quinta-feira, agosto 27, 2009

Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima

Mais um agosto que se vai. E ao contrário dos supersticiosos, não acho que seja mês de mau agouro. Já tive agostos excelentes e outros nem tanto. Para falar a verdade, nunca fui fã de março por causa do tal inferno astral. Eis que o terceiro mês do ano virou o mês em que comecei a namorar o Ale e, mais importante, o mês do aniversário dele. E, em 2009, a primeira vez que vi o Radiohead num show teve o embalo das águas de março, que fecharam o verão em São Paulo.

Até o momento, o esse ano me sorriu bem pouco. 2008 também foi assim: de escassas alegrias. Só que ao invés de reclamar e fazer mandingas para o próximo ser mais digno, projetar conquistas para os meses que virão, estou tentando fazer isso hoje. Tentando. Então, acordei achando o dia cinza e frio bonito. Adoro dias cinzas e frios. E juro, vou me esforçar para gostar do sol quente, da chuva que não pára, quando eles vierem.

terça-feira, agosto 18, 2009

Ao Jubão

E tudo tem uma primeira vez, que não é tão esperada e surpreendentemente boa.
A primeira vez que viajei para um funeral também foi a primeira vez que dormi num cemitério.
Mas não foi a última vez que vi meu querido tio Fabio, o tio gordo - como ele dizia -, o Jubão.
Se eu for mais generosa, se souber dar a volta por cima diante dos problemas e ter o coracão gigante, capaz de perdoar as pequenas e grandes faltas das pessoas, talvez eu o encontre no outro plano.
Espero conseguir.
Já escrevi sobre meu tio neste blog há alguns anos, quando ele foi morar conosco. Jubão precisou amputar as pernas e poderia ter entregado os pontos ali mesmo.
Com a teimosia de um Azevedo e a emoção do Santos, usou seu talento para a criação de cadeiras de roda e equipamentos multifuncionais que melhoriam a vida de grande parte dos portadores de deficiência. Venceu prêmios, mas ninguém de fato comprou a ideia. Por que? Porque aqui se faz politicagem e até as "respeitáveis ongs" deixam de responder emails quando é conveniente.
Meu primo José disse hoje que irá batalhar para que as criações do pai possam tornar-se acessíveis: elas foram pensadas para quem não pode gastar muito e deve exercer o direito universal de ir e vir. José contou emocionado que o Fabio não inventara as engenhocas para ele mesmo, queria mesmo ajudar.
E queria mesmo. Não é porque é meu tio ou porque estou triste.
Sabe aquele garoto que levava a culpa pelas travessuras do irmão caçula? O cara que enrolou os pretendentes da irmã até que ela se decidesse "quem ficaria com Mary"? Sabe aquele sujeito que tocava música na varanda da casa dos pais no final da tarde? Que elogiava sempre a comidinha da mãe? Que tinha profunda admiração pelo padrinho? Aquele tio que ficou furioso com o ex namorado da sobrinha porque este a largou num restaurante, enquanto ia atender um capricho da progenitora? Aquele tio que diante da tristeza da sobrinha, de perder sua gatinha de estimação, lhe dera de presente outra tão especial que encheria a vida de todos de alegria?
Esse mosaico era meu tio Jubão, o mais bem humorado da família, o que trazia bombons garoto de Vitória, que conversava longamente com os adultos e brincava com as crianças. O tio que nunca deixou de me dar parabéns nos meus 32 anos de vida e que sonhava levar a vovó para passear pelas ruas de Lisboa (e lá eles se esbaldariam com pastéis de Belém, eu aposto).
Quando eu era bem pequena, um desenho do Mickey no armário do quarto dos meus tios me intrigava. Na verdade era a marca de um adesivo retirado do móvel. Parecia uma sombra. Ele, ao me observar contemplando o rato de Disney, afirmou que desenhara a dedo a figura. Eu acreditei por anos a fio. E quando desconfiei da verdade - nada mais sem graça que um adesivo removido - sustentei a versão de que ele era o criador do personagem. E por que não?
Em sua prancheta, ele desenhou mais que pontes, projetos e fez mais que cálculos até hoje impensáveis para mim.
Como a página branca que escrevo, as linhas do tio eram para expressão, para o desabafo, para o sonho.
Se a gente carece de mais gente como o Jubão por aqui, me alivia saber que lá em cima ele estará junto aos melhores, aos que eu mais amo, aos que fazem-me falta todos os dias.

terça-feira, agosto 04, 2009

Férias (bastidores)







Eu amo viajar, embora viaje menos do que eu realmente queira e mereça. E desde que ingressei na chamada "vida adulta", só tirei férias cheias (mais de 20 dias) três vezes: na primeira vez fui para o Rio Grande do Sul, na segunda para Buenos Aires e no final de julho vim para Pernambuco, com minha amiga Cacá.

Descansar mais de 15 dias por ano é essencial, embora não seja possibilidade para todo mundo. Basta trabalhar num lugar que não respeita seus direitos, como eu trabalhei anos a fio ou cuidar do próprio negócio, digamos assim, como agora. Em 2008 eu estava com a faca e o queijo na mão para o recesso. Veio um evento para aumentar o kit estresse e fiquei a ver navios, aviões e até ônibus.

Então, o cansaço acumula, a tolerância diminui e a criatividade...bem a criatividade parece adorar férias nessas horas! Como a necessidade física e mental de pausa é emergencial, você meio que surta e aciona o botão "F", que também fica ao lado do "foda-se".

Mas se fosse simples assim, pessoas como eu ficariam fora de suas casas 30 dias por ano. Esse luxo para poucos vem acompanhado de planejamentos, adequações, ajustes que permanecem até que a gente se desligue de tudo. Quando esse estágio de plenitude acontece, pode ser a hora de voltar.

Há um prazer absurdo em acordar sem despertador, usar shorts e chinelos o dia inteiro, beber uma cerveja segunda pela tarde (vendo o sol se pôr), tomar coca-cola normal, comer fritura sem lembrar das calorias, ficar boiando no mar, ler deitada na areia, catar conchinhas, conversar longamente com pessoas de outras terras, de outro mar...

Só que de vez em quando, bem de vez em quando, bate uma culpa meio cristã mesmo: a gente lembra que tem as contas quando voltar, tem os problemas e seus filhotes (como Quintana, acredito que eles vêm em família), tem a mala para desfazer. Aí você acha que férias podem nem ser tudo isso na vida. Afinal, existe a chance de engordar, de arrumar insolação, ser picado por insetos imunes a autan e raid protector e ficar com brotoejas (o meu caso desde ontem).

Que tipo de pessoa pode ter alergias e restrições durante suas esperadas e sagradas férias? Saia desse corpo workaholic que não te pertence!

Só de birra amanhã (ou daqui a pouco) vou pedir uma tapioca a mais no café da manhã, ficar mais tempo ainda na praia (hoje bati meu recorde), comer camarão e aproveitar porque não sei quando serão as próximas.