sábado, fevereiro 06, 2010

Das intolerâncias irreversíveis - parte dois

Ou ainda, meu sábado.

Sou ariana, do signo de Cazuza, exagerada. No entanto, esse relato é completamente fiel aos fatos. Hoje fui acordada por uma serra elétrica às 8h30. Sei que o barulho é tolerável entre 8h e 22h, que certos reparos são inevitáveis, que peões de obra nunca trabalham no período vespertino...Acontece que a manhã de sábado é ainda mais sagrada que a de domingo. Eu aguentei a semana, o calor, o trabalho, a ansiedade, a dieta, a corrida...O que uma criatura que mora no sexto andar pode pedir a não ser um pouco de paz?

Bem, o sujeito da casa em frente não sabe que para a regra de convivência existir, ele deveria se colocar no lugar do outro. No meu prédio quase todo mundo trabalha, há bebês, idosos. Parece muito pedir um pouco de bom senso, ainda mais porque o tal vizinho era - pelo que corre a boca miúda - da diretoria de uma agência envolvida no Valeriodoto. Ou seja, não posso esperar nada além do desprezo de gente assim.

Findo o barulho, lá pelas 10h, quando começo a tirar um cochilo, a campainha dispara, a porta é esmurrada. Susto. Tenho uma vizinha de andar que tem problemas mentais, é monitorada por empregada e enfermeira, que nem sempre dão conta da função e ela "foge" para o meu apartamento. Nenhum problema com ela, não fosse por ser acordada abruptamente. Não fosse o fato de já estar irritada, desprovida de paciência. Decidi não atender e saí de casa.

Manhã e tarde ótimas na Savassi. Um breve intervalo de tranquilidade, brinde e coisas boas.

Até que volto para a rua da amargura, que terá até altas horas um bloco de carnaval. Gente de abadá fazendo xixi na porta da minha casa, foguetes, cornetas, Bete Carvalho e Gonzaguinha...Todos a festejar o meu sofrer, o meu pesar. Não gosto de carnaval e tenho desenvolvido, nos últimos anos, uma intolerância irreversível a barulho: motos e carros com escapamento solto, playboys que andam com som alto em seus veículos tunados, briga de vizinho, choro de filho pirracento de vizinho, latido de cachorro preso de vizinho, vizinho ouvindo Djavan e acompanhando a canção, grito de "Galo" toda vez que um barulho ainda maior - fogos, trovão, objetos pesados que vão ao chão ou qualquer 0X0 do Atlético - pode assustar a mim ou aos meus bichanos e alarmes, ah os detestáveis alarmes.

Que vizinho é o próximo capítulo desse tratado da intolerância, não há dúvida alguma.

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