.

Em 2011 quero dancar mais gafieira e fazer coisas bacanas que eu nunca fiz. Montar uma banda pode até ser uma dessas coisas.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Vontade traduzida por Thom

Pensando que era exatamente disso que eu preciso na vida.




This Mess We're In

Can you hear them?
The helicopters?
I'm in New York
No need for words now
We sit in silence
You look me
In the eye directly
You met me
I think it's Wednesday
The evening
The mess we're in and

The city sun sets over me

Night and day
I dream of
Making-love
To you now baby
Love-making
On-screen
Impossible dream
And I have seen
The sunrise
Over the river
The freeway
Reminding
Of this mess we're in and

The city sun sets over me

What were you wanting?
I just want to say
Don't ever change now baby
And thank you
I dont' think we will meet again
And you must leave now
Before the sunrise
Above skyscrapers
The sin and
This mess we're in and

The city sun sets over me

segunda-feira, novembro 29, 2010

quarta-feira, novembro 17, 2010

Homenagens

Linda homenagem da Sil a BH e aos amigos que ela fez aqui. De tabela, ela homenageou meus queridos amigos de São Paulo que me receberam tão bem e foram citados. Essa eu dedico para a senhora fofa da Feirinha do Bixiga.

Meu amor por Belo Horizonte - por Silvana Mascagna

Faz 14 anos que cheguei em Belo Horizonte, completados na segunda-feira. Fiquei pensando que, se tivesse engravidado, assim que botei os pés por aqui, teria já um adolescente em casa, cheio de espinhas e questões.

Mas não. Não engravidei, e, como não tenho filho, me sobra tempo de olhar para mim mesma e minha trajetória. São anos que passaram rápido, indolores. Não tive fase de adaptação. Não me senti, em nenhum momento, sem amigos, nem desamparada, nem numa terra estranha. A impressão é que sempre vivi aqui.

Tive sorte. Não me canso de dizer. Porque sei que gostar ou não de algum lugar depende dos encontros e das experiências que se tem. E, disso, eu não posso reclamar.

Tenho conversado muito sobre isso com uma amiga, recente, mas nem por isso menos querida. Ela é louca por São Paulo, onde passou uma temporada rápida - dois anos, se não me engano -, mas que foram suficientes para descobrir que aquela é a sua cidade.

Fico realmente feliz em ouvi-la falar toda cheia de carinho da minha cidade, que a maioria das pessoas despreza, odeia, tem medo, enfim... Sei que é muito mais fácil não gostar de São Paulo do que gostar.

E ela ama. Ama porque prefere frio ao calor, por ser uma apreciadora de bons restaurantes, de vida cultural intensa, noite animada... Enfim, tudo o que São Paulo tem de sobra. Mas ama, principalmente, porque teve uma rica experiência profissional, porque encontrou pessoas com as quais se identificou, amigos de verdade, que fizeram sua vida mais fácil. Isso, sim, faz toda a diferença. E, quando existe essa zona de conforto, parece que tudo conspira a favor.

Essa minha amiga conta uma história linda sobre uma vez em que foi a uma dessas feirinhas de antiguidades que existem em São Paulo. Numa das bancas, se encantou com um anel, de ouro, antigo. Experimentou e começou a elogiar a peça. A senhora que vendia o anel deu detalhes dele e ela ficou cada vez mais encantada. Quando foi devolver o anel, a mulher pediu que ficasse com ele, com apenas um argumento: ninguém, nem ao menos as filhas dela, tinha entendido o valor daquela peça. Boquiaberta, minha amiga resistiu em aceitar, mas a senhora insistiu. "Me diz, se não tenho que amar aquela cidade?". Foi a frase dita por ela no dia em que mostrou o anel.

São histórias assim, surpreendentes - igual àquela em que um taxista carioca resgatou uma outra amiga de um feriado infeliz no Rio de Janeiro, que contei aqui há algumas semanas -, que contribuem para fazer uma cidade ser especial para nós. Mais do que isso, são capazes de derrubar conceitos - ou preconceitos - sobre determinados lugares.

Quando cheguei por aqui, vim com o coração aberto. Era uma época difícil, em que trabalhava 12 horas por dia - às vezes, 18 horas -, morava numa rua barulhenta e estava absolutamente de saco cheio de São Paulo. A cidade me sufocava.

Ainda assim, podia ter dado tudo errado, já que não conhecia Belo Horizonte - tinha passado apenas uma noite aqui, muitos anos antes, quando fiz uma viagem pelo rio São Francisco, que saía de Pirapora -, nem ninguém na cidade. O jornal O TEMPO, em que ia trabalhar, ainda não existia de fato - só sairia às bancas uma semana depois - e não tinha informação sobre como ele seria.

E as surpresas foram todas agradáveis. Lembro do meu encanto imediato pelo projeto do Magazine e da simpatia de toda a equipe do caderno ao me receber.

A impressão é que fugia de uma cidade hostil para outra que me abria os braços para me recepcionar. Com o tempo, essa cidade foi fechando os braços em torno de mim. E é assim, acarinhada, que tenho me sentido nesses 14 anos.

segunda-feira, novembro 15, 2010

Boris Yelnikoff

Porque as segundas-feiras pedem.

"Deixe-me explicar, certo? Não sou um cara simpático. Carisma nunca foi uma prioridade pra mim. E, saibam todos, esse não é um daqueles filmes "pra cima". Então, se você é um daqueles idiotas que precisa se sentir bem, vá fazer uma massagem nos pés. O que significa tudo isso afinal? Nada. Zero. Nadinha. Nada leva a nada e ainda há tantos idiotas tagarelando. Eu não. Sou um cara de visão. Estou discutindo com vocês. Seus amigos, colegas de trabalho, jornais, TVs. Todos ficam felizes em falar, cheios de desinformação. Moral, ciência, religião, políticas esportes, amor, seus portifólios, seus filhos, saúde, meu Deus! Se eu tivesse que comer nove porções diárias de frutas e verduras para viver, não ia querer viver. Odeio esse troço de frutas e verduras. E Omega 3, esteira, eletrocardiograma, mamografia, ultrasom pélvico, e, oh meu Deus, colonoscopia! E ainda assim, chega um dia em que te colocam em um caixão e logo vem próxima geração de idiotas, que também falará sobre a vida e definirá o que é apropriado. Meu pai se matou porque os jornais matinais o deixavam deprimido. E você pode culpá-lo? Com o horror, a corrupção, a ignorância, a pobreza, o genocídio, a AIDS, o aquecimento global, o terrorismo, os imbecis valores familiares e os imbecis armados! "O horror". Kurtz falou dele em "O Coração Das Trevas". "O horror". Sorte dele que não tinha o "Times" entregue na selva, aí ele veria o que é o horror. Mas o que se pode fazer? Vocês lêem sobre o massacre em Darfur, ou sobre um ônibus escolar que explodiu e dizem "Meu Deus, o horror!". E aí vocês viram a página e terminam seus ovos de galinha no quintal. Porque...o que se pode fazer? É massacrante. Eu já tentei me matar. Obviamente não deu certo. Mas por que vocês vão querer saber disso? Meu Deus, vocês têm seus próprios problemas. Tenho certeza que estão obcecacdos com suas tristezas, esperanças e sonhos. As previsíveis vidas amorosas infelizes, seus empreendimentos fracassados. "Ah, seu eu tivesse comprado aquela ação!", "Se eu tivesse comprado aquela casa anos atrás!", "Se eu tivesse me aproximado daquela mulher!" Se isso, se aquilo...querem saber? Êstou de saco cheio desses "poderia ter" e "poderia ser". Como minha mãe dizia, "Se minha mãe tivesse rodas, ela poderia ter sido um bonde"."

sexta-feira, novembro 05, 2010

Que tipo de mãe eu seria?

Tenho poucas amigas com filhos. Uma proporção meio Sex and the City, quando era apenas seriado, para dizer a verdade. E sempre que alguma diz que está grávida, evidentemente, fico muito feliz.

E com muitas dúvidas.

Como será que ela reagirá à barriga crescendo? Vai ser daquelas que enjoam com tudo? Vai só falar do filho 24h por dia? Vai me excluir do mailing porque enquanto eu falo de baladas, carinhas interessantes e afins ela opina sobre mamadeiras e a obrigatoriedade do bebê conforto?

Uma amiga que está longe acaba de me contar que vai ser mãe. Quer dizer, ela mandou uma mensagem no bate-papo com o link do blog que ela criou para contar a novidade de cada dia.

Ela será o tipo de mãe divertida, que as outras crianças vão querer adotar. No post "existe gravidez à prova de breguiçe?", imaginei a Lola cogitando decorar o quarto do bebê com a temática literatura russa, com o cantinho "Crime e Castigo"...

Mulheres, em geral, se derretem com a maternidade. Alguns poucos homens também. Eu ainda não senti aquela vontade de ter um filho. Não imagino como vai ser a cor dos olhos, se os cabelos terão cachinhos. Mas algo dentro de mim sabe que se um dia eu for mãe, vou amargar com o geniozinho difícil do meu herdeiro.

Acho a genética implacável.

Às vezes me pergunto que tipo de mãe seria. Brava? Superprotetora? Carinhosa? Exigente? Dramática? Não sei e não tenho a menor pista. Desconfio que vai depender do tipo de pai que terei ao meu lado para compartilhar a experiência.

Hoje eu vejo mais claramente que um bebê, uma criança, um adolescente e até um adulto precisa dos dois, ainda que não estejam juntos.

Sempre que minhas amigas disseram que estavam grávidas, o complemento era que os pais estavam nas nuvens, filmando tudo desde agora, criando um blog, um perfil no twitter, comprando roupinhas de time de futebol e até fazendo cursos.

