quinta-feira, dezembro 15, 2005

R.S.V.P

Desde os primeiros eventos de confraternização de final de ano da categoria jornalistas dos quais participei, resolvi abolir de minha vida esse tipo de festa. Sim, eu rasgo convite sem dó nem piedade porque festa com imprensa reunida significa cerveja de má qualidade quente, buffet escasso, pagode ou axé para dançar no final e, principalmente, um muro de lamentações. Jornalistas que trabalham em redações falam mal dos chefes numa escala que pode variar do editor ao presinte do veículo. Assessores de Imprensa falam mal de determinados clientes ou ex-clientes. Todos falam mal do mercado e todos falam mal uns dos outros. Aí resolvi interagir com outras tribos e constatei que a queimação do Judas é geral. Publicitários falam mal de agências, clientes e colegas. Coorporativos falam mal das empresas, fornecedores e colegas e assim por diante.

A roupa acaba sendo o código que diferencia as línguas ferinas por opção profissional. Entre os jornalistas vai do chinelão riponga desleixado ao tailleur metido à besta da colunista sexagenária de moda. Parece BH Shopping na véspera de Natal: dá de tudo. Os publicitários são as pessoas coloridas e suas festas idem. As bebidas e comidas são sempre as "contemporâneas" e um DJ comanda a festa com hits óbvios. Já os cooporativos mestres nas escalas de cinza e preto, "ousam" com um vermelho aqui e um amarelo acolá. Acessórios discretos porque até para sair para balada eles fazem o que as revistas Exame e a Você S/A mandam. Festa de grande empresa tem banda, sorteio de brinde e nunca faltam Roupa Nova e Frenéticas para fazer a pista bombar. E quer saber? Com médicos, advogados, biólogos e engenheiros são poucas as variações sobre o mesmo tema. Por isso que esses pequenos cirquinhos dos horrores de nossas vidas profissionais acontecem uma vez por ano.

2 comentários:

  1. Gustavo10:52 AM

    Oi Ludmila, que otima essa cronica...mandou muito bem!
    Tipo aquela coisa assim... "tudo que eu sempre pensei e nunca consegui expressar".
    Na mosca!

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  2. Ei, Gustavo! Valeu pelo comentário. Às vezes me acho um pouco ácida, mas não adianta brigar muito contra a natureza né? Abraços!

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