segunda-feira, novembro 20, 2006

Voltando a ser morena...

Depois de muito tempo ostentando a cabeleira vermelha, resolvi voltar ao meu visual de outrora. Ou quase, uma vez que passei pelo processo de descoloração e a cor que predomina em minhas mechas é mais escura que a natural. Sinto-me bem melhor. Não agüentava mais o look falsa ruiva tão banalizado. Foi tudo feito no meu bate-volta para BH. Sexta, por bondade dos deuses, deu tudo absolutamente certo. Pela manhã, ia perder a lotação e o motorista me esperou. Saí tarde do jornal, com a convicção de que não iria conseguir viajar. Ganhei uma carona providencial e havia dois lugares no ônibus. Fiquei com o penúltimo, sendo que o último foi disputado na fila. Assisti a Bubble, fui ao mercado central e só não descansei como devia porque a "cachorrada" ficou latinho embaixo da minha janela porque saiu da segundona. Noite em claro, ainda que eu volte de leito. Sim, eu morro de medo de viajar de ônibus e carro. Devo trabalhar até de madrugada, iniciando árdua e produtivamente minha semana. Faltam 115 dias para minhas tão sonhadas férias. Antes que eu me esqueça, não sou de me gabar pelas minhas matérias. No entanto, minha capa do Variedades de hoje ficou muito legal...Não está na íntegra, então, é bom comprar o jornal.



Blacks da hora
Um passeio pelos antigos bailes da periferia de SP

LUDMILA AZEVEDO ludmila.azevedo@grupoestado.com.br

Entre as décadas de 70 e 80, os bailes black eram a curtição do pedaço na periferia paulistana. Mais do que colocar a turma para dançar, tinham a função de criar tendências musicais ou comportamentais. DJ Hum, freqüentador assíduo das festas, e mais tarde integrante da equipe alta rotação, lembra com saudade desses tempos, como na introdução de Senhor Tempo Bom, composição feita em parceria com Thaíde, uma das homenagens mais carinhosas e dançantes a artistas como Tim Maia, Tony Tornado, Gerson King Combo, Lady Zu, Toni Bizarro, bem como às equipes Chic Show, Zimbabwe e Black Mad e, claro, os jovens que passavam horas na frente do espelho para desfilar nas pistas o modelito psicodélico e a vasta cabeleira.

“Os bailes eram compostos por 90% de afro-brasileiros e descendentes. Dificilmente via-se um branco ali, a não ser que fosse da periferia. Você precisa considerar que estávamos em plena ditadura: meia-noite a televisão já estava fora do ar. Era bom porque a diversão estava fora de casa. Essas festas chegaram a reunir de 10 a 17 mil pessoas, público maior do que muitas bandas internacionais famosas atingem hoje em São Paulo. Eram exibidos filmes sonoros, pois não havia o videoclipe. Tinha também concurso de beleza, sem falar nas coreografias”.

Os passinhos ritmados eram um capítulo à parte. “A gente passava a semana inteira ensaiando porque sabia que quem dançasse melhor pegava todas as meninas”, diz. No entanto, DJ Hum faz questão de ressaltar que a diversão das matinês e domingueiras era bastante tranqüila e até ingênua. “Não se vê isso mais. Para se ter uma noção, eles vendiam pipoca na porta das discotecas. Lá dentro eram só drinques. Não havia frescura. O que os freqüentadores queriam era ficar em meio àquelas luzes, música e vibração. Era um lance magnífico”.

A seleção musical dos discotecários era pontuada por diferentes climas. “As músicas nacionais traziam balanço e samba-rock, que nasceu aqui. Já as internacionais iam de funk, groove, soul até ritmos negros de outras culturas, como a caribenha. Ficávamos atualizados com os lançamentos. O curioso é que os de fora pareciam alcançar maior escala. Artistas brasileiros soltavam discos no mercado com intervalos maiores. A indústria fonográfica não investia muito, porém como os bailes também circularam pelo ABC, o interior e outros estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais, ajudaram a valorizar quem não alcançou devido reconhecimento”, opina.

As questões que afligiam sobretudo a juventude nos anos de chumbo eram tratadas nos bailes. “Tínhamos uma afinidade com o discurso de Martin Luther King e os ideais de liberdade. Na periferia convivíamos como os punks. Éramos de tribos diferentes, mas todos bem politizados”, explica. DJ Hum conta que mesmo que não existisse rusga, cada grupo de jovens dos anos 80 habitava universos distintos, não necessariamente impenetráveis. “Alguns gostavam de pop rock, new wave, heavy metal sem que houvesse um intercâmbio. A primeira vez que isso aconteceu foi em 1986, quando o Nasi, do Ira! convidou DJs, músicos e cantores da periferia para uma festa a My Baby, no espaço Mambembe, que estava organizando junto com o Skowa. Achamos estranho, mas resolvemos ver no que ia dar. Basta dizer que a noite marcou a origem da minha dupla com o Thaíde”.

Na década de 90 as equipes, uma espécie de kit completo dos bailes black foram se diluindo. “Não sou contra a tecnologia, ao contrário, só que as ferramentas de divulgação e acesso a música na internet ajudaram a enfraquecer os bailes na periferia. O som migrou para a região nobre e virou cult”.DJ Hum não é contra o acesso irrestrito do conteúdo da black music e pondera que nem só de nostalgia vive a época. “O hip hop é uma forma de manter essa cultura viva”, conclui. “Mudaram as músicas, mudaram as roupas, mas a juventude afro continua muito louca”.

2 comentários:

  1. Rafael1:59 AM

    Oi Lud. Felizmente comprei o JT ontem. Muito boa mesmo a matéria mas, como já disse, te elogiar é chover no molhado. Depois quero te ver morena hein! Com relação a futebol, o galo é o galo e estamos de volta!rs. Beijo.

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  2. Ei, Rafa! Valeu pelo comentário, mas o galo é osso duro de roer mesmo. bjo

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