quarta-feira, julho 30, 2008

Em dia de ressaca light...

...Acho que deveria ser instituído uma espécie de "holiday, celebrate". Nesse momento ouço Madonna, ainda com uma certa sensação de embriaguez. Um brinde ao vinho de altíssima qualidade servido ontem no coquetel que fui na Casa Fiat de Cultura. Nada daquele mal estar monstruoso. Apenas umas estrelinhas e passarinhos coloridos girando ao redor da minha cabeça.

Quem bebe adora teorias. Desenvolvi várias na noite passada junto com os convivas. Foi daqueles momentos que eu, Marianinha e Manu apelidamos como "drunk clowns" (palhaças bêbadas) em que a pessoa manguaçada em questão mantém o humor e a linha fina (ou acha que mantém). Nada de dar bafon para se arrepender e acordar com a depressão como o sentimento do mundo. Porém há pequenas transgressões que viram clássicos particulares.

Um clássico desses meus momentos "drunk clown" é ficar amiga do garçom do cafezinho servido na saída. Assim, ele me fornece guardanapos para eu enrolar bombons que serão apreciados no manhã seguinte. Uns quatro bastam, como já aconselhou Glorinha Kalil em dicas de etiqueta. Como eram do Bouquet Garni, levei um a mais porque realmente eles são irresistíveis e dei para o querido Rafinha que faz aniversário hoje.

terça-feira, julho 29, 2008

Por que quando a inspiração vai embora, dou um ctrl+alt+del

Pensamento Único - Antônio Prata

A calabresa está com os dias contados. É a próxima vítima na cruzada puritana que assola o Globo. Quando a última bituca for apagada no fundo do derradeiro copo de chope, pode anotar: eles virão atrás da lingüiça.

A caçada, na verdade, já começou. Ontem à noite, num bar, uma garota em minha mesa resolveu desafiar o espírito do tempo e pedir ao garçom, sob olhares atônitos dos outros comensais, um sanduíche de calabresa. O resto da turma a olhou, incrédulo. Diante de suflês de abobrinha, saladas verdes e outros corolários anódinos do auto-controle, pareciam dizer, cheios de orgulho e inveja: você não sabe que não se pede mais esse tipo de coisa?!

Por enquanto, a repressão é apenas cultural, mas é assim que começa. Em breve os carnívoros começarão a ser hostilizados em restaurantes. Depois, quem sabe, serão obrigados a usar estrelas vermelhas costuradas à roupa. Daí para os cercarem em guetos e você-sabe-bem-como-essa-história-termina é apenas um passo.
A moda agora é das comidas funcionais. Suco de berinjela, salada de alfafa, meia uva com três grãos de gergelim... Tudo pelo bom funcionamento do sistema digestivo, como se fôssemos meras máquinas a serem reguladas. Daqui a pouco o garçom vai perguntar, enquanto toma nosso pedido: “quer que dê uma olhada no óleo e na água?”.

Podem dizer que é para o nosso próprio bem. Que a gordura mata e o agrião salva. Amém. Acredito, no entanto, que a opção preferencial pelas fibras nada tem a ver com a saúde do corpo mas, sim, com uma doença da alma: o sabor está ficando démodé. Há uma espécie de ascetismo religioso nessa austeridade dietética. Um júbilo penitente pelo auto-controle. Segundo o novo moralismo alimentar, os gordos são preguiçosos, os carnívoros são lascivos e quem pede uma calabresa, de noite, na frente dos outros, só pode estar completamente fora de sintonia com a própria época.

A questão é séria e requer uma atitude. Glutões de todo o mundo, discípulos de Baco, cultores do bom, do belo e do supérfluo, uni-vos: o prazer subiu no telhado. Ponham as carnes na grelha, aumentem o som, abram um vinho, reajam! Antes que seja tarde e o mundo se transforme numa barra de cereal. Light.

sábado, julho 26, 2008

Uma constatação

Se tédio resultasse numa morte fulminante, eu não estaria escrevendo esse post. Morreria, aliás, num final de semana ou mesmo num feriado prolongado (estatisticamente enfadonhos ao longo dos meus 31 anos).

quinta-feira, julho 24, 2008

Listando obsessões

Porque a gente nota que está ficando velho quando pára de procurar novas bandas na internet, fica ouvindo aquelas canções "do seu tempo" e começa a desenvolver manias. Minhas obsessões atuais (ou eternas em alguns casos), que podem até ser banais, listadas de forma desordenada, são:

