sexta-feira, novembro 18, 2011

All by myself

E chega o dia em que você tem que lidar sozinha com coisas que costumava compartilhar. Olhar, sem a ajuda do outro, se o apartamento vazio para alugar tem alguma infiltração no teto do banheiro, pias com água vazando na cozinha e portas rangendo. Você tem que decidir se segue procurando ou se resolve logo a questão.

"Por que vai morar sozinha?", todos me perguntam.

Dividir é subtrair despesas e solidões. Temporariamente, moro com uma amiga maravilhosa, que foi das poucas alegrias nesse ano ordinário, essa sequência baixo-astral de 2010.

E por que abrir mão dessa pequena dose de felicidade? Por que ficar ouvindo o som da própria voz num domingo à tarde? Numa noite fria? Numa rua desconhecida?

Eu simplesmente preciso, fui levada (por mim mesma) a lidar sozinha com coisas que costumava compartilhar. Com o novo e provisório lar, com a eterna vontade de voltar para aquele lugar que me fez feliz (e também triste e também sozinha), com os projetos adiados que podem estar suspensos para todo sempre (uma viagem longa? Um filho? Um livro?).

Eu preciso entender sem o conselho amigo, o divã, a tarja preta, o floral o que eu venho fazendo da minha vida. Por que eu não economizei dinheiro? Por que, a essa altura, não estou olhando um imóvel para comprar?

Por que não soube lidar com o casamento? Por que não sei lidar com certas ausências, tristezas, falta de gentilezas, pisos sem sinteko, buscas em classificados?

E chega o dia que você tem que lidar sozinha com esse contrasenso de querer compartilhar algum sentimento e, por hora, não dividir isso que é incerto faz cinco anos: um lar.

Essa coisa difícil (e que dói) de querer ser você mesma e de não poder ser você mesma a todo momento. Estar por sua conta. O desconforto do ser demais intensa, nada organizada. A sensação de "minha vida sem mim".

Eu desperdiço horas com o inútil, eu quero ler mais livros, ver mais filmes, rir com minhas amigas, emagrecer quatro quilos, achar um apartamento, encontrar quem me ame assim sem tantos poréns, viver em outra cidade.

E chega o dia que você tem que lidar sozinha. Segurar o choro na marra. A roupa amassada não é o fim do mundo, os sapos que se engole no trabalho alguma hora vão coaxar em outro brejo. Tudo se ajeita, até com a pouca perspectiva de céu azul na maior parte de temporada de chuva.

Não dá mais para cair na tentação de culpar o retorno de Saturno, as escolhas da carreira, o relaciomento que ruiu, os pais por qualquer complexo mal resolvido e a si própria. Há muito com o que lidar.

E sozinha.

4 comentários:

  1. Amadurecimento pode ser a palavra certa (ou a errada). As peças da vida são encaixadas no seu tempo, desde que a gente dê uma mãozinha empurrando tudo para seu devido lugar, não vale esperar a "mudança da lua, do planeta"...

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  2. Exatamente Elaine. Nada muda se a gente não mudar ao menos um tiquinho. Beijo e obrigada pela visita.

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  3. A gente eh amiga, necessariamente sozinhas. Mas essa fase de solitude eh passageira. Aproveite o q ha de bom nela pois um dia vc vai se recordar com carinho. Beijos.
    P.s:eu t liguei ontem pra vc ir la em casa pegar suas coisinhas. Aparece!

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  4. ei amore, eu vi. vou te ligar para conversarmos com calma...fiquei meio offline neste findi. bora encontrar? beijocas

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