domingo, abril 24, 2011

O melhor dos mundos

Engraçado como as redes sociais nos fazem pensar sobre relacionamentos. Sinal dos tempos o tal status do Facebook. Estar solteiro, em uma relação enrolada, noivo ou casado dizem até pouco, ante aos comentários e curtidas.

Dia desses, uma amiga muito querida reclamou que achava absurdo o aplauso virtual à transição do comprometimendo à solteirice. Talvez a pessoa tivesse sido traída, não quisesse aquele condição e vinha um "Joselito" achar bacana. Entendi perfeitamente.

Mas imaginei essa mesma pessoa numa relação asfixiante, insatisfatória...Estar com alguém não é estar necessariamente em boa companhia. E, contrariando meu amado Vinícius, é bem possível ser feliz sozinho.

Há menos de um ano não tenho ninguém. A vida segue sem marido, amante, namorado, ficante ou paquera. E nunca fui do tipo que ficou muitos meses sem isso. Vivi em longos namoros, que me trouxeram uma bagagem bem feliz e, por fim um casamento. E, entre eles, sempre houve um alguém por quem suspirar ao menos.

No entanto, ao contrário do que eu mesma imaginava, minha condição atual não me causa desespero ou tristeza. Não estou aqui defendendo que eu me basto. Não mesmo. Mas alguém para fazer seu coração disparar e você dizer uma série de bobagens e o outro ter a capacidade achar fascinante é coisa rara.

Outro dia li um texto muito oportuno do Felipe Machado, que foi meu chefe no JT. Eu concordo com cada linha. Vivemos na Era da Fragilidade. Qualquer deslize, dá a sensação de que a fila anda...O cara tem um nariz meio grande, torce para o time adversário, não acha Woody Allen um grande diretor de cinema e...beijo não me liga! Para que perder tempo com a imperfeição, não é mesmo?

Pois eu vivo na minha bolha, no meu infinito particular. Não que vá achar alguém totalmente nada a ver a "alma gêmea" (na qual não acredito), contudo gosto da diferença. Ela azeita, dá repertório e diverte.

Vou falar em fazer rir. Para mim um homem sem humor, é um homem sem pau (com o perdão do termo chulo). Não serve para mim, desculpa. Ele tem que provocar meu sorriso (sem estardalhaço). E não me importo que ele seja magricelo, meio desengonçado...eu consigo ver beleza na total falta de músculos. Eu gosto mesmo daqueles inteligentes, desafiadores. Só que não podem ser pedantes, pelamolho (como eu e a Marianinha costumávamos brincar)...

E nem é tanta coisa ter algum charme, bom humor e inteligência...

Pelo menos eu achava que não.

Balada após balada, eu me preocupo com o grau máximo de empolgação que eu possa atingir naquele momento. Não costumo olhar para os lados.

O resto é boiada.

Todo mundo ali, repetindo as roupas e os trejeitos: querendo ser a cabeça mais valiosa.

Menos de cinco minutos de uma conversa meia-boca e a pegação começa. E opa, o beijo é péssimo! O que é aquela língua molhada na sua orelha? Será que o sujeito sabe seu nome?

Não é dar de princesa inatingível, achar que o fulano vai te levar pro cinema no dia seguinte, para ver o último filme romântico da Sandra Bullock (o que, aliás, eu faço sozinha como tantas outras coisas...).

Ficar é meio idiota #prontofalei.

E eu devia tentar entender a graça. Como respeito, já imagino que faça a minha parte: tem gente que só vê emoção em pegar alguém novo toda semana, que abomina a ideia da relação estável, mesmo que jamais tenha provado a monogamia por mais de um ano.

Casamento também não é isso tudo. Não passa da consolidação de muitas expectativas depositadas em alguém, que não é sua metade (eu já falei, não creio que isso exista). Não somos Vênus e Eros. Somos tão menos...

Leio psicanalistas e psicólogos criticando as convenções, o sexo e os anos que as pessoas passam juntas, como se tivessem desperdiçando suas existências.

Acontece que tão pouco assino embaixo desse papo furado. Batalhar por um amor é perseverar. Enquanto ele acontecer, lógico.

Não sou estudiosa de relacionamentos e falo por mim apenas. E o que serve para mim é que nem calça jeans, nem a modelagem no Brasil chegou num acordo.

Namoro é o melhor dos mundos. Ali é onde eu realmente me senti bonita e desejada. Ali residem o mistério, os bilhetinhos de amor, os beijos de tirar o fôlego. No namoro são os dois nus e as quatro paredes, durante todo o final de semana, sem a preocupação de uma conta chata para pagar.

Talvez eu ache banal ficar, talvez eu não tenha feito as pazes com a ideia de me casar de novo.

O namoro é, com certeza, minha única convicção amorosa do momento. As cores da estação, a última coca-cola do deserto.

4 comentários:

  1. Essa é a primeira vez que passo por aqui. Para não fugir muito do assunto, uso o simples recurso do Facebook e clico (escrevo, no caso) Curti teu post Lud.

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  2. Oi Felipe querido, muito bom ter você por aqui. A casa é sua. Obrigada pelo elogio! Beijo.

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  3. Lud, como que eu não sabia da existência deste blog, adorei, de verdade.

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  4. Volte sempre Flor! Beijos

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