Isso me deixa duplamente feliz, me dá um pouquinho de esperança.

segunda-feira, outubro 25, 2010

do you believe in life after love

Sentia-se feliz com a liberdade do não amar.
Sentia-se apreensiva com o vazio do não amar.
Era a própria contradição.
Passou a acreditar que nos joguinhos da sedução poderia ter sorte.
Mas lançava os dados com muita pressa ou não tinha uma estratégia.
Suspirava por histórias de amor que não fossem de cinema,
pois via que elas (poucas) ainda acontecem.
Tinha uma certa incredulidade quanto ao sucesso de seus encontros.
Arrumava-se e ia perfumada ainda assim.
Apostava no "até nunca mais" quando ouvia "vou te ligar".
Considerava-se ultrapassada fazendo a linha difícil.
Considerava-se estúpida deixando as intenções às claras.
Considerava-se fácil quando tinha a mesma atitude que um cara teria em seu lugar.
Não faria o ridículo de pedir aos amigos que apresentassem alguém interessante.
Não entraria numa sala de bate-papo virtual.
Um dia, fez tudo isso. E tudo isso ficou para trás.
Como o amor.
Que acontece a todo dia, em qualquer esquina, como dizem.
Decidiu conhecer quem achasse interessante por si só.
Constatou que não há tantas pessoas interessantes no mundo.
Embora o mundo tenha bilhões e bilhões de pessoas.
Talvez no Nepal.
Talvez na Sibéria.
Talvez no Canadá.
Para que sua rigidez fosse quebrada, acrescentou Brasil.
No fundo, só para não ouvir bronca das amigas e da terapeuta.
Queria tomar Café da manhã em Plutão.
O problema é que o planeta fez o favor de não mais existir.

domingo, outubro 24, 2010

Do Blog do Contardo Calligaris

"A infelicidade é uma das motivações essenciais; sem ela nos empurrando, provavelmente, ficaríamos parados no tempo, no espaço e na vida. Ou ainda, a infelicidade é indissociável da razão e da memória, pois a razão nos repete que a significação de nossa existência só pode ser ilusória e a memória não para de fazer comparações desvantajosas entre o que alcançamos e o que desejávamos inicialmente".

Concordo.

sábado, outubro 16, 2010

Hoje eu acordei com Roy Orbison

Every time I look into your loving eyes
I see a love that money just can’t buy
One look from you
I drift away
I pray that you
Are here to stay

(CHORUS)
Anything you want
You got it
Anything you need
You got it
Anything at all
You got it
Baby

Every time I hold you
I begin to understand
Everything about you tells me I’m your man
I live my life
To be with you
No one can do
The things you do

CHORUS

Anything you want
Anything you need
Anything at all

I’m glad to give my love to you
I know you feel the way I do

CHORUS

Anything at all
You got it


sexta-feira, outubro 15, 2010

Porque eu queria me apaixonar


"Duvida da luz dos astros,

De que o sol tenha calor,

Duvida até da verdade,

Mas confia em meu amor"

Shakespeare

domingo, outubro 10, 2010

A menina que você acha que odeia é apenas mais esperta que você

Ela também gosta de gatos. E de bandas alternativas. Ela também tem cabelos curtos, esvoaçantes e não se veste como Paty. Ela até poderia ser sua melhor amiga. Mas garfou sem dó o cara que você paquerava. Porque foi mais rápida, mais esperta e fez mais carinha de "donzela no alto da torre", enquanto você, idiota, compartilhava uma faixa inédita da sua - e dele - banda preferida num festival de Glasgow. Você virou "brother", ela: "namorada alma-gêmea". #bemfeito. #noalarmsandnosurprises.

sábado, outubro 02, 2010

Outro dia me senti assim...

A espera - por Tati Bernardi


Atrás da pista tem um bar e atrás do bar tem um sofá. Estou sentada nesse sofá. Aguardo ansiosa por algo, olho as horas no celular, checo o e-mail pelo Iphone, reclamo com minha amiga “tá demorando”. Ela me pergunta se é o show, se é a menina passar com a comida. O que é? Não sei. Mas tá demorando. Em cima do bar, no teto, tem um daqueles globos que sempre tem. Olho pro globo e penso que estou uma eternidade sentada naquele sofá. Mais de trinta anos? Descanso os cotovelos nos joelhos e me arrependo, enquanto todos querem ver e ser vistos, eu fico nessa posição feia de vaso sanitário. Minha amiga vai fumar. Eu me animo “já tenho pra onde ir”. Eu não fumo, eu odeio cigarro, eu odeio atravessar a festa inteira pra chegar até lá fora, eu odeio a amizade instantânea das rodinhas de fumantes que não se conhecem, eu odeio festas em geral, eu odeio papos de festa, eu odeio conhecer gente que não tem nada a ver comigo, e sorrir para os papos mais furados do mundo. Mas eu já tenho pra onde ir. E vou. E ao chegar lá fora, continuo achando que está demorando. Sinto falta do sofá agora. Mas quando minha amiga acabar o cigarro, eu já terei novamente pra onde ir. E assim uma festa chata me lembra muito a vida. A eterna oscilação entre ir lá fora ver e voltar pro sofá, sempre só pra ter pra onde ir. Chegou agora um ex amor. Ele entra com sua esposa. Ele me abraça enquanto ela segue em frente sem olhar pra trás. Faz aí uns 3 ou 4 anos que não damos um abraço. A gente sempre fugia das festas pra fazer sacanagem no carro dele. Não sinto saudade. Passou, faz tempo, não sinto nada. Nada. Talvez só sinta mais claro o que eu já sentia antes. Antes de sair de casa. Antes de ficar indo do fumódromo pro sofá e vice-versa. Eu só sinto agora, com esse abraço que não me fez sentir nada, com mais clareza, o que eu já sentia antes e muito antes de antes. Eu sinto que está demorando. Eu olho de novo no celular. Eu posso ir ao banheiro e isso já é um lugar para ir. Me animo. Não, não me animo. Tudo me deprime. Eu ficar chupando a barriga pra dentro pra esconder que tenho um pouquinho de pança, eu ficar me equilibrando no salto, eu ficar fazendo minha cara de “não encosta em mim”. Tudo me deprime. As pessoas falando de trabalho, as pessoas forçando falar qualquer absurdo só porque o óbvio seria falar de trabalho. E principalmente: o grupinho de moças muito altas e muito loiras que não trabalham mas estão lá porque estar nesses lugares é o trabalho delas. Tudo é tão chato mas eu fiz cabelo e maquiagem. Antes da meia noite não dá pra ir embora. Preciso me gastar um pouco pra não dormir tão antes de tudo dar errado. Eu sei, eu deveria beber. Mas pra quê? Pra achar essas pessoas legais? Pra suportar o insuportável? Sou cínica demais pra dar esse gostinho ao mundo. E eis que adentra à festa o rapaz que, não faz nem uma semana, me pedia que eu não fosse ainda, só mais um pouquinho, espera amanhecer, porque, depois, você sabe, dá tanto sono. De mãos dadas com a moça que vive dando entrevista dizendo que eles se comem mesmo, o tempo todo. E isso não me dói em nada. Foi só um moço muito bonito que durou uma semana. Mas ele também reforça meu pé inquieto batendo ritmadamente: será que demora? Não sei. Não, não demora mais. Olho pra porta e ele acabou de chegar. Eu fui na festa por causa dele. Então era isso, eu tava esperando o tal do moço que me convidou pra festa. E então ele fala comigo e encosta um pouco em mim e eu penso em ser muito honesta. Olha, fulano, eu acho tudo isso um saco, sabe? Eu odeio a cordialidade dos bichos. Todo mundo se elogia, fala de trabalho, conhece gente, faz piadinha ruim. Mas tá todo mundo pensando o que vai ter pra comer e também pra comer. Eu vim aqui porque, sei lá, desde que te vi na reunião e eram oito da noite e você estava muito cansado mas, mesmo assim, você estava muito cheiroso e falou coisas muito inteligentes, eu fiquei a fim de te beijar na boca. Então, dá pra pedir pra esse bando de amigo chato, que fica puxando seu saco, desaparecer do mapa? A menina com a perna gorda pode, por favor, nos deixar em paz? Você pode, por favor, parar de mexer no cabelo da minha amiga e parar de dar risadinha no ouvido dela e sumir daqui comigo? Não, ele não pode. Ele não é a resposta. Ah, Tati. Você deveria saber. Eles nunca são a resposta. Nunca foram. Que é que você quer? Por que você olha tanto pro celular? Existe alguém no mundo, nesse momento, que poderia te ligar agora e te deixar feliz? Não. Ninguém é a resposta. Nem o sofá, nem a festa, nem ficar em casa, nem a água com gás, nem olhar com nojo para o grupo de piriguetes vips que não prestam pra nada a não ser frequentar festas para sair em revistas e angariar empresários. Finalmente já tenho o que esperar: o carro. Finalmente já tenho o que fazer: ir embora. Na verdade a única coisa que estou sempre esperando e querendo é ir embora. De todos os lugares, de todas as pessoas. Eu não estou esperando nada a não ser o tempo todo sair de onde eu estou.

sábado, setembro 25, 2010

Um homem pra chamar de seu

Eu sei que o mocinho é bem casado, mas é uma coisa bunitinha de meu Deus! No palco faz derreter os coraçõezinhos maltratados.

quarta-feira, setembro 22, 2010

O regresso de um amor platônico

Descobri que amores platônicos da juventude deveriam ser obrigados, por alguma lei divina, a desaparecer. Encontrei um deles dia desses, mas preferia que o acaso não me presenteasse daquela forma tão cortante.

Houve um tempo em que ele, o amor platônico, era um cara com o olhar mais incrível e o sorriso mais lindo desse mundo. Eu me vestia umas oito vezes antes de sair de casa quando ia encontrá-lo.

Eu tinha dia e hora para encontrá-lo, pois o amor platônico trabalhava numa loja de discos e tinha cabelos longos, lisos e negros. Um ar de Mike Patton, do Faith no More, com suas bermudas largas e camisetas de banda.

