sexta-feira, março 22, 2013

Desaniversário

O ritual de todos os anos foi interrompido naquele chuvoso 4 de abril de 2010.  Talvez antes. Não fazia o menor sentido comemorar, uma vez que mal fazia sentido levantar da cama, trabalhar, ler, correr, insistir em sentimentos que iriam dar lugar a outros menos nobres.

Teve gosto amargo, tarja vermelha, dor na alma, coração partido, e "parabéns para você nesta data querida", seria, no mínimo, uma piada de péssimo gosto. Foi a primeira vez que desaniversariei.

Anos atrás havia uma euforia. Existiu festa surpresa, festa interestadual, banquete no Aurora e uma esperança ingênua que desejou habitar próximos aniversários.

A vida cuidou, naquele 2010, de não deixar o sabor do brigadeiro nem para a manhã seguinte.

Mas eu não quis me desapegar de açúcares e afetos. Insisti. Teimosia ariana, coisa de filha de um outono cada vez mais incomum. Superdosei nos prepartivos no ano seguinte. Afinal, eu sobrevivi (ou achava que sim). Joguei fora os comprimidos que me ajudavam a cumprir compromissos, rotinas e que, ao mesmo tempo, cortavam meu sono e meu tesão. Foi quando veio outra perda, logo quando eu cheguei feliz do almoço com amigos.

Imagine a desconfiança de celebrar o dia 5 de abril em 2012, o ano do fim do mundo que não aconteceu? No entanto, o que haveria mais a se perder? Foi sem estardalhaço e sem bolo porque os rituais foram ficando em algum lugar do passado que, sinto, não consigo recuperar.

Então, eu me olho no espelho e vejo essas marcas na minha testa. Elas me incomodam. Não há creme caro que as remova, não há porquê acreditar na propaganda, na matéria da revista, em algumas pessoas com as quais tive que conviver, em outras nas quais jamais votaria e que andam por aí arruinando minhas convicções em territórios como ética ou justiça.

O gosto ruim saiu da boca. Apesar de tão pouco sentir traços de doçura. Aquela vida que ficou sacundindo meus sonhos até que quase se espatifassem, não se tornou generosa da noite para o dia. Não ter grandes prejuízos virou meu maior lucro.

Sigo numa linha reta, sem atalhos ou jardins, com uma paciência inimaginável. Quero que os dias passem, inclusive o 5 de abril.

Será outro desaniversário, longe de ser o pior de todos. No lugar de caixas de presentes, vou carregando um aprendizado que eu ainda não sei para o quê vai servir. Quando as marcas forem escorrendo pelo resto do rosto, quem sabe? Quem sabe será época, novamente, de aniversário?




Uma praça chamada Liberdade

Uma praça chamada Liberdade

Texto meu, fotos do Rodrigo Mendes sobre a performance de Cassilene Abranches

domingo, março 17, 2013

No Pandora

Foi publicada hoje minha crônica no Pandora, do jornal O Tempo. Deixo aqui meu agradecimento especial para a querida Natália Dornellas, editora do caderno. E reproduzo abaixo para quem não leu.

Um amor para reencontrar


O vídeo da artista Marina Abramovic, que circulou pelas redes sociais há algumas semanas, me fez perder o fôlego. Eu estava na redação e olhei para os lados, preocupada com o primeiro que flagrasse não só a minha pequena transgressão de não estar fechando um texto, mas também com as lágrimas que escorriam sem eu pedir.


Marina Abramovic, para quem não sabe, viveu com Ulay, por cinco anos, um amor intenso - passaram dez dias na cama - e decidiram transformar o fim do relacionamento em uma quase performance. Cada um partiu de um extremo da Muralha da China para dar o último abraço. E não se viram por anos. Até que os dois se reencontraram na recente exposição de Marina, quando Ulay apareceu de surpresa. E foi um daqueles silêncios que conseguem dizer tudo, deixando reticências no ar.


