segunda-feira, abril 26, 2010

Um dia sem chatos

Eu separo o lixo, desligo a luz por uma hora nessas campanhas mirabolantes, tomo banhos de até 15 minutos, assino petições contra agressões a animais, participo de grupos e mobilizações contra políticos corruptos (redundância), sou a favor do casamento gay, do aborto em determinadas circunstâncias e contra a pena de morte. Faço doações para vítimas de catástrofes, nunca levei sal ou fubá para eventos beneficentes, passo por cima do meu nojinho pessoal para fazer xixi no banho...

Não sou panfletária, ecochata ou politicamente correta ao extremo. Me acho até gente fina, pois do meu jeito - lendo Dalai Lama, oráculos, alongando e respirando fundo - procuro exercitar todos os dias a minha tolerância. Se existe algo que eu gostaria de melhorar nessa minha encadernação é a capacidade de ser serena quando alguém me irrita profundamente, de responder sem ironia a uma pergunta estúpida ou atender com simpatia o pedido de uma criatura folgada.

Isso segundo o Dalai Lama e a Monja Coen não é ser passivo. A tolerância e a compaixão são extremamente ativas. Eu é que não consigo todos os mecanismos necessários para chegar a esse estágio por completo...Ao menos por enquanto.

Então fico pensando que se os outros fizerem um pouquinho do "para casa", o mundo seria melhorzinho. Minha proposta começaria por um dia sem chatos. Nesse dia - que poderia ser uma segunda - ninguém poderia amolar o outro, reclamar com o outro, ser folgado ou grosseiro. Nenhum serviço seria oferecido por telemarketing de banco ou de operadora de telefonia, nenhum amigo faria um pedido que fosse uma saia-justa ou obrigaria você a fazer um programa de índio. Os entes seriam queridos. Mesmo que fosse só nesse dia.

Eu tenho uma lista enorme de itens para o dia sem chato. Uma lista totalmente pessoal, já que a genérica foi bem compreendida na explanação acima. E aí, alguém se habilita a me ajudar na campanha?

quinta-feira, abril 08, 2010

Cazuza

O NOSSO AMOR A GENTE INVENTA

O teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer

E o meu, poesia de cego
Você não pode ver

Não pode ver que no meu mundo
Um troço qualquer morreu
Num corte lento e profundo
Entre você e eu


O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu


O nosso amor
A gente inventa
Inventa
O nosso amor
A gente inventa

Te ver não é mais tão bacana
Quanto a semana passada
Você nem arrumou a cama
Parece que fugiu de casa


Mas ficou tudo fora de lugar
Café sem açúcar, dança sem par
Você podia ao menos me contar
Uma história romântica


O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu

O nosso amor
A gente inventa
Inventa
O nosso amor
A gente inventa


*Nem Chico, Gil, Caetano ou Ney...Meu cantor/compositor de MPB favorito ever é o Cazuza. Tem horas que eu até acho que ele é meu alterego e vice-versa. Também, ele nasceu dia 04 de abril e tudo que ele cantou eu sinto de uma maneira até assustadora. Hoje passei o dia me lembrando dessa música. E dessa outra:


EU QUERIA TER UMA BOMBA


Solidão a dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto, eu penso em suicídio
Mas no fundo eu nem ligo

Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder me livrar
Do prático efeito
Das tuas frases feitas
Das tuas noites perfeitas

Solidão a dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto eu penso em suicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder te negar
Bem no último instante
Meu mundo que você não vê
Meu sonho que você não crê

segunda-feira, abril 05, 2010

B-day



A primeira festa de aniversário a gente esquece, mas sempre tem uma lembrança do fundo do baú.

domingo, abril 04, 2010

Para minha melhor amiga, que levou seu brilho para o céu

Marianinha, te amo muito!

Funeral Blues

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message She is Dead.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

She was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods;
For nothing now can ever come to any good.

W.H. Auden

quinta-feira, abril 01, 2010

"Quem aqui como eu tem a idade de Cristo quando morreu?"