O gosto musical do meu amor platônico era parecido com o meu. Um pouco mais agudo, mais visceral. Adorava conversar com ele, embora não soubesse seu nome e morresse de vergonha de perguntar.

Eu ia à loja em que ele trabalhava três vezes ao mês. Duas para escolher o disco. Uma para comprar. Porque vinil era caro e eu vendia bolo de chocolate na escola para comprar, entre outras coisas, meus discos. Não dependia de datas festivas para ganhar de presente.

Havia lojas melhores do que a que meu amor platônico trabalhava. Nenhuma delas tinha meu amor platônico, com seus olhos cor de jabuticaba, seu sorriso que me fazia enrubescer, seus cabelos compridos e seu estilo cuidadosamente desleixado.

Talvez naqueles tempos eu fosse menos boba. Eu apenas queria saber o nome dele. Não queria beijar ou namorar. A simples existência daquele cara tornava minhas tardes nos centro mais inspiradas. Era como dançar na chuva.

Um dia ele não estava mais na loja de discos. Logo no dia em que fui comprar o primeiro álbum de uma banda que ele adoraria conhecer: o Alice in Chains. Fiquei tão orgulhosa de descobrir a banda porque não havia google, nem MTV naqueles tempos. Eu era a menina que não ouvia o que as meninas ouviam (Roxette, por exemplo) e, de alguma maneira, achei que isso poderia ao menos ser um caminho para que soubéssemos o nome um do outro.

Meses depois, revi meu amor platônico num show. Estava cercado de amigos cabeludos, com suas camisas xadrezes de flanela num calor de verão. Eles bebiam. Eram maiores de idade. Eu ali com uma amiga e uma lata de coca-cola, que permaneceu intacta enquanto ele estava naquele grupo me impedindo de prestar atenção ao show.

Obviamente, meu amor platônico nem me reconheceria ou faria uma cara de míope. Evitei ser vista quando esses pensamentos me assaltaram. Até que o cara de cabelo comprido, olhos de jabuticaba, sorriso de derreter e camiseta do Metallica veio em minha direção. Gelei, empalideci. Ele disse um "oi". Não foi um "oi" blasé. Foi um "oi" de quem deixou os amigos para me dizer "oi". Ele sorriu. Sem reação, abaixei o pescoço e evitei o olhar, sob o risco de me estatelar no chão.

Meus dias seguiram desconcentrados, repetindo aquela cena: mudando o roteiro porque havia me sentido uma idiota em não ter puxado uma conversa. Por que não falei do Alice in Chains? Por que não falei do show? Por que não falei do calor?

Os shows, os inferninhos, as festas de rock que se sucederam eram acordes dissonantes porque ele não mais apareceu. Perdi meu amor platônico, embora soubesse no fundo que outros viriam.

Esbarrei muito tempo depois com um cara de olhos negros, sorriso gostoso e camiseta de banda quando já bebia minhas long necks e podia voltar para casa depois de meia-noite. Passaram-se dois anos? Não importava. Ele ainda era ele. Com um acessório indesejado: a namorada.

Foi a vez de um "oi" sem graça correspondido por outro desafiador, olhando nos olhos, sem aquela insegurança. Eu poderia falar de qualquer coisa, porém era a hora de calar e sair.

O destino decidiu que não nos esbarraríamos. Pelo menos por mais de uma década.

A última vez que vi meu antigo amor platônico faz poucos dias. Tomei um susto. Fiquei me perguntando se era realmente aquele cara que fazia o coração parar de bater quando eu entrava na loja de discos. Seu olhar ficou fosco, não sorria e os cabelos - nem curtos, nem cumpridos - estavam maltratados. Ele engordou, fez uma tatuagem rudimentar com o nome de uma mulher no pulso. Ele estava com uma camisa regata horrível. Ele não era ele.

Fingi que não vi.

Porque amores platônicos assim deviam mesmo desaparecer sem deixar vestígio.

domingo, setembro 19, 2010

Cada vez mais, adoro Woody Allen

Publicada hoje na Folha.

"Não sou culto; diversão é uma cerveja"

Cineasta Woody Allen diz que não acredita em Deus ou em vidas passadas e que velhice não traz sabedoria

"Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos", mais recente longa do diretor, estreia no Brasil em 29/10

DAVE ITZKOFF
DO "NEW YORK TIMES"

Quando perguntei se podia lhe desejar um feliz ano novo judaico, Woody Allen deixou claro que essas formalidades não eram necessárias. "Não, não, não", ele disse, com uma risadinha, no escritório de uma suíte do hotel Loews Regency.
"Não sigo essas coisas. Bem que eu gostaria. Seria uma grande ajuda naquelas noites escuras".
Aos 74 anos, Allen, cineasta prolífico e nova-iorquino emblemático, parece bem longe de descobrir a religião.
Mas a ideia da fé embasa seu mais recente filme, "Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos" [que estreia no Brasil em 29/10].
No filme, quando o casamento de um casal londrino (Anthony Hopkins e Gemma Jones) começa a se desfazer, a mulher procura consolo no sobrenatural.
"Para mim", diz Allen, "não existe diferença real entre uma cartomante, um biscoito da sorte e qualquer uma das religiões organizadas". Leia a seguir alguns trechos da conversa.

New York Times - A ideia de poderes psíquicos e vidas passadas tem papel central em seu mais recente filme. O que o levou a se interessar por isso e escrever a respeito?

Woody Allen - Eu tinha interesse pelo conceito de fé em alguma coisa. Sei que parece desanimador dizê-lo, mas precisamos de algumas ilusões para seguir em frente.
E as pessoas que conseguem se iludir com mais sucesso parecem mais felizes do que as pessoas que não o fazem. Conheço pessoas que depositaram sua fé na religião e em cartomantes.
Por isso me ocorreu que este seria um bom personagem para um filme: uma mulher para quem tudo sai errado e descobre repentinamente que a pessoa a quem recorre para ler sua sorte na verdade a está ajudando. O problema é que chegará o momento em que ela terá de encarar uma verdade desagradável.

O que lhe parece mais plausível, que tenhamos existido em vidas passadas ou que exista um Deus?
Nenhuma das duas coisas me parece plausível. Minha avaliação sobre isso é severa, científica. Para mim, o que vemos é aquilo que existe.

Como o senhor se sente sobre o processo de envelhecer?
Bem, sou contra (risos). Creio que não haja recomendações em seu favor. Você não ganha sabedoria com o passar dos anos. Na verdade, você se deteriora, é isso que acontece. As pessoas tentam retratar o processo da melhor maneira, dizem que você se torna mais terno. Você aprende a compreender a vida e aceitar as coisas. Mas você trocaria isso tudo por voltar aos 35 anos. Já passei por aquela situação de acordar no meio da noite e começar a pensar sobre a minha mortalidade, pensar no fim -e causa calafrios.

Envelhecer mudou seu trabalho de alguma maneira?
Não, meu trabalho surge ao acaso. Não existe lógica ou sequência ordenada em nada do que faço. Acabo fazendo o que parece certo naquele dado momento. Em toda minha vida, jamais assisti a qualquer dos meus filmes depois de lançados. Nunca.

O senhor disse à imprensa européia que filmar em Nova York se havia tornado caro demais. Acredita que voltará a fazer filmes aqui?
Minha primeira escolha sempre seria Nova York. Mas preciso ter dinheiro se quero filmar aqui. Eu sempre faria em Nova York por US$ 15 milhões o mesmo filme que rodaria em outro lugar por US$ 12 milhões. Isso se eu tivesse os US$ 15 milhões. Mas se não tenho o dinheiro, não é possível.

O senhor estava preparado para a tempestade de mídia que deflagrou ao escalar Carla Bruni-Sarkozy para um papel em "Midnight in Paris", seu próximo filme?
Fiquei surpreso com o interesse jornalístico que surgiu em função dela. Seu papel no filme é pequeno. Quando rodei suas cenas, no primeiro dia, todos os jornais disseram que ela era horrível e que eu precisei de 32 tomadas. Não fiz nem dez tomadas com ela. Aquele número mágico foi simplesmente inventado por alguém. Depois, disseram que o marido dela foi ao estúdio e ficou zangado com ela. Ele foi ao estúdio uma vez e gostou muito. Achou que ela tinha talento natural como atriz e não poderia ter ficado mais satisfeito.

Isso seria um bom slogan publicitário para o filme.
A imprensa desejava dizer coisas negativas sobre ela. Não sei se eles têm algo contra os Sarkozy ou se era só uma maneira de vender mais jornais. Mas as inverdades foram tão exageradas que me levaram a pensar com meus botões: e se a mesma coisa acontecer com relação ao Afeganistão, à economia, a assuntos importantes? Meu filme é uma questão trivial.

Quando o senhor tem tempo para descansar entre projetos, o que faz?
O de sempre. Levo meus filhos à escola de manhã. Saio para caminhar com minha mulher, toco com minha banda de jazz. E há a obrigação de me exercitar, a esteira, os pesos para manter a forma e não ficar ainda mais decrépito do que já sou. Normalmente não assisto aos grandes filmes de Hollywood. Quando estava em Paris, tive a oportunidade de ler um pouco de Tolstói e Norman Mailer. Coisas que deixei escapar ao longo dos anos.

Imaginei que o encontraria na montagem de 12 horas de duração para "Os Demônios", de Dostoiévski, que o Lincoln Center Festival exibiu algumas semanas atrás.
Não, não, eu não sou culto. Leio esse tipo de material mais por obrigação do que por diversão. Para mim, diversão é tomar uma cerveja e assistir a uma partida de futebol americano.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Fiquei lisonjeada com os escritos da Sil Mascagna

Armas contra falta de cidadania - Silvana Mascagna

Vejo no Twitter que Jards Macalé riscou o carro de Tadeu Scmidt que estava estacionado na calçada.

