quarta-feira, dezembro 28, 2005

Prosaicos Prazeres

Tomar café com amigos, mesmo que seja num shopping lotado. Ver um filme em boa companhia, mesmo que a produção não marque para sempre sua existência. Assim foi minha tarde e começo de noite. Amanhã pode ser que haja mais. Ou não. Por conta do clássico corre-corre pré Reveillon tudo pode melar...



Engraçada é a sensação de despedida. Todas as noites olho para as paredes do meu quarto e imagino como será meu próximo quarto (e quando será meu quarto de fato). Tento prever outros cheiros, gostos e caminhos. As perguntas das pessoas são as mesmas: "quando você vai?", "onde vai morar?", "vai trabalhar em quê?", "como sua família e seu namorado reagem a essa mudança?"...Por aí vai. Por enquanto, por aqui fico.

domingo, dezembro 25, 2005



Hohoho, que ressaca! Todo ano eu juro que não vou extrapolar com o vinho, mas sempre fico sem saber como era o gosto da ceia. Muitos presentes bacanas, risos e no fim, uma casa mega bagunçada para arrumar.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

E ontem tive amigo oculto com a turma do Agenda no Estabelecimento (ou Bar do Gibi, como queiram). Foi divertido, como sempre. Saí com a Samira (dei um CD da Nina Simone) e a Maíra saiu comigo (ganhei o Franz Ferdinand). Vou sentir saudades de todos eles, dos bares de BH, de saber corretamente meus itinerários. Já defini a data de partida para São Paulo. Dia 08 de janeiro minha vida ganha outro rumo.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Ótima Notícia

EUA querem bloquear celulares em cinemas e teatros

A National Association of Theater Operators, associação que dá assistência aos cinemas e teatros norte-americanos, dará um passo importante contra os chatos que insistem em deixar os celulares ligados durante apresentações. A idéia é tornar possível algo que já acontece na França: o bloqueio total de sinais de telefones celulares dentro dos cinemas e teatros.

A briga é boa, já que a medida não parece agradar à associação que cuida da telefonia móvel, pois fará com que eles percam dinheiro com as ligações que poderiam ser feitas ou recebidas durante o espetáculo.

O problema poderia ser facilmente resolvido se as pessoas mudassem o recebimento da chamada de toque para vibração, praticamente inaudível durante o filme. Isso permitiria que ligações emergenciais pudessem ser atendidas, afinal, acidentes acontecem, às vezes nas piores horas.

A discussão vai longe e, quem sabe, acontecendo por lá chega aqui também. Aí só faltará bloquear a língua das pessoas que insistem em conversar - e inclusive comentar o filme - dentro do cinema.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Universo Paralelo

Infelizmente, não consegui até hoje colocar links permanentes por aqui. E cada vez mais, leio menos blogs alheios (visito o de amigos e olhe lá). Mas sempre que posso, leio o hilário Suburbia Tales. Adorei esses posts:

Mistério Solucionado

Hoje descobri porque suburbano sempre leva bolo para casa depois de qualquer festa.

Estava no micro-ônibus retornando do shopping Nova América quando subiram no distinto coletivo uma tia, três crianças e um casal que, suponho, devem ser papai e mamãe dos agitados infantes. Cada uma das mulheres portava bolsa pendurada e um pratinho de plástico com bolo embrulhado no guardanapo e docinhos.

A tia, bem espaçosa, ficou de pé no corredor, encostada em uma das cadeiras, falando (alto, claro) com os pais que se ajeitavam na última fileira de maneira a deixar as crianças na janela. A conversa não passava daquele colóquio flácido habitual de tias solteiras: falar que tinha homem dando mole, que o pai da criança que deu a festa estava doidão e que o dono do bufê era grosseiro.

Após falar mal de cada um dos homens presentes à festa donde vinham, uma das crianças pede um pedaço do bolo. Ela abre o pratinho e dá. O pai pergunta:

- Esse bolo ‘tá bom?