É quando a vida parece imitar um dos meus filmes favoritos, "Antes do Pôr do Sol", de Richard Linklater. O norte-americano Jesse (Ethan Hawke) e a francesa Celine (Julie Delpy) são jovens que se conheceram numa viagem de trem pela Europa - no caso, no longa que deu origem aos outros da série, "Antes do Amanhecer" - e marcaram um encontro que não aconteceu. Nove anos se passam até que ela vai ao lançamento do livro dele em Paris.


Jesse está casado, e sua personagem é aquela garota com quem tinha passado a madrugada em Viena. Celine continua engajada e encantadora. Os dois dividem uma tarde juntos e percebem o quanto aquela memória afetiva ficou impregnada em todos os sentidos.


Saí do cinema desidratada. Tenho o DVD em casa e sempre o revejo quando eu quero acreditar no reencontro. Talvez até comigo mesma, pois sempre fiz questão de colocar o ponto final em todos os meus relacionamentos amorosos, mesmo que eu parecesse hesitante durante aquele momento triste em que se estabelece o acordo de que a separação é o melhor a se fazer.


Dentre os ilustres desconhecidos, tenho bons amigos que reviveram velhos amores. Já vi um casal renovando votos anos após o próprio divórcio. E outro, formado por ex-namorados da adolescência.


Depois do rompimento, eles se esbarraram um dia, no tempo em que o tempo varreu mágoas e ressentimentos. Todos vinham de outros casamentos, sabiam onde estavam pisando. E, mesmo assim, decidiram retomar o romance.


Confesso que há em mim um alguém que mata, aos poucos, aquele que já foi a razão de sorrisos e suspiros, com quem fiz viagens e planos de todo tipo. Não sei se é uma combinação astrológica de áries, câncer e escorpião. Prefiro pensar que sempre rezei a cartilha do Paulo Mendes Campos para soar mais poético: "O amor acaba".


Mas, e se não acabar?

Marina, Ulay, Jesse, Celine e esses meus amigos anônimos sempre abalam um pouco as minhas certezas.

sexta-feira, março 15, 2013

SMS

Foi quando o iphone apitou.
Na tela, o número desconhecido, e a mensagem: "Eu ainda penso em você".
Como escrever uma reposta?
"Quem é você?" seria indelicado, pois definitivamente não penso em você, uma vez que apaguei o seu contato.
"Número errado" seria grosseiro. Afinal, se você está pensando em mim, esse é o atalho para dizer "esqueça", ainda que se trate da informação sobre um possível engano.
"Eu também" seria mentira. Ou não, dependendo de quem fosse.

Por que não ligou, "Eu ainda penso em você"?
Seria melhor para nós, incluindo uma terceira pessoa que pode estar envolvida nessa história.
Homens não ligam. Não nos dias de hoje.
Porque não estão mais tão afim de você ou por serem orgulhosos demais para admitir o contrário.
Orgulho é a coisa mais besta que existe.
Querer fazer-se presente por meio mensagens subliminares e esporádicas é outra bobagem.
Então, eu ligo de volta.
Caixa postal, mensagem automática, apenas um número.
Eu já deveria ter aprendido.
Atitude não é via de mão única.



quarta-feira, março 13, 2013

Parte final

Noite de sexta-feira. Ele tomou três chopes com a turma da agência. A campanha havia sido aprovada. O diretor de criação queria promovê-lo, estava tudo perfeito. Sábado com os caras e domingo um cineminha com aquela menina mimada por quem tinha se apaixonado. Que se dane o medo ou o fantasma da Lívia, a gente vai namorar, pensou.

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Ela chegou em casa e se trancou no quarto. Havia mensagens no celular. Lu, Ju, Fê e até mesmo Bia, irmã do Cris. Não iria responder ninguém. Só pensava nesse abismo que existia entre eles desde a terça-feira, nas chamadas insistentes não retornadas, no fato de ele ter ficado offline esse tempo todo. Isso nunca aconteceu com ela! Jamais foi esnobada assim! Quem ele pensa que é?