Clico no link e fico sabendo que a nota é de Joaquim Ferreira dos Santos, de "O Globo", e diz que: "Jards Macalé ia pela calçada da rua Maria Angélica, Jardim Botânico, quando foi interrompido por um carro estacionado com as quatro rodas. Não teve dúvida. Arranhou-o de um lado ao outro - e só não continuou pelo outro lado porque de dentro do carro, escondido pelo insulfilm, saiu o motorista, de 2m de altura. Começou o bate-boca e a multidão juntou, tomando partido em discursos".

"A cena ficou mais ‘fantástica’ quando surgiu o dono do carro, o repórter Tadeu Schmidt, da Globo. A PM veio em seguida, depois, a Guarda Municipal. A cena se desfez duas horas depois, quando Macalé se dispôs a pagar os danos à lataria do carro (já orçados em R$ 1.000), desde que houvesse multa pelo estacionamento na calçada. O caso está na 15ª DP".

Não sei quanto a você, leitor, mas eu estou de lado de Macalé. Tenho ímpetos de fazer o que ele fez toda vez que vejo algo do tipo. E que decepção o Tadeu Schmidt, hein? Será que vai dar no "Fantástico"?

O caso me transportou ao que aconteceu segunda-feira à noite comigo. Eu estava entrando no estacionamento do supermercado Super Nosso, quando me deparei com carro parado na via que desce ao subsolo. Achei que o motorista e os dois trogloditas que estavam com ele estacionaram ali para alguém debilitado descer. Mas, não, o imbecil do motorista, quando me viu, disse: "Pode descer por aqui". O "por aqui" era a via normalmente usada por quem estava subindo do subsolo.

Desci incrédula e fui logo falar com dois funcionários do estacionamento, que já tinha visto a situação e foram até o carro, onde duas moças esperavam. Sabe o que elas disseram? "Vai ser rapidinho. Eles não vão demorar". Sabe o que os funcionários fizeram? Nada.

Não acreditei. Aquilo acabou com meu humor. Fiquei fantasiando vinganças. Uma delas era ter um Jipe, aquele clássico, pesadão, e ficar empurrando o carro do espertalhão até amassar totalmente. Outra, é parar atrás dele e impedir que ele saia - para ele sentir na pele o que está fazendo com o outro.

O pior é que se fizer isso, corro o risco de levar um tiro. Porque, como diz o meu marido, um cara que faz uma coisa dessa é bem capaz de matar uma pessoa que o enfrente. E quantos casos desses já vimos por aí? Não esqueço de um, em que um homem, injuriado com um espertinho que estacionou numa vaga para deficiente físico numa locadora, protestou e acabou apanhando com barra de ferro. Foi parar no hospital.

O que me irrita mais ainda nessas situações é a pessoa que está fazendo a coisa errada achar que tem razão. O Tadeu Schmidt, por exemplo, devia ter ficado quietinho ali, protegido pelo seu insufilm. Pagava o estrago do seu carro, mas não passava atestado de péssimo cidadão.

No fundo, sei que atitudes como a de Macalé ou aquelas em que fico fantasiando não levam a nada. Melhor faz minha amiga Ludj, que quando passeia com Georginha Harrison pelas ruas do Santo Antônio, costuma distribuir saquinhos plásticos para as pessoas que, diferentemente dela, não recolhem as cacas de seus cachorros. É uma maneira elegante e sutil de dizer: "Seja cidadão".

E elegância e sutileza são sempre armas poderosas contra qualquer coisa, principalmente falta de educação.

É, tenho muito o que aprender com Ludj.

terça-feira, setembro 14, 2010

Hoje eu vou assim

"Eu retribuo o sorriso. Eu correspondo ao abraço. Eu digo sim. Eu quero sim. Eu sinto sins."
Caio Fernando Abreu

terça-feira, agosto 31, 2010

Be Gentle With Me

*Atenção: esse post pode desagradar os rapazes, mas é um desabafo. Então, vocês nem precisam ler para ficar divergindo no comentário, ok?

Terça é dia do meu orixá, Ogum. Terça é dia da coluna que assino n'O Tempo. Terça agora também é o dia da minha terapia. Eu sempre saio da terapia pensativa. Por vezes melancólica, por vezes otimista. Mas hoje saí colérica. Nada contra minha psicanilista. Ao contrário. As sessões tem me feito enxergar o que ignorava ou fingia não ver.

Minha última frase foi "não é fácil ser mulher". Ela concordou.

Puxando esse novelo: eu disse que tenho observado o quanto nós, mulheres, estamos precisando de um pouco de gentileza. O quanto é injusto estarmos desde sempre preparadas para uma nova relação. Por mais que tenhamos sido traídas, abandonadas, enganadas. Por mais que não achemos que vale a pena tentar de novo ou passemos a agir como os homens, estamos, para minha tristeza, preparadas.

Eu poderia achar que isso é um grande mérito. Porém, acho de uma sacanagem sem precedentes. A regra é clara: brincamos com nossas bonecas sonhando com a casinha na vida adulta. Ensaiamos o primeiro beijo esperando recebê-lo de um garoto especial, consideramos aquele ficante um possível primeiro namorado, o primeiro namorado a inesquecível primeira transa. O compromisso, um laço para toda vida. E, ainda (ingenuamente), sem os percalços.

O mais inacreditável é que se nada disso dá certo, reinventamos o maldito script porque nossa cabeça é um roteirinho de comédia romântica. Mesmo as mais independentes, as que pegam geral, as lindas que não precisam fazer nenhum esforço para conquistar...Todas as mulheres estão preparadas, o tempo todo.

Hoje achei essa constatação revoltante.

Eu precisava, então, processar essas observações depois que meu tempo acabou. Poderia ter descido a Avenida do Contorno à pé, falando sozinha, como uma louca.

Resolvi pegar o circular, passar no banco, raspar o tacho.

Então, entra um casal, de meia-idade. A mulher com duas sacolas pesadas e o homem passa pela roleta. Com dificuldade de tirar o dinheiro, ela pede ajuda para que o troglodita segure uma das sacolas (ele, obviamente, está de mãos abanando). Ele volta resmungando como o Zé Buscapé e ela senta ao lado dele sem graça.

Tive o ímpeto de dizer umas verdades para ele. Surtar no Circular. A plateia era pequena mesmo.

Desisti, contudo não consegui evitar o olhar "with lasers" para aquele grosseirão ao descer no meu ponto.

Atravessando a Praça, uma menina novinha chorava no banco e o namorado com cara de banana não parava de argumentar. Quis perguntar o que ele havia feito de errado com ela. O moleque, evidentemente, não a merecia.

Mas antes que minha cabecinha ficasse fabricando algum tipo de ficção, por mais que a cena do ônibus me parecesse bem clara, tentei focar nas vitrines que eram uma a uma fechadas na terça seca, na terça insana.

Eu sei que pode parecer um ímpeto de fúria. Daí, resolvi ouvir músicas bem delicadas e ficar na varanda tomando uma cervejinha gelada e o ar fresco para arejar também as ideias.

Não me saem da cabeça certas perguntas: ainda existem homens gentis? Não falo dos que abrem a porta do carro para as mulheres, supreendem com um jantar romântico...O padrão é bem menos exigente. E eles nem parecem notar.

quinta-feira, agosto 26, 2010

Julio Cortazar

Porque descrever um beijo assim, só mesmo ele. #aniversáriododia

"Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno do tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha não escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.

Me olhas, de perto me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam entre si, sobrepõem-se e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de frangância obscura. E, se nos mordemos, a dor é doce, e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta, e eu te sinto tremular contra mim, como um lua na água."

quarta-feira, agosto 25, 2010

Encanto à primeira vista

Bastou um minuto para eu perceber que se tratava de um artista. No palco, um moço de olhos puxados dançava freneticamente, enquanto cantava "Eu Te Amo" em ritmo mais ágil do que a versão original de Roberto Carlos. Além da dancinha, ele sorria, sorria o tempo todo.

Olho para minhas amigas Lud e Andrea e vejo que estavam encantadas com a figura. Elas e todas as outras mulheres à minha volta só tinham olhos para o carismático China, o vocalista da banda Del Rey. Mas não só elas. Meu amigo Chico, a uma certa altura, me grita: "Você está gostando demais? Eu tô gostando demais desse show", enquanto entoava versos da músicas do Rei, a especialidade da banda. Adilson, outro amigo, chegou a dizer que China estava flertando com ele. "Não acredito que você não está vendo que ele canta todas as músicas olhando para mim", disse o louco.

A frase hilária de Adilson me fez lembrar de "Ally McBeal". Num episódio do seriado, que focava um escritório de advocacia, uma mulher processava Sting por seduzi-la, enquanto cantava. Foi difícil convencê-la de que ele era um cantor e que, quando estava no palco, a intenção era justamente essa: seduzir a plateia inteira, de preferência, e não uma pessoa em particular.
É assim que funciona: eles, nossos ídolos, fazem de tudo para nos seduzir, e nós, os fãs, estamos lá para isso mesmo. Naquelas horas que dura o show, essa é a combinação. E quanto mais sedutor for o artista, mais os espectadores vão se sentir especiais - já falei sobre isso aqui, citando Seu Jorge, Bono, Mick Jagger, dentre outros.

Mas o caso de China me pareceu surpreendente porque ele não é figurão. Quero dizer que, quando vamos ao show dos Stones, por exemplo, sabemos o que vamos encontrar ali. Assim como acontece com U2 e outros grandes.

Mas naquele sábado ninguém foi ali para ver o tal do China. Fomos atrás da bandinha que toca versões modernas das músicas de Roberto Carlos e que mistura integrantes do Mombojó e outros músicos e que sequer tem disco lançado. É mais uma brincadeira dos músicos do que uma coisa profissional.
Por Silvana Mascagna

De repente, está lá o cara, com um suingue danado, uma maneira toda particular de interpretar principalmente com o corpo versões das músicas do Roberto Carlos como "As Curvas da Estrada de Santos", "Negro Gato", "Além do Horizonte", "Namoradinha de uma Amigo Meu", dentre muitas outras.