E a tia responde:

- Não sei, Waldimilson, eu não comi.
- Pensei que tu tivesse provado, menina - retruca a outra mulher.
- Ah, mas a gente traz bolo pra casa porque na festa a gente come é os salgadinhos, o cachorro-quente, a pipoca…

Não é que faz sentido?

*****

Cena suburbana

batendo palmas no portão (campainha pra quê?)
cachorros latindo insanamente
A dona da casa chega berrando com os cachorros mandando eles calarem a boca, principalmente aquele poodle encardido de rabo sujo que acha que é mais cachorro que o pastor alemão que fica no quintal. Ela se aproxima do portão e uma senhora que ela não conhece está lá no portão.

Das duas uma:

1. A senhora desconhecida é crente e quer vender a Revista Sentinela e tentar converter a dona da casa.
2. A senhora desconhecida estava passando pela rua e olhou pro quintal e viu que na casa tinha um pé de folhas de quebra-pedra e resolveu pedir uma mudinha pra poder plantar no quintal de casa, já que o marido tá sofrenu de pedra no rins.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

E o final de semana foi agitado só para variar. Compras de Natal e quase nenhum momento em casa. Vi King Kong, do Peter Jackson e The Brown Bunny dirigido, roteirizado, produzido e estrelado pelo Vincent Gallo. Quanto ao primeiro, achei longo demais. No momento ilha do gorila, só faltaram aparecer uns elfos porque todas as criaturas imaginárias e da imaginação do diretor entram em cena. Até achei que Nova York ficaria para uma continuação. Cheguei à conclusão de que não gosto da narrativa do Peter Jackson. Pura implicância mesmo. Não tem gente que, por mais que o Spielberg faça filmes bem feitos não engole o cara? Eu tenho a mesma relação com o "Senhor dos Anerds". O Brown Bunny, por sua vez, é mais interessante. No entanto, as músicas não careciam de legendas em português. Estava feliz porque no Belas Artes ninguém conversa na sessão e nem fica chutando a cadeira, porém isso durou pouco. No momento final da fita (quando rola uma cena de sexo explícito), o tiozinho da cortina entrou na sala, sentou e virou o motivo de desconcentração e comentário geral. Depois - e para coroar a comilança do findi - eu e Alê fomos com Fred e Marília comer pizza.



quinta-feira, dezembro 15, 2005

R.S.V.P

Desde os primeiros eventos de confraternização de final de ano da categoria jornalistas dos quais participei, resolvi abolir de minha vida esse tipo de festa. Sim, eu rasgo convite sem dó nem piedade porque festa com imprensa reunida significa cerveja de má qualidade quente, buffet escasso, pagode ou axé para dançar no final e, principalmente, um muro de lamentações. Jornalistas que trabalham em redações falam mal dos chefes numa escala que pode variar do editor ao presinte do veículo. Assessores de Imprensa falam mal de determinados clientes ou ex-clientes. Todos falam mal do mercado e todos falam mal uns dos outros. Aí resolvi interagir com outras tribos e constatei que a queimação do Judas é geral. Publicitários falam mal de agências, clientes e colegas. Coorporativos falam mal das empresas, fornecedores e colegas e assim por diante.

A roupa acaba sendo o código que diferencia as línguas ferinas por opção profissional. Entre os jornalistas vai do chinelão riponga desleixado ao tailleur metido à besta da colunista sexagenária de moda. Parece BH Shopping na véspera de Natal: dá de tudo. Os publicitários são as pessoas coloridas e suas festas idem. As bebidas e comidas são sempre as "contemporâneas" e um DJ comanda a festa com hits óbvios. Já os cooporativos mestres nas escalas de cinza e preto, "ousam" com um vermelho aqui e um amarelo acolá. Acessórios discretos porque até para sair para balada eles fazem o que as revistas Exame e a Você S/A mandam. Festa de grande empresa tem banda, sorteio de brinde e nunca faltam Roupa Nova e Frenéticas para fazer a pista bombar. E quer saber? Com médicos, advogados, biólogos e engenheiros são poucas as variações sobre o mesmo tema. Por isso que esses pequenos cirquinhos dos horrores de nossas vidas profissionais acontecem uma vez por ano.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