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Sábado, oito da manhã. Cláudio estava na porta da casa dele.

- Porra, cara, você vive atrasado! Pedrão já está no sítio e pediu para levarmos mais gelo.
- Foi mal. Você sabe que não consigo acordar cedo.

Cláudio aumentou o volume do som e foram ouvindo Metallica durante todo o trajeto.

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Ela decidiu trabalhar um pouco, adiantar projetos, tirar aquela fritação de sua mente inquieta. Respondeu aos e-mails pendentes também. Livrar-se da tralha acumulada fazia bem. Ao menos, foi o que aprendeu num curso de Feng Shui. Sentiu-se tão disposta que foi até a cozinha, tomou um iogurte e levou Nico, o cão temperamental da mãe, para um passeio.

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A tarde dele seguiu animada. Churrasco, cerveja e futebol com os caras. Deviam fazer isso mais vezes. Mas Pedrão iria se casar. Luiz e Léo tinham namoradas chatas e ciumentas. Só Cláudio, super pegador, estava sempre disponível. Ele, aliás, puxou o assunto.

- E aquela gatinha que você está comendo?
- Para com isso, cara, mais respeito!
- Ele é meio patricinha, né? Decoradora?
- Arquiteta, Cláudio. E estou afim dela.
- Dou o maior apoio! Veja eu: era um traste antes da Aline, palpitou Léo.
- Bobagem! Acho que depois da Lívia, você tinha que pegar geral, dar um tempo de compromisso.
- Cara, ela vale a pena. É linda, gostosa, divertida, inteligente...enfim, vou ligar para ela.
- Não faz isso! Não pode dar esse cartaz todo não...

Ele pegou o celular e adivinha? A bateria arriou. De novo.

- Te empresto o meu, disse Luiz.
- Não adianta. Não sei nem o telefone da minha mãe de cor.

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Ela almoçou com a família, deu um pulo no shopping e checou o celular um milhão de vezes. Claro que ele não ligaria em meio ao "sensacional churrasco com os caras". Odiava esse cumplicidade dos homens em alguns momentos. Pensou em ligar para o Cris, que arrastava toda a companhia de trens urbanos por ela. Desistiu.

Foi quando Mari ligou.

Mari, a amiga jornalista meio louca. Estudaram a vida inteira juntas. Perderam o contato na época da faculdade, mas tinham um carinho imenso pela outra. Água e vinho. Mari fumava maconha, bebia todas, beijava meninas, era tudo que ela jamais teria coragem de ser. Mari foi quem apresentou a ela aquele cara que "tem tudo a ver com você".

- E aí, lindona? O que está aprontando?
- Tô no shopping. Nada de mais.
- Vai encontrar o guapo hoje?
- Não, as coisas estão meio estranhas entre a gente.
- Então, parte para outra.
- Pois é.
- Vamos sair para dançar hoje?

Hesitou. Em todas as baladas com a Mari, passou dos limites. Participou de um campeonato de tequila incerta feita no qual chegou a tirar a camiseta.

- Pode ser.
- Ótimo. Vamos de táxi. Passo na sua casa às dez.

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Ele chegou em casa meio bêbado e apagou. Acordou depois de um sonho estranho. Carregou o maldito celular e ligou para ela.

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Ela estava com o secador na potência máxima. Fez uma "make" meio vamp. Vestiu-se rapidamente, pois Mari costumava ser pontual. Jogou o celular na bolsa e foi para a balada com a amiga.

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Onze horas. Ele pensava nela. Foi um babaca. Devia ter mandado uma mensagem nos últimos dias. Ela não era como as outras. Na verdade, era justamente aquela sensibilidade que o comovia. Ele se lembrava do dia em que ela colocou Cat Power no player e ficou cantarolando "Sea of Love" sorrindo para ele. Que tipo de idiota não namoraria uma menina assim?