Fiquei realmente feliz de ver o talento do moço, pernambucano de Recife, que mantém carreira solo, com disco lançado e tudo, paralelamente ao projeto da Del Rey. Acho que é uma questão de tempo para ele estourar. Carisma, talento e presença de palco não faltam.

Afinal, é preciso prestar atenção em um cara que deixa a todos ou pelo menos a maioria - com exceção dos amigos machões que ficaram superincomodados com as reboladas de China - em estado de graça, como ficamos no sábado. Da minha parte, nem prestei atenção ao show seguinte, que fazia parte da programação do projeto Lixo e Cidadania. Fui pra casa, ainda com a imagem e o som da novidade. Dormi feliz, feliz.


E eu, phynna, fui citada :)

quinta-feira, agosto 19, 2010

domingo, agosto 15, 2010

A pausa

Da lista de situações com as quais não consigo lidar muito bem a espera aparece no topo. Quero sempre para ontem, no máximo para agora. E quando a estagnação está atrelada a circunstâncias que exigem a lenta passagem do tempo, sinto uma vontade imensa de adiantar os ponteiros. Sou ansiosa, tomo até remédio para amenizar essa característica da minha personalidade. Gostaria imensamente de não precisar da tarja vermelha, ainda que ela nem sempre seja suficiente.

Tento forçar o movimento e acabo de volta à estaca zero, como tantas vezes fiz no Banco Imobiliário: a partida estava quase ganha e eu só não contava com a carta do revés me mandando retroceder um punhado de casas. Ponto para o adversário.

Irei recuperar o que já conquistei? Terei novas vitórias? Imagino que sim. O problema é o momento presente, a neblina diante dos meus olhos míopes. Minha impaciência é cruel; vive me empurrando para o pessimismo, o desânimo e os extremos. Se não cruzo os braços, vou querendo escancarar e me sinto mal por não conseguir a essa altura do campeonato, a dose de equilíbrio.

Enfim, eu queria mesmo postar essa música do Oasis, que é muito foda e diz muito. Eu tenho andado engasgada, sem saber o que dizer e escrever por aqui.

segunda-feira, julho 26, 2010

Morning Bell

Engraçado como a vida é cheia de estranhas coincidências. Crônicas, análises e músicas sobre separações e/ou rupturas tem aparecido no meu caminho. Há pouco, enquanto escovava os dentes, ouvi um acorde familiar. Era o Radiohead no Multishow e na sequência veio essa...



Risque meu nome do seu Orkut - por Xico Sá

Você amigo, você fofolete, acaba o casamento, o romance, a novela, o amancebamento, o caso, o rolo, mas continuam acompanhando a vida do(a) ex no Orkut,no Facebook, nas redes sociais mais intimistas? Um desastre. Podendo evitar, meu caro, minha princesa, evitem.

Corra fora rapaz, corra, Lola, corra. Aproveitem que os laços foram cortados no plano real e passem a régua também nas espumas da virtualidade. O mais é sofrimento à toa, reacender a fogueira do ciúme, masoquismo, perversão, sacanagem. Um risco que não vale mesmo a pena.

Depois não digam que foi por falta de aviso.

Qualquer recado ou post, mesmo os mais inocentes ou sem propósito, vira um inferno na Terra. Para completar, tem sempre alguém mais sacana ainda e entra no jogo, só por ruindade, dando linha na pipa da maldade.

Aperreios no juízo
Prefira não, amigo, caia fora mesmo, Lola.

Não adianta nem tentar dizer que não liga, que é apenas virtual, que leva na buena, que acabou tudo bem e que é civilizadíssimo. Melhor evitar aperreios no juízo.

Você já prestou atenção, meu jovem, na fartura de tragédias amorosas que tiveram como espoleta da discórdia um simples comentário na internet, uma foto sensual no Orkut, uma alteração no status do relacionamento?

E tem outra: precisa ser muito tranqüilo para não ficar fuçando a vida do(a) entidade chamada ex. Quem resiste aí levante o dedo.
Melhor evitar o brinquedo assassino chamado ciúme, esse satanás de chifre.

Sim, tem de ser forte para cair fora, para bloqueá-lo(a), para dar um tempo inclusive na amizade forçada – não há civilização no fim do amor, a barbárie e a selvageria sempre prevalecem.

Não basta o sofrimento mais do que real da ressaca amorosa? Basta. Como recomendava a canção das antigas, risque o meu nome do seu caderno, pois não suporto o inferno do nosso amor fracassado.

Ninguém segura essa onda. Claro que só uma minoria maluca chega à violência, ao inconcebível. A maioria, mesmo silenciosa, sofre horrores, se acaba, o velho pote até aqui de mágoa, como diria o xará Buarque. Faça não, caia fora, faz bem para manter a sanidade.

Risque o meu nome do seu Orkut e diga ao Facebook que não estamos mais em um relacionamento sério

domingo, julho 25, 2010

Tiro Certeiro do Contardo Calligaris

Divórcios contagiosos

Se casais fogem de amigos recém-desquitados, é porque separações e divórcios são contagiosos

MUITOS RECÉM-SEPARADOS se queixam (com razão) de que sua relação com os amigos de antes não é mais a mesma. Não é tanto porque, diante de uma separação ou de um divórcio, os amigos se dividiriam em dois times opostos. Isso é raro.
Mais frequentemente, os casais que eram próximos do casal que se separou tendem a evitar qualquer um dos recém-separados.
Às vezes, os desquitados entendem seu afastamento como uma condenação moral por eles terem se separado. Isso lhes resulta intolerável, vindo de amigos que, em muitos casos, foram confidentes ao longo do drama da separação.
Outras vezes, os desquitados entendem que os casais de amigos, ao se afastarem deles, protegem-se contra alguma tentação erótica. É o cúmulo, eles dizem: se a simples aparição de um desquitado ou de uma desquitada é suficiente para ameaçar o casamento, talvez devessem fazer como a gente, separar-se.
Uma pesquisa recente, de R. McDermott, J. Fowler e N. Christakis (http://migre.me/Y90v), mostra que os casais talvez tenham alguma razão quando decidem fugir dos amigos desquitados, pois separações e divórcios não são apenas dramas privados (que afetam o casal e seus rebentos), mas são também fenômenos coletivos porque, curiosamente, eles são contagiosos.
Os autores da pesquisa usaram o banco de dados de um estudo (originalmente sobre o risco de doença cardíaca) que acompanha a população de Framingham, EUA, desde 1948. Para a segunda geração de pesquisados (5.124 indivíduos), entre outras informações, continuam sendo anotadas, a cada dois anos, as diferentes listas dos que cada um identifica como seus amigos, parentes, vizinhos e colegas. Obviamente, muitos dos que são indicados nas listas fazem, eles mesmos, parte da amostra da pesquisa.
Recortando os dados, os autores constataram que as chances de um indivíduo se divorciar aumentam em 75% quando ele se relaciona diretamente com alguém que está se divorciando ou acaba de se divorciar. Quando o desquitado está a dois graus de separação (ou seja, é o amigo de um amigo), o efeito é menor, mas permanece: as chances de nosso indivíduo se divorciar aumentam em 33%.
Será que a causa disso seria a ruína que a sedução erótica exercida pelos desquitados levaria ao casamento dos outros? Ou será que os próximos que se divorciam nos parecem mais alegres e nos tentam com a imagem de sua nova vida? Uma leitura atenta da pesquisa permite afinar a explicação.
De fato, o aumento de 75%, que mencionei antes, é a média dos efeitos diferentes produzidos pelo divórcio de amigos, parentes, colegas e vizinhos. Quando o "amigo" de alguém se divorcia, a probabilidade de esse alguém também se divorciar dentro de dois anos aumenta em 147%. E, no caso do divórcio de parentes, colegas e vizinhos, quase nada acontece. Em outras palavras, o "contágio" do divórcio funciona mesmo entre amigos e, fato significativo, numa direção apenas: o divórcio se transmite de quem é identificado como amigo para quem assim o identifica. Explico.
As relações de amizade registradas pela pesquisa são, em grande parte, não recíprocas: os que fulano indica como seus amigos não indicam fulano como amigo deles. Entende-se que muitos identificam como "amigos" não seus reais companheiros de cada dia, mas indivíduos que eles admiram, que eles gostariam que fossem seus amigos.
Esse tipo de "amigo", idealizado (e duvidoso), é sempre o porta-estandarte de nossos devaneios. Se ele se divorciar, será, automaticamente, para nós, o exemplo (tentador) da felicidade livre e solteira à qual receamos ter renunciado.
Pouco importa que, eventualmente, o tal amigo lamente amargamente a solidão; preferiremos pensar que ele está vivendo um de nossos sonhos frustrados. Invejá-lo é a revanche contra o que não dá certo (e sempre há algo que não dá certo) em nosso casamento. Invejá-lo e, quem sabe, querer imitá-lo.
Moral da história. Para preservar seu casamento, não é preciso afastar seus amigos recém-separados. Basta (e é mais saudável) parar de identificar como amigos indivíduos que não incluiriam você na mesma categoria.

quinta-feira, julho 15, 2010

Redefinindo as rotas

Um dia a gente acorda e acha que a vida vai seguir o curso planejado. Afinal, está tudo ali rotineiramente, sem bruscos movimentos. O casamento, o trabalho, o encontro casual com os amigos. Então, mais uma vez, a morte vem pregar uma peça. Lembro-me de 2005, quando perdi meu pai, e solicitei ao destino uma folha de papel em branco. São Paulo, jornal, novos amigos, vida cultural intensificada e ausências que muito incomodavam e dividiam.Os ventos sopraram para que eu voltasse. Porém, eu sabia que nunca mais seria a mesma. Ainda bem.