As 24 horas de cada dia da semana que passou foram poucas...Acho que fica até complicado resumir. Muito trabalho, mas sem o estresse e a pressão de outrora. Muita chuva, muito brinde e muito riso! Na véspera de feraido fiz um jantar para os agendianos em minha casa. O menu: lingüini picante e lingüini ao funghi chileno. Foi das noites mais divertidas dos últimos tempos. Alguns - inclusive eu - no momento "performance toda hora é hora" e outros de espectadores. Rolou cupidagem, bandinha imaginária e ressaca (óbvio) no dia seguinte. Valeu a pena - e como valeu -uma noite aos meus amigos para sempre! O feriado, pero no mucho, seguiu com DVD light Kate & Leopold.



Consegui não matar nenhuma aula de spinning e fazer os releases mais ou menos no prazo. Sexta, sem trégua de São Pedro, vi mais um filme: Monsieur Ibrahim



E o melhor da semana ainda estava por vir. Passei o sábado quase inteiro com uma das criaturas mais sensacionais que já conheci em 28 anos: Elke Maravilha. Ela veio a BH a convite do Ronaldo Fraga. Quando chegamos em Confins para buscá-la, estava rodeada de fãs. No percurso, no almoço do Xapuri só deu ela: super fabulosa. Lógico que adorou mamãe e disse que são "da mesma enfermaria". Elke fala 10 línguas, sabe tudo de astrologia, mitologia, enfim, como disse Ronaldo, é um privilégio saber que existe alguém como ela no mundo! Foi dos melhores dias desse ano de 2005, finalizado com jantar romantiquinho no Mi Luccia!



E para fechar, com chave de ouro, domingão com amigo oculto Noir no Aurora. Almoço espetacular, caipisakê com jaboticaba, champanhe, fotos, mais "quanto riso, quanta alegria". Não satisfeita, encarei cinema de shopping lotado para ver esse aqui...

domingo, dezembro 04, 2005

Fim de semana Lars Von Trier.

Vi dois filmes do dinamarquês (no segundo ele assina o roteiro): Manderlay e Querida Wendy. Gostei muito da seqüência de Dogville e não curti nenhum pouco o clube das armas dos perdedores. Aliás, achei um dos piores filmes de 2005. No mais, o projeto dieta ficou para 2006 porque ingeri calorias além da conta no sábado e no domingo.



quinta-feira, dezembro 01, 2005

Acabo de voltar do meu "bota-fora" do Agenda no Bar do Antônio e ler o cartão coletivo da turma. Eu que não queria chorar, desabei. Coisa mais linda as homenagens que recebi. Cada presente, cada abraço, cada palavra. Nunca me esquecerei de nada...Mais uma vez: amo vocês!

E eis meus últimos escritos por lá:

Aos amigos da Rede Minas
Houve um dia, nos idos de 1996, quando eu fazia estágio na Arte do qual nunca me esquecerei. Fui ao banco, no meio do expediente, raspei o tacho e coloquei todo meu pagamento na carteira, dentro da bolsa no mesmo lugar de sempre. Como vivia em trânsito para o segundo andar, só percebi que a quantia tinha sumido no fim do dia. Nem tive tempo de me lamentar. Imediatamente, os funcionários passaram uma “sacolinha” por todos os andares para repor o prejuízo. Quando recebi a lista, vi nomes de pessoas que eu mal conhecia e então chorei para valer. Sempre que eu me lembro de cada um de vocês, penso em solidariedade, companheirismo e na determinação de vencer injustiças. E toda vez que alguém me diz, com desilusão, que a regra do mercado de trabalho é “puxar o tapete”, conto essa história.
É dessa Rede Minas que eu sentirei saudades. Da que me acolheu depois de minha formatura e que tanto me ensinou. Nem sempre, claro, foi da forma mais fácil, menos estressante porque em toda casa tem riso, bronca, lágrima, dores e delícias. Dos tempos da “ronda” de final de semana na Redação até as reportagens do Agenda, provando delícias em botequins e causando inveja geral, tive o privilégio de contar, na maioria das vezes, com a parceria de profissionais extremamente competentes e porque não dizer, amigos. Foram eles que me deram e dão segurança para seguir por outro caminho. Como disse Hegel: “o ser humano só é realmente grande, quando age movido por grandes paixões”. E essa foi minha grande paixão por quase oito anos.

