segunda-feira, dezembro 31, 2007

Ciao 2007

Em geral, foi um bom ano para mim. Tive boa saúde, conheci Buenos Aires, passei a ganhar mais e, o mais importante, me casei com o homem que eu amo. Citando meu amigo Zubreu, "depois da queda do muro de Berlim, a única bandeira que passei a levantar foi a do amor".

Não poderia deixar de postar um texto parecido comigo no último dia de 2007.


Dúvidas sobre o Réveillon.

De Henrique Szklo.


Por que nesta época do ano todo mundo diz pra você ter boas entradas e depois dá uma risadinha nojenta?

Médico também passa o Réveillon de branco?

Por que Réveillon se escreve Réveillon?

Como é que as pessoas fazem para pular as sete ondinhas no Havaí?

A gente deve comemorar no horário normal ou no horário de verão?

Papai Noel comemora o ano novo?

Por que não escrevemos reveiôm?

Por que os australianos estão sempre comemorando o ano novo antes de todo mundo?

Na região francesa de Champagne você pode comemorar o Réveillon com cidra?

Meia-noite em ponto é o final do ano velho ou começo do novo?

Passar o Réveillon fazendo sexo é garantia de boas entradas?

Os canhotos precisam começar o ano com o pé direito ou com o esquerdo?

Bombeiros também soltam fogos?

Os negócios só vão começar a melhorar depois do carnaval ou no segundo semestre?

Por que no dia 2 de janeiro todas as nossas esperanças já foram por água abaixo?

O que Iemanjá faz com tanta flor?

Dá azar pular as ondas no mar morto?

O Réveillon em Hollywood tem fogos de verdade ou são efeitos especiais?

Quem passa o final de ano completamente bêbado entra com o pé direito na jaca?

Se nos anos anteriores os adivinhos erraram quase todas as previsões, por que é que fazem tudo de novo?

Se todo ano é a mesma merda, por que a gente acredita que este agora vai ser legal?

Se a gente não desejar nada na virada do ano não vai acontecer nada com a gente nos 365 dias seguintes?

Quem está dentro de um avião na passagem de ano pode soltar fogos?

Se no Réveillon a pessoa estiver num parque aquático e pular sete ondinhas artificiais, os seus desejos não serão atendidos?

Desejar que uma pessoa que não tem o pé direito começar o ano com o pé direito é um cumprimento ou uma ofensa?

Começar o ano fazendo piadas de mau gosto é um mau agouro?

domingo, dezembro 30, 2007

terça-feira, dezembro 25, 2007

Mensagem para meus amigos

Porque em 2007 desisti de orkut e sms para dizer o que sinto...


Um espirito baixou em mim ou feliz natal


Amigos e amigas queridos:

Ontem quando o Alexandre e eu íamos devolver um DVD, em meio a um temporal, ficamos por alguns minutos observando um cara chorando sentado em meio a um cruzamento movimentado de Belo Horizonte: o da Getúlio Vargas com Cristovão Colombo, na Savassi. Era um rapaz de mais ou menos 20 anos e, nem de longe, parecia um mendigo. Um carro grande parou e um senhor saiu e começou a conversar com ele. Pela primeira vez, os que estavam atrás não iniciaram o irritante buzinaço.

O sinal abriu e segui pensando naquela cena. O Alê resmungou algo como: "o que é o espírito de natal! Em tempos normais, ninguém pararia para ajudar". Talvez ele não estivesse completamente errado, porém sua constatação me incomodou: será que somos todos hipócritas a ponto de dedicar uma única data no ano para sermos mais humanos? Eu me recuso a ver as coisas dessa maneira.

Discutimos o assunto de modo pouco amigável. Depois ficamos em silêncio, cada qual com sua convicção. Na volta, não havia nenhuma pista do rapaz ou do velho. Chegamos em casa e eu fui para o quarto tentar ler. Ao invés disso, fiquei recordando gestos de algumas pessoas que tornaram-se meus amigos leais e imprescindíveis. Acho que tudo partiu mesmo da solidariedade. Lembrei-me do Luiz, que me abrigou por quatro meses em sua casa como se eu fosse da família, da Lili, que me proibiu de ficar isolada com meus pensamentos tristes durante uma crise, da Mari, que num dia em que tudo deu errado na minha vida doméstica, esperou pacientemente para me dar carona até o jornal num sábado de plantão.

Cada um de vocês, que me vinha à mente na madrugada da véspera de natal, trazia consigo a ação necessária para, se não para mudar o mundo, mudar para sempre a vida de alguém. Foi então que o tal espírito de natal baixou em mim. E como em todos os anos, senti a presença da minha adorada vovó Celinha dizendo que o mais importante no dia de hoje é agradecer por tudo que eu tenho. Eu tenho os melhores e mais generosos amigos do mundo. Muito obrigada a vocês, que me fazem crer na delicadeza, no afeto, no respeito e nas boas coisas da vida. Um brinde, como se estivéssemos todos na mesma mesa nos divertindo, como sempre nos divertimos.

Adoro vocês! Feliz Natal!