A morte a que me refiro no tempo presente é de uma das pessoas que mais me faz falta. Porque tenho a certeza de que ela é insubstituível. Sim, minhas convicções muito próprias contrariam os clichês. Pois há quem te entenda apenas com o olhar. Não são pessoas insubstituíveis por serem perfeitos. É o caráter essencialmente humano e generoso que as torna assim. E tenho para mim que nem todo mundo tem a mesma sorte que tive.

Eu imaginava que com a partida da Mariana só haveria o eterno vazio. Passados três meses ainda não consegui tirar seu número do meu celular, seu endereço eletrônico da minha rede de contatos. Nos momentos mais agudos, chego a escrever para ela. É como se pudéssemos ter o que a Nação Zumbi cantou, nosso provedor celestial. Fora a tristeza, a ventania se aproximou. Veio o novo trabalho e seus desafios. Foram-se o casamento e um punhado de sonhos.

Mais uma vez no tabuleiro do jogo. Entre cartas de sorte e revés. A roda da fortuna gira. E uma quarta mudança de endereço, ainda que provisória. A velha nova vida, o incerto destino... Redefino rotas, redefino a mim mesma, redefino meus convívios, redefino minhas amizades. Reencontrei uma amiga de muitos anos, fiz poucos novos - como deveria ser - e me distancio de outros. Sei que falo demais. Mas nesse caso, o silêncio diz tudo.

Pela primeira vez em três anos, dormi no meio da cama. E sonhei.

quinta-feira, junho 24, 2010

Dois em um

Decreto que está encerrada a temporada de palpites sobre a minha vida. Obrigada, Ludmila Azevedo.

***

Top 5


Do que me dá alegria atualmente:

1-Meus filhos peludos
2-Minhas aulas de culinária
3-O novo trabalho
4-Ouvir o Radiohead
5-Ficar na minha.

***

Sem mais para o momento.

segunda-feira, junho 21, 2010

Don't look back in anger

Nos últimos tempos, sabia o que era pagar à vista, em qualquer circunstância. Gastar somente o que cabia no orçamento.

Assim era o combinado da vida a dois. Nada de parcelamento, nenhum crédito especial. Apenas a realidade.

Eis que a realidade - sempre uma trapaceira - avisa que existe um débito em conta, uma tristeza que necessita de parcelamento. Toda planilha muda. Tudo muda. E nada será como antes. Nada será apenas um refrão do Oasis.

domingo, junho 06, 2010

Anton Ego Feelings



Embora eu ame cozinhar, não sou chef. Mesmo adorando ficar horas falando sobre comida, não sou crítica. Nada disso impede que eu dê meus pitacos, sobretudo porque quando a gente conhece os ingredientes e os processos, fica infinitamente mais fácil meter a colher - e até se indignar.

Pois bem, estava eu sexta-feira num dolce far niente. Fui à Savassi resolver pequenas coisas e decidi almoçar por ali mesmo. Como passava das 14h, o ideal era comer um executivo, e como eu nem teria que trabalhar, uma tacinha de vinho tinto para aquecer um pouco.

Entrei na Mineiriana, como se o pré-requisito de uma boa livraria fosse um bom bistrô. Pedi o espagueti com molho de tomate, cogumelos frescos, com file mignon que aparentava estar muito bom (eu sempre olho para o pedido do vizinho). Como não havia taça, fui de um cabernet 187 ml.

Algum tempo depois, a garçonete veio me perguntar se poderia trocar a minha massa por fetuccini. "Sem problema", respondi. O que não imaginava é que, após a demora nenhum pouco comum do pedido simples, nada do que eu imaginava tinha o sabor que visualizei.

Uma massa cozida demais, cogumelos em conserva e um picadinho entupido de alho. Onde estava meu filé alto? E onde estava a moça que me atendera? Quem me conhece sabe que eu mando devolver, no entanto, eu estava com fome e muito chateada para argumentar com a garçonete do novo turno que aquilo não era de longe o que pedi.

Esperei ainda pelo queijo ralado, que para minha sorte, não era daqueles bem vagabundos de pacotinho de supermercado (também longe de ser um faixa azul ao menos). Comi contrariada, achando que a livraria nem era tão incrível assim porque eu sempre teria a Livraria Cultura, em São Paulo. "Por que não mandei devolver?", pensava a cada garfada. Deixei parte de carne, pois filé não tem gordura. Pedi a conta do executivo mais caro da região (R$22,90 a massa e R$18 a garrafinha de vinho + a água) e decidi que não darei segunda chance para a Mineiriana. Na livraria eu só posso mesmo devorar livros.

quarta-feira, maio 12, 2010

Carpe Diem é uma contradição

Como aproveitar a vida em tempos insanos?


"Colha logo seus botões de rosa, pois o tempo vai correndo. Essa flor que hoje sorri cheirosa, amanhã estará morrendo"


Eu bem que gostaria de cuidar do meu jardim.

segunda-feira, abril 26, 2010

Um dia sem chatos

Eu separo o lixo, desligo a luz por uma hora nessas campanhas mirabolantes, tomo banhos de até 15 minutos, assino petições contra agressões a animais, participo de grupos e mobilizações contra políticos corruptos (redundância), sou a favor do casamento gay, do aborto em determinadas circunstâncias e contra a pena de morte. Faço doações para vítimas de catástrofes, nunca levei sal ou fubá para eventos beneficentes, passo por cima do meu nojinho pessoal para fazer xixi no banho...

Não sou panfletária, ecochata ou politicamente correta ao extremo. Me acho até gente fina, pois do meu jeito - lendo Dalai Lama, oráculos, alongando e respirando fundo - procuro exercitar todos os dias a minha tolerância. Se existe algo que eu gostaria de melhorar nessa minha encadernação é a capacidade de ser serena quando alguém me irrita profundamente, de responder sem ironia a uma pergunta estúpida ou atender com simpatia o pedido de uma criatura folgada.

Isso segundo o Dalai Lama e a Monja Coen não é ser passivo. A tolerância e a compaixão são extremamente ativas. Eu é que não consigo todos os mecanismos necessários para chegar a esse estágio por completo...Ao menos por enquanto.

Então fico pensando que se os outros fizerem um pouquinho do "para casa", o mundo seria melhorzinho. Minha proposta começaria por um dia sem chatos. Nesse dia - que poderia ser uma segunda - ninguém poderia amolar o outro, reclamar com o outro, ser folgado ou grosseiro. Nenhum serviço seria oferecido por telemarketing de banco ou de operadora de telefonia, nenhum amigo faria um pedido que fosse uma saia-justa ou obrigaria você a fazer um programa de índio. Os entes seriam queridos. Mesmo que fosse só nesse dia.

Eu tenho uma lista enorme de itens para o dia sem chato. Uma lista totalmente pessoal, já que a genérica foi bem compreendida na explanação acima. E aí, alguém se habilita a me ajudar na campanha?

quinta-feira, abril 08, 2010

Cazuza

O NOSSO AMOR A GENTE INVENTA

O teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer

E o meu, poesia de cego
Você não pode ver

Não pode ver que no meu mundo
Um troço qualquer morreu
Num corte lento e profundo
Entre você e eu


O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu


O nosso amor
A gente inventa
Inventa
O nosso amor
A gente inventa

Te ver não é mais tão bacana
Quanto a semana passada
Você nem arrumou a cama
Parece que fugiu de casa


Mas ficou tudo fora de lugar
Café sem açúcar, dança sem par
Você podia ao menos me contar
Uma história romântica


O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu

O nosso amor
A gente inventa
Inventa
O nosso amor
A gente inventa


*Nem Chico, Gil, Caetano ou Ney...Meu cantor/compositor de MPB favorito ever é o Cazuza. Tem horas que eu até acho que ele é meu alterego e vice-versa. Também, ele nasceu dia 04 de abril e tudo que ele cantou eu sinto de uma maneira até assustadora. Hoje passei o dia me lembrando dessa música. E dessa outra:


EU QUERIA TER UMA BOMBA


Solidão a dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto, eu penso em suicídio
Mas no fundo eu nem ligo

Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder me livrar
Do prático efeito
Das tuas frases feitas
Das tuas noites perfeitas

Solidão a dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto eu penso em suicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder te negar
Bem no último instante
Meu mundo que você não vê
Meu sonho que você não crê

segunda-feira, abril 05, 2010

B-day



A primeira festa de aniversário a gente esquece, mas sempre tem uma lembrança do fundo do baú.

domingo, abril 04, 2010

Para minha melhor amiga, que levou seu brilho para o céu

Marianinha, te amo muito!

Funeral Blues

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message She is Dead.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

She was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods;
For nothing now can ever come to any good.

W.H. Auden

quinta-feira, abril 01, 2010

"Quem aqui como eu tem a idade de Cristo quando morreu?"