Faltam quatro dias para o meu aniversário: 33 anos. Eu que já quis muito fazer 18, eu achava que morreria como meus herois aos 27 (sim, sou um pouquinho dramática), eu que fiz festa de 30 em São Paulo e Belo Horizonte, eu que ganhei comemoração surpresa nos 24, eu que no ano passado fiz celebração temática do Radiohead, eu que já vivi meus cumpleaños desde botecos "copo sujo" ao finíssimo e saudoso restaurante Aurora.
Aniversário sempre foi fundamental para mim. Desde que me entendo pela minha existência. Só para contrariar um pouquinho minha tendência festiva, o dia 05 de abril eventualmente cai numa sexta-feira da paixão ou domingo de páscoa. Nada disso me desmotiva a recrutar os amigos no meu dia. Dia que sempre contei com tanta ansiedade, que meu tio Marco só me chamava de "05 de abril" quando eu era criança. Mamãe chegava a ficar preocupada com minha euforia: não é normal alguém gostar tanto do próprio aniversário, não dormir na véspera dele.
O que sei que minha atitude acabou influenciando os que sempre estiveram ao meu redor. Aniversário é seu dia, dia de fazer o que se gosta. Para mim devia até mesmo ser feriado. Como nasci meio-dia, achava absurdo chegar da escola e comer uma comidinha insossa. Eu esperava uma refeição digna de aniversariante, mais ainda: o empadão três pingos da vovó. De quebra, bolo de chocolate. Mesmo eu que não seja tão fã de doce, esse sempre foi um item indispensável.
Ainda tinha a lista de livros, discos e sugestões de presentes que eu elaborava para facilitar a vida de quem queria me agradar. Na infância era pior: eu literalmente pedia para os meus tios o que queria (e criança não olha cifrão, sugere que o adulto pague no cheque, no cartão). Minha mãe tentava em vão me dizer o quanto isso não era elegante. Mas desde quando um ariano liga para o que alguém diz quando ele quer algo? Heim? Heim? No meu caso, nunca.
Todo o meu cuidado para não ganhar presentes sem graça - tipo meia e calcinha quando se queria uma boneca Moranguinho ou um enfeite artesanal horrível e impossível de se trocar na vida adulta - às vezes era inútil. Eu tinha uma tia que conquistou a proeza de nunca me dar, mesmo que fosse da lista, um presente em perfeitas condições. Sim, ela conseguia me dar um disco do Balão Mágico arranhado, uma sombrinha que não abria, uma caneta com meu nome gravado errado ("Ludimila" e não Ludmila). As desventuras foram tantas que ela que desistiu.
Por que diabos essas pessoas não me deram simplesmente um cartão? Sim, adoro e guardo tudo o que escrevem - de bom - para mim. Cartões valem até mais como lembrança. No entanto, como eu estava ficando muito chata com isso (e cá entre nós, em casa de ferreiro o espeto é de pau, porque meu marido nunca me deu cartão, nem quando namorávamos), decidi abolir mais essa cobrança em torno do famigerado 05 de abril.
No fim, ao longo de 32 anos, reuni um ótimo material para crônicas e casos que amigos acham que são inventados, mas que sim aconteceram de fato. Para o dia 05 de abril de 2010 não quero festa, nem alarde. Nem é porque cai numa segunda-feira. Eu simplesmente não estou no clima da comemoração. Tentei me forçar, pensar em lugares, mudar o dia para adequar às agendas dos convidados e minha rotina de trabalho...Não adianta: eu não consigo forçar a mim mesma a fazer o que não quero de forma tão espontânea. Já faço isso em outras ocasiões e meu aniversário merece a minha empolgação. Se ela não está aqui, eu guardo para o ano que vem. O fato de escrever esse post é mesmo para lembrar ao leitor que, embora não tenhamos bolo, drinks e música, o dia 05 está chegando. Nisso eu sou a mesma criança que fica emburrada quando não ganho "parabéns".