- Correr na esteira ouvindo Ramones, ACDC, Madonna e Michael Jackson (quando ele era preto).
- A música "The Greatest", da Cat Power.
- O Jude Law em "My Blueberry Nights" (somente).
- As frases do Coringa.
- A trilha de "Viagem a Darjeeling".
- Ignorar todos os programas de televisão.
- Conhecer Paris.
- Abandonar Belo Horizonte.
- Abandonar o jornalismo.
- Sites de gastronomia, culinária, decoração e design.
- Livros sobre gastronomia e culinária.
- Colocar em prática receitas do meu curso de culinária.
- Tomar pelo menos uma taça de vinho por dia.
- I ching diário.
- Acupuntura semanal.
- Café (umas 4 xícaras por dia no mínimo).
- Um chokito quando quero me lembrar da infância.
- Dançar quando estou sozinha em casa.
- Meus lenços e echarpes antigos (inclusive os da vovó) que estou tirando do baú e usando de várias formas.
- Umas três novas tatuagens, que deverão ser feitas numa tacada só.
- Férias.
- Uma nova cortina para meu quarto.
- Móveis da sala que combinem com minha mesa lateral e cristaleira, ambas antigas.
- Uma cozinha que caiba mais de uma pessoa.
- Meu cabelo grande pela primeira vez desde os 18 anos.
- Feira de rua.
- Mercadões.
- Antiquários.
- Ir ao show da Madonna com amigos bem animados.
- Retomar aulas de conversação.
- Retomar a terapia.
- Colocar em prática um projeto que engavetei há anos.
- Fazer um pic nic num dia de semana.
- Voltar esse ano ainda a mi Buenos Aires querida.
- Ter tempo.

segunda-feira, julho 21, 2008

O mundo de Derby

O trocadilho do título é meio infame, mas como eu utilizo o slogan "O mundo de Malboro" para situações inverossímeis (e pomposas), resolvi postar sobre o lado b dessa piada interna.

- Outro dia peguei um táxi na saída do espetáculo "O Oratório de Aurélia" (lindo, lindo, estrelado pela neta do Chaplin). Estava quietinha com meus pensamentos (coisa rara) quando o motorista aumentou o volume do rádio. Não é que o programa Good Times, da BH FM, ainda existe? Depois de tocar uma música bem melosa de uma dessas pop stars bregas tipo Celine Dion, surge uma voz: "Meu nome é Maria Aparecida, tenho 40 anos, sou solteira sem filhos e desejo conhecer homens a partir dos 60 anos para relação séria"...Como se não bastasse, a ouvinte deixa o celular para quem quiser ligar. Achei um pouco surreal, porém atinei para o fato: no "mundo de Malboro" isso existe nos chats e orkuts da vida.

- A outra cena foi hoje, quando passei em casa voando para vestir um traje meio corporativo, para uma reunião idem. Fabiana passava roupas ouvindo Extra FM, que anunciou um show da dupla sertaneja Don& Juan. Sensacional, pensei. Eu na minha proposta de ouvir ipod no carro e, no máximo, CBN estou totalmente por fora do que faz sucesso no "mundo de Derby". Lembrei-me de quando era criança e acompanhava a Augusta ouvindo a rádio Globo, esperando ansiosamente pela previsão da Zora Ionara para Áries. Hoje, no "mundo de Malboro" cogito receber SMS do Quiroga no meu celular e penso que deveria olhar com mais regularidade para além da minha redoma pequeno burguesa. "O mundo de Derby" é muitas vezes mais divertido e escrachado!

quarta-feira, julho 16, 2008

"Eu não sou um monstro, sou a vanguarda"




Que um dos maiores legados que Heath Ledger deixou foi o personagem Joker, muitos irão concordar na sexta quando Batman - O Cavaleiro das Trevas estréia no circuito brasileiro. O personagem dá calafrios e diverte de uma forma extremamente mórbida. Ele é a alma do novo filme do Christopher Nolan, que colocou no chinelo todos os super heróis que estiveram ou estarão nas telas em 2008. Com certeza, irei rever.

sexta-feira, julho 11, 2008

...