Faltam quatro dias para o meu aniversário: 33 anos. Eu que já quis muito fazer 18, eu achava que morreria como meus herois aos 27 (sim, sou um pouquinho dramática), eu que fiz festa de 30 em São Paulo e Belo Horizonte, eu que ganhei comemoração surpresa nos 24, eu que no ano passado fiz celebração temática do Radiohead, eu que já vivi meus cumpleaños desde botecos "copo sujo" ao finíssimo e saudoso restaurante Aurora.
Aniversário sempre foi fundamental para mim. Desde que me entendo pela minha existência. Só para contrariar um pouquinho minha tendência festiva, o dia 05 de abril eventualmente cai numa sexta-feira da paixão ou domingo de páscoa. Nada disso me desmotiva a recrutar os amigos no meu dia. Dia que sempre contei com tanta ansiedade, que meu tio Marco só me chamava de "05 de abril" quando eu era criança. Mamãe chegava a ficar preocupada com minha euforia: não é normal alguém gostar tanto do próprio aniversário, não dormir na véspera dele.
O que sei que minha atitude acabou influenciando os que sempre estiveram ao meu redor. Aniversário é seu dia, dia de fazer o que se gosta. Para mim devia até mesmo ser feriado. Como nasci meio-dia, achava absurdo chegar da escola e comer uma comidinha insossa. Eu esperava uma refeição digna de aniversariante, mais ainda: o empadão três pingos da vovó. De quebra, bolo de chocolate. Mesmo eu que não seja tão fã de doce, esse sempre foi um item indispensável.
Ainda tinha a lista de livros, discos e sugestões de presentes que eu elaborava para facilitar a vida de quem queria me agradar. Na infância era pior: eu literalmente pedia para os meus tios o que queria (e criança não olha cifrão, sugere que o adulto pague no cheque, no cartão). Minha mãe tentava em vão me dizer o quanto isso não era elegante. Mas desde quando um ariano liga para o que alguém diz quando ele quer algo? Heim? Heim? No meu caso, nunca.
Todo o meu cuidado para não ganhar presentes sem graça - tipo meia e calcinha quando se queria uma boneca Moranguinho ou um enfeite artesanal horrível e impossível de se trocar na vida adulta - às vezes era inútil. Eu tinha uma tia que conquistou a proeza de nunca me dar, mesmo que fosse da lista, um presente em perfeitas condições. Sim, ela conseguia me dar um disco do Balão Mágico arranhado, uma sombrinha que não abria, uma caneta com meu nome gravado errado ("Ludimila" e não Ludmila). As desventuras foram tantas que ela que desistiu.
Por que diabos essas pessoas não me deram simplesmente um cartão? Sim, adoro e guardo tudo o que escrevem - de bom - para mim. Cartões valem até mais como lembrança. No entanto, como eu estava ficando muito chata com isso (e cá entre nós, em casa de ferreiro o espeto é de pau, porque meu marido nunca me deu cartão, nem quando namorávamos), decidi abolir mais essa cobrança em torno do famigerado 05 de abril.
No fim, ao longo de 32 anos, reuni um ótimo material para crônicas e casos que amigos acham que são inventados, mas que sim aconteceram de fato. Para o dia 05 de abril de 2010 não quero festa, nem alarde. Nem é porque cai numa segunda-feira. Eu simplesmente não estou no clima da comemoração. Tentei me forçar, pensar em lugares, mudar o dia para adequar às agendas dos convidados e minha rotina de trabalho...Não adianta: eu não consigo forçar a mim mesma a fazer o que não quero de forma tão espontânea. Já faço isso em outras ocasiões e meu aniversário merece a minha empolgação. Se ela não está aqui, eu guardo para o ano que vem. O fato de escrever esse post é mesmo para lembrar ao leitor que, embora não tenhamos bolo, drinks e música, o dia 05 está chegando. Nisso eu sou a mesma criança que fica emburrada quando não ganho "parabéns".

quinta-feira, março 11, 2010

Remember Yesterday

O Guns n' Roses já foi um dia minha banda preferida. Lá pelos idos de 1990, quando eu queria estar no show que deu origem ao clipe de "Paradise City", a vontade de ver ao vivo Axl Rose, Slash, Izzy Stradlin, Duff Mckagan e Steve Adler era completamente incompatível com as reais possibilidades.
Então eu comprava Bizz, Fama (uma revista tosca que vinha com pôster encartado) e todas as publicações que abordassem a banda. Eu me reunia com amigos para ouvir os discos (vinis) e, claro, como toda adolescente achava o Axl lindo, maravilhoso. Houve uma época - durante a separação dos meus pais - que jurava que apenas ele me compreendia.
O Guns n' Roses veio ao Brasil e só vi da televisão porque não era tão simples viajar para São Paulo ou Rio quando se tem menos de 17 anos (meu primeiro show fora de Pequenópolis foi o primeiro dos Rolling Stones no Brasil). Segui ouvindo outras bandas e substituindo gradativamente o Axl Rose pelo Kurt Cobain, o Eddie Vedder e, por fim, o Thom Yorke.
A banda praticamente acabou, as tretas ficaram mais evidentes. Só que Axl não quis enxergar que nada mais seria como antes. Os antigos fãs com certeza nem esperaram com ansiedade o Chinese Democracy. As pessoas tem pressa, elas vivem o tempo presente, miram as tendências ou ficam aprisionadas num lugar confortável se negando a dar bola para a nova sensação da garagem que acabou de soltar o disco na internet.
O Guns n' Roses não está em nenhum outro lugar que não o limbo. Mas evidentemente, quem nunca pode assistir a banda ao vivo, não perderia o revival. Ainda que a crítica tenha malhado (o que convenhamos, no caso do GNR, não é nenhuma novidade. Axl é basicamente a Geni que a turma da Bizz e seus herdeiros adora jogar bosta). É preciso ver com os próprios olhos.
No palco surgem integrantes que parecem ter saído do Good Charlotte ou qualquer banda emo. Fogos e explosões no lugar onde a acústica é de longe a mais pavorosa já presenciada (quem conhece o Mineirinho sabe do que estou falando). Axl surge acima do peso, não tão acima quanto já vi nos tablóides porém sem a mesma potência vocal, sem o mesmo pique.
Para quem já achou que aquele cara que um dia foi lindo, maravilho e o único a entender suas dores adolescentes, a sensação foi de uma estranha melancolia e um pouco de admiração. Nesse mundinho em que sua imagem vale mais que a ideia, que a etiqueta é corporativa e que as bandas de rock usam Karl Lagerfeld ou sem ter coragem para assumir publicamente seus monstros ou se tem muito oportunismo (que é o que eu basicamente penso sobre o Sérgio Dias dos Mutantes). Não saberia analisar qual é a do Axl.
A dancinha caraterística não estava lá, o correr de um lado para o outro e o fôlego ficaram nos 90's, cristalizados na memória. Para cada canção havia um solo interminável e virtuoso dos músicos dos quais nenhum fã saberia o nome. A exceção era o Dizzy Reed, que entrou para a banda durante o "Use Your Illusion".
Valeu ouvir "Wellcome to the jungle", "Sweet Child O' Mine" e "Paradise City" e foi importante saber que aquele ídolo não era nada mais do que um cara normal - um pouco mais perturbado que a média -, que faz cagada, brigou com os amigos, destruiu tudo e depois tentou se reerguer, sem muletas espirituais como muitos artistas que "encontram Jesus" fazem no Brasil (vide Rodolfo dos Raimundos).
Se eu tirasse uma carta de tarot para o Axl seria "A Torre", uma ruptura radical, destrutiva. Diferente da "Morte" que tira o que não presta mais para continuar semeando. Erguer um novo castelo é sempre mais difícil. Reconquistar o reinado, talvez não seja algo possível. Com o tempo será menos desejável, se já não for.
O que lembro de ontem com mais nostalgia e leveza foi o show da abertura. Sebastian Bach da banda que apelidei de Skid Ruim tempos atrás, estava enxuto, desenvolto e interagindo em português com o público. Esbanjou pique, simpatia e bom humor. Vestiu uma camisa amarela que mais parecia um abadá em que estava escrita "Tião". Valeu o ingresso de muita gente, até dos que como eu achavam que aquilo era apenas rock farofa.

terça-feira, março 09, 2010

Vamos amar?

Não sei se já coloquei este clipe do Ludéal aqui. O excesso de redes sociais começa a me confundir...De qualquer modo, como amo essa música, mesmo que seja repeteco vale a pena.

quarta-feira, março 03, 2010

O Amor Acaba - Paulo Mendes Campos

"O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba".

Acho essa crônica tão triste e tão linda...

terça-feira, março 02, 2010

Para se acreditar no amor

Uma mais ou menos longa cerimônia de adeus - João Paulo Cuenca

Um homem entra por acaso num café de livraria e pede uma água com gás. Uma mulher percorre lombadas de uma prateleira com os dedos. O homem olha com atenção aquela mulher maravilhosamente desconhecida. Estamos no momento em que faltam poucos segundos para que ele se levante e vá falar com ela.

Ou ainda: um homem lê o jornal na praia. Uma mulher, três barracas depois, precisa do caderno de classificados. Esse homem maravilhosamente desconhecido lhe atrai. Estamos no momento em que faltam poucos segundos para que ela se levante e vá falar com ele.

Esse momento se repete milhões de vezes, todos os dias, a qualquer hora, em qualquer parte do mundo. Normalmente é fruto do acaso (“uma teia de coincidências”), mas pode também fazer parte de uma orquestração que envolva terceiros. As variações sobre ele são infinitas. Pode acontecer na saída de um teatro, numa madrugada de aeroporto, num velório, num bloco de carnaval, pela internet etc.

Pouco importa o que está no fundo da cena. Importante é o que há em comum entre todos esses encontros. Dizer olá ao desconhecido sempre será começar a despedir-se do futuro conhecido. A história que unirá os que tiverem sorte é uma cerimônia de adeus. Uma mais ou menos longa cerimônia de adeus.

***

Peço licença e me aproprio de algumas rolandbarthianas questões – inúteis, logo veremos. Serei capaz de olhar o rosto de quantas mulheres ao longo da vida? Centenas de milhares? Milhões? Entre as donas desses rostos, desejarei algumas centenas. Mas estarei sempre amando só uma. E por que não outra? O que me fará escolher exatamente essa e não aquela? O que me fará ter medo de perdê-la?

Formulação melhor para essa pergunta: o que me fará querer despedir-me dessa e não daquela?

A mecha de cabelo que cai sobre a testa, a cintura fina, o formato das panturrilhas, o jeito que ri? O seu suor? Ou uma palavra? Um gosto em comum? A timidez do ridículo? O livro que escolhe para ler? O senso de humor? O toque dos dedos? O tom da voz? Jamais saberemos. Novamente, pouco importa o que está no fundo da cena.