Beijos,


Ludmila

quarta-feira, dezembro 12, 2007

A Belo Horizonte que eu não amo

Minha cidade completa hoje 110 anos. Nas capas de jornais estamparam cartões postais, como a Avenida Afonso Pena, a Serra do Curral e a Pampulha. Belorizontinos ilustres e os que fazem parte da série "desconhecidos que fazem a diferença" foram personagens de reportagens nos cadernos de Cidades, Cultura, Economia, Esportes, Política. Crônicas exaltaram a qualidade de vida da cidade, a hospitalidade de quem vive aqui...Eu não discordo de nada disso, que fique claro, porém acho que agora consigo enxergar claramente na Belo Horizonte querida aquela que não me faz vontade de sumir e jamais voltar.

Eu não amo a Belo Horizonte que liberou a construção dos prédios horrendos do Belvedere, que impedem a vista das montanhas e a circulação de ar. Não amo a Belo Horizonte que não cuida de suas calçadas, deixando-as como queijos suíços e prejudicando o acesso dos portadores de deficiência, que utilizam as cadeiras de rodas, e até mesmo das madames, que quase perdem o salto e torcem o pé. Eu não amo a Belo Horizonte que demole as casas do início do século 20. Amo menos ainda a Belo Horizonte que permite que aquelas fachadas sejam conservadas meramente para enfeitar edifícios moderninhos. Não amo a Belo Horizonte dos cidadãos que não limpam o cocô de seus cachorros nas ruas, não exigem lixeiras da Prefeitura e lamentam que a capital não seja mais "a Cidade Jardim". Eu não amo a Belo Horizonte que faz questão de ser, no pior sentido, provinciana e achar que isso é motivo de orgulho. Não amo a Belo Horizonte que não tem bons shows, de peso internacional, ou concertos de graça nos parques. Amos menos a Belo Horizonte que não comparece a esses shows quando raramente acontecem. Não amo a Belo Horizonte que cogitou a Lei do Silêncio. Não amo a Belo Horizonte que ainda não possui rodízio para desafogar o trânsito caótico. Não amo a Belo Horizonte que recebe quase todos os produtos culturais- filmes, espetáculos de dança, peças e shows - bem depois do chamado "eixo". Não amo a Belo Horizonte dos maxi e mini guetos: das Patricinhas "ooooi, tá zóia" e dos Mauricinhos marombeiros com corte de cabelo "bunda de pato", dos neo-hippies, dos surfistas de várzea, dos indies que acham que moram em Londres, entre outros. Não amo a Belo Horizonte dos três beijinhos para casar, como se casar fosse a grande meta na vida de alguém. Não amo a Belo Horizonte que não trabalha com cartão de débito no comércio. Não amo a Belo Horizonte que "ama BH radicalmente". Não amo a Belo Horizonte que mal conta com um aeroporto para se fugir para muito longe em caso de emergência. Não amo a Belo Horizonte dos que fecham cruzamento, da falta de sincronia dos sinais, da falta de placas indicativas de ruas, avenidas e bairros. Não amo a Belo Horizonte dos taxistas sem guia de ruas e avenidas, que dão voltas desnecessárias. Não amo a Belo Horizonte que não tem metrôs que atendam a todos. Não amo a Belo Horizonte que suspira com nostalgia pelo Cine Pathé e Café Pérola, sem ter tomado qualquer atitude para torná-los passíveis de funcionamento. Não amo a Belo Horizonte-ovo que impede aquela boa dose de anonimato. Não amo a Belo Horizonte dos que vão há anos no mesmo boteco, na mesma sorveteria e no mesmo clube. Não amo a Belo Horizonte da "tradicional família mineira", do "povo desconfiado" e do "mineiro é tudo pão duro".

Fora isso e mais alguns itens que não constam dessa lista, eu só tenho a desejar a essa "Tubiacanga", "Pequenópolis" e "Belzonte" aniversários mais bacanas (sem show de César Menotti e Fabiano pelo amor de Deus!) porque por mais que eu vá, eu sempre volto. Não consigo ficar sem a Belo Horizonte que eu amo.

domingo, dezembro 09, 2007

Alegría



Eu tinha um certo preconceito contra o Cirque du Soleil. O grande apelo midiático que desde sempre cercou a trupe, somado ao número de celebridades (e pseudo em sua maioria) que batem ponto nas estréias brasileiras, gerando mais fofoca do que notícia no dia seguinte, contribuíram bastante para que eu não movesse uma palha sequer para solicitar cortesias (quando eu trabalhava em jornal) ou checar reservas para comprar um ingresso, nem que fosse por mera curiosidade.

Quando a lona se armou em Belo Horizonte, eu obviamente estava alheia à Alegría, mas não completamente porque as propagandas do Bradesco e American Express não deixaram. Eis que mamãe surgiu com um par de ingressos e sugeriu que eu fosse com minha irmã. Eu já previa que seria um espetáculo de qualidade irretocável, só não contava com o fato de que também seria emocionante.

Durante quase duas horas ficamos hipnotizadas com as acrobacias, saltos mortais e contorcionismos. Palhaços divertidíssimos e criaturas bizarras completaram a performance pontuada por um trilha incrível. Pena eu ter demorado um tempinho para perceber que minha preguiça era uma bobagem. Deixei de assistir ao Saltimbanco. Ces la vie...

Tirando a falta de noção do público (que mesmo sendo proibido, dá um jeito de fotografar e não cala a boca durante uma apresentação artística), foi uma tarde inesquecível. Bem que as superpotências financeiras poderiam viabilizar sessões para os bolsos mirrados. Seria lindo se todos pudessem ter Alegría.