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Elas estavam no inferninho-mor da cidade. Foi ali que os dois ficaram pela primeira vez. Tocava Franz Ferdinand e ela disse para ele que Glasgow era encantadora. Ele respondeu: não conheço. E, na sequência, a beijou de um jeito bastante desajeitado.

Pediu uma vodka pura com gelo. Contou para Mari a conversa sobre namoro, o sumiço dele.

- Gata, se ele não correu atrás de você é porque é um babaca! Tá vendo aquele cara ali? Está te secando!

Mari saiu para fumar sem ela algumas vezes. Conhecia todo mundo...e ela ali na sua terceira dose.

A vodka foi tornando aquela noite mais suave. Não sentia nada.

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Ele estava inquieto. Ligou para ela algumas vezes e nada. Enviou mensagens também e sentiu-se patético. Decidiu, então, tomar uma cervejinha naquele inferninho em que se conheceram. Ligaria de novo no domingo, depois do almoço. Última tentativa.

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Ela dançava de olhos fechados e cantava: "candy, candy, I can let you go". Quando se tocou, o tal sujeito que a secava estava acompanhando sua coreografia nonsense.

Ele se apresentou. Ela sequer ouviu. Ele fez uma série de perguntas. Ela não decifrou nenhum daqueles enigmas.

Como toda mulher que não sabe o que faz numa hora dessas, o beijou.

Foram para o canto e mal respiravam.

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Depois de uns minutos na porta conversando com conhecidos, ele resolveu entrar.

Mari o viu de longe. Sacou o celular da bolsa, enviou uma mensagem para a amiga. Sim, eles se acertariam, pensou.

Ela precisou ir ao banheiro. Pediu ao sujeito, de quem não sabia o nome, um minutinho.

Ele foi ao balcão, pediu uma cerveja. Achou que estava louco quando a viu em direção ao banheiro.

Ela sentia-se em outra galáxia. Iria para casa. O que estava fazendo?

Na porta do banheiro, deu de cara com ele.

- Eu te vi passando apressada. Liguei algumas vezes. Hoje...hoje eu liguei algumas vezes. Olha, desculpa se pareci um imbecil. Não soube lidar com aquela história do namoro e...

- Esse cara está te enchendo, gata? Perguntou o ficante do qual não sabia o nome, segurando sua cintura e dando um beijo molhado em seu pescoço, sugerindo uma intimidade de anos.

Ela não conseguiu dizer uma palavra.

Ele franziu a testa, balançou a cabeça e foi embora.

O sujeito quis mais um beijo e fui empurrado.

- Quê isso, gata, você bem que estava curtindo...

Ela não o alcançou, não teve forças. Mari estava na porta, atônita.

Abraçou a amiga e chorou.

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Ele não ligou no domingo e nos dias seguintes. Passou a sair com Cláudio com frequência.

Ela ligou, mandou mensagens e desistiu.

Meses depois, ele ficou sabendo que ela voltou para o almofadinha babaca.


Fim




quinta-feira, março 07, 2013

Parte 3

Ela acordou antes que o despertador tocasse. Tomou banho e vestiu-se de modo displicente. Iria ao cinema à tarde ou faria qualquer coisa divertida, fora da rotina. Passou rapidamente pela copa, tomou uma xícara de café, beijou os pais e foi para o escritório.

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Ele foi acordado pela mãe.

- Esse menino não tem jeito, desde criança é assim. Nunca sai da cama no horário certo.

Arrastou-se até o banheiro. Decidiu não fazer a barba. De novo. Tomou um banho rápido e vestiu-se de maneira básica, com sua camiseta do Sonic Youth um tanto surrada. Comeria algo no café ao lado da agência ou, mais uma vez, pularia "a refeição mais importante do dia" que a mãe cansava de repetir.

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Quinta-feira. Ela saiu mais cedo do escritório. Encontrou-se com a Fê e Lu no bistrô para o qual ele sempre torcia o nariz - "lugar de patricinha", dizia. Pediram um vinho tinto e abriraram os trabalhos do consultório sentimental. E advinha quem deitaria no divã?