Depois de eleito o objeto de desejo, alguém lúcido diria que o amor se construirá sobre camadas de engano e falsas ofertas. Até que cumpra sua vocação irresistível (a despedida) e ressurja num novo encontro entre dois novos anônimos, depois daquele instante vertical que existe entre olhar, levantar-se e dizer “olá”.

O risco de saber disso tudo é, num ato falho, saudar alguém na praia ou na livraria dizendo “adeus”.

***


- Adeus.
- Como?
- É isso. Começou a acabar agora... Nós dois, eu digo.
- Mas eu te conheço?

***

Um bom começo para crer na possibilidade de adiar eternamente esse adeus é curar o excesso de lucidez. Para isso, recomenda-se esquecer os parágrafos acima imediatamente. Além de não ler filósofos germânicos, poupar-se do cinema sueco - e do novo cinema dinamarquês. E, claro, ter fé no acidente.

domingo, fevereiro 28, 2010

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Do Contra - último capítulo

Essa saga me deixou aliviada ao saber que amigos/ leitores deste blog nem sempre aplaudem certas "unanimidades" ou "paixões nacionais". A última parte da lista não é o fim da linha. Sempre haverá uma reedição. Não se é do contra por acaso.

Olho Mágico - Um trauma de infância. Quando lançaram o livrinho, todo mundo via borboletas, pássaros, peixes, casas...E só via pontinhos coloridos, nada mais. E assim, passei a boicotar esses livrinhos.

Papel de Carta - Minhas amigas colecionavam, trocavam e eu...bem eu os utilizava para mandar cartas. Para minha avó, para a amiga Rosa na Bahia e para fazer o estatuto do clube que eu e minhas amigas tínhamos. Achava um desperdício deixar que amarelassem.

Peter Jackson - Fui ver "Senhor do Anéis (Anerds)" no cinema e achei cansativo. Não tive paciência para a saga inteira. Então, veio a versão de King Kong e, claro, eu curtia a original e a vintage com a Jessica Lange. Sim, ele é premiado. Sim, ele é talentoso, mas está aí um cineasta que não faz parte alguma do meu folclore pessoal.

Raul Seixas - Se ter cantado "pluntc platc zum" tornasse alguma criança fã de Raul, eu estaria na Sociedade Alternativa. E não teria um blog.

Reggae - Não tolerar axé, pagode, sertanejo é lugar-comum. Ser do contra é achar um gênero tipo jazz um porre. Meu problema é o tal do reggae e suas derivações. Acho chato. Não tenho nenhum disco do Bob Marley e não me envergonho disso.

Roda de samba - Sempre que pulo o programa "Coisinha de Jesus", alguém já canta o refrão de "quem não gosta de samba, bom sujeito não é...". Eu adoro Cartola, Adoniran, Clementina, mas para ouvir em casa, no ipod, não na roda e no gogó.

Teatro Interativo - Mais do que não gostar, tenho medo. Já tomei um banho de Coca-Cola de um palhaço italiano e fiquei muito longe do elenco do Zé Celso para não virar objeto de cena. Sou um pouco ortodoxa com isso: ator no palco e/ou rua e eu de mera espectadora.

Verão - já citei o calor? Acho que sim. Bem, reforço meu lado contrário à estação que inspirou "summertime", "summer love", "vem chegando o verão, um calor no coração, essa magia colorida"...Tenho pressão baixa, me queimo facilmente, atraio pernilongos e a combinação de muita chuva e muito calor só me traz mal humor.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Do Contra - parte dois

Glauberianices - Antes de mais nada, acho que o Glauber Rocha foi um grande artista. E como todo grande artista, ele deixa um séquito de admiradores sem senso de humor (e, pior, agressivos. Experimente não apontá-lo como o melhor). Na minha pós em cinema, uma professora disse que não suportava as "viúvas de Glauber", pessoas que acham que o cinema nacional morreu com ele, que nada de inventivo se fez depois dele. Nem preciso dizer que ela não foi aplaudida de pé. Mas arrancou um sorrisinho meu.

JoliePitt - Tenho uma preguiça monstra de celebridade, do culto à celebridade, de sub-celebridade... Sempre me lembro do manual de etiqueta da Glorinha Kalil, que tem um capítulo especial para as referidas criaturas dizendo que é feio furar fila só porque alguém disse que você é uma pessoa "importante". Mas o casal não faz isso. Não! Eles são simpáticos, adotam criancinhas de países pobres, doam fortunas para cidades devastadas. E por que não ser a favor? Porque são chaaatos de doer e chamam imprensa/paparazzis para mostrar como são altruídas. Forçado.

Legião Urbana - No auge da febre (80's), eu preferia os Titãs e depois da morte do Renato Russo, quando houve uma comoção absurda, já ouvia outras bandas. Nunca foi minha favorita, ainda que admire bastante as letras do cara. Tenho o vinil de "4 Estações", sei cantar "Faroeste Caboclo". Contudo jamais soltaria um "Toca Legião" se não fosse de zoeira.

Lost - Acho que 10 entre 10 amigos meus assistem ao seriado, comentam na mesa de bar e desenvolvem teorias malucas. Já tem gente sofrendo porque Lost vai acabar. E quer saber? Para mim, já vai tarde. Tentei ver, mas não me pegou.

Nelson - Gonçalves? Piquet? Acho o fim a intimidade que as pessoas tem com "o maior dramaturgo do País". Não que não goste de Nelson Rodrigues. Assisti (e até li) a um punhado de peças dele. De umas gosto mais e de outras menos. E fico me achando um pouco pedante por pensar que dramaturgo por dramaturgo, sou mais o Shakespeare.

Novela - Eu já gostei, admito. Há anos não vejo nenhuma sequer. Quando é do Gilberto Braga - Vale Tudo Forever - ainda tento. Fico me sentindo uma velhinha rabujenta, mas "no meu tempo" elas eram melhores. Entonces, em meio a noveleiros inverterados fico a ver navio e quase caio em ciladas (como quando fui ao Bom Retiro e, por pouco, não comprei a rasteira "igual da Helena". O vendedor, coitado, que achou que estava fazendo o negócio da China, perdeu a venda).

Continua...

domingo, fevereiro 14, 2010

Espero que seja bom

Ano Buda 2576 - Ano do Tigre - por Monja Coen

Tigre que se recosta na montanha. Tigre em seu elemento natural, sua casa, sua morada, tranqüilo estado de liberdade iluminada.

Tigre tigrado tigrada tigreza.

Em cada faixa incomensurável braveza

Pisa leve

Salta e surpreende

A presa grita

Tigre rasga entranhas

Boca escancarada

Ensangüentada

Tudo se aquieta

Mama na teta a tigreza



Resto de gente

Resto de feras

Bebe o leite

Com cheiro de sangue

Ainda nas guelas

Da mãe e do pai



Então aprende

Nas listras negras e amarelas

A se esconder

No sorriso

Do gato de Alice



Apenas um salto

Um pulo

Um grito

Um nada



Tigre na mata

Tigre na selva

Tigre recosta

Barriga exposta

Na barra da montanha



Recosta e descansa

Depois da façanha

Ronrona

Ressoa o seu roncar

E toda montanha

Ronca tranqüila



Tigre livre

Tigre feliz

Tigre domina

Tigre predomina

No ano do Tigre

Cada um de nós

Recostando na montanha

No Zazen

Nosso elemento natural

Nossa casa, nosso lar

Nossa tranqüilidade perfeita

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Do Contra - parte um

Se há algo que eventualmente escuto sobre mim - e às vezes - concordo é o fato de ser do contra. Nem acredito que seja uma ofensa, já que a massa homogênia do (con) senso comum nem sempre é atraente. Pensar diferente pode ser simplesmente um toque de personalidade, não um fator intencional para aborrecer o outro.

Comecei a listar a primeira parte de tudo aquilo que a maioria das pessoas que conheço parece aprovar com unanimidade e eu nem sempre. Não quer dizer que eu não goste de Beatles, por exemplo, no entanto prefiro os Rolling Stones. Na minha ordem quase alfabética, acho que são supervalorizados digamos assim:


Açaí - acredito que haja alguma substância viciante nele, pois quem aprecia a fruta não viver sem ela. Experimente dizer que não gosta e ainda, como eu, argumentar que "já que é para comer uma bomba calórica, prefiro Hageen Dazs".

Bacalhau - comi um milhão de vezes e o sabor não me apetece. Tenho a sensação que todo mundo ama e o azar de aniversariar próximo à semana santa.

BBB - Não assisto e acho uma canseira esse "mundo de Marlboro" em torno de pessoas tão fúteis e rasas.

Caetano Veloso - Os discos dele dos anos 60 e 70 são legais. A figura tem sua importância, mas vamos combinar que a mídia querendo que ele dê pitaco em tudo está demais? Ainda mais porque as opiniões dele não são tão relevantes quanto sua obra.

Calor - o país é tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, ok. Mas se a temperatura média fosse de uns 15 graus a menos, eu me sentiria melhor. Tudo que é consenso e envolve as altas temperaturas me incomoda, o que não é, como pernilongos e horário de verão também.

Carnaval - não estudei sociologia para achar esse fenômeno interessante, acho samba-enredo boring e a euforia desnecessária. Curtia o Clóvis Bornay e me fantasiar quando criança. Não gosto de carnaval contemporâneo. Prefiro o vintage.

Carro - acho simplesmente um meio de transporte. Não entendo gente que mora num muquifo e tem um carrão importado na garagem. Para mim as conversas sobre carro e suas ramificações (automobilismo) são extremamente tediosas.

Copa do Mundo - não torço para a Seleção Brasileira e ponto final.

Djavan - Por que raios tem sempre um sujeito nas praças de alimentação fazendo releituras dele?

"Eu amo BH radicalmente" - A campanha é um engodo, o adesivo é ridículo e as variações são piores. Só que agora não basta amar, precisa provar. Socorro!

Feijoada - sei que é um ícone da culinária brasileira. Gosto, mas prefiro frango ao molho pardo.

Continua...