terça-feira, fevereiro 01, 2005

Hoje faz 6 anos

Impressionante como o tempo passa rápido! Há exatos 6 anos eu comecei a trabalhar na Rede Minas. O lugar não era completamente estranho para mim, já que entre 1996 e 1997 ralei um ano por lá como estagiária. A Redação era bastante diferente e as pessoas eram outras. Eu produzia o 2ª Edição. Levantava às seis da manhã. Lia os jornais, separava as notas que chegavam via fax. Computador eu só usava mesmo para a pauta, pois em 1999 não eram todos conectados à internet como são hoje. O pessoal da Apuração passava para gente os acidentes e situações "mundo cão". Fazíamos uma reunião com a Chefe de Reportagem. O Chefe de Redação ligava da Globo (onde ele trabalhava de manhã) para passar outras instruções. A partir de então era cada um por si. Um pautava mais política, a outra geral e eu economia. Mas os papéis se invertiam. Não demorou e eu entrei na maior crise profissional, achando que tinha feito a coisa errada. Ali não era minha praia. Chegar às sete, ficar sem almoço quase todo dia e sair umas quatro, cinco da tarde não só era cansativo como nada promissor. Isso sem contar os plantões de final de semana. O de sábado dava para engolir, no entanto, domingo era depressivo demais!

A luz no fim do túnel chegou quando a Sandrinha foi me procurar oferecendo a vaga de produtora no Agenda! Imediatamente, arrumei uma pessoa para o meu lugar e tentei trocar. Fiquei uma semana no Programa até que a Chefe de Reportagem da tarde disse que abriria mão de qualquer um lá, menos de mim. Foi um momento contraditório, de desespero e coragem. Cheguei no Diretor de Jornalismo e falei que ele podia me mandar embora porque naquele esquema eu não queria mais ficar. Fui cozinhada em banho-maria por um mês. Como "castigo" tive que conciliar a produção do Agenda com Jornal Visual. Eis que o Geraldão, um verdadeiro anjo, me salvou do limbo.

Final feliz por um bom tempo. Conheci uma turma bacana, fiz amigos e comecei a trabalhar com prazer. Um dia meu chefe me colocou na rua para fazer matéria e não me tirou mais. De lá para cá são 5 anos com entrevistados maravilhosos, outros nem tanto. Gente que te trata como ídolo e gente que te trata como uma ameaça à moral e aos bons costumes da TV brasileira. Tem de tudo. Já teve de tudo. E assim continuará. Ver amigos saindo e outros sendo saídos. Chorar, rir, tirar fotos, criar um mural com pérolas, fita com pérolas. Ganhar passaporte de cinema, convite para show. Ter cortesias e presentes confiscados. Sair do 5º andar. Ir para o 4º andar. Viajar. Deixar de viajar. Receber elogios dos entrevistados que mais admira, sem deixar de lado a auto-crítica. Dar o sangue e em algumas circunstâncias ter vontade de dar uma banana.

Tenho certeza de que o dia da minha partida será sofrido, não apenas por causa das pessoas tão queridas que conheci dentro da TV e principalmente do Agenda, assim como pelos meus entrevistados preferidos - alguns dos quais mais do que fontes, "sócios" do programa -, telespectadores assíduos e assim por diante. Por isso, de certa forma, venho me preparando a cada dia, como quem se prepara para ver partir uma pessoa adorada que está nas últimas. Meu ciclo está se encerrando por motivos bem maiores dos que os óbvios. "Cada um sabe o peso que carrega", já disse Dra. Cláudia, minha terapeuta. Quero aliviar meus ombros, minhas costas e minha cabeça.

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