Hoje, mais do que as outras vezes, tive vontade de deletar essa página para sempre. Para que se ter um blog? Por que expor minha vida dessa maneira? Já cogitei várias vezes mudar de endereço, ficar no anonimato, escrever sem rodeios o que eu eventualmente omitiria por aqui, mas simplesmente não adianta. Eu acabaria dizendo - mesmo que para poucos - para onde me mudei porque, afinal, eu não mudo mesmo! Então fico escrevendo e deletando esse post, pensando se devo publicá-lo, ouvindo a Cat Power bem alto, na sala vazia. Meus joelhos doem por conta da maldita invenção de correr. Coisa que não serve para o meu biotipo, porém sou teimosa e não só não aprendo, como insisto. Queria estar tão longe daqui nesse momento...

quarta-feira, julho 09, 2008

Antônio Prata

Acho que esse texto é antigo, embora tenha sido postado hoje no blônicas. Acho que li no Guia do Estado, quando ainda morava em São Paulo. Ou no blog dele, que leio sempre. De qualquer maneira, adoro o que ele escreveu (assim como costumo adorar o que ele escreve) e, por mais melancólico que seja, isso me soa muito familiar.

Cruzamento.

De Antonio Prata.


Vou para o dentista, duas da tarde, meu carro corta com esforço a geléia modorrenta em que o ar se transformou esses dias. Um casal de adolescentes começa a atravessar a rua, de mãos dadas, à minha frente. Eles dão uma olhada para o meu carro, de leve, calculando. A garota faz menção de apressar o passo, o garoto a dissuade com um olhar de esguelha e, talvez, um discretíssimo aperto na mão. Eles seguem seu ritmo, lento, rumo a outra calçada.

Se nenhum de nós mudarmos nossas velocidades, acabarei por atropelá-los. É evidente que eles sabem disso, como é evidente que isso não acontecerá, pois eu venho devagar e basta pisar de leve no freio e pronto, saímos todos, são e salvos, eu para o dentista e eles para a casa dos pais de um deles, onde se deitarão numa cama de solteiro, embaixo de uma parede cheia de fotos e posteres e frases de canetinha hidrocor tipo Ju-eu-te-amo-amiga!, e descobrirão que a vida é boa.

Este pequeno acontecimento me atinge em algum calo das minhas neuroses urbanas. Irrito-me porque eles fingiram que a velocidade deles estava certa, mas sabem que, se não morreram atropelados, é porque eu diminuí o ritmo. Mais ainda, talvez, porque o garoto passou para a menina a idéia, naquele olhar fugaz, de que com ele ela estava segura, de que era só confiar e tudo daria certo, eles chegariam ao outro lado da rua, depois ao outro lado do mundo, se quisessem, e seriam felizes para sempre. Mas foi o tiosão aqui quem tornou a travessia possível.

Percebo então que quem atravessou a rua à minha frente não foi um casal de adolescentes, foi a adolescência em si. E quem freou o carro não fui eu, mas a idade adulta. Pois é assim que a adolescência lida com o mundo. Não capitula: arrisca, peita. “Imagina, se eu mudo meu ritmo, o mundo é que se acostume a ele!”, e porque os adolescentes têm um anjo protetor dos mais poderosos, ou, pelo menos, uma sorte do tamanho de um bonde, acontece de chegarem, quase sempre, sãos e salvos do outro lado da rua.

Já a idade adulta pondera, põe o pé no freio quando convém, faz concessões ao mundo, dirige afinado com a sinfonia dos outros, dentro dessa outra geléia modorrenta cujo nome, hoje, soa tão adolescente: sistema. E por isso me irrito, porque ali, naquela rua, diminuindo meu ritmo, me percebo velho, adequado, apascentado. Eles vão no ritmo deles, a realidade que se vire e é assim, distraídos, que mudam o mundo.

Antes do Vencimento

Uma detalhada e desagradável sessão de fisioterapia para lembrar que o joelho é uma paçoca, a coluna faz um "s" de tão torta, a pisada é brusca de tal forma que a sensação de que o pé vai quebrar a qualquer momento é mais que uma bomba-relógio. Tudo isso para quê? Correr mais ou, digamos, profissionalmente.

Cansei de spinning, mas não tenho expediente para aulas convencionais de ginástica. Daí vou atrás dessa "tendência do "fitness". Num esquema quase personal, investi numa palmilha super cara (e um novo tênis idem) para amenizar os estragos da infância usando bubble gummers e conga nas atividades de alto impacto, como queimada e pular corda; da adolescência quase sedentária, que introduziu na minha vida o salto alto como forma de socialização ou tentativa de adequação a determinado grupo; e, finalmente, dos esforços de se recuperar o tempo perdido na vida adulta, sob os pisantes mais variados.

Como o tema do dia foi a precaução, aproveitei para pagar as contas antes do vencimento e acabar logo com o ímpeto de pegar o salário todo e repassar para uma agência de viagens com o propósito de comprar uma passagem de ida para onde aquela quantia de dinheiro der...