terça-feira, abril 12, 2011

You are my joy


Chegar em casa e ver a sala vazia.
A sala vazia, o coração cheio de tristeza.
O coração cheio de tristeza e a saudade que não terá fim.
E o fim, que eu achei que demoraria, me traiu.

Meu gatinho, minha alegria, meu bebê, meu Tétinho, meu caramelinho, meu fofuxo, meu bolinha de pelo, meu amassadinho teve a vida interrompida antes de completar cinco aninhos.
Possivelmente tenha sido a tal sétima vida.
Quando ele tinha pouco mais de um ano, me deu um susto. Uma virose, vários dias de internação, mais de um veterinário. E eu olhei em seus olhinhos cor de mel e pedi chorando que ele não me deixasse.
Era meu companheirinho. Dormia ao meu lado, andava atrás de mim como uma sombra e não saía do meu colo.
Ele teve forças para cumprir nosso primeiro pacto, ali naquela sala gelada, numa gaiola horrível e muito magrinho.
Em troca, dei todos os mimos que pude. Eu comeria PF, mas o Téti jamais provaria uma ração ordinária.
Meu gatinho amava alturas. E ficava na janela contemplando a vida corrida das pessoas.
No calor, apesar do meu pânico de vê-lo doente, eu o deixava dormir sentindo a brisa em seu rostinho.
Eu quero me lembrar de tudo o que houve de bom nesse convívio, apagar todas a s injeções que ele tomou, os remédios, o longo tratamento, sua saúde frágil e seus olhinhos me prometendo mais tantas vidas.
Eu queria apenas ser como donos de bichinhos, que puderam ter seus amigos fiéis por 10, 15, 20 anos.
Eu sei que o Tétinho queria também.
Eu vi no seu olhar de desespero, no último domingo para segunda quando eu o segurei nos braços igualmente apreensiva.
Meu gatinho passou mal uma, duas, três vezes - quatro no trajeto para mais uma internação - e eu não o larguei...eu disse a ele o tempo todo que logo ele ficaria bem.
Ele ficou.
Eu não.
Tétinho foi sedado, medicado. Eu fui para casa ansiosa para que as tais horas de observação corressem para tê-lo de volta.
E a clínica, impessoal e horrível como qualquer hospital, não se deu ao trabalho de me ligar.
Acordei assustada, eram quase quatro da manhã. Me forcei a cochilar, ao menos. E foi coincidentemente nesse horário que ele lutou pela sua frágil existência pela última vez.
Mas não me bateu nenhum mal presságio, eu tinha a certeza de que iria buscá-lo. Planejava, inclusive, um combinado de tratamentos (homeopático e alopático) para não ver meu bebezinho se debatendo e sangrando. Então, ao telefonar para onde ele devia ser mais do que cuidado, salvo, minha alegria foi embora.
Na maca gelada só havia o corpinho cansado. O espírito do Tétinho já estava no céu dos bichinhos junto com a Fifi, a Leozinha...
A diferença e o que mais doeu, por mais que eu imaginasse sua recepção num paraíso, é que ele foi o primeiro bichinho só meu. Não era o gatinho da casa, o cãozinho da casa, o coelhinho da casa...
Meu gatinho, que fazia quem não era afeito a felinos mudar de ideia, que vinha atrás de mim correndo quando eu chamava, que invadia o box durante o meu banho para brincar com as gotículas de água, que enchia minha camisola de remelinha (da qual eu não tinha nojo) nunca mais iria aprontar das suas, pedir carinho, e sobretudo, me dar carinho.
Eu queria que a dor passasse um pouco para escrever uma homenagem...não parar o tempo todo porque as lágrimas insistem em cair. No entanto, se fizesse isso neste espaço, talvez não houvesse previsão de atualização.
Nos meu dedo indicador inchado, as marcas dos dentinhos dele, porque segurei sua boquinha para que machucasse menos a língua durante a convulsão. Serão 10 dias de antibiótico, alguma cicatriz...e esse tempo vai passar e a minha tristeza vai continuar.
Procuro o Téti pela casa. Como se eu fosse outro bichinho que vive neste lar.
Alice, Georginha, Chiquinha também não assimilaram a falta dele.
Meu amor nunca vai ter fim.

E se você tem um animalzinho de estimação, saiba que ele é único, especial e dará cores a sua vida. Meu conselho é ame-o. E ainda que com todas as travessuras, sofás arranhados, tapetes destruídos, cocôs e xixis espalhados onde não deveriam estar...ele será sempre um dos maiores presentes que você vai receber nessa vida. Um presente que só te dará afeto, que vai te admirar como se fosse você, pessoa comum, um Beatle praticamente. Dificilmente (para ser otimista), outra pessoa irá te olhar com os olhos tão ternos e brilhantes quanto os do seu bichinho. Aproveite cada minuto com ele, como eu tentei aproveitar com meu gordinho: um gato-anjo, a estrelinha mais fofa do céu.

4 comentários:

  1. lindo demais! só quem tem um amigo desses tem noção! e, incrível, eles ficam mesmo pra sempre com a gente! meu breoso, por exemplo, me aparece até hoje, lembro dele todos os dias, como velava meu sonho, abria as portas, cuidava da gente! é triste, mas é bom lembrar sempre! beijão!

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  2. Obrigada querida! Nessas horas não há nada melhor do que sentir que somos compreendidos, pois muita gente não entende o apego que temos ao amor incondicional de nossos bichinhos. Beijos

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  3. Muito lindo! O Tetinho merecia sim tão bela homenagem.

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  4. Obrigada Kikinha! Beijos

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