segunda-feira, janeiro 14, 2013

Ausência

Eu venho pensando muito em saudades. Esse substantivo, que em outras línguas é verbo. Quisera eu alguns verbos agora...ação.

Senti saudades do mar, planejei uma viagem para o próximo mês.
Senti saudades dele, mas foram quinze longos dias de espera.
Daí percebi que a expressão "matar a saudade" é muito infeliz.
Não se pode matar a saudade, ela jamais deixará de existir.
A saudade não se desgruda da ausência, aquele lugar da impossibilidade.

Foi na ausência que percebi como o tempo pode ser cheio de artimanhas.
Meses atrás eu não pensava em ninguém.
Dias atrás eu pensava nele com esperança do encontro
Hoje eu penso com aperto no coração.

Na ausência  - e na sua terrível iminência - decidimos que a distância seria sofrida, que o que tínhamos ruiria inevitavelmente, que o rompimento seria o caminho possível. Entretanto não é fácil, rápido e indolor.

Eu acordei achando que havia sido um sonho ruim, porém a mensagem não respondida estava lá. Ela me mostra que nesse cada um por si, teremos diferentes maneiras de seguir.

Não farei meu café preto e forte, para aguçar logo os sentidos. Tomarei um chá, por precisar de conforto.

Esquecer quem ainda se quer bem e que te fez bem até dois dias é cair na saudade, perder-se na ausência e agarrar-se firme no tempo, esperando que ele seja generoso e passe rápido.


2 comentários:

  1. O rompimento é sempre triste, quando se é precipitado, mais ainda.
    Mas o rompimento não é infinito. Ele nunca atinge as lembranças... e as minhas são cheias de vida, decoradas com um toque vintage, num lugar aconchegante, boa música, boa comida e a companhia da mulher que me fez tão bem.

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    1. Como disse Galleano, a memória sempre guarda o que valeu a pena. Acho que é o nosso caso e, de certa maneira, um presente que o acaso ou o destino, vai saber, nos deu. Também guardo boas lembranças de você e até as antecipei quando escrevi aquela carta.

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