- E aí, como foi a conversa?
- Ah, Lu...ele não quer assumir nada agora porque aca...
- Acabou de sair de um relacionamento complicado, interrompeu Fê fazendo o sinal de aspas com desdém.
- Pois é.
- Olha, eu acho que você merece coisa melhor. Desculpa, ele nem é bonito, continuou Fê.
- Eu acho ele bem interessante sim. Não é como os outros caras com quem namorei...ai, o que eu estou dizendo? Ele nem é meu namorado!
- E você, bonita, inteligente e bacana vai ficar na mão desse cara? Da disponibilidade dele?
- Não é simples assim Fê.
- Você tem que saber até onde você consegue lidar com isso. Te conheço há quantos anos? Doze, dez...sei lá. Nunca te vi alternando tantos sentimentos, é uma verdadeira montanha-russa essa relação, analisou Lu.
- Por favor, não me venham defender o Cris, dizer que ele é o amor da minha vida e toda aquela conversa fiada.
- A gente gosta do Cris, mas pode aprender a gostar desse cara, desde que ele te mereça, sentenciou Lu.

Duas garrafas depois, seguidas dos mais diversos assuntos, ela se viu no banheiro. Telefone na mão. Ligaria? Mandaria mensagem? Ligou! Ele não atendeu. Ficou irritada.

Em casa, ela insistiria mais umas duas vezes. E dormiria com uma série de perguntas sem respostas.

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Ele ficou até depois do expediente na agência. Enfim, a campanha saiu. Podia ter ido com o pessoal para tomar uma cerveja, mas estava morrendo de sono. Dormiu com tênis e tudo. Chegou a ouvir o celular tocando, no entanto, tratou de mudá-lo para o silencioso. Quem estaria ligando àquela hora? Não importava. Podia ser a Zooey Deschanel que ele não faria esforço algum.

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Ela acordou de ressaca, avisou no trabalho que não iria de manhã. Ficou no quarto, assistindo a desenhos animados na TV.

- Filha, quer uma vitamina de mamão ou algo assim?
- Não, mãe. Daqui a pouco eu levanto e como algo. Não se preocupe.
- Sim, eu me preocupo. Você chegou aqui completamente bêbada e agora está aí desse jeito. Honestamente, o que está acontecendo?
- Não é nada, mãe. Me deixa sozinha, por favor.

Antes que a mãe virasse as costas, começou a chorar. Abraçou o travesseiro para sufocar a vontade de gritar. Para piorar, era o dia do fatídico show. Nem queria ir mais. Culpa dele! Haviam combinado! Quer dizer, ela havia avisado...não importa. Ele não dava a mínima. E não deu mesmo porque nada de mandar uma mensagem sequer.

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Ele levantou da cama bem disposto. Dormiu quase dez horas! Fez a barba e tomou um banho demorado.

Ao sair, notou que se esqueceu de carregar o celular de novo, não haveria como saber quem ligou de madrugada. Precisava comprar um smartphone. Odiava celulares, telefones em geral. Mas era chato não conseguir identificar chamadas perdidas. Será que era ela? Imediatamente, recordou-se daquele sorriso fácil e da mania que ela tinha de mexer na franja. Estava com saudade, ligaria no fim do dia, talvez para combinar um cinema no domingo. Aí lembrou-se do tal show que ela disse ter comentado. Imaginou que não seria uma boa ideia, já que ela poderia retomar algum tipo de cobrança ou ser bem blasé reforçando que "tudo bem, irei com as meninas".

Tomou café sozinho. A mãe cobriu o bolo, o pão e a garrafa de café com um pano.

- Filho, o queijo e o suco estão na geladeira.

"Roubou" o jornal do pai para ir lendo as notícias no ônibus. Na verdade, o guia cultural para saber que filmes estavam em cartaz. A semana voou e ele nem viu passar.

Continua