A despedida é mais difícil do que se imagina. Podem acreditar. Ainda mais para quem conseguiu conhecer pelo menos um pouquinho de cada andar, de cada pessoa, porém não o suficiente porque precisa entrevistar, precisa colocar o programa no ar, precisa correr contra o relógio...

Ao final, vejo que a Rede Minas sempre terá algo que as outras não têm. Profissionalmente existem sim os que podem se dar bem em qualquer lugar. No entanto, essa não é nem de longe a maior qualidade de pessoas tão queridas, dedicadas e que sempre serão minha escola, meu referencial. Muito obrigada por tudo! Beijos! Ludmila


Meus queridos Agendianos:
Eu gostaria de não ter que me despedir, mas um dia vocês verão que chega a hora, como naquela máxima de Mark Twain: “Daqui há 20 anos você estará mais desapontado pelas coisas que não fez do que pelas que fez. Portanto jogue fora as bolinas. Navegue para longe da baía segura. Pegue o vento da aventura em sua jornada. Explore. Sonhe. Descubra”.

Talvez seja este o momento mais difícil e crucial da minha passagem pelo programa, que para mim foi mais do que os cargos que ocupei. Por alguns momentos, nesses últimos dias, me lembrei de “Funeral Blues”, de W.H Auden:
“Pare os relógios, cale o telefone
Evite o latido do cão com um osso
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie
a vinda do caixão, seguido pelo cortejo.
Que os aviões voem em círculos, gemendo
e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu.
Ponham laços pretos nos pescoços brancos das pombas de rua
e que guardas de trânsito usem finas luvas de breu.
Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste
Meus dias úteis, meus finais-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, minha fala e meu canto.
Eu pensava que o amor era eterno; estava errado.
As estrelas não são mais necessárias; apague-as uma por uma
Guarde a lua, desmonte o sol
Despeje o mar e livre-se da floresta
pois nada mais poderá ser bom como antes era.
Aí percebi que meu jeito ariano exagerado estava “processando placa” além da conta porque, de alguma forma – e como disse Rodrigo Bernardes fã do Agenda – um pouco de mim sempre estará com vocês e de vocês comigo. Quero levar um pedacinho da competência da Aninha, do companheirismo da Duda, da maluquice da Bete, da boa vontade do Tiba, da doçura da Bárbara, do alto astral do Paulo, do carinho da Samira, da sensibilidade do João, do papo no divã do Dênio, da afinidade Rock com a Mariana, da empolgação da Maíra, da risada do Nivaldo, da tranqüilidade do Tomaz...Tem mais gente? Hehehe! Bom, o Peste e o Chileno eu queria levar para São Paulo e montar uma equipe de externa só para pedir uma coca-cola depois da entrevista e a entrevistada em questão dar mole para nosso iluminador, como sempre.
Vocês sabem o quanto todos e cada um, à sua maneira, são importantes para mim. O quanto me ensinaram nesses períodos – longos e breves - de convivência. A gente passou por tanta coisa: quebrou o pau, riu demais, chorou muito, ficou ansioso, vibrou com resultados (tá parecendo editoria de esporte, né?), processou placa (de novo), ripou o que não valia em nome do que sempre acreditamos: produzir o melhor programa de cultura do Brasil. Vou morrer com essa convicção. E no fundo, eu só deixaria o Agenda, se fosse para deixar a cidade. Não deu outra.
Para vocês
A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.

Afinidade é não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo para o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo. Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado. Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. Mas quem sente com, avalia sem se contaminar. Compreende sem ocupar o lugar do outro. Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.
Arthur da Távola

PS: Aléxis: cuida bem dessa turma. Agora eu sei que ela está em ótimas mãos. Boa sorte!