sexta-feira, julho 30, 2004

Do Desejo - Hilda Hilst

Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.

Antes, o cotidiano era um pensar alturas
buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
tomas-me o corpo. E que descanso me dás
Depois das lidas. Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado
Pensei subidas onde não havia rastros.

Extasiada, fodo contigo
ao invés de ganir diante